DO DOSADOR

* Parto hoje à noite pra São Paulo, onde fico até a madrugada de domingo (já lhes conto o porquê). Amanhã, sexta-feira, dia 07, meu mano Arthur Tirone, meu queridíssimo Favela, ao lado do Grego, de João Bico e de Leandro Costa, disputa a final do samba-enredo da Gaviões da Fiel para 2012. O enredo homenageia ninguém mais, ninguém menos, do que Luiz Inácio Lula da Silva – e eu já me ponho a imaginar a emoção do desfile caso se confirme a presença do homenageado. São quatro sambas disputando e eu, ligeiramente escolado em escolha de samba-enredo, estarei lá, levando o axé do meu Salgueiro pra dentro da quadra da Gaviões, na intenção de ver meu mano como vencedor. Vou de vermelho e branco, São Jorge estampado no peito, pra engrossar o coro e ficar na torcida. Sou, quem me lê sabe, o mais parcial dos seres, e é nessa condição que digo, orgulhoso, que não ouvi os outros três sambas mas tenho certeza absoluta de que nenhum deles é páreo: ouça (e veja) aqui (com imagens belíssimas do Lula, diga-se). Mesmo sabendo que, muitas vezes, outras mumunhas, que não cabem aqui, decidem a parada. Vai, Favela!;

* agora vou lhes contar o porquê de voltar na madrugada do domingo (deixando uma dica imperdível). É no segundo domingo de outubro que acontece, em Belém do Pará, a festa do Círio de Nazaré, a mais expressiva manifestação de religiosidade no Brasil – basta dizer que, para os paraenses, mais vale o Círio que o Natal. “Feliz Círio!”, é o que vale. Pois no mesmíssimo dia acontece, na Tijuca, e justo na Haddock Lobo, onde moro, a festa do Círio de Nazaré para toda a comunidade paraense do Rio de Janeiro. É, também, evidentemente que guardadas as proporções, impressionante o furdunço: desde a noite do sábado que começam a chegar carros, caminhões, caminhonetes, trazendo famílias inteiras que armarão, nas calçadas, suas barracas vendendo as delícias da cozinha paraense. A cozinha que é, faço questão do destaque, a mais genuinamente brasileira das cozinhas. Há, então, fartura de pato no tucupi, tacacá, maniçoba, venda de ingredientes que dificilmente são encontrados por aqui (jambu, tucupi…), muita cerveja (com evidente predominância da Cerpa) e muita música. Às seis da manhã a festa começa, por volta das 10h a procissão sai da igreja dos Capuchinhos e a coisa segue até a noitinha do domingo. Rigorosamente imperdível;

* falei da sexta, falei do domingo, não falei do sábado. Sábado, 08 de outubro, é dia de Leonor Macedo – a inadjetivável. Como escrevo agora para só retomar o leme na segunda-feira, antecipo-me no brinde imaginário, erguendo uma senhora caldereta de chope gelado e bem tirado, cheio de espessa espuma, por ela – um ritual que cumpro, por aqui, sempre que aniversaria gente que eu amo. A Leonor, que dispensa apresentações e de quem sou fã confesso, há de viver, porque merece, um grande sábado para celebrar mais um aniversário. Eu, quem me lê também sabe, sou um comovido no dia do aniversário dos meus (o meu, mesmo, eu não gosto tanto). E como a Leonor me comove, e como sempre me comoveu, desde o primeiro dia em que eu a li (e depois, em que eu a vi), estarei vestido, no sábado, não com as roupas e as armas de Jorge – a quem sempre peço, também por ela – mas com a camisa do Corinthians. Uma forma tijucana, talvez, de homenageá-la e de estar mais-perto;

* e pra terminar, e pra não tornar modorrenta a leitura deste Do Dosador de hoje, um breve registro. Assisti, na última terça-feira, a um dos mais bacanas shows a que já fui: João Bosco canta Galos de Briga, no qual João interpretou, ao lado de uma fabulosa banda, as doze faixas memoráveis do memorável LP Galos de Briga, lançado em 1976, todas em parceria com Aldir Blanc. Foram apenas 130, os privilegiados que assistiram, ao vivo, o desenrolar daquele repertório já impregnado na memória coletiva dos brasileiros. Paulo Roberto Pires, a quem tive o prazer de reencontrar por lá, foi sucinto mas disse tudo no blog do Instituto Moreira Salles, onde aconteceu o show: leiam aqui. E agora é torcer pra que a Rádio Batuta, também do IMS, disponibilize, o quanto antes, o aúdio do espetáculo: acompanhem aqui.

Até.

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9 Comentários

Arquivado em confissões

9 Respostas para “DO DOSADOR

  1. Perla

    Que inveja dessa festa paraense aí do lado de sua casa, Edu… (Olha eu aqui de novo chorando na mesinha). A cozinha paraense é um capítulo a parte, mantenho sempre em minha casa, hj no (afff) RS, suprimentos da culinária de minha terra. Sorte ao Favela e os melhores votos para a Leonor, outra que tbm adoro ler. Abraços, Perla

  2. Antonio Carlos

    Cirio fora de Belém so mesmo na Tijuca…abrs ACarlos (vai vir a Campinas?)

  3. Junior Farias

    Dei um goolge “Círio na Tijuca” pra saber mais informações sobre o assunto e acabei caindo aqui no “Boteco do Edu”, afinal sou Paraense e depois de vários anos pela primeira vez não vou passar o Círio na minha terrinha. Claro que como um bom Paraense estarei lá na Tijuca no domingo pra me entupir de maniçoba e pato no tucupi.

  4. Junior Farias

    Ai Eduardo, sabes há que horas esses famílias começam a chegar por lá na Haddock Lobo pra montagem das barracas na noite de sábado? Tô afim de passar lá para fazer umas fotos.

    • Junior: seguramente chegam à noite… Há muita coisa pra armar… Mas eu não saberia te precisar o horário. Eu estarei, como sempre, desde às cinco, seis da manhã, acompanhando o movimento. A procissão sai às 10h.

  5. Reynaldo Carvalho

    http://www.filologia.org.br/xiv_cnlf/tomo_3/2564-2576.pdf
    Um compartilhar. Para ler tomando uma Cerpa Tijuca.

  6. JHAMAL AL RASHID

    VALEU MEU CAMARADA ESTAVA PRECISANDO SABER SE HAVERÁ A FESTA DO CIRIO DE NAZARÉ E QUAL ERA ENDEREREÇO NA TIJUCA. MUITO OBRIGADO E UM GRANDE ABRAÇO. JHAMAL AL RASHID.

  7. mirtes

    Oi Edu muito querido.
    Hoje tive duas alegrias. Você voltando a escrever e ouvir esse samba-enredo.
    Tudo de bom.
    mirtes

  8. Daniel

    Obrigado Edu! Por eu ser paraense quero lhe agradecer pela dica e pelos os elogios a festa do círio de nazaré, realmente a festa é linda, emocinante e com muita fé. Vale muito conhecer essa festa religiosa lá em Belém sempre no segundo domingo de Outubro.
    Edu eu tenho algumas delícias paraenses congelado como o peixe filhote, polpa de cupuaçú e o Açaí, além da farina de tapioca e a farinha paraense e bombons de cupuaçu. Tudo da melhor qualidade, estou a disposição! Valeu e feliz Cirío!

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