SARAVÁ, MULHERES MINHAS!

Amanhã, 08 de março, comemora-se o Dia Internacional da Mulher – um dia que presta-se a homenagear as mulheres que batalharam para que o mundo fosse (e que ainda batalham para que seja) menos hostil a elas, a comemorar as grandes conquistas das mulheres no decorrer do curso da História, a marcar novas lutas, novas batalhas, um dia para sonhar novos avanços no campo político, social e econômico. Só que estamos no Brasil, meus poucos mas fiéis leitores, e eu estou no Rio de Janeiro… e as coisas por aqui têm sempre uma faceta diferente, que nos marca, que nos individualiza, que nos diferencia – razão pela qual o 08 de março acabou virando, por aqui, um dia para louvarmos as mulheres – essas grandes guerreiras, transformadoras, essa força-motriz que ao menos a mim comove de maneira brutal.

Em 03 de setembro de 2011, num rasgo, sem qualquer ligação com qualquer data específica, fiz uma homenagem a várias mulheres que me cercam, aqui (e que reitero, linha por linha). Ocorre que hoje, por conta do 08 de março (e eu, me antecipando um pouco, talvez seja mais lido do que seria se publicasse amanhã, quando antevejo um sem-fim de homenagens a elas), quero erguer, de pé, copo erguido à mão direita, um brinde às mulheres que moram em mim, sustentáculo de mim mesmo, às mulheres que cercam e que me fascinam desde a mais tenra idade.

Seria, vocês hão de convir, tarefa impossível – sou farto na matéria (em 08 de março de 2006 também tentei o exercício, vejam aqui)! Venho de uma família marcada pelo matriarcado (em maio de 2005 exibi minha santíssima trindade, eu, o bendito fruto entre as mulheres – aqui) e as mulheres, desde há muito me são mais-que-familiares.

Quero, entretanto, antes mesmo de descer a lenha na memória pra fazer minhas homenagens, erguer um brinde a uma única mulher, a uma mulher específica, uma que merece, talvez mais que todas (creio ser desinfluente dizer que falo sob minha ótica, nunca é demais explicar, há sempre um boçal pra erguer o dedo acusatório em nossa direção…): Íris Pureza Miranda, mãe da Dani, a mulher que tem nos olhos – com os quais ainda não consigo me deparar sem sentir a fisgada da saudade em forma de olhar – toda a força que um homem jamais poderá almejar ter. A Dona Sá, que é como eu a chamo (Dani a chamava de Sá), segundo o meu particular calendário (sou um homem atado a datas, a marcos etc.), viverá, amanhã, o primeiro 08 de março sem uma de suas filhas por perto – e ela merece, por isso, todas – e todas serão poucas – as homenagens do mundo. Quisera eu poder, amanhã, dar-lhe de perto um abraço, um beijo em seu rosto, para dizer a ela que foi graças a ela que eu pude conhecer, ver de perto, sentir até, a mais bonita expressão de amor nos olhos de uma mãe – e amor de mãe, meus poucos mas fiéis leitores, é amor de mãe. E eu digo a mais bonita expressão de amor porque eu vi, ali, em seus olhos pequeninos, a beleza da dor, a beleza da esperança, a beleza da fé, a beleza da resignação, e até mesmo a beleza da revolta, da angústia, que fazem dela uma mulher gigantesca, tão desproporcional à baixinha que ela é. Não bastasse ter sido a geradora da mulher que me ensinou a sorrir, a mulher que a criou, foi também minha mãe quando precisei dessa faceta, minha confessora e minha confidente. Feito o registro (e abaixo, ilustra este texto um lindíssimo momento entre mãe e filha), vamos em frente que é preciso, sempre e permanentemente, erguer o copo ao humor.

Sigo evocando as mulheres que merecem meu beijo, hoje.

Saravá, Magali, minha irmã, minha comadre, saravá, Maria Helena e Ana Clara, saravá minha sobrinhas, minhas afilhadas amadas, saravá, Sandra, Sonia, Mamaia e Rita – saravá, todas as Pureza, todas! Saravá, Thaís, saravá! Saravá, minha mãe amada, Mariazinha, olhos cheios de carinho e mãos cheias de perdão para comigo – perdoe-me, minha mãe, se precisei ir sozinho ao fundo do poço, com a certeza de que não me faltaria você, nunca. Saravá, mulheres que me antecederam, saravá, Mathilde, Hilda, Alzira, Mathilde de novo, saravá, Ana, Ethel, Anita e Elisa – salve! Saravá, essa pequena mulher que há de saber, quando chegada a hora, o quanto ela é amada: saravá, Isabel, e saravá pra sua mãe, Roberta, a quem amo profundamente, detentora de tantos segredos meus… Saravá, Milena, e esses seus cuidados, e esse seu carinho, e essa quase inversão de papel entre o padrinho e a afilhada… Saravá, pequena Helena… e que seu pai ouça meus apelos – quero vê-la! Saravá, Iara, minha sereia, dona de olhos de azeviche que me comovem. Sarava, pequena Rosa, bailarina do dindo… Saravá, Marcela – por tudo e por tanto, tanto já dito, redito, escrito e pro infinito -, saravá, Sonia, saravá, Lelê… como eu gostei de revê-la no sábado passado! Saravá, Lu Guerreira, saravá, Maria Paula, saravá Lina, e eu jamais vou cansar de dizer que aprendo muito, mesmo estando diante do silêncio dos seus olhos que falam alto. Saravá, Ju Freitas… eu nunca – nunca! – vou me esquecer das flores que você me mandou em outubro do ano passado… nunca! Saravá, Flavinha Calé, por tudo e pela mão estendida diante do meu primeiro grito – obrigado, querida. Saravá, Stefania, comadre querida, irmã que escolhi, por tanto colo, tanto cafuné, tanta compreensão, e saravá, Grazi, por tanto riso, tanta falta de juízo, tanta lindeza, linda, linda, linda pra Tijuca! Saravá – não pode faltar – Adele Fátima, saravá, Tarcisa, a mulher dos seios de mármore! Saravá, dona Gloria, tanta saudade, já, sabia?, saravá, Andréa, prova efetiva de que o tempo é só o tempo, é só o tempo, é só o tempo, a quem reencontro do mesmo jeito, ainda que de longe, mais de 20 anos depois, saravá, Candinha, que me deu de presente, na condição de afilhado-de-rua, o pequeno Benjamin… Saravá, Katita, saravá, Rosa, saravá, Bianca, criação maior da mãe-estrela. Saravá, Leinha, tão paciente, tão cuidadosa, saravá! Saravá, tantas moças, tantas mulheres tão doces, muitas a quem sequer conheço pessoalmente… saravá Carol Lobo, saravá, Janice Ascari, Inês Baptista, Telma Christiane, Renata Petta, Aninha Santos, Samia Helena, saravá, Luiza Fecarotta, saravá, Sylvia Araujo, Sylvie Boechat, saravá, Monica Araujo, gente que sabe encurtar distância valendo-se do afeto! Saravá, Renata, a comunista mais doce que eu jamais conheci – obrigado por nosso Carnaval, Rê. E saravá, Flavinha, a quem eu já disse o que eu nem mesmo sei dizer. Eu ia dizer, também, um saravá pra minha psicanalista (claro, é uma mulher). Soaria mal?

Se escapou-me algum nome – e seguramente me escapou! – perdoem esse incorrigível que vos escreve.

Até.

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9 Comentários

Arquivado em confissões

9 Respostas para “SARAVÁ, MULHERES MINHAS!

  1. ricardoasantos

    Não, não , não….psicanalista não. Apesar de nos abrirmos para essa profissional cujo objeto do trabalho são as emoções alheias acho que a relação deve seguir os mesmos princípios da relação com o contador ( profundo conhecedor de nossas intimidades financeiras ) – sem envolvimento emocional.

  2. Obrigada e parabéns pelo ser humano que você é, irá chegar um dia em que lerei seus textos sem me debulhar em lágrimas! Parabéns a todas as mulheres do mundo, um brinde, meninas aqui do Buteco, e um beijo no coração da minha menina mulher, Juju, e da minha flor-mãe, Claudinha !!!!!!

  3. Sonia

    Hoje (e sempre) Íris, a pequena-grande mulher merece essa carinhosa, linda e emocionante homenagem.

  4. Telma Christiane

    Ai Edu, que linda homenagem, você é um querido, espero poder um dia abraçá-lo pessoalmente e agradecer por tudo. Beijo grande.

  5. Bela homenagem do bem amado para suas bem amadas mulheres. Abraços.

  6. Samia Helena

    Que orgulho ser lembrada por ti… a quem rendo minhas homenagens hoje… por ser tão intenso… tão inteiro com as mulheres… saravá!!!!

  7. Thaís Pacheco

    Saravá, querido Edu! Estou atrasada na data, mas eu considero, e sei, que este carinho é permanente, apenas escolheu o nosso dia para nos homenagear!
    Obrigada por tudo! Ai, ai, meu coração ainda não se acostumou com tudo isso… fico emocionada! Um beijão grande e vamos ver se conseguimos nos encontrar pela Tijuca em alguma 3ª ou 5ª… vi seu bilhetinho! Beijos.

  8. Sylvie Boechat

    E eu que nem tinha visto essa homenagem…descobri somente hoje, Edu! Saravá!

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