>BAR DO MARRECO

>

Recebi ontem uma notícia e uma fotografia que são, na forma e na essência, frontalmente antagônicas. Explico.

Pela manhã, bem cedo, Bruno Ribeiro, meu queridíssimo de Campinas, grande jornalista, mandou-me um e-mail dando conta de que um vereador de sua cidade, Biléo Soares, do PSDB (de onde mais?), durante uma discussão sobre violência e a necessidade de adoção de medidas visando o controle rigoroso do horário de fechamento dos bares e botequins, disse:

– O bar é a sala de estar dos bandidos.

Vejam bem… poucas vezes ouvi (ou li) coisa mais estúpida. Ontem mesmo, quase que não acreditando na capacidade de um homem público pensar assim, mandei e-mail para o vereador – esse aqui – (se ele responder, aviso a vocês) com uma pergunta muito simples:

– Gostaria de saber: o senhor disse mesmo esta frase?

No final do dia – eis aí o antagonismo a que me referi – recebo a foto abaixo, feita por meu maninho Felipe Quintans, o Felipinho Cereal.

Bar do Marreco, Tijuca, Rio de Janeiro, fotografia de Felipe Quintans, 05 de outubro de 2009

Trata-se do BAR DO MARRECO, na esquina da rua Caruso com a Haddock Lobo, na Tijuca.

Brevíssima pausa.

Vamos ao que disse meu dileto amigo Helion Póvoa em comentário feito ao texto MAIS SOBRE A TIJUCA (aqui):

“Agora, as louvações tijucanas deixaram de destacar uma exclusividade arquitetônica do bairro que causa inveja a toda a cidade, quiçá todo o país: é a única rua art-decô do Rio. Sim, o estilo francês, dos anos 20-30-40, de tantas portarias e prédios em Copacabana e Flamengo, na Tijuca marca uma rua inteira. Qual é? Bem ali, pertinho do ex-Madri…”

Referia-se, o Helion, à rua Caruso, rua belíssima, pacata, de paralelepípedos, que vai da Doutor Satamini à Haddock Lobo, desaguando, então, no BAR DO MARRECO, à esquerda de quem vem na mão da rua. São os tesouros da Tijuca que só enxerga quem tem olhos de ver, quem tem olhar estendido e predisposto às belezas que nos cercam. Dito isso, em frente.

Vejam bem a foto (cliquem na foto para ampliá-la), comovam-se com a romântica espelunca que é o BAR DO MARRECO, com seus azulejos que não existem mais, com seu clássico piso de pedras vermelhas e pretas, hexagonais, à moda dos mais tradicionais butecos da cidade. Pensem que ali ganham seu pão homens trabalhadores, como o Danilo, como o Geraldo e sua mulher, a Cátia, sorriso e mãos sempre a postos para atender a freguesia. Pensem que ali se encontram homens como o seu Brasil, como o próprio autor da foto, o Felipinho, o Márcio, da distribuidora de bebidas que fica em frente, do outro lado da rua, outros tantos que crêem muito mais na teoria de Aldir Blanc, a que diz que “buteco é templo e lá se desenvolve a mais pacífica e prolífica das atividades humanas: jogar conversa fora”, do que na besteira olímpica desferida pelo vereador campineiro.

Deveria saber, o senhor Biléo Soares (que com esse nome poderia, facilmente, filiar-se ao PSOL pra fazer companhia ao Babá), saber que o povo brasileiro, o mesmo povo do qual ele tem nojo (talvez ele nem saiba disso, mas é o que emerge de sua frase), pensa exatamente como ele, mas numa outra dimensão.

Para o povo, as casas legislativas brasileiras – elas, sim – abrigam bandidos (parece-me desncessário dizer que há exceções, e muitas) muito mais perigosos e nocivos do que os pé-rapados aos quais se referiu quando disse o que disse.

Até.

Anúncios

7 Comentários

Arquivado em Uncategorized

7 Respostas para “>BAR DO MARRECO

  1. >Caro Edu !Esta infeliz frase proferida pelo não tão nobre Edil (na minha concepção) foi postada pela ótima Rose Guglielminetti no blog Diálogos Políticos (RAC) no dia 01/10 p.p., e mereceu 26 comentários, com muitos bajuladores de plantão !No dia 02/10, houve uma tenativa de "NÃO ERA BEM ISSO" no mesmo blog.Como se vê, a minha e nossa Campinas, também tem estes tipos de políticos.Forte abraçoErnestoP.S.: Se Deus permitir, até o final do ano estarei nesta linda Tijuca para podermos desfrutar de várias ampolas juntos! (assim espero!)

  2. >Edu, no buteco(senado), tem bem mais bandidos. E são bem charmosos, usam terno, gravata, são os mais perigosos.Tudo que se fala lá, é lorota, para boi dormir. Esse sim tem que se fechar!!!abraço

  3. >Goldenberg,sugiro modestamente uma avalanche contra este cretino parlamentar, qual seja: que você e seus leitores (nós) despejem no blog, por alguns dias seguidos, fotos e mais fotos de botecos verdadeiros do nosso Rio.Isso: quem passar por um ou for a algum (ou tiver já registros em casa etc.), que bata uma foto e a envie para que você, sempre lembrando este post, coloque aqui, como socos com luva de pelica (ui!) na lata deste canalha.Grande abraço.

  4. >Rodrigo: fechar o Congresso? Você enlouqueceu? Vá beber com o vereador do PSDB, vá… Aquele abraço.Eduardo: fique(m) à vontade! Forte abraço, e salve o botequim!

  5. >Acho que o Rodrigo propos o fechamento do Senado e não do Congresso. Mesmo assim, soa como um grande disparate. Será que ele se filiou ao PSOL?

  6. >E essas duas mesas na calçada??O alvará do estabelecimento permite esse tipo de uso da área pública??(…)Gente… brincadeirinha, viu?Abraços e um enorme viva aos botecos que sobrevivem no nosso Rio!R.Pian

  7. >Edu, vamos por partes. Primeiro o comentário do arquiteto: digníssima arquitetura botequinesca, inclusive com os fantásticos cobogós amarelos, prateleiras afixadas com mão francesa adquirida na casa das fechaduras e balcão forrado com formica – brilhante! – branca. Clássico! Irretocável até no posicionamento das mesinhas na calçada.Agora, sala de estar dos bandidos, se as há, não haveria de ser em um bar. Conclusão: este Campineiro é um bosta.Saudações rubronegras.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s