OS BOLSONARO

Desde que Jair Bolsonaro, o inacreditável Jair Bolsonaro, deputado federal pelo Rio de Janeiro, eleito pelo PP (Partido Progressista) – e aí já reside uma das maiores ironias da política brasileira! – deu as declarações que deu ao programa CQC (de tão baixo nível quanto o congressista em tela) recentemente, deu-se a bulha no seio da sociedade. Isso só se deve, creio eu, ao fato de que a principal agressão foi em direção à Preta Gil, filho do ex-ministro Gilberto Gil, expoente da música brasileira. Será que não bastou, para a mais aguda indigação com relação a Jair Bolsonaro, o vídeo no qual o deputado diz, com todas as letras, que o erro do governo militar foi torturar e não matar? Não bastou quando ele incitou os pais a usarem da violência diante dos indícios apontando para a homossexualidade de seus filhos? Não bastou quando referiu-se à Presidenta Dilma Rousseff, diversas vezes, como ladra, terrorista, assassina? Acho, franca e sinceramente, que esse homúnculo já foi longe demais. E fiquei satisfeito com o envolvimento da Preta Gil no rol dos insultos do sujeito: se foi essa a gota d´água, melhor assim. Torço para que sigam adiante os feitos distribuídos contra Jair Bolsonaro a fim de que possamos tê-lo, o quanto antes, longe do Congresso Nacional. Feito o breve intróito, vamos aos que quero lhes contar.
Tenho tido, desde então, diversos pensamentos (delírios, eu diria) que me levam a imaginar o dia-a-dia dessa família, a dos Bolsonaro. Deve ser, meus poucos mas fiéis leitores, um ambiente de tanta leveza, de tanta harmonia, de tanta tranqüilidade…
01) Acorda o vereador Bolsonaro. Encontra, à mesa, o pai (ainda de pijamas). Ao lado do pai, o deputado estadual Bolsonaro (notem que, como metástase, espalham-se os Bolsonaro nas esferas de poder). Senta-se o verador. Diz:
– Pai, me passa a manteiga?
O irmão mal disfarça. E ri. Ergue-se o federal:
– Macho come pão seco! Estenda a mão! Estenda a mão!
E com a palmatória, guardada na gaveta dos talheres, castiga o filhote.
02) Ainda um menino, o hoje vereador chega do colégio cantando: “Atirei o pau no gato-to, mas o gato-to, não morreu-reu-reu…”. O pai, de pijama, ergue-se da poltrona e urra:
– Junto!
Cabisbaixo, o vereador obedece.
– Filho, vá buscar o porrete do papai no quarto da escrava! – diz em direção ao estadual, que o obedece. A empregada, a tudo assistindo, chora por dentro ao ouvir, de novo, que é uma escrava.
Volta o estadual. Entrega o porrete ao federal. Este, sentando a borduna no bumbum do vereador, grita:
– Aprenda como se atira o pau no gato, seu frouxo! Macho tem de saber matar um gato na base da porrada!
03) O estadual, certo dia, comenta durante o jantar:
– Pai, quero entrar pra natação.
Ouve-se um soco, seco, no tampo da mesa. Saltam os copos, os talheres, os pratos quicam. O vereador, achando que aquilo era um sinal de satisfação paterna, emenda:
– Eu também…
Ergue-se o pai, de pijama. Olha, com ódio, pra esposa. Espuma. Limpa a baba que escorre pelo canto da boca com a manga do pijama. E vocifera:
– Natação? Querem usar touquinha, suas bichas! Já pro sofá! Os dois! Os dois! De quatro no sofá!
Vai à cozinha, entrega uma nota de dinheiro à empregada (a quem ele chama de escrava) e sussura alguma coisa em seu ouvido. Passam-se 10 minutos. Ele volta à cozinha e vem à sala. Dirige-se aos meninos, ainda de quatro. Ordena que eles se sentem. E enterra, na cabeça do vereador e depois na do estadual, a touca de borracha até a altura do queixo. Balança suas cabeças com raiva e descontrolado, enquanto grita:
– Natação é coisa de viado, seus imbecis! Entenderam?! Entenderam?!
Meia-hora depois, os meninos tontos, assentem e desistem, para sempre, do esporte aquático.
04) Está chegando a Páscoa. O vereador chega, depois de um dia de trabalho na Câmara, trazendo consigo uma sacola da Kopenhagen. O pai ergue a vista sobre o jornal O Globo e pergunta:
– Que porra é essa?
– Ovo de Páscoa para a minha secretária…
Ergue-se o federal, de pijama:
– Ovo de Páscoa? Secretária? Desde quando uma serviçal é chamada de secretária? Desde quando macho compra ovinho de Páscoa, seu imbecil! Me dê isso, agora!
O vereador não titubeia. Entrega a sacolinha.
– Ajoelhe, verme! Agora! Abra a boca!
E enterra o ovo, pedaço por pedaço, na boca do filhote.
Com o passar do tempo, divido mais com vocês sobre meus delírios com essa harmoniosa família Bolsonaro.
Até.
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4 Comentários

Arquivado em política

4 Respostas para “OS BOLSONARO

  1. >Edu, hilário seu post sobre o bolsanaro, mas não valeria um post sobre Jackson Lago. o Episódio dele indo visitar o Leonel no uruguai é um épico.

  2. >O pior foi o vereador dando entrevista defendendo o pai e dizendo que não houve ditadura no Brasil, porque ditaduras são caracterizadas por paredão de fuzilamento, e isso não existiu (será q não?). Pena q não lembro onde vi o link pra colocar aqui.Mas enfim, o q me assusta é q eles são apenas 3 pessoas, não se elegeram sozinhos. A gente anda por aí convivendo (às vezes sem saber) com pessoas que se sentem representadas por esse pessoal.Pra quem já assistiu, só queria deixar registrado q o federal me lembra o militar retratado no filme "Beleza americana". Por causa da rigidez e austeridade, é claro.

  3. >O que me preocupa mesmo, é a quantidade de pessoas que votam neles e os defendem. Perigoso e triste.Quanto a resultar em alguma punição, realmente não acredito.

  4. >Edu, perfeito.Isso não é delirio não!!!Um beijãomirtes

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