DA SÉRIE "TSC"

publicado no blog TELINHA, do jornal EXTRA, hospedado no site do jornal O GLOBO, http://extra.globo.com/blogs/telinha/posts/2009/11/16/turma-da-monica-tem-seu-primeiro-personagem-gay-241756.asp

Até.
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7 Comentários

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7 Respostas para “DA SÉRIE "TSC"

  1. A gente não se vê por aqui, caro Edu. Bom dia, desculpe o longo comentário e a falta de consonância com o post, mas… Gostaria de manifestar publicamente minha indignação contra a cena abjeta, na abjeta novela Viver a Vida, de autoria do abjeto Manoel Carlos, da abjeta Rede Globo, do abjeto diretor Ali Kamel. Em plena semana da Consciência Negra, onde buscamos reafirmar nossos valores como cidadãos, deparamo-nos com a imagem deplorável da protagonista, “coincidentemente” uma negra, sofrendo a suprema humilhação de, ajoelhada, suplicar o perdão por um acidente ocorrido com a filha de sua inquisidora, a qual, olhando-a com profundo desprezo e após lhe proferir toda sorte de barbaridades (como uma senhora da Casa Grande dirigindo-se a uma escrava), termina seu discurso lamentável de forma épica (???): aplica uma bofetada no rosto da primeira “Helena Negra” da história da novela das oito que, prostrada, põe-se a chorar tal e qual as amas dos filhos dos senhores de engenho e das sinhazinhas da época das novelas escravagistas. Mas estamos no século XXI, a trama se passa no Rio de Janeiro, sede das Olimpíadas de 2016!!! Nas entrelinhas, fica exposto todo o sentimento de desprezo que a classe média nutre por nós outros, pretos, brancos pobres, nordestinos, sem-terra, índios e “analfabetos” (não é, Caetano Henrique Vel [Card] oso? Desculpem, não consigo distinguir quem é quem. Enfim, eles nos querem submissos para que continuemos a recolher o lixo de seus apartamentos e a limpar suas latrinas, ou, como nos livros paradidáticos distribuídos pelos órgãos oficiais (onde a licitação é mero detalhe), nos querem na senzala ou na favela, a senzala contemporânea, de arma na mão, comercializando o produto que abastece seus narizes afilados nas raves e baladas descoladas, regadas a pó e álcool. Mas nossas armas agora são outras, meus caros… que o digam o ministro Joaquim Barbosa, o juiz Fausto de Sanctis, o Sérgio Vaz, o Ferréz, o Sacolinha, o Buzo, o prof. Rodrigo Ciríaco, o Hamilton Borges Walê, o Nelson Maca, o GOG, Racionais MC’s, o DMN, a comunidade Samba da Vela e tantos outros herdeiros de Zumbi, sobreviventes dos diversos quilombos encalacrados como moldura nas janelas dos apês dos “Leblons”, “Ipanemas”, Higienópolis e “Morumbis” da vida. Nossas armas agora são: caneta, papel, livro, microfone, informação, coordenação, compromisso com as origens, com a igualdade, com a dignidade, luta por nossos direitos… é, malandragem, você não contava com essa reviravolta dos oprimidos, né, não? A Revolução não será televisionada. Parabéns, Manoel Carlos… a cada dia que passa, você só faz aumentar a nossa ojeriza a programas como o seu, nos ensina como não se deve viver a vida; pois dessa vida fútil dos playboys e das dondocas a molecada não quer saber, não.Zumbi vive!!! Fábio Martins

  2. Nossa, mas que viagem hein. Também não suporto as novelas do Manoel Carlos (motivo pelo qual confesso que nem vi essa cena), mas pela sua descrição já ter uma idéia. Quer dizer que por estarmos em plena semana da Consciência Negra a personagem principal de uma novela, por ser negra, não pode sofrer uma humilhação? Qualquer princesa loira de olhos azuis de qualquer conto de fadas passa por humilhações, sofre bastante, e no final vive feliz pra sempre com o príncipe encantando. E vc tem dúvida de que isso vai acontecer na novela? Agora só porque a protagonista é negra a personagem dela tem que viver sempre num mar de rosas e sendo bem tratada por todos? Aí não tem história, não tem clímax. Tenho certeza que os negros nesse país sofrem todo tipo de preconceito, mas daí pra ficar encontrando mensagens subliminares numa cena absolutamente comum de novela já é demais. E ainda que essa cena representasse tudo isso que você falou, do lado de quem qualquer pessoa normal que estivesse assistindo a novela ficaria? Da protagonista coitadinha ou da megera racista? Vai me desculpar, mas isso parece até discurso do PSOL. Abraços.

  3. Caro Daniel, A discriminação à qual me referi não diz respeito somente à cor da pele, mas também à condição social do indivíduo, o qual, para a classe média que pensa que é oligarca, é sempre motivo de desprezo (vide comentários e artigos em blogs e jornais congêneres). Na minha humilde interpretação, a cena representou sim tudo aquilo que eu desabafei, e creio eu que sou normal a bofetada nada mais foi do que uma demonstração das agressões sofridas no dia a dia por essa parcela da população. Respeito sua opinião, mas o seu conceito do que é ser normal dá a entender que devamos nos conformar com essas agressões, o que para mim é um sofisma. Se você nunca sentiu na pele o que é ser parado pela polícia por ser suspeito, o que é ser alvo de piadinhas idiotas ou o que é ser preterido em alguma entrevista ou exame de seleção por não ter o perfil adequado, isso é fato, esse é o nosso conto de fadas, portanto, infelizmente, não será você a pessoa a desconstruir meus argumentos. Eu não sou marginal, eu vivo no centro do problema, se é que me entende, e isso causa um sentimento de revolta contra essas injustiças. Quanto ao discurso à la PSOL, se todos os que assistiram à cena se indignaram com ela, então somos sim companheiros, parafraseando um certo Che Guevara… Abraços a ti e meus respeitos. Fabio

  4. Também creio que a cena seja mesmo um belo clichê dum conto de fadas. O que deixou-me acabrunhado foi o fato de a protagonista ter ficado grávida – e feito um aborto – quando era jovem; sua irmã ser mãe solteira e a belíssima mãe das duas ser jovem demais, descasada e com prole considerável, levando-se em conta as famílas brancas da trama. Exceção feita à personagem da amante picareta do comedor, todos os brancos nasceram, namoraram, noivaram, casaram e tiveram seus poucos e planejados filhos no momento certo, como manda o figurino. Notem que os brancos não tem pais tão jovens. E como os brancos trepam muito mais que os pretos na novela, fica implícito o fato de que aqueles conhecem melhor os métodos contraceptivos que estes. O que não causa estranheza vindo da Globo, a maior fomentadora do racismo no Brasil.

  5. Bill, em relação à cena da branca dando sopapos na preta, digo que também é um cliché hollywoodiano pra lá de velho. Nos filmes dos anos 1930 esse tipo de cena era frequente, mas por outro motivo: o preto era sempre atoleimado, pueril e incapaz de executar tarefas básicas, o que emputecia sobremaneira as sinhás gringas. Por aqui e na mesma época Monteiro Lobato, racista convicto e eugenista de primeira hora, retratara Tia Nastácia exatamente da mesma forma: apesar do dom natural para contar as mais fantásticas estórias – por viver sempre no mundo da Lua -, a parvoíce da preta velha era tamanha que por vezes irritava Pedrinho e Narizinho. Coincidentemente estou lendo o Guerreira do Buzo. Sensacional, baita enredo!

  6. Grande Luiz, foi exatamente esse o tópico da questão que levantei, o da crioula usurpadora que tomou o lugar da matriarca dedicada (e com várias galhadas na cabeça que só pensa nos shopping centers da Barra), invadindo o sacrossanto espaço da família feliz. De brinde, ganhou uma enteadinha mimada que não suporta ser contrariada e deu no que deu. Quanto à Tia Nastácia, uma pergunta: por que a farinha de trigo leva a marca Dona Benta, se quem prepara os doces e bolos é a preta velha? P.S.: quanto ao livro que você está lendo, é responsa mesmo!!! Abraços, Fabio

  7. Salve! Quanto à farinha – de pobre, como bem disse Djavan -, havia uma máxima entre os marqueteiros de que preto não vende e que duraria até meados da década de 2000. Talvez tenha sido isso. O único preto de que me lembro ter emprestado a imagem foi aquele moleque do cigarrinho de chocolate Pan, junto a outro menino branco. Caso a farinha de rico – como bem disse Djavan – pudesse ser comercializada, talvez presenciaríamos algum patrício com a cara estampada nalgum pino. Há inclusive traficante vendendo pedra com a cara do Adriano do Flamengo na embalagem. Na reportagem diz que o rosto do Imperador teria sido colocado para alavancar as vendas. Paradoxal, não? Abraço!

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