Arquivo do mês: agosto 2010

É PRECISO LUTAR CONTRA O ESMALTE

Antes que vocês torçam o nariz pro título do texto que publico hoje, explico: está correndo pela grande rede, no YOUTUBE, um vídeo no qual um outrora amante dos “botequins mais vagabundos” diz, sorrindo:

– O Pirajá pintou as unhas do pé-sujo.

Com esmalte, me parece evidente.

Feito o intróito para explicar o título do texto, vamos ao que tenho a lhes dizer hoje. E quando quero falar algo com um tom um pouco mais ponderado, sem a borduna e as armas feitas de metal que carrego permanentemente no bolso, recorro a quem tem a mesma gana que eu com muito mais elegância, digamos assim. Vocês que me lêem sabem há quanto tempo luto – eu diria que quase sozinho, hoje bem menos, é verdade… – contra esse movimento que não descansa um segundo da tarefa que cumpre com competência: destruir os “botequins mais vagabundos” aos quais eu não resisto. Meu mano Luiz Antonio Simas, certa vez, chamou a coisa de “campanha cívica” – e esse hiperbolismo me comove. O troço começou há muito tempo, e há muito tempo faço deste blog uma trincheira contra essa nojeira. Vejo, hoje, com indisfraçável alegria, o desmoronamento dessas grandes redes de franquia, o que infelizmente não significa ter de volta os estabelecimentos muitos simples adquiridos, derrubados e transformados por esses anti-brasleiros.

Pois bem: em 03 de novembro de 2009, Luiz Antonio Simas, brasileiro máximo, escreveu um tratado sobre o tema, DO PORTO AO BOTEQUIM, UM CHAMADO AO BOM COMBATE, aqui. Escreveu lá, o seguinte:

“Vivemos, e isso não é novidade alguma, tempos de uniformização dos costumes, fruto deste tal de mundo globalizado. Em cada canto desse mundaréu, ligado por redes transnacionais de telecomunicações, as pessoas assistem aos mesmos filmes, vestem as mesmas roupas, ouvem as mesmas músicas, falam o mesmo idioma, cultuam os mesmos ídolos e se comunicam em cento e quarenta toques virtuais.”

O que quero lhes dizer é que essa nojeira que fazem com os botequins – e isso é uma luta minúscula, inglória, mas é uma das partes que me cabem nesse latifúndio do bom combate -, fazem também com o carnaval (e Fernando Szegeri é mestre no assunto), fazem também com a culinária brasileira, com a literatura brasileira, fazem – e mais agudamente agora com a aproximação da Copa do Mundo de 2014, um verdadeiro tiro no pé do nosso povo, dos nossos estádios – com o futebol no Brasil.

Mestre Simas – a ele recorro de novo – está cansado de dizer, como disse quando esculhambou o nefasto festival COMIDA DI BUTECO, aqui:

“Entendo cultura como todo o processo humano de criação e recriação de formas de viver. Cultura é o conjunto de padrões de comportamento, elaboração de símbolos, visões de mundo, crenças, hábitos, tradições, anseios e que tais que caracterizam e distinguem um determinado grupo social.

É nesse sentido que a própria economia deve ser vista como um cadinho do processo cultural que caracteriza os povos. As relações econômicas também são elementos constitutivos do modo de ser de um grupo – e aí podemos refletir sobre uma pá de coisas, dentre elas a maneira como diferentes grupos socias encaram os atos de consumir, trocar, vender, comprar, se desfazer de um bem, valorizar ou não um objeto, etc… Tudo isso é elemento constitutivo de cultura, feito comer, dançar, rezar, enterrar os mortos e acordar as crianças.”

Pois o que quero lhes dizer hoje é o seguinte: recomendo vivamente os blogs de três brasileiros que, à minha moda, sentam o cacete nessa canalhada que luta, incansavelmente (em benefício econômico próprio e em detrimento do que é nosso!), contra uma de nossas mais caras tradições: o futebol e o hábito de ver o futebol, de ir aos estádios, e de torcer como manda a nossa cultura.

Restringir-me-ei, aqui, por exemplo, ao que vêm fazendo com o Maracanã, que é aqui, na minha aldeia.

Eduardo Goldenberg no colo de Isaac Goldenberg, Maracanã, 1969

O Maracanã, que conheci com meses de idade levado no colo por meu amado pai (a foto acima é de 1969), o Maracanã que vovô Milton defenestrou de sua vida em 1950 depois da tragédia assistida in loco, que foi a final contra o Uruguai, o Maracanã que me viu, menino de calças curtas, delirar com o gol de Rondinelli, contra o Vasco, em 1978 – meu primeiro título -, esse Maracanã não existe mais. Não existe mais depois das inúmeras reformas que enriqueceram empreiteiros de merda, marqueteiros de merda, dirigentes de merda e que transformaram o “maior do mundo” num epíteto mentiroso. E não existirá mais nem seu espectro, salvo na alma de quem o conheceu fervendo, depois da reforma recém-iniciada visando a adaptação do estádio ao tal padrão FIFA, essa matrona vagabunda que, guardadas as devidas proporções, faz com os estádios do mundo inteiro o que as grandes redes de franquia fazem com nossos “botequins mais vagabundos”. E há quem sorria valendo-se da patética imagem do “esmalte nas unhas”.

A reforma do Maracanã começou e um tal consórcio (o nome é perfeito para ilustrar a reunião dos ladravazes) composto por empresas que roubam dinheiro público sem pudor algum já deu início ao assassinato lento do gigante de concreto, que culminará com o enterro definitivo do Estádio Mário Filho quando ali acontecer a primeira partida da Copa do Mundo de 2014.

Mas enfim… recomendo vivamente a leitura de PAPO NA COLINA (aqui), FORZA PALESTRA (aqui) e CHUTA QUE É MACUMBA (aqui). O primeiro é escrito por João Medeiros, um vascaíno (como papai, como meu irmão do meio, como meu vô Oizer…), o segundo por diversos membros de um grupo que tenho chamado de tropa palestrina (Barneschi, Felipe Giocondo, entre outros) e o terceiro por Claudio Yida Jr., um corinthiano japonês, comunista, anti-nipônico e amante confesso da Tijuca (façam vocês uma idéia do que seja isso…).

Às armas!

Até.

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GETÚLIO VARGAS – 56 ANOS SEM ELE

A humilde homenagem deste blog à memória de Getúlio Vargas, morto em 24 de agosto de 1954. 56 anos depois, mais que nunca (e como sempre), é dia de reverenciar o nome deste grande brasileiro!

Getúlio Vargas

Ouça aqui!

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>BACANA DEMAIS, A FORÇA DA REDE

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Quem me lê sabe: vira-e-mexe eu preparo uma receita mais bacana em casa e faço questão de dividi-la com vocês, meus poucos mas fiéis leitores. Em 10 de maio desse 2010 mostrei pra vocês a receita de um risotto de limão siciliano com filés ao molho de mostarda que preparei na casa de meu irmão e minha cunhada, em Santa Teresa (aqui). Poucas coisas são mais prazerosas, pra quem mantém um blog, do que as respostas que chegam dos leitores. Pois foi um gratíssima surpresa o e-mail que acabo de receber de Carlos Eduardo Nogueira Machado, meu camarada Didu Nogueira, que me autorizou a transcrever a simpaticíssima mensagem, à moda de quem a escreveu:

“Meu camarada, como azelite da informática me chamaria, sou um Lula no que se refere aos (des)caminhos do computador, ferramentas e outros bichos. Entrei no seu blog (no melhor sentido) e me deparei com uma receita de risotto de limão siciliano e resolvi fazê-la. Somente o risotto. E não sei se o amigo sabe, mas encontrei o amor da vida que na verdade conheço há 35 anos e certamente não haveria melhor cobaia para a ocasião. Como a infra da minha casa não permite essas viagens, esperei ir à Brasília, onde Tânia mora, e arrisquei. Sucesso! Maravilhosa receita que deu ainda mais sabor a esse momento mágico que estou vivendo. Beijo, Didu.”

Até.

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>BRIZOLA – IMAGENS INÉDITAS

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“O ano de 1982 foi inesquecível. Não foi só pela Copa do Mundo, a seleção do Telê, que era excelente mas não ganhou. Naquele ano de 1982 também houve uma eleição que mudou o panamorama da política no Rio de Janeiro e no Brasil. Logo após a anisitia, depois que os exilados retornaram ao país, os líderes políticos de esquerda tentavam a sorte pelas urnas. Não havia eleição para presidente da república, mas para governador, sim. E foi nesse cenário que emerge a figura de Leonel de Moura Brizola. Ele foi muito filmado em Super 8. Praticamente toda a trajetória daquela campanha eleitoral está registrada em filme Super 8. Foi, como se dizia na época, a briga do tostão contra o milhão. Contrariando todas as expectativa dos militares, Brizola foi comendo pelas beiradas e venceu apesar das tentativas de fraude e de seu nome ficar associado à cocaína. As cenas que você vai ver agora nunca foram mostradas. São inéditas. As imagens dizem tudo, não é preciso comentário.”

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>VARANDÃO SONORO DOS SÁBADOS

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Aproveitando a onda vermelha que se espalha pelo Brasil, ainda mais agudamente detectada pela mais recente pesquisa do instituto DATAFOLHA que aponta uma vantagem de 17 pontos de Dilma Rousseff sobre o tucano, escancaro os janelões do varandão pra fazer tocar um dos mais bonitos e emocionantes jingles já utilizados em campanhas políticas. Foi um jingle visionário, inclusive. Não dá pra parar um rio quando ele corre pro mar, não dá pra calar o Brasil quando ele quer cantar. Aumente o volume, não tenha medo ou pudor! Nosso desejo – de querer um Brasil mais decente, com direito à esperança e uma vida diferente – foi atendido e só depende de nós fazer o Brasil seguir na mesma trilha. É só você querer. Vai dedicado – profundamente emocionado – para minha mais-querida Sonia Maria Zampronha Roque.

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Até.

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>A DILMA É POP

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Como lhes contei anteontem, aqui, mandei fazer uma camisa com a imagem de Dilma Rousseff em estilo pop, nova febre entre seus eleitores pelo Brasil afora depois que o tiro da revista ÉPOCA, que tentou denegrir sua imagem com a risível reportagem publicada no início da semana, saiu pela culatra.

Pois um de meus poucos mas fiéis leitores mandou-me outra imagem, bem bacana, com a inscrição LULA TÁ COM ELA, EU TAMBÉM TÔ (vejam a imagem abaixo).

Para que você a tenha, caso queira mandar fazer também sua camisa, é só clicar aqui e fazer o download da imagem. Já mandei fazer a minha, em camisa de malha preta. Ficou bacana demais!

material de campanha de Dilma Rousseff

Você que me lê do Rio, saiba que no próximo sábado, 28 de agosto, haverá caminhada com Dilma e Lula, na praia de Copacabana. Uma grande oportunidade para você comparecer vestido com sua camisa. O sucesso, garanto, será certo.

Às armas!

Até.

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>ÊPA, BABÁ!

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Eu tenho um tremendo orgulho de desfrutar da amizade de Luiz Antonio Simas, seguramente uma das mais geniais cabeças de minha geração. Há extamente 4 anos e 2 dias, em 17 de agosto de 2006, vejam aqui, o velho Simas dirigiu-se a mim pela primeira vez, ainda virtualmente:

“Eduardo, sou um leitor assíduo do blog, morador do Maracanã, amigo do peito do grande Rodrigo Ferrari (da inestimável livraria Folha Seca) e admirador das suas campanhas cívicas – sim, cívicas – contra as sem-vergonhices do Jota e dos Leblons da vida. Mas sempre estive em silêncio obsequioso. Hoje, porém, vou me manifestar: sensacional! Como eleitor e admirador do velho, aplaudo de pé a cena! Quanto ao Roberto Talma…nunca me enganou! Francamente… Abraço.”

Pouco tempo depois Rodrigo Ferrari apresentou-me ao caboclo num final de tarde na livraria do meu coração, a FOLHA SECA. Sou grato ao Ferrari por conta disso. Não poderia supor que ao longo desses quatro anos fôssemos construír, eu e Luiz Antonio Simas, uma relação tão fraterna que mistura nossas famílias, nossas mulheres, nossa história.

Tenho, pelo Simas, como se não bastasse a profunda admiração que me impacta constantemente, imenso respeito. Simas é um mais-velho, tão moço que ainda é. Sabido, “egresso da Baixada Fluminense”, como me disse ontem à noite durante um jantar lá em casa, ama o Brasil como poucos, conhece o Brasil como poucos, respeita o Brasil como poucos e não transige quando o assunto é defender a pátria, um amor incondicional comum que temos dentre tantos outros. Foi através dele que pude manter contato mais próximo com as coisas do invisível, e não foi pouca a festa que fizemos quando descobrimos que somos filhos de Ogum, não foi pouca a emoção quando recebi, de suas mãos, o ileke que tenho como uma guarida de axé, e por conta dele canto pra dentro, em sinal de respeito e devoção, “Babá me estenda mão, alivie a minha dor enquanto pila o pilão”.

Fiz o intróito e quero lhes dizer: o Simas escreveu (mais um) um tratado sobre o momento que vivemos no Brasil de hoje. Seu texto O SEGREDO DE LULA (que pode ser lido aqui) é fundamental para a compreensão exata da imperiosa necessidade de vermos o governo Lula continuado com a eleição de Dilma Rousseff. Sugiro que o texto, abaixo transcrito, seja lido ao som de CANTO DE OXALUFÃ, de Toquinho e Vinícius de Moraes.

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“É impressionante como uma parcela significativa da elite letrada brasileira não consegue engolir a presença de Lula na presidência. Mais do que uma oposição fundamentada em razões consistentes para criticar o governo, boa parte da oposição a Lula me parece fruto de preconceito deslavado – menos contra a figura de Lula do que contra a carga simbólica que sua trajetória representa.

Somos um país históricamente marcado pela valorização demasiada da cultura bacharelesca e, ao mesmo tempo, por quatro séculos de escravidão que acabaram por desqualificar completamente o trabalho manual. A primeira constituição brasileira – a carta do Império de 1824 – estabelecia o voto censitário e preservava o escravismo, com o argumento de que libertar escravos atentaria contra o direito à propriedade privada. A primeira constituição da República – a de 1891 – proibia o voto do analfabeto e, ao mesmo tempo, não atribuia ao estado brasileiro o dever de alfabetizar a população. O Brasil, em resumo, foi pensado por sua elite política e econômica a partir da perspectiva da exclusão das massas populares do exercício da cidadania e do acesso ao saber formal.

Lula, nesse sentido, foi o presidente que mostrou a essas elites que o Brasil pode, para elas, dar errado. Sim, porque até agora, na perspectiva dos donos do poder, o Brasil vinha dando certo. É simples: a exclusão social brasileira não foi resultado de políticas fracassadas. Ela foi pensada e praticada como um projeto de Estado-Nação. A chegada de Lula ao poder e a aprovação popular ao seu governo tem uma dimensão simbolica única na trajetória brasileira – é o tapa na cara da elite bacharelesca que se sente detentora do saber-poder desde sempre e não admite o sucesso do sujeito sem educação formal que, como homem comum [daí a sua grandeza] que é [somos], ocupa o cargo outrora destinado aos fidalgos do bacharelismo.

O horror de muitos adeptos da cultura bacharelesca – a tal da cultura formal – ao presidente do Brasil é o pânico diante da ameaça ao monopólio do saber instituído que essas elites sempre prezaram e exerceram. O recado que a trajetória de Lula manda aos doutores é a expressão viva da bela meditação de Vinicius de Moraes em seu Canto de Oxalufã:

Você que sabe demais
Meu pai mandou lhe dizer
Que o tempo tudo desfaz
A morte nunca estudou
E a vida não sabe ler

O beabá
Não dá pra ninguém saber
Por que é que há
Quem lê e não sabe amar
Quem ama e não sabe ler?

Você que sabe demais
Mas que não sabe viver
Responda se for capaz:
Da vida, quem sabe lá?
Da morte, quem quer saber?

Oxalufã, o Senhor do pano branco, avisa aos sabichões que o mistério do homem se instaura no tempo que a todos iguala no caminho da Noite Grande – a morte, afinal, nunca estudou e a vida não sabe ler. O conhecimento formal nunca foi sinônimo de conhecimento vital, sabedoria de vida, revela o poeta em sua prece ao grande orixá.

As elites sofisticadas brasileiras, os sabichões intelectuais, as viuvas do príncipe da sociologia FHC, os intelectuais orgânicos da plutocracia paulista, os donos dos bancos acadêmicos que vêem seus tronos doutorais ameaçados pela adoção do sistema de cotas sociais e raciais no Brasil, os conhecedores de verbos certos e letras mortas, não compreendem o sucesso de Lula por um simples motivo: É a eles que o poeta – ridicularizado por membros dessa mesma elite quando se aproxima da Umbanda e do Candomblé – se dirige quando indaga:

Por que é que há
Quem lê e não sabe amar
Quem ama e não sabe ler?

A resposta, senhores, ao mistério da popularidade de Lula está na pergunta que o poeta faz ao orixá que nos acolhe debaixo de seu alá funfun e guarda os segredos do mundo na ponta do Opaxorô, o cajado sagrado. Durante quinhentos anos o Brasil foi governado pelos letrados.

Começou a ser, com Lula, governado por quem ama.”

Até.

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