A ENTREGA DO PRÊMIO DANIELLI PUREZA

Embarquei em direção a São Paulo no final da tarde de quinta-feira. Foi, seguramente, uma das mais emocionantes viagens que fiz – e sozinho… – por conta de uma dura peculiaridade: eu estava indo viajar por causa da Dani, por causa de cerimônia de entrega do Prêmio Danielli Pureza, para de certa forma encontrá-la em um de seus habitat durante mais de doze anos… com a certeza de que eu não iria vê-la. Foi difícil embarcar, nada que o ônibus leito não tornasse, em poucos minutos, menos doído. Acordei, quase sete horas depois, já em São Paulo.

Até que eu acordei tranqüilo na sexta-feira, ainda mais levando-se em conta o tanto de expectativa que eu guardava desde o dia em que soube da iniciativa da criação do prêmio, como lhes contei aqui. A hora foi avançando, fui sendo tomado por uma emoção diferente, e ainda bem que eu tinha, a meu lado, uma das irmãzinhas que Dani escolheu em vida, nossa comadre, nossa anfitriã de sempre em São Paulo, a Stefania. Tomamos o rumo do hotel no qual acontecia o evento por volta das duas da tarde e às três eu já estava diante do balcão do bar ajustando meus marcadores com um copo de Red Label nas mãos – era preciso. A fama – reconheço – que me cerca é tanta que assim que cheguei já me aguardava a Nathalia, sobrinha do Sergio Barreto (o criador do prêmio), uma espécie de babá a me cercar de cuidados… Chegou-se, também, a inseparável Manguaça, também presente ao evento, e ali, naquele bar, eu fui um homem cercado por seis mãos cheias de carinho, seis olhos cheios de perdão, três moças que bem conhecem do que sou capaz quando arrebatado pela emoção.

Perto das 16h, hora marcada para a cerimônia de entrega do prêmio, entramos no salão destinado ao encontro. Cerca de 400, 500 pessoas, ouviam Sergio Barreto terminar sua apresentação. Foi quando surgiu, no telão, o anúncio: Danielli Pureza Prize.

Eu tinha – preciso lhes dizer isso agora – uma espécie de determinação firmada de mim para mim: iria entregar o prêmio íntegro, inteiro, sem chorar. Só que não foi possível não chorar quando o Sergio começou, ele próprio, a falar da minha menina – aos prantos. No fundo do salão – e a meu lado estavam alguns amigos queridos, colegas de trabalho dela, seu irmão, Marcelo, sua cunhada Thaís… – eu era um sujeito que chorava discretamente à espera de ser chamado.

E fui chamado – e sabe-se lá que esforço eu fiz pra atravessar o salão…

Ainda ouvi o Sergio me apresentando aos presentes – e eu penso que conhecia um terço das pessoas que ali estavam – e foi duro, mas eu consegui!, não continuar chorando diante de tantos rostos lavados diante de mim. Na primeira fila, os mais-mais de minha menina: Mayenne, Jane, Alex Justo, Marcinha, e vi o Anderson, e vi o Mauro, e procurei com os olhos a Luciana Cavalcante, e foi tamanha a emoção que me tomou naquele momento que eu não me lembro – simplesmente não me lembro! – do que foi que eu disse.

Sei que ouvi as últimas palavras do Sergio – “Edu, fale da Dani pra nós…”  – e imbuído de um espírito de herói (eu precisava deixar minha menina orgulhosa…) dei de contar às pessoas sobre a Dani em casa, sobre a Dani falando sobre o trabalho em casa, sobre a Dani falando, em casa, sobre as pessoas ligadas a seu trabalho, e dei de invocá-la, não me lembro como, a fim de que fosse mais bonito o momento da entrega dos prêmios (sim, foram duas escolas vencedoras!).

Tão bonito quanto a cerimônia, foi a noite de sexta-feira. Praticamente todos os que com ela conviveram e muitos que sequer a conheceram, atenderam a meu convite para um brinde à memória da Sorriso Maracanã, no Sabiá, meu bar em São Paulo. E foi um tal de ouvir histórias, declarações de amor e gratidão à minha garota – a generosidade em forma de gente – que eu saí de lá, de volta ao Rio, com a alma leve e com a certeza, ainda mais solidificada, de que sou um homem de sorte por ter conhecido, durante quase doze anos, o verdadeiro amor.

E não faltou, é claro, Raio de Luar, samba que meu mano Fernando Szegeri transformou na marca da Dani – vejam aqui. Quando o Favela tomou do cavaco e cantamos juntos o samba de Nei Lopes e de Dauro do Salgueiro, Dani bambeou no infinito do jeito bonito que só ela fazia, puxando a saia com a ponta dos dedos, aquele sorriso estampado no rosto que eu trazia, colorido, na estampa da camisa…

Até.

P.S.: aqui, a partir dos 12min20s, você pode ver um trechinho da cerimônia.

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7 Comentários

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7 Respostas para “A ENTREGA DO PRÊMIO DANIELLI PUREZA

  1. ANA PAULA CAMPOS

    EDU, vc realmente recebeu um premio de Deus….esse amor que viveram…´e esse amor que te dá forças p caminhar e divulgar a “sua menina” aos que não conhecem e sem nenhuma pretensão faz com que a adoremos!!! bjs mil

  2. Realmente fiquei triste de não poder ter ido, mas meu carinho e gratidão farão sempre com que eu conte, para quem quiser ouvir, a lenda, a força da natureza que é Danielli Pureza. Bjs no coração, Edu (e mais uma vez, desculpe pela choradeira, não deu)!

  3. Ana Paula Faria

    ; )

  4. Mauro

    Dudu, falar da Dani, sempre foi falar de você, dada a extensão do amor que os conectou nesta vida. Confesso que , por razão de viver em Ctba, não tive as tantas oportunidades que gostaria de ter junto a vocês. Mas, trago na memória um dia de São Sebastião, quando fui arrastado após uma reunião de P&D pelos companheiros de sempre, até a rua do Ouvidor, ali no centro do Rio, para saborear a alma carioca. Lembro da Dani me explicando tudo sobre a história do local, ver você a plenos pulmões acompanhar com acuidade e coração a todos os sambas cantados.Cantados como hinos, para pontuar a importância e a riqueza de se ter nascido Brasileiro e de ter o privilégio de participar de um dia de São Sebastião do Rio de Janeiro ao lado de dois experts. Forte abraço.

  5. Edu, eu não a conheci e nem o conheço, mas eu estava lá em meio a multidão emocionada com a homenagem feita a ela. Eu fiquei sabendo da história dela e do seu blog dias antes da Conference e fiquei lendo suas postagens aqui no blog e fiquei imersa na sua história com ela. A forma como você vêm lidando com a dor do desapego me fez refletir muito em como situações tristes, em que encaramos a morte de frente, podem ser na verdade uma oportunidade de vivenciarmos o que realmente vale na vida de forma única, intensa, pura e verdadeira. No dia da eletiva do Pedagógico, eu senti uma energia tão forte e tão bonita naquele salão… senti uma dor que se traduziu em lágrimas que rolavam de minha face enquanto eu pensava que um dia seria eu a ter que lidar com a morte, com a ausência de pessoas que amo e que são meu alicerce aqui na Terra e como o Sérgio disse, que são esses momentos mesmo que nos fazem entender a vida com muito mais clareza e sensibilidade… mas, ao mesmo tempo, eu senti uma luz, uma felicidade vinda da certeza de que poucos podem entender a benção que é viver um amor verdadeiro e puro, um amor que nem mesmo a dor da separação do corpo físico é capaz de diminuir a luz que dele é gerada, pelo contrário, que esse amor é tão forte e verdadeiro que dele mais e mais luz é gerada nos corações de pessoas conhecidas, desconhecidas, visíveis, invisíveis se estendendo e pulsando pelo cosmo alcançado até o coração de quem nem a conheceu… Eu desejo muita força para você nesse momento de aprendizado e provação e quero te lembrar que você nunca estará sozinho, que onde ela estiver ela estará recebendo toda essa vibração de carinho. Até. Caroline Tosta

  6. Edu,
    Não só me emociona a saudade que nos deixa a Dani e mas também emociona ver e compartilhar através de seus textos e relatos uma das formas mais linda de amar que já vi descrita…Que Deus te abençoe sempre e que você possa sempre viver esta saudade de uma forma tão linda…
    Fica bem!
    Fátima Machado
    P&D Revisão…E professora Wise Up formada e inspirada por Dani Pureza…

  7. Pingback: E VEM CHEGANDO O CARNAVAL… | BUTECO DO EDU

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