RÉVEILLON 2011-2012

Eis que chegou 2012, e com ele um balaio cheio de esperanças e de expectativas minhas com relação a um ano mais leve, mais tranqüilo, com mais motivos para sorrir do que para chorar (estamos no quinto dia seguido de chuva e penso que minha cidade deságua no mesmo compasso com que desaguei durante o ano que acabou). Venho hoje ao Buteco, dia 02 de janeiro, apenas para lhes dizer do orgulho maiúsculo que sinto – e cada vez mais! – por viver aqui, na minha mui amada e leal cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Há anos, muitos anos!, eu digo que não faz o menor sentido estar em outro lugar, no dia 31 de dezembro, que não na praia de Copacabana. É como penso: o mundo inteiro almeja e cobiça um pedaço naquela areia, na areia da Princesinha do Mar, na noite do réveillon. E que sentido faria, eu estando e poucos minutos de lá, ir pra outro canto, seja ele qual for? Nenhum.

Embora tenha acordado estranhíssimo na manhã do sábado – cadê ela, cadê ela?, era o que minha alma perguntava em silêncio… – tratei de mudar o rumo da prosa logo cedo. Fui ao mercado pra comprar os ingredientes da lentilha que preparo há muitos anos na noite do réveillon, na companhia do Felipinho, e – primeiro prenúncio de coisa boa! – encontramos, por absoluto acaso, com Candinha, Simas e meu afilhado-de-rua, o menino Benjamin, devidamente apresentado a um troço que, logo, logo, fará parte de sua vida, um dos amálgamas da amizade que me une a seu pai. Pus o moleque no colo e o encaixei, confortavelmente, sobre uma torre de cerveja (notem que, com a mãozinha direita, Benjamin já tentou abrir a primeira de sua vida!).

Tomei, depois de derrubar algumas casco-escuro em casa, o rumo de Botafogo – que seria o QG do réveillon, apartamento gentilmente emprestado pelo Marcelo. Lá cheguei com a Manguaça por volta das duas da tarde, preparei a lentilha, bebíamos de leve pra chegarmos no ponto certo só perto da meia-noite, encontrou-nos a Rob, e tomamos o rumo de Copacabana perto das dezoito horas. Tinha eu, a cumprir, a mais difícil tarefa da última noite do ano: dar meu beijo e meu abraço, nos pais da Dani – dona Sá e Comandante – e no Marcelo, seu irmão, e na Thaís, sua cunhada – na Santa Clara.

Pisar na Santa Clara foi difícil. Profundamente comovido, precisei ancorar no balcão de um comovente pé-sujo embaixo do edifício. Não tive dúvidas… Enquanto Marcela e Rob traçavam uma Antarctica, pedi sem pensar:

– Um Dudu, por favor… – e só quem conhece os efeitos medicinais do Conhaque Dubar 5 Estrelas misturado com Vinho Quinado Dubar sabe do que estou falando…

Subimos. Subimos e desabei. Subimos e desabamos todos. E não foi, talvez pela primeira vez, um choro pesado e triste. Foi a nota do noite, foi emoção em estado bruto. Eu tinha o desenho do Mello Menezes no peito (veja aqui), minha sogra estava vestida de Dani (e eu vi minha menina no fundo dos seus olhos…), seu pai estava comovidíssimo, chorei abraçado com o Marcelo, abrimos juntos um espumante e brindamos à vida e ao privilégio do convívio, por tantos anos, com a mulher que me ensinou a sorrir. Era hora de samba!

Tomamos o rumo do palco diante do Copacabana Palace. Show da Beth Carvalho!, a maior, a maior! Milhões de pessoas diante do palco, Beth com o povo todo entre as mãos, domínio absoluto da festa, e foi em ritmo de samba que parti em direção à Paula Freitas para dar um beijo em vários amigos queridos, muitos deles colegas de trabalho da Dani… Karla, Arlete, Anderson, Marcinha, Mayenne e Jorge com o filhote, foi especialmente emocionante abraçar a Mayenne, uma das mais-amadas da minha menina, e atribuo ao forte abalo emocional associado às generosas doses de Dimple, que a Karla me servia industrialmente, uma de minhas tijucanadas clássicas: enchi a pochete (usar pochete já é uma tijucanada) de incontáveis pães de provolone e muita rabanada, todas as fatias (muitas!) embrulhadas com esmero em guardanapos com motivos natalinos.

Faltando pouco menos de uma hora pra meia-noite, ao mar. E literalmente ao mar. Assistimos aos fogos à beira-mar, pés dentro d´água, e foi a mais linda queima de fogos que já assisti. Quase vinte minutos ininterruptos, vinte e duas mil bombas, todas as cores nos céus de uma Copacabana tomada por mais de dois milhões de pessoas embevecidas diante do maior espetáculo ao ar-livre de que se tem notícia.

O axé daquela festa, meus poucos mas fiéis leitores, é impressionante. Naqueles minutos, são milhões de pessoas, milhões de corações e mentes pensando positivamente, e eu – confesso – nada pedi: só agradeci.

A vocês que me lêem, reforço o que lhes disse no final de 2011: espero que tenhamos todos um 2012 bonito, em paz, cheio de motivos para rirmos e brindarmos, continuamente, à vida e à graça do encontro.

Até.

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8 Comentários

Arquivado em confissões

8 Respostas para “RÉVEILLON 2011-2012

  1. Pôxa, Edu. Não tem como não me lembrar do encontro emocionado com minha sogra e meu cunhado no 1° aniversário da minha filha, em 2009, logo após a partida da minha baixinha. Tristes, mas indispensáveis e necessárias recordações.É assim que fazemos nossas catarses, não é mesmo? …Lindo!!

  2. neiva

    Eduardo…um feliz 2012 para vc e toda sua família!!Mande lembranças para sua mãe, por favor!!!

  3. Edu,
    Du C… já tinha morrido de chorar no outro post, agora apenas curti a sua alegria, sinto-me irmão, sem nos conhecermos. Abraços apertado que este ano seja maravilhoso, para nós.

    Arnobio Rocha

  4. Samia Helena

    “É como penso: o mundo inteiro almeja e cobiça um pedaço naquela areia, na areia da Princesinha do Mar, na noite do réveillon.”. Sou uma dessas pessoas que cobiçam..ah e como desejo…e pelo seus olhos a cobiça se acentua…rs..e a vontade para a ser imperosa…mas vou..um dia..ah se vou!!..Obrigada por potencializar o meu desejo…
    Saudações,

  5. Talitha

    Edu,
    O dia 01/01/11 foi inesquecível pra mim: Começou com aquele delicioso almoço na casa da Manguaça quando, eu, morta de vergonha por não conhecer a Sônia e chegar repentinamente a sua casa, decidimos te pregar uma peça.
    Foi uma tarde ótima; junto a sua menina, assistimos à posse da Dilma e pude conhecer sua famosa lentilha. Aliás, fama muito pequena pela delícia que ela é.
    Obrigada por estes e outros tantos momentos emocionantes que você me proporcionou. Sua generosidade e sensibilidade são sobre-humanas; só quem o conhece melhor sabe dessa alma linda que existe aí dentro. Alma esta que é possível ver no brilho do seu olhar, no aconchego do seu abraço sincero e na sua indefectível – e linda! Pura poesia! – mania de acreditar na vida.
    Eu gosto muito de você, meu amigo.
    E minha gratidão por tudo que você trouxe a minha vida não tem tamanho, nem limites.
    O melhor pra você! Sempre! Neste e em todos os outros anos.
    Beijos,
    Talitha.

  6. Patrícia Silva

    O mar nos acolhe … Essa é uma grande verdade. Outra de igual grandeza é a fé. Fé de que dias de alegria – como tantos que vivemos – possam dar o ar da graça. Cada ano é um mistério. E por isso mesmo, se tornam incríveis! Grande abraço

  7. CARO EDU:
    Teus textos andam ótimos, mais contemplativos e emotivos, bem em cima do momento vivido por ti. Nem sei se o tempo conserta o que vai por dentro da gente, mas precisamos continuar tentando, pois continuamos nesse mundo. Prossiga nessa trilha, que sempre existirá os assim como tu, prontos e receptivos para entender algo escrito com tanto sentimento e emoção. Mas, para reviver algo dos velhos tempos, de quando reproduzia por aqui os belos textos do ALDIR BLANC, o último moicano dentro do jornalão O Globo. Li por aí que no texto publicado hoje ele consegue se mostrar o oposto de tudo o que prescreve a linha editorial do folhetim dos Marinho e toca num tema meio que tabu por lá, o livro “A Privataria Tucana”, fazendo um contraponto com o que Caetano diz no Segundo Caderno. Achei ótimo, Aldir no primeiro atacando e Caetano no Segundo e na retranca. Te peço um favor, desses de leitor. Consiga para seus fiéis leitores a reprodução do artigo do Aldir. Um Ano Novíssimo para nós todos, se assim conseguirmos. HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO – BAURU SP (www.mafuadohpa.blogspot.com)

  8. Pingback: E VEM CHEGANDO O CARNAVAL… | BUTECO DO EDU

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