O VASCO NÃO PODE EURICAR

(pra meu pai, Isaac, pra Aldir Blanc, Mariana Blanc e Milena Blanc)

Sou, vocês estão cansados de saber, Flamengo há não sei quantas encarnações. Nasci, dessa vez, em 69, em ninho de vascaínos. Vô paterno vascaíno, o velho Oizer (aqui), pai vascaíno, o velho Isaac (que passou pela tristeza de assistir, in loco, à minha conversão, aqui), um irmão que seguiu pela trilha cruzmaltina, amigos mais-que-queridos que dividem a mesma crença, uma comadre que tem ataques apopléticos a cada jogo do time da colina e uma afilhada que tem surtos de ai-meu-Deus a cada derrota. Como se não bastasse, tenho pelo Vasco (e me é evidente que a raiz disso tudo está nas incansáveis tentativas empreitadas por meu pai para me ver vascaíno como ele), intensa admiração (aqui, falo sobre isso). Sou – e já disse isso reiteradas vezes – um homem em estado de profunda admiração diante da torcida cruzmaltina. É, de longe, a mais carioca de todas. A mais cafona – e tenho, pela cafonice, uma atração indizível. E a fase pela qual passa o clube de São Januário (eis o que quero lhes dizer) tem me deixado, saquem a ironia, em estado de profunda preocupação.

Dividi, durante anos, com meus mais-chegados, a indignação por conta da direção do clube, nas mãos sujas do sujo Eurico Miranda. Trocava telefonemas extensos com o Aldir, por exemplo, que tinha ataques de cólera por conta do modus operandi do canalha. Até que, muitos anos depois, muitos anos depois de intenso locupletamento, assume o clube o ídolo Roberto Dinamite.

Por não ser vascaíno, desconheço o que se passa em São Januário. Não sei a quê atribuir a má-fase do Vasco, que ainda não pontuou no Campeonato Carioca de 2011. Sinto, entretanto, o cheiro do enxofre, a proximidade do dedo sujo do ex-dirigente que – quem duvida? – gargalha, com um de seus fétidos charutos entre os dedos, a cada derrota do Vasco da Gama.

É o que queria lhes dizer: solidarizo-me com os vascaínos. Torço pela recuperação do clube, desde que ela não comece no próximo domingo, quando teremos o primeiro Flamengo e Vasco do ano! Torço para ver de novo a cafonalhada em festa, a portuguesada eufórica, Dulce Rosalina balançando suas pulseiras no Orum, meu avô Oizer podendo dizer de novo que o Vasco é “o melhor time do mundo”, e o Roberto Dinamite tendo êxito na condução dessa virada.

Até.

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5 Comentários

Arquivado em futebol

5 Respostas para “O VASCO NÃO PODE EURICAR

  1. >Meu velho avô do coração e pai de Santo, o Vieira, era Vasco. Gastou a grana da indenização que ganhou por um acidente de trabalho que sofreu – ele ficou 6 horas pendurado por uma corda na cintura naquele velho gasômetro da zona portuária – num título de sócio do clube no final dos anos 40, quando o Vasco ganhou tudo. Mais tarde, quando o Calçada e o Miranda tomaram o trono, ele bateu no ombro dos dois e disse:- Enquanto vocês mandarem no Vasco, não ponho mais meus pés aqui.Morreu em 2008 tendo cumprido sua promessa. Foi a única pessoa que me fez ter alguma simpatia pelo Vasco.

  2. >vc é vascaino e não sabe…nuna li um texto de tamanha elegância escrito por flamenguesta! rsrsrsrcara, sou vascaino e tampouco sei o que passa em SJ…pra mim não é coisa do eurico não…

  3. >Parabéns pelo texto brilhante, Edu…Ouço pessoas dizerem que o Vasco é time de pobre, de suburbano…É nessas horas que eu quase me converto à bendita cafonice alegre cruzmaltina!

  4. >Edu querido, admiro sua grandeza de espírito.

  5. >Depois eu que sou o vaselina…r.pian

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