CARTA ABERTA PARA QUEM ME LÊ

Acabo de receber de um de meus leitores um link dirigido para o blog – cujo endereço não me interessa divulgar – mantido pela jornalista gaúcha Maristela Bairros Schmidt (já lhes contei sobre a mesma aqui, no texto Nojo, náusea e vergonha). Para quem já leu, sabe do que se trata: da exposição que fiz dos manifestados desejos da jornalista, dentre eles, todos degradantes, o de que a candidata Dilma Rousseff morra – e morra por conta do câncer que enfrentou e – oxalá! – venceu em meados do ano passado. É isso mesmo. Sem meias-palavras.

Pois Maristela Bairros pôs, no alto de seu blog, o seguinte alerta:

“Devido à perseguição ostensiva e cruel que o sr. Eduardo Goldenberg (“butecodoedu”) tem movido contra mim em twitter, facebook e blogosfera, e diante da preocupação de meus filhos e nora com o que possa acontecer comigo, deixarei, a partir desta data (13.9.2010) de falar em política.”

Diante dessa odiosa mentira, do mesmo cadinho em que foram forjados seus abjetos desejos com relação à futura presidente do Brasil, senti-me na obrigação de vir aqui para lhes dizer meia-dúzia de palavras.

Não é de hoje que vem a mania de perseguição da jornalista. Aqui, em texto de de 26 de março de 2010, Maristela Bairros conta que “alguém do Blog do Planalto tentou me calar me intimidando, através de mensagens (todas elas eu gravei em imagem) quando ousei publicar, em meu twitter, uma observação sobre as pessoas que enviam questões à seção “O Presidente Responde”.”.

Vão tomando nota do delírio persecutório:

“Questionei, com meu direito constitucional de cidadã, a real existência dos nomes que apareciam encabeçando as perguntas, porque estranhei aquela mesmice do texto (muito elaborado) das indagações, sempre tudo pasteurizado, igual. Ironizei, também usando de meu direito de cidadã e principalmente de jornalista, a Secretaria de Comunicação capitaneada por Franklin Martins, por permitir que fossem publicados na internet nomes de pessoas que, numa simples e eficaz pesquisa no Google, só aparecem na seção do blog e nos veículos de comunicação que, eu soube depois, aceitam publicar a tal seção. Na verdade, dos nomes que pesquisei, apenas um aparece em outro espaço que não o do blog e seus parceiros na mídia: trata-se de Lizandra (ou Lisandra) Solla, que tem perfil não-atualizado no twitter, autora de uma pergunta a Lula sobre a Polícia Federal. A questão que ela apresenta, bem como o estilo com que o faz, antagonizam com aquele que ela exibe em suas tuitadas como, por exemplo, as rogativas feitas a Boninho para integrar o BBB.”.

Segue em seu delírio:

“A reação do blog presidencial foi bem ao estilo melífluo petista de, primeiro, desqualificar o oponente. Como não me calei, o passo seguinte foi me enviar um arquivo de word sobre a parceria entre o blog e algumas mídias interessadas em publicar a seção e me chamar de mal-informada. Detalhe: tal documento não esclarece nada sobre os “perguntadores” quanto a serem eles devidamente identificados, já que deles são exigidos apenas nome completo, idade, ocupação e cidade de residência. Nada de número de CPF, tampouco de cédula de identidade. Um risco, portanto, para o próprio blog. E para o presidente, de estar sendo vítima de um embuste.

Mas, ao velho estilo soviético, o BP, em vez de esclarecer, e dialogar, aceitando a crítica, se preocupou em fazer com que eu parecesse mentirosa ou leviana. Quando voltei a reagir, apagou o texto em que me “sugeria” que eu fizesse uma acusação formal, coisa de “estado policialesco”, como bem me disse o senador Álvaro Dias ao tomar conhecimento do fato. Como um patriarca de antanho, a pessoa por trás do BP me ameaçou literalmente assim: “olha o bom-senso”. Algo como “se não ficar quietinha, vai ser castigada.”

E continuou e continua nesta linha, sem esclarecer sobre o que foi observado a respeito da seção de perguntas e respostas, mas mantendo a pressão. Inclusive a quem se manifesta a meu favor, tentando fazer crer, publicamente, que sou criminosa. Nunca, nem na época da ditadura militar, em que estudei jornalismo e comecei a trabalhar sob o tacão e a censura do governo Médici, vi tamanha demonstração de fria arrogância e exercício do poder acima de qualquer limite.

O Blog do Planalto usa da hostilidade vazia para me levar a desistir de apontar falhas num espaço criado para ser esclarecedor, muito embora seja, do modo como se apresenta, um blog do presidente e não da presidência. Este é um blog que não mostra expediente (qualquer jornal ou revista sabe que isso é o correto), que não abre espaço para comentários (e ainda se justifica) e tem na equipe alguém que usa termos muito jornalísticos e sérios como “marola”. Seria cômico, não fosse trágico o fato de que, com nosso suor e nossos impostos, pagamos o salário de todos que fazem este blog. O mínimo que poderiam fazer é dirimir nossas dúvidas e, sem sarcasmo, pressão, intimidação ou dissimulação, nos tornar, em vez de contendores, seus seguidores por ver neles um real valor.

Em tempo: tenho tudo bem documentado em imagens, e a troca de twitters, bem como minhas dúvidas e até sugestões para uma maior qualidade do blog, foram encaminhadas para alguém que começou sua vida profissional a meu lado, na Rádio Gaúcha, naqueles anos 1970, e que hoje integra a comunicação do governo Lula, na TVBrasil, meu estimado, sério e competente José Roberto Garcez. Que, infelizmente, nada me respondeu.”

Bom. Fico com certa pena por conta da solene ignorada que a jornalista recebeu do seu “estimado, sério e competente José Roberto Garcez”.

Comigo o método é outro: nunca (com a ênfase szegeriana) fugi de debate algum. Jamais procurei desqualificar qualquer oponente. Razão pela qual perco meu precioso tempo fazendo este breve alerta a quem me lê, não a ela, que mente, mente, mente, contorce as palavras e pretende – não aqui! – fazer o lamentável papel de vítima.

Vasculhem, vocês, se tiverem paciência, tudo o que escrevi desde que me deparei com as ignomínias assacadas pela jornalista contra Dilma Rousseff. Não bastasse o desejo da morte de outrem, quem de perto me conhece sabe o quanto me revirou o estômago ler, e reler, o manifesto de Maristela Bairros: “torço para que Dilma fique doente e para que Lula tenha derrame”. Nem assim, meus poucos mas fiéis leitores, nem assim fiz qualquer ameaça àquela que agora esperneia através das redes sociais disponíveis acusando-me de persegui-la ostensiva e cruelmente. Seus filhos e sua nora – que estão preocupados, segundo a mesma – deveriam ter é vergonha da mãe e da sogra que escreveu o que escreveu para depois dizer que não disse o que disse.

O que eu talvez tenha feito quando expus a nojeira que brotou de sua lavra – e o Blog do Planalto, e estou, aqui, digressionando – foi ter ressuscitado o espírito de seu avô Alfredo:

“Minha mãe, que tem quase 82 anos, sempre que quer criticar o que ela chama de “o excesso de liberdade de hoje em dia”, reconta uma das histórias do meu avô Alfredo: “A gente morria de medo do papai. Ele sentava à cabeceira da mesa, sério, e era o primeiro a ser servido pela mamãe. Todos tinham de ficar quietos, não dar um pio – só se ele puxasse conversa. Se papai ouvisse um comentário, uma risada que fosse que ele não houvesse autorizado, levantava os olhos do prato e dizia, sem alterar a voz, grave e baixa: ‘vamos calando a boca aí’. E nós simplesmente nos calávamos”.”

O texto Nojo, náusea e vergonha deve ter soado para ela – a perseguida – como um “vamos calando a boca aí” (que é o que eu diria, mesmo, para quem dissesse uma desonra contra quem quer que fosse como a que ela disse quando escreveu aquela barbaridade). Anos depois, e graças à liberdade que vivemos no Brasil de hoje, ela não precisa mais ficar “simplesmente calada” como ficava sua mãe. Pode esbravejar, como tem feito. O que não pode é mentir.

Até.

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6 Comentários

Arquivado em política

6 Respostas para “CARTA ABERTA PARA QUEM ME LÊ

  1. >Qual perseguição cruel que ela te acusa? baseada em quê?Abraços

  2. >Sueli Halfen: desconheço, sinceramente. A dita jornalista, pelo que percebi e pelo que expus (com relação ao BLOG DO PLANALTO), sofre de delírio persecutório. Na troca de mensagens pelo twitter, tentando explicar a quem me perguntava o nome da jornalista (se era Maristela Bairro, como ela assina na citada rede social, ou Maristela Bairros, com "s"), disse que seu e-mail tinha o "s" no final, diferente do nome usado na rede, que é @maristelabairro. E-mail, diga-se, disponível em um de seus blogs. Ela, então, parece que por conta disso, passou a se sentir "ameaçada" e com "medo" do que possa vir a acontecer com ela. Garanto a você, Sueli, que tudo não passa de paranóia. O que é, aliás, bem típico de quem considera Dilma Rousseff uma "terrorista", de quem torce para que a mesma adoeça, de quem torce para que o Presidente da República sofra um derrame. O que ela teve, a bem da verdade, foi vergonha de ver seu preconceito e seus desejos mais abjetos expostos na grande rede. Assombra-me, confesso a você, tratar-se de uma jornalista. Um abraço.

  3. >Olha,se torcida contra o Lula e a Dilma desse certo,eles já estariam mortos e enterrados há muito tempo!Existe um princípio muito simples,o Princípio da Realidade…Podem torcer,rogar pragas de ciganas,fazer batuque,vudu,não vai adiantar nada,pois a realidade não funciona assim.E dia 3 ,acho,tenho quase certeza,(afinal,só às 17:00h do dia 03/10/2010 vamos ter certeza)o nosso Brasil vai ter uma Presidenta,e das boas.abraços

  4. >Sueli: pois diga isso à sua conterrânea aí de Porto Alegre! Um abraço, até a vitória!

  5. >Diz tu , eu fora!!!!!!Tu tem o email dela,e na maioria das x é malentendido…Manda um email prá ela esclarecendo tudinho.Rá Rá… duvido ou não??????Se não for má vontade,tu que "é MENINO " manda esclarecimentos prá uma guria do sul !Vamos AGREGAR e não SEPARAR !Abraços do sul congelante…abraços Sueli

  6. >Não mandarei, não. Ela se comporta – e isso está muito claro – como alguém que não tem disposição para o contraditório. Que fique assim, então. Obrigado, um abraço.

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