BETH CARVALHO, 65 ANOS

Eu nem consigo me lembrar de quando, exatamente, conheci a Beth pessoalmente. E faço questão de frisar o “pessoalmente” porque a Beth eu conheço (e ouço) desde muito pequeno. Meu pai, um homem de gosto restritíssimo, sempre foi absolutamente apaixonado por ela. Pra vocês terem uma idéia, papai é assim: cantor? Só Tim Maia, Dick Farney, Frank Sinatra e Lucho Gatica. Cantora? Leny Andrade, Claudete Soares e Beth Carvalho. Pois desde pequeno, bem me lembro, via o velho chegando em casa, uma ou duas vezes por ano, trazendo debaixo de braço, com um sorriso de criança no rosto, o mais recente LP da Beth Carvalho. Certa vez, em 1997, quando fiz 28 anos, armei uma festa de arromba no apartamento de meus pais, no Alto da Boa Vista (Aldir Blanc escreveu, dias depois, hilariante crônica sobre a efeméride, aqui) – foi a primeira e a última. Duas situações engraçadas naquele dia, fora a retratada por Aldir na crônica: eram mais ou menos 18h e tocou o telefone. Papai atendeu. Deu-se o diálogo:

– Alô? – temos, eu e papai, a voz parecidíssima.

– Oi, Edu! Estou no salão fazendo o cabelo. Me dá de novo o endereço de seus pais…

– É o pai dele que está falando… Quem quer falar com ele?

– Oi! Não precisa chamá-lo, não. Só quero o endereço daí… é a Beth Carvalho.

Papai, que não sabia que ela ia (escondi de propósito para lhe fazer uma surpresa), passou-me o telefone mais branco que sorvete de creme (que quando derrete, vira sopa, como lhes contei aqui).

A outra: no mesmo dia da tal festa estava havendo uma comemoração na quadra da Mangueira por conta do aniversário da verde-e-rosa. Beth já havia me avisado que chegaria tarde e assim foi. Por volta das onze e meia da noite, quando Moacyr Luz (vejam vocês…) já comandava a noitada com seu violão, chegou a aniversariante de hoje com alguns amigos ritmistas, dentre eles o Bira da Mangueira, filho do Padeirinho. Papai, ao vê-la, correu pro quarto e de lá voltou com todos os LPs pra que ela os autografasse, um por um.

Feito o longo intróito, vamos ao que interessa.

Hoje, nesse 05 de maio de 2011, minha querida amiga completa 65 anos de vida muito bem vividos. Mais que isso, vividos em prol da música brasileira, do samba, do Brasil e de seu povo. Eu disse lá no começo do texto que não me lembro de quando nos conhecemos, mas lembro de quando nos apaixonamos um pelo outro (estou, hoje, ligeiramente imodesto): nos primeiros quinze minutos de papo. A nos unir, o amor pelo Brasil, pelo samba, a admiração inextingüível por personagens como Che Guevara, Fidel Castro, Darcy Ribeiro e Leonel Brizola.

A Beth, que no ano passado concedeu-me, e a Luiz Antonio Simas, uma senhora entrevista (leiam aqui), que passou por maus bocados por conta de problemas de saúde, tem mais é que comemorar, com pompa e circunstância, seus 65 anos. Já em 2006, por ocasião de seus 60 anos, prestei-lhe homenagem através desse texto aqui. Em 08 de maio daquele ano, deixou lá seu comentário meu irmão querido, Fernando Szegeri:

“Faço coro, assino embaixo letra por letra, bato o copo em pé e, mão no peito, canto em alto som em homenagem a ela e ao meu mano, em ritmo de samba:

Brava gente brasileira
Longe vá temor servil
Ou ficar a Pátria livre
Ou morrer pelo Brasil…

E mais não se precisa dizer, como sempre. A não ser, para bem dos fatos, o que vai omitido pela compreensível modéstia: que essa gigante gravou – sim, senhores! – uma bela canção de autoria do dono deste Buteco, em parceria com Edmundo Souto.”

Deixei, pois, a modéstia de lado quando publiquei o texto Sinfonia Sacopenapã, em janeiro do ano passado, disponibilizando a gravação, feita ao vivo, da canção de Edmundo Souto para a qual fiz a letra, aqui. Uma grande alegria – mais uma! – que me foi proporcionada por ela.

Como também foi motivo de alegria ter sido a mim confiada a missão de fazer correr sua declaração de voto em Dilma Rousseff em outubro de 2010, aqui.

A Beth é isso, meus poucos mas fiéis leitores: generosa e grandiosa, glória brasileira.

Deixo aqui minha homenagem, minhas flores em vida (sempre!), meus votos de muitos, muitos anos de vida e minha alegria exposta no balcão imaginário do buteco, que eu sou um sujeito que vibra demais no dia do aniversário dos meus mais-queridos. 

Até.

6 Comentários

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6 Respostas para “BETH CARVALHO, 65 ANOS

  1. >A maior cantora do mundo em todos os tempos.

  2. >Ela merece todas as homenagens.

  3. >Linda a Beth Carvalho. Pois vou agora mesmo ao RB tomar uma gelada com o Fabinho e brindar a ela! Longa vida a Beth Carvalho, mais que rainha e mais que madrinha, presidenta! (que melhor combina com ela) do samba!

  4. >Beth Carvalho é uma brasileira máxima, cantora única, botafoguense de quatro costados, além de ser atenta as causas que são sensíveis ao povo desse país.Vida longa a madrinha do samba.Dia 20 estarei no Vivo Rio para me deliciar com ela no palco.Saudações alvinegras.

  5. >Sem falar na coragem de cantar "As moças" em 1977 [LP Nos botequins da vida]

  6. >Olha meu amor, esquece a dor da vidaDeixa o desamor caciqueando na avenida Desfilando eu não vou marcar bobeiraVou caciquear, só vou parar na Quarta-feira Que no ano que vem a minha Estação 1° de Mangueira que irá homenagear o meu querido Cacique de Ramos, coloque a Beth Carvalho no carro alegorico mais bonito do Carnaval 2012!!!

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