>DO DOSADOR

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* Vejam vocês como as coisas são impressionantes nesse mundo virtual. A festejadíssima Roberta Sudbrack, que está permanentemente na mídia, sabe-se lá por quê não tolera (ou parece não tolerar) as críticas que faço, muito de vez em quando, a seu trabalho. Já disse diversas vezes que acho incompreensível, por exemplo, o fato dela ter escrito um livro de alta gastronomia para cães, com receitas para os quadrúpedes. Acho, também, inevitável a piada: depois de conviver por mais de sete anos com FHC no Palácio do Planalto, ocupando o posto de cozinheira oficial do Presidente da República, justificável a inspiração para o tal livro. Vai daí que, notem bem!, notem bem!, Roberta Sudbrack, festejadíssima também no TWITTER, escreveu ontem a seguinte pérola: “Concentração para a programação de amanhã com a minha turma… Campeonato de boliche pela manhã com toda a turma do RS… Almoço no Aconchego carioca que abre especialmente para receber a brigada do RS…tem gente que vai se roer com essa..”. Sou um sujeito franco, francamente franco. A “gente” a quem ela se refere sou eu. E não me venham com o papo bobo de que “oh, a carapuça serviu”. Não se trata de carapuça. Eu não sou burro. Não sou burro, digo o que penso, dou nome aos bois quando escrevo algo sobre alguém e, ainda que meus detratores não façam o mesmo, ou seja, não tenham coragem para dar nome aos bois (e eu, acima dos 100 quilos, estou mais boi que nunca), sei perfeitamente ler os recados e as entrelinhas dos recados que me chegam. Mas vamos pôr pingos no “is”. Eu disse logo aí acima que eu sou franco. Mais que franco – ou tanto quanto – sou um sujeito dócil. Vejam se não. Ontem pela manhã, mantendo uma tradição de há séculos, fui à feira na Vicente Licínio, na Tijuca, é evidente. Antes de feira, tentei sacar dinheiro em três agências, todas elas sem dinheiro nos caixas eletrônicos. Vai daí que estacionei o carro diante do ACONCHEGO CARIOCA. Fui à Kátia, minha queridíssima Kátia Barbosa, igualmente festejada pelas mesmíssimas razões. Sentei-me diante dela, troquei um cheque para a feira e para a tarde de domingo (já, já, falo sobre a tarde…). Ficamos ali, diante de uma garrafa estupidamente gelada de Heineken, conversando, até que chegamos ao assunto Roberta Sudbrack. Fiquei – ao contrário do que imagina a gaúcha, acostumada à bajulação que vem de todos os lados – felicíssimo por saber que será lá, no ACONCHEGO CARIOCA, que freqüento com assiduidade olímpica muitos e muitos anos antes do buteco tijucano cair nas graças de todo mundo (e graças à propaganda efusiva alavancada pelo também festejadíssimo Claude Troisgros), o almoço de confraternização dos empregados do restaurante de Roberta Sudbrack. Eles que, ao lado da chefe, irão se delicar com o bolinho de feijoada, com o bolinho de aipim, com camarão na moranga e com palitos de queijo coalho com goiabada de sobremesa (foi o menu escolhido). E como sou franco, e como sou dócil, e como sou um sujeito terno do início ao fim (não sei de onde tiram, meus detratatores, essa idéia de que sou beligerante), deixei com a Kátia (e pedi à Samara que a lembrasse da coisa!) um cartão endereçado à Roberta Sudbrack. Espero – digo de público o que disse, em suma, no cartão – que ela se sinta rigorosamente à vontade na minha casa, na minha aldeia. E salve a Tijuca!;

* mesa forte, ontem à tarde, no BAR DO PAVÃO, outra glória tijucana. Reuni-me com Eduardo Carvalho, um de meus poucos mas fiés leitores, depois de semanas combinando o encontro. Conosco, esse monstro chamado Luiz Antonio Simas (com sua Candinha), papai e mamãe (tijucaníssimos e egressos do MONTANHA, no Alto da Boa Vista), dona Olívia (uma excepcional figura, ela que conhece papai há mais de 50 anos!), Leo Boechat (com suas Renata e Helena), Diego Moreira, e o troço foi do meio-dia às cinco da tarde. Regados a muito chope e a um cozido de outro planeta, sentados à sombra e curtindo a brisa das florestas tijucanas (o Simas gania de alegria a cada lufada de vento), vivemos ali uma tarde memorável capaz de curar a dor da perda do BAR DO CHICO, que foi oló – como já lhes contei aqui;

* a torcida do Fluminense – me perdoem por voltar ao enfadonho tema – prossegue dando demonstrações agudas de insanidade. Depois de mandar confeccionar camisas para celebrar a décima-sexta colocação no Campeonato Brasileiro de 2009 (relembrem aqui), vai pagar promessa nesta quarta-feira. Torcedores trotarão (o verbo não é meu, foi publicado hoje na imprensa do Rio) por 100 metros na Lagoa Rodrigo de Freitas com copos de chope na mão, sem deixar cair uma gota da bebida no chão. Que coisa, meu Deus. Enquanto isso, a nação rubro-negra deita o cotovelo no balcão, BEBE (com a ênfase szegeriana) o chope e morre de rir com o espetáculo bizarro que proporciona o NÚCLEO DE INTELIGÊNCIA TRICOLOR. O troço beira o inacreditável;

* já são 38 os comentários ao texto DO DOSADOR, aqui, e vale a pena lê-los para que vocês vejam o divertido (e instrutivo) bate-boca entre José Sergio Rocha e Daniel Ludwich sobre jornalismo e jornalistas;

* na sexta-feira, atendendo ao convite do jornalista Vitor Monteiro de Castro, ele também um de meus poucos mas fiéis leitores, fui à favela da Maré para conhecer o OBSERVATÓRIO DAS FAVELAS, uma organização social de pesquisa, consultoria e ação pública dedicada à produção do conhecimento e de proposições políticas sobre as favelas e fenômenos urbanos. Tem sede na Maré, no Rio de Janeiro, mas sua atuação é nacional. Foi fundado e é composto por pesquisadores e profissionais oriundos de espaços populares. Lá eu conheci, além do Vitor, Rodrigo Nascimento, psicólogo, e Talitha Ferraz, jornalista, ela a autora do livro A SEGUNDA CINELÂNDIA CARIOCA: CINEMAS, SOCIABILIDADE E MEMÓRIA NA TIJUCA (conheçam seu blog aqui). Ainda na Maré, assisti, no meio da rua, ao longa-metragem ALÔ, ALÔ, TEREZINHA, do diretor Nelson Hoineff (aqui, o site do filme). Imperdível, fidelíssimo retrato dessa grande figura brasileira, e que seria inviável hoje em dia, ele que foi, a vida inteira, politicamente incorreto, radical e renovador, o filme é emocionante, ainda mais para quem, como eu, viu o Chacrinha em ação, ao vivo. Foi um grande final de tarde. Saímos da Maré, eu, minha menina, Vitor e Rodrigo, por volta da meia-noite. E brindamos, no BAR DO MARRECO, ao grande encontro que vivemos. Prometi a eles, em brevíssimo, uma nova visita, numa quinta-feira dessas qualquer, para comer um galo – famosíssimo galo! – que é servido numa das inúmeras biroscas do lugar. Depois conto pra vocês. Saiba mais sobre o trabalho deles aqui.

Até.

4 Comentários

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4 Respostas para “>DO DOSADOR

  1. >Alô, Edu!Grande mesa, grande tarde, rapaz (que chope, que cozido e que brisa, que brisa)! Postei por enquanto só uma fotinho lá, mas assim que tiver um tempo hoje tecerei algumas palavras (e colocarei novas fotos), que o troço merece.Valeu pelo convite, xará!P.S.: desde ontem que não vejo a hora de ler aqui o relato em detalhes desse rega-bofe de hoje da RS na Praça da Bandeira…Grande abraço!

  2. >Edu, seria justo dizer que vc leu a nota sobre o NIT na coluna do Joaquim, certo? E eu, de cá, digo: a nota está errada, erradíssima. O que haverá no Bar Lagoa ee simplesmente o chope de confraternização de fim de ano do NIT, como tantos amigos, empresas, associações fazem. Todo o restante na nota é confete colocado pela coluna. E vc, pelo visto, embarcou.

  3. >Verdade, Moutinho: li a nota na coluneta do Joaquim. E se você diz que a nota está errada, pronto, me basta. Mas é que a confecção da camiseta a que me referi já foi prova suficiente da insanidade, entende? Seria, apenas, mais uma insanidade cometida pela torcida feliz com a décima-sexta colocação. Feita a ressalva, um forte abraço.

  4. >A confecção da camiseta foi um ato de bom humor, para sacanear os matemáticos que previam o rebaixamento, nada mais. Mas o humor anda escasso…Quanto à nota, tenha certeza de que está errada. Posso afirmar porque estarei no bar Lagoa, como faço (e como fazemos todos os do grupo) todo fim de ano. Abração!

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