COVARDIA E HIPOCRISIA DE MÃOS DADAS

Zuenir Ventura, a quem tenho incontáveis restrições (que não vêm ao caso neste momento em que lhes escrevo), foi autor de uma tremenda bola fora (mais uma) em sua coluneta n´O GLOBO de hoje. Dêem uma olhada na imagem abaixo, trecho final de seu texto publicado na página OPINIÃO do jornal.

Leram? Vou repetir:

“Não é possível que um jogador, ídolo e artilheiro da maior torcida do Brasil, possa dar declarações tão irresponsáveis a uma televisão sobre a sua clara ligação com traficantes pesadamente armados, e considerar isso um fato normal, corriqueiro. Se não fosse uma figura pública, já seria errado. Sendo um ídolo e um exemplo a ser copiado naturalmente pelos que admiram seu futebol, crianças, inclusive, é péssimo para o esporte, para ele, para o Flamengo e para a sociedade.”

Zuenir, covardemente, hipocritamente, lava suas mãos e fecha com um estúpido “nada a acrescentar”. Mas eu tenho, vamos lá.

Pra começar, vou ser sucinto: Adriano e Vágner Love só estão sendo perseguidos pela mídia (hoje por Zuenir Ventura) e pelos clássicos membros da classe média mais odiosa por uma razão muito simples… Ambos são de origem humilde. Nasceram pobres. São pretos. E a escumalha elitista adora complementar o tratamento com os tarja-preta liberando o ódio que sente pelos que são humildes, pelos que são pobres, pelos que são pretos.

Vamos a exemplos – e eles poderiam ser tantos que eu lhes cansaria se fosse expô-los, todos, um a um.

Adriano envolveu-se num barraco com a namorada (ou noiva, pouco importa). O barracou deu-se numa favela. Não numa favela qualquer. Mas na favela onde Adriano nasceu e onde foi criado. Manchetes, reportagens sensacionalistas, dedos indicadores podres apontados em sua direção.

A atriz Suzana Vieira, por exemplo. Barraqueira de carteirinha (para usarmos expressão popularíssima), notoriamente uma grossa no trato com os que ela considera “mortais”, quando expulsou – depois de um barraco (a repetição é proposital) semelhante ao que envolveu Adriano na favela – seu marido de casa (morto mais tarde por conta de envolvimento com drogas), na Barra da Tijuca, foi tratada como celebridade agredida com pose de estátua e vítima. A VEJA, lixo em forma de revista, entrevistou “uma das atrizes mais bem pagas do Brasil” e não houve uma grita na grande imprensa (leiam a patética entrevista aqui). É permanentemente chamada para entrevistas na televisão, tratada como divindade (praticamente mumificada) durante as transmissões do Carnaval e idolatrada pela classe média, pelas donas-de-casa, pelos cidadãos de bem pagadores de impostos.

Maria Gadú, essa que foi catapultada, repetinamente, à condição de diva da música brasileira, envolveu-se recentemente num barraco, num piti, no aeroporto do Galeão. Agrediu, foi o que disseram, funcionários de uma companhia aérea. A imprensa? Até que tentou, parece, obter mais informações sobre o episódio. Mas os assessores da cantora abafaram o troço (vejam aqui). Queridíssima da imprensa meia-boca, é apresentada pelo Faustão como “um grande caráter” (não estou dizendo que ela não é, nem a conheço, mas a diferença de tratamento é aviltante), exaltada por sua discografia de um disco só e a patuléia baba diante da cantora.

Vamos a Vágner Love. Ele foi filmado chegando a uma favela (onde, como Adriano, tem amigos, onde foi criado) cercado por traficantes armados (deferência que essas comunidades concedem a quem consideram, digamos, importante). Deu-se a grita.

Essa escória incomodou-se quando o falecido Michael Jackson filmou um de seus clipes no alto do morro Dona Marta? Alguém achou (ou acha) que os produtores do cantor pediram autorização às autoridades legalmente constituídas para a realização das filmagens? Zuenir Ventura teria achado, à época, um mau exemplo para os fãs de Michael Jackson o fato de as filmagens terem sido feitas numa favela a cujo acesso tiveram, os americanos, por conta de evidentes acertos com os chefões do tráfico do local? Alguém se incomodou quando a Madonna saiu passeando pela cidade escoltada por policiais militares armados (exatamente como Vágner Love)?

Agora estão no pé do Adriano, de novo, porque o jogador supostamente teria comprado uma moto no nome da mãe de um traficante do morro da Chatuba, no Complexo do Alemão. Esses mesmos porcos que perseguem o artilheiro ficam incomodados, ou escrevem reportagens na mesma linha investigativa, ou provocam o Ministério Público quando os protagonistas de operações supostamente ilícitas são bem nascidos, ricos e brancos? Políticos em geral, sócios de empresas enterrados até o último fio de cabelo na nojeira que é o desvio de dinheiro público, atores e atrizes, cantores e cantoras que enterram seus narizes bem desenhados em fileiras de cocaína, lobistas, essa merdalha toda é incomodada como incomodados estão sendo os dois jogadores a que me refiro?

Um sócio de uma empresa de engenharia, por exemplo, bem nascido, afortunado por conta de ligações escusas com governos pelo Brasil afora, um sarandalho qualquer que sequer tem conta em banco – só carrega dinheiro vivo! -, que mantém as filhotas numa escola caríssima, que têm carros blindados, apartamentos de altíssimo luxo comprados em nome de terceiros, que freqüenta as altas rodas, é cumprimentado por aí como um bem sucedido, como um mal menor (para quem ao menos enxerga o mal que isso é), como um inimputável.

O troço é nojento e só não vê quem não quer.

Como dizia o Fausto Wolff… O que é que diferencia um traficante armado até os dentes de um senador da República que desvia milhões e milhões de dólares para sua conta pessoal num paraíso fical?

A arma, acintosa, numa das mãos do primeiro.

O segundo é assassino e como assassino deve ser tratado. Impede a construção de hospitais públicos, de escolas públicas, escraviza gerações e gerações junto aos grilhões da ignorância e lança as camadas mais pobres aos corredores sujos de hospitais-sucata sem médicos. Porque até esses últimos, depois de garantirem seus salários fixos através de concursos públicos, vão pra lá bater o ponto, apenas (quando vão!), abrem suntuosos consultórios onde cobrarão os olhos da cara de quem pode (e é cada vez menos gente) pagar por seus serviços.

Contra a ventura nada se pode, não é, Zuenir?

Até.

P.S.: não é demais repetir. Porcos covardes se valendo do anonimato NUNCA (com a ênfase szegeriana) terão vez e voz no BUTECO. Acaba de pintar o comentário de um rato, recusado aquele e enxotado este último. Aqui, não.

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48 Comentários

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48 Respostas para “COVARDIA E HIPOCRISIA DE MÃOS DADAS

  1. >É, eu vi a reportagem da Globo, com tom de denúncia, mostrando o Vagner Love sendo escoltado no baile. Fiquei impressionado com a estupidez da matéria e com a cara de panacas dos apresentadores, ofendidos com o ocorrido.É de uma falta de percepção do todo que chega a chocar. Como se todos tivessem que ter as mesmas referências, os mesmos códigos… Babaquice pura.

  2. >Pois o "tom de denúncia" é o que mais enoja e que mais explicita a hipocrisia. É novidade que traficantes armados andam pelas favelas com extrema naturalidade? Basta que os repórteres da GLOBO fuçem os camarins do PROJAC. Eles encontrarão, seguramente, coisa mais impressionante. Beijo, malandro.

  3. >Edu, querido, respeitando sua opinião, discordo radicalmente de vc quanto a esse assunto. Me parece que a discussão toda está um pouco contaminada pelo clubismo, o que é uma pena, e por um raciocínio que busca o errado para justificar o errado. Se as camadas ricas da sociedade erram isso justifica tudo? O fato de Adriano e Wagner Love (este nem é o caso, pois não nasceu na Rocinha) quererem frequentar a comunidade onde nasceram, estar com os seus, é meritória e digna de todos os elogios. As questões de intimidade pessoal, como a briga do Adriano com a noiva, é problema dele e do Flamengo, se este se sentir prejudicado, já que é contratado do clube. mas ingevalmente ele é uma figura pública e isso implica ônus e bônus quando se trata da mídia. Adriano sabe tanto disso que "provocou" uma foto de mãos dadas com a moça logo depois do embróglio. Aí a imprensa serve? Então não dá pra reclamar, não. Agora, aceitar segurança de traficante não tem nada a ver com prestigiar as raízes. Isso é legitimar o tráfico como poder legítimo. É tão ou mais nocivo do que consumir a droga ilícita, que vc com tanta razão já condenou aqui. Dar uma moto de presente a um traficante assassino é, sim, condenável, e não há paixão pelo Flamengo que possa transformar isso num ato virtuoso. Michel Jackson e os políticos citados por vc estão errados lá como Adriano e Wagner Love estão errados aqui. Não dá é pra passar a mão na cabeça porque nasceram na favela ou jogam no nosso time. Abração

  4. >Em resumo: acho que, mais uma vez, o amigo generaliza quando fala dos jornalistas.

  5. >O Vampeta (que vocês rubro-negros não gostam muito), acaba de soltar na TV aqui de SP para uns jornalistas arautos da moralidade: "o Kaká é da igreja e anda com gente que já foi preso também".O silêncio depois disso foi constragedor…

  6. >Não, Moutinho, acho que você não entendeu. Não há sombra de paixão clubística aqui. Sua pergunta – "Se as camadas ricas da sociedade erram isso justifica tudo?" – apenas prova o equívoco de sua interpretação. O que eu disse, e repito, é que a imprensa (em geral, frise-se) não tem a mesma indignação, nem diante de casos infinitamente mais graves, quando os ilícitos são cometidos por outro tipo de gente. Quanto às favelas, caríssimo, uma pergunta (que não é provocativa nem feita com o intuito de me fazer melhor que você):- Você tem amigos ou parentes morando em alguma favela? Já foi a alguma favela de verdade sem ser nesses jipes que fazem turismo nas favelas?Eu respondo por você: não. É evidente que não.Lá, Moutinho, esse é o código. A regra. O modus operandi.Ou você acha que, p.ex., as ONG´s tão caras ao Zuenir, um de seus membros, conseguem dar um peido na favela sem um acordo prévio com os seguranças locais?! Simples.

  7. >Claudio: disse tudo, o Vampeta. O Kaká é bem nascido, rico e branco. Explica, não?!

  8. >Edu, tenh um dilatíssimo amigo que nasceu e morou na Rocinha a vida toda. Ele, quando vai lá visitar os parentes, logicamente vê e passa por traficantes, alguns do quais com quem conviveu na infância. Mas não estreita os laços a ponto de aceitar sua "escolta", nem dá moto de presente. São coisas diferentes, que as pessoas algumas vezes estão juntando para justificar atos errados. Me impressiona que você, que sempre defendeu que o usuário de droga ilícita ajuda a manter e reforçar o poder do tráfico, num caso tão flagrante como esse tenha recolhido o olhar crítico. Abração!

  9. >Dilatíssimo, não (ele, inclusive, é magro): diletíssimo!

  10. >Moutinho: respondida, a questão. Eu perguntei se você já foi a alguma favela! E ficou claro que não. Olhe, veja bem…Tenho uma filhada que mora no morro dos Macacos. Quando vou visitá-la, vou de carro. E quando fui pela primeira vez, os vigias da entrada da favela (ou você não sabe que eles existem?) já tinham o modelo e a placa do meu carro, fornecidos por meu compadre, uma doce figura. Sempre que chego percebo que eles checam, mas até já me conhecem.Quando vou à casa de amigos ou conhecidos meus que moram em mansões na Barra da Tijuca, p.ex., passo pelo mesmíssimo esquema. Vigias armados, depois de se certificaram de quem sou e pra onde vou, levantam a cancela (no morro, levantam a metralhadora).Cada lugar com sua regra, meu caro. É elementar.Um abraço.

  11. >Moutinho: ocorreu-me, agora, o seguinte (e talvez isso te ajude a compreender como penso)… Depois de um programa da Hebe, no qual a louríssima recebera Paulo Maluf em seu sofá, você acha que Zuenir escreveria isso?"Não é possível que uma apresentadora de TV, ídola e âncora de uma das maiores redes de comunicação do Brasil, possa dar declarações tão irresponsáveis a uma televisão sobre a sua clara ligação com um político tão abjeto, condenado por diversos crimes, e considerar isso um fato normal, corriqueiro. Se não fosse uma figura pública, já seria errado. Sendo uma ídola e um exemplo a ser copiado naturalmente pelos que admiram seu trabalho, velhinhas, inclusive, é péssimo para a televisão, para ela, para o SBT e para a sociedade."

  12. >Posso dar um pitaco?Mas o usuário da droga ilícita que reforça o poder do tráfico não seria o mesmo que sai às ruas em passeata quando um seu amigo ou parente bem nascido é alvejado pela bala perdida que ele próprio, pagador de impostos e homem de bem, contribui para que saia dos potentes calibres dos soldados do morro?Abraços, Fabio (Campinas-SP)

  13. >Edu, vc já tinha respondido por mim, certo? De minha parte, entendo que há diferença entre um segurança contratado segundo as leis do país (isso embora eu repudie a privatização do espaço opúblico, como ocorre em algumas ruas) e um segurança do tráfico. Mais uma vez, acho que comparação é descabida, e que, ainda assim, uma coisa não justificaria a outra. Fábio: exatamente.

  14. >Concordo com o Moutinho. E não vejo no Adriano, no Vagner Love e em muitos outros, de todos os times, nada que os identifique com o povão pobre, mas sim com a "elite" (muito bem armada) das favelas. Caso se identificassem, em vez de shows bizarros de anões e jegues, carrões no pé do morro etc., eles teriam – com os bilhões que acumularam – feito algo diferente. Que tal escolas, postos de saúde etc. embaixo, no meio e no alto dos morros. Não é à-toa que o Alemão tem complexo, coitado. Quem podia fazer por ele, já que o Estado é omisso, organiza showzinho erotico (não dá para esquecer que Tim Lopes morreu por causa de uma parada dessas), se exibe o tempo inteiro. Enquanto isso, tem pedreiro que monta biblioteca no lugar pobre onde nasceu. Sobre a Suzana Vieira e outros que-tais, assino embaixo.

  15. >Moutinho: então é isso, querido. Vá viver a alma encantadora das ruas, das vielas e das favelas pra você entender como é a vida aí fora. O troço é muito diverso, o buraco é muito mais embaixo. E esse maniqueísmo, na vida real, não funciona… Um abraço.

  16. >Dinda, querido: você só reforça o que eu penso. A elite não admite essa outra elite a que você se refere. É de origem humilde, preto e ficou rico? Afasta-se de suas raízes. É tão óbvio… E outra coisa… Muito me admira você, macaco velho, repetir o que a imprensa disse sobre as festas promovidas pelo Adriano, confirmadas por "dois jogadores" e "um empresário". Beijo.

  17. >Edu e Moutinho, vou meter a mão nessa cumbuca, com todo o respeito: quero ver chegar pro crioulo que segurava aquela metralhadora – e pro chefe dele – e dizer que não quer a "segurança". Aquilo ali, aquela escolta, é recepção de gala. Se o Love desejasse NUNCA MAIS entrar na Rocinha – ou coisa pior -, era só ele fazer essa "desfeita". E isso NÃO IMPLICA em ser ele um criminoso. Se eu fosse condenado por algumas de minhas amizades (principalmente as de infância, de bairro), estaria condenado à prisão perpétua!

  18. >"Chalitando" o Zuenir, nada a acrescentar ao que escrevestes, Edu.

  19. >Edu, minhas impressões são as seguintes:(i) Não se pode transformar Vagner Love e Adriano em bandidos por serem amigos de bandidos (mas não é apenas uma questão de mau exemplo – explico abaixo); (ii) A Polícia tem o dever de apurar a “escolta”, no caso do Love, e o “presente”, no caso do Adriano. Isso é notícia de interesse social e a imprensa tem obrigação de informar; (iii) É correta a decisão de convocá-los para prestar depoimentos. Se eles têm ligações (sejam elas quais forem – tomara que seja só amizade mesmo) com traficantes, podem, no mínimo, auxiliar na captura dos bandidos; (iv) Tenho um grande amigo, advogado tão brilhante quanto humilde, ex-morador da Rocinha, ex-bolsista da PUC, que me recebeu algumas vezes em sua casa em São Conrado, e que ajuda até hoje o povo de lá. Disse-me ele que o Vagner Love não tem ligação com a favela Rocinha em si (o que não o impede de ter amigos por lá, evidentemente).Enfim, é normal que você defenda a excelente dupla de atacantes do seu time, e estou com você quando diz que a grita em torno disso é, em grande parte, oportunista e preconceituosa, mas a situação tem que ser apurada e noticiada, sim. Grande abraço,Daniel A.

  20. >Pefeito, Daniel, 100% de acordo. Note, entretanto, que eu não sou contra a apuração dos fatos. Sou, sim, contra a diferença no tratamento dado… Ah, se a imprensa e a polícia, e o Ministério Público tivessem a mesma sede de apuração com, p.ex., os empregados bem pagos da TV GLOBO… Tenho certeza de que você entendeu. Um abraço.

  21. >Edu: releia o que escrevi e verá que não há maniqueísmo algum. Se tem alguém sendo incoerente aqui não sou eu. E, com todo o respeito, era dispensável a ironia com o samba do Império, se nosso debate até agora foi respeitoso. Como disse lá no começo, respeito sua opinião. Vc, pelo visto, não respeita a minha, ou a de quem pensa difeente (e com argumentos). Ou acha que a sua é superior por um suposto "conhecimento das ruas". Sendo assim, vou deixar o espaço para os habituais aplausos.

  22. >Daniel disse que: É correta a decisão de convocá-los para prestar depoimentos. Se eles têm ligações (sejam elas quais forem – tomara que seja só amizade mesmo) com traficantes, podem, no mínimo, auxiliar na captura dos bandidos.Eu comento: caraca, Daniel! Que situação, hein? Coloque-se no lugar dos caras: você vai se divertir no morro onde tem amigos; o baile conta com a presença de traficantes armados – que fazem a tua escolta, porque você é um visitante ilustre e não um morador; você é filmado por uma câmera escondida e sua imagem é veiculada na Rede Globo junto com insinuações de que você poderia estar associado aos bandidos; você é intimado a prestar depoimento e auxiliar na captura dos bandidos. Você acha que se uma figura pública cara às elites, digamos o Pedro Bial, fosse visto em idêntica situação, haveria este clamor para que ele fosse obrigado a auxiliar na caputura dos bandidos?Você sabe o que acontece com delator, segundo a lei do morro?

  23. >Vamos providenciar comendas e erguer monumentos a esses heróis do povo. O Sacco do Alemão e o Vanzetti da Rocinha.

  24. >Moutinho, Moutinho, francamente… você que inclusive conhece de perto como atuo… Vamos por partes:01) entendo que essa separação dualista (legal / ilegal) é, sim, maniqueísmo, ainda mais nos termos em que estamos discutindo;02) você acha, franca e sinceramente, que a expressão "alma encantadora das ruas" agora pertence ao IMPÉRIO SERRANO?! Não mais a João do Rio?! E onde, meu caro, onde caberia ironia aqui?! E por que eu vitimaria justo sua escola?! Você está vendo cabelo em ovo;03) não faltei com o respeito, Moutinho, hora nenhuma;04) não respeitasse a opinião diversa da minha e não permitiria esse bate-boca freqüente no blog;05) não acho que eu tenha opinião superior a de ninguém, mas é incontroverso que, por conhecer, de perto, uma favela, tenho opinião mais balizada que a de quem não conhece, valendo frisar que não sei NADA perto de quem nasceu, cresceu e vive ali (vide comentário ilustrador do Favela);06) pena que você se retire. Nada mais chato que o tom monocórdio de uma discussão.Abraço.

  25. >Dentinho: eu já havia lido essa nojeira. Torço, fervorosamente, para que os denunciados pelo irresponsável texto desse sujeito procurem a devida reparação na Justiça. Hoje, por exemplo, o irresponsável escreveu sobre a torcida do Flamengo:"Se a torcida do Flamengo acha isso normal e até gosta, tudo bem – não se pode exigir muito dela."Ele deveria vir ao Rio, sair do Maranhão, e dizer isso no Maracanã lotado.Um abraço.

  26. >Tem razão escrever do maranhão é fácil. Um grande abraço.

  27. >Bruno, acompanho bastante seu blog, que gosto muito, inclusive.Mas, à polícia, cabe o papel institucional de investigar e buscar prender os bandidos, os assassinos (vou ser bastante simples, pois estou com o tempo apertado). E, se alguém é suspeito de ter ligações e ser protegido por bandidos, este alguém deve ser investigado, interrogado. É simples e não há nada de desumano nisso, há?Não se pode, é deixar de se investigar por pena do que o bandido – investigado – poderá vir a fazer com um possível delator. Ou, pior ainda, por respeito à “lei do Morro”. Muitas pessoas que freqüentam esse Buteco me conhecem, e sabem que não sou uma pessoa radical, intransigente em meus posicionamentos; mudo de opinião se for o caso, se me sentir convencido por bons argumentos, mas nesse caso, desculpe-me a franqueza, Bruno, mas não considero razoável tratar a questão sob essa ótica que você me apresenta. Essa é minha opinião.Em tempo: sou contra delatores. Mas sou mais contrário, ainda, a um Estado tomado pelo medo das armas dos traficantes e submisso aos ditames de uma Lei do Morro que protege bandidos e institui pena de morte.Grande abraço,Daniel A.P.S.: Uma dia a gente pode tomar uma cerva a falar com mais calma sobre isso.

  28. >Ao invés de "convocar" os dois atletas para depor acerca dos fatos, a polícia deveria "intimar" os traficantes a comparecer na delegacia. A polícia sabe quem eles são e onde encontrá-los. Estão procurando as pessoas erradas. é a inversão do ônus da prova.

  29. >Caro EduAqui vai meu pitaco, se me permitir.Quanta celeuma a imprensa causa… Oras, não vejo nada de mal, o cara visitar suas raizes, amigos e até mesmo ir a festas, patrocinadas ou não por traficantes. Cabe ao Estado a investigação se o cara está associado ao tráfico ou não. Se não estiver, muito bem, agora se estiver…. cana nele ! Lembra o caso do pagodeiro Belo?AbraçoErnestão

  30. >Salvador, me perdoe: isso nada tem a ver com inversão do ônus da prova, nada: tem a ver com preguiça e covardia. Um abraço.

  31. >O Ciro, beque do America que está sem jogar por causa de contusão, estava ontem bebendo um Antártica na Tijuca, num boteco da pracinha. Foi cercado de milhares de americanos que cobraram um comportamento de atleta ao rapaz. Não vi nada na imprensa falando do caso… Sacanagem.

  32. >Salvador, aqui estamos em um Buteco, e não em um Tribunal. Seja como for, perdoe-me a imprecisão técnica. Mas, ao contrário do Edu, eu gostaria de saber mais sobre essa sua inversão do ônus da prova. Pode haver algo de revolucionário nisso.Abs.,Daniel A.

  33. >Usei a expressão "inversão do ônus da prova" para dizer que a polícia não pode usar o cidadão comum (no caso os dois jogadores) para mudar o foco da questão que é como convivem polícia e criminosos.

  34. >Salvador: eu sou mesmo chato, me perdoe de novo. Mas a polícia pode, sim, se valer de um não-criminoso para correr atrás de um criminoso (ambos cidadãos comuns). Trata-se de um passo investigativo, não há nada de errado. Errado é – como sabemos – a leniência da polícia com alguns criminosos. Mas isso é papo ou pra Corregedoria de Polícia ou pro Ministério Público. Um abraço.

  35. >Edu, até dou um desconto pro Vagner Love. O caso dele é diferente. Já o Adriano, com seus milhões de dólares, faz parte de uma "elite" da qual nem eu nem você nem ninguém que comenta aqui neste buteco faz parte (e nem gostaria de fazer, digo por mim, por você, pelo Moutinho e pelo Favela, pois não conheço ou não identifiquei os outros que comentaram). Além das favelas, o "Imperador", que curte muito, aliás, quando o chamam assim, também frequenta e muito os camarotes de cervejaria e outras bocadas, junto com o que existe de pior. Ferrados somos nós. E um abraço que estou com uma conta bancária meio a descoberto.

  36. >É, , discordamos nesse ponto adriânico. Eu, p.ex., canso de sentar-me com você à mesa e, nem por isso, sinto-me um marginal, pô! Já fui a aniversários seus, já fui a rodas de samba promovidas por você (sempre muito mal freqüentadas, inclusive por membros da escumalha paulista), nada disso foi capaz de macular minha ficha. Um beijo.

  37. >Boa saída para quem perde discussão.

  38. >Boa saída pra quem perde discussão, ô, Dinda, é essa sua.

  39. >Absolutamente pueril, chega a ser risível, essa ideia de que o Vagner Love não deveria "aceitar" a "escolta" dos homens armados no baile funk.A cena é clara de um cara famoso, jogador do Flamengo, conhecido mundialmente, que chegou num baile cheio de gente e os "donos" resolveram abrir caminho pra ele passar.Ele vai fazer o que? Falar "saiam de perto de mim com essas metralhadoras ou eu dou uma trancinhada em vocês"?É muita inocência.Na imagem aparece ele apertando mão de traficante? Dando abraço? Segurando arma?E ele pode não ter nascido na Rocinha, mas sem dúvida cresceu ouvindo funk, indo a baile em morro. E agora porque ele é famoso não pode mais?Só pode ir pra show do Guns and Roses e do Coldplay na Apoteose?A Globo faz esse estardalhaço porque na mente dos que a comandam, é inconcebível alguém que tenha dinheiro, sucesso, preferir Rocinha a Leblon, Mister Catra a Manoel Carlos, Joana Machado a Helena.Isso é um pecado. Quase uma afronta.Ele "deve ter associação com o tráfico", "deve ser usuário". Foi o que eu mais ouvi nesses dias de gente frustrada, recalcada, invejosa (resumindo, dos "homens de bem").Isso sem contar o sempre presente "e eu aqui estudando pra ganhar mil reais por mês".Não nasceu com talento, tem mais é que invejar os outros mesmo. A Globo deveria era fazer uma matéria com o Fábio Assunção pra saber de quem ele comprava cocaína, talvez aí a polícia conseguisse chegar à prisão de algum traficante.Mas, coitado, ele é usuário, viciado (pra não dizer branco, estudado e "global"), precisa de ajuda.Achei o Vagner Love perfeito na resposta. Ou melhor, quase perfeito. Só faltou dizer "não é porque o Estado abandonou ea Rocinha que eu vou abandonar".Sobre essa celeuma toda, perfeita a coluna do Lúcio de Castro (ex-Sportv e hoje na Espn Brasil). Ele e Eduardo Galeano (de "As Veias Abertas da América Latina") falam sobre o caso do Adriano, mas se aplica muito bem ao Vagner Love também.Segue o link:http://espnbrasil.terra.com.br/luciodecastro/post/107727_EXCLUSIVO+FA+DO+ESPORTE+EDUARDO+GALEANO+FALA+SOBRE+O+CASO+ADRIANODestaco uma parte do que foi dito pelo Galeano:“…Eu creio que o caso de Adriano é revelador, como bem disse, de preconceitos e julgamentos que vão além das anedotas.O bombardeio que Adriano sofre revela, por exemplo:- A obsessão universal pela vida privada dos que tem êxito, e acima de tudo pelos desportistas vencedores que vem da miséria e que tinham nascido estatisticamente condenados ao fracasso.- Exige-se deles que sejam freiras de convento, consagrados ao serviço dos demais e com rigorosa proibição do prazer e da liberdade.- Os puritanos que os vigiam e os condenam são, em geral, medíocres cujo desafio mais audacioso, sua mais perigosa proeza, consiste em cruzar a rua com luz vermelha, alguma vez na vida, e isso tem muito a ver com a inveja que provoca o êxito alheio.- Tem muito a ver com a demonização dos pobres que não renegam sua mais profunda identidade, por mais exitosos que sejam."Só pra finalizar: jogador de futebol não tem que ser exemplo de nada. Exemplo é pai e mãe.Isso me lembra aquela besteira de narradores e comentaristas que condenam jogadores que fazem gol e comemoram simulando tiros. Como se os próprios narradores não fossem os primeiros a chamá-los de "matador", "artilheiro".Abraços, Edu. E desculpe o comentário imenso.

  40. >Banho,Perfeito teu comentário.Só discordo da parte em que isenta o jogador de futebol da responsabilidade de ser exemplo.Ele não precisa ser padre nem freira, lógico, mas a influência deles sobre as crianças, principalmente, é inegável.Por isso, um pouquinho de prudência com a própria imagem pode sim ser bem-vinda.Abraço,R.Pian

  41. >O que me impressiona nessa história é que pelo teor da notícia parece que a imprensa e as autoridades parecem que só descobriram agora que tem traficante armado nos bailes das favelas. Como se fosse a presença do Vágner Love que tivesse levado os traficantes armados para lá. E as outras milhares de pessoas que convivem diariamente com os traficantes armados, são coniventes com alguma coisa?Acho engraçado o delegado interrogar o Vágner Love pra saber o motivo de os traficantes estarem com ele no morro.O delegado: – Me explique aqueles traficantes armados te esperando no morro!?E o Vagner:- sabe que eu ia pedir a mesma explicação pro Senhor… Até me assustei quando desci do carro, mas preferi não ligar pra polícia naquele momento.

  42. >Pian, não concordo com esse negócio de "dar exemplo".Quem tem que dar é exemplo é quem tem algum tipo de representatividade, como políticos que estão representando a vontade popular, de quem os elege. Ou quem tem por obrigação dar educação, como os pais.Jogador de futebol pode até se preocupar com a sua imagem, mas porque hoje ganham muito dinheiro com isso. Quem deve cobrar são seus patrocinadores, ou até os clubes, seus empregadores, que lhes pagam direitos de imagem. Mas nunca a sociedade como um todo. Jogar essa carga de ser exemplo NA VIDA PRIVADA nos ombros de jogadores de futebol chega a ser coverdia. Assim como achei uma covardia o repórter abordar o Vagner Love daquela maneira como se ele fosse um político que foi flagrado com dinheiro na cueca. Por sorte ele teve calma e foi muito sincero na resposta.Além de tudo, me parece que é subestimar demais a inteligência dos outros achar que qualquer um pode ser influenciado por um atitude "errada" (sendo que não houve erro algum até que se prove o contrário) de um jogador na sua vida pessoal.Não acho que uma criança se interesse por cocaína porque é fã do Maradona, nem que outra tenha curiosidade de pegar um traveco porque o Ronaldo curte.Abraços.

  43. >Edu, concordo inteiramente quando diz que a perseguição se trata pelo fato de serem oriundos de classes mais baixas. Concordo que fazem alarde e distorcem coisas que realmente acontece dentro da nossa cidade e me assusta como ainda enxerguam (ou melhor fecham os olhos) a favela como se fosse algo estranho, como um país distante. Muito bem citado também, os exemplos e diferença de tratamento dada pela mídia, porém não posso acreditar que são vítimas. No caso do Flamengo existe claramente um racha entre a galera amiga ( turma do Baile ) e a galera nem tão amiga assim (turma do pet que não vão para um barzinho na Barra as quartas de noite e nem vão ao baile). A única ressalva que faço como amante do futebol é que ninguém mais aguenta a turma do treina quando quer e chega a hora que quer para trabalhar.

  44. >Olá a todos, acompanhei os comentários e fiquei impressionado com a polêmica que o assunto levantou, o que demonstra sua força e atualidade. Infelizmente, contudo, a discussão não saiu do plano moral. Obviamente o texto do Edu toca em feridas abertas, por isso recebeu muitas objeções, quase sempre equivocadas. No entanto, acho que ele acabou perdendo a oportunidade de assumir uma posição mais coerente quando tentou nivelar moralmente a sociedade brasileira, um tiro que poderia sair pela culatra. Afinal, se ninguém presta, isso, ao fim e ao cabo, significa que todo mundo presta. Inclusive a Hebe. Além disso, fiquei impressionado com o grau de violência dos argumentos conservadores empregados. A esses aconselho o documentário "Notícias de uma guerra particular" onde o secretário de segurança pública do Rio dá um excelente depoimento onde confessa que a polícia é violenta, corrupta, repressora e pior, que atende aos interesses da "sociedade". "Uma polícia justa seria inviável", diz ele. Finalmente, pouco me interessa saber se o Wagner Love é ou não uma boa pessoa e se passa ou não uma imagem de dignidade para as crianças (sempre as crianças!). A responsabilidade por essas imagens é da mídia, que as veicula a título título de denúncia quando na verdae apenas promove um espetáculo de gosto duvidoso. O argumento midiático é sempre o da objetividade e o da neutralidade da informação, como se tal coisa existisse. A mídia (e para sermos específicos, a televisão) sempre se oculta como meio e transmite um material editado, selecionado e transformado como se fosse a realidade em si, a coisa mesma. recomendo a todos a leitura do livro "Videologias" de Eugênio Bucci e Maria Rita Khell, mo qual a televisão brasileira é posta na balança. Eu, pelo menos, fiquei surpreendido com as reflexões dos autores, e o livro não tem nada de sensacionalista, pelo contrário, tudo é tratado com muito cuidado. Sobre os jogadores de futebol, recomento o capítulo que trata do ataque epilético do Ronaldo na copa. Não vou resumir o capítulo aqui, mas o argumento versa sobre essa imagem público-privada que a TV inventa. Vale dar uma olhada.Um abraço a todos, espero não ter ofendido nunguém.

  45. >Caro Edu! Confesso que tive uma vontade quase incontrolável (imagina!) de comentar aqui, porém, para mim basta o que disse o seu leitor Daniel Banho. De resto, sobram noutros o desconhecimento da realidade, a permissividade com a imprensa cretina e a inegável pitada de inveja do Mais Querido – motivadora de incontáveis encheções de saco (a mim não enganam). Bj, Renata.

  46. >Caro Edu,já leu o "artigo" no O Globo de hoje, do nobre jornalista. Virou arauto do moralismo idiota que se espalha, como uma praga, na chamada grande mídia.Um abraço.

  47. >Edu, cheguei de viagem e li todos os posts que havia perdido por causa das férias.Permita-me discordar deste, por favor. Não quero debater.Acho errado e ponto.Discordo da postura dos envolvidos e da sua opinião.sds, Wander.

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