MEU PAI, UM HERÓI

Li, assombrado, ontem à tarde, o texto de meu queridíssimo Bruno Ribeiro, maiúsculo jornalista de Campinas, SP, em homenagem a Bergson Gurjão Farias (leiam o texto aqui). Eis o trecho que me deixou – como diria?! – impresssionadíssimo, chocado e para usar um termo que o PSOL adora, revoltado.

“Meu irmão, meu camarada: hoje é um dia para ficar na memória de todos os brasileiros honrados. Depois de tantos anos, depois de tanto silêncio, eis que seu nome emerge do lodo, eis que seus restos mortais ressurgem das cinzas, eis que seu exemplo imorredouro desponta no lume da estrela. Hoje é tempo de render homenagens àqueles que caíram por nós, pela liberdade, pelo povo. Hoje é tempo de brindar aos irmãos brasileiros, aos homens e mulheres que deram suas vidas pela pátria, que sacrificaram sua juventude na selva enquanto muitos compatriotas dormiam o sono dos céticos ou nem haviam nascido. Obrigado, para todo o sempre, mano Bergson. Que a bandeira vermelha e negra das valorosas Forças Revolucionárias se curve diante de ti.”

Em primeiro lugar me impressionou a intimidade entre eles (“meu irmão, meu camarada”), numa explícita demonstração de admiração ao rei Roberto Carlos. Depois, eu (que sinto-me um brasileiro honrado) não tive desejo algum de guardar o dia a que o Bruno se refere na memória. Um pouco mais à frente, confesso que senti nojo com o papo de lodo e cinzas. Daí fui ficando revoltado. Quem caiu por mim? Quem caiu pela liberdade? Quem caiu pelo povo? Quem deu a vida pela pátria? Quem dormia o sono dos céticos?????

(foi para a selva quem quis)

Eu só lembrava de meu velho pai, meu amado pai, com água pela cintura, varando as noites com uma mangueira d´água resfriando os tanques da REDUC, ele que trabalhava na brigada de incêndio da Petrobras enquanto eu dormia no colo de minha mãe, sempre à espera dele, meu amado e honrado pai.

Até.

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7 Comentários

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7 Respostas para “MEU PAI, UM HERÓI

  1. >Falou e disse, Eduardo. Bela homenagem.

  2. >Edu, essa de dormir o sono dos céticos foi demais…Abraços.

  3. >Esses caras tavam lutando pela mesma liberdade que os Cubanos possuem hoje…

  4. >Ah! E, como sempre, bela homenagem ao seu pai!Grande abraço!

  5. >Phill: discordo, discordo, discordo rigorosamente. Cuba é vítima de um nojento embargo. E mais não digo, por preguiça. Mas discordo. Quanto à homenagem, que bom que você gostou. Acho que papai, em obsequioso silêncio, não. Um abraço.

  6. >Galo velho: não entrarei no mérito – e não é por preguiça – das considerações tecidas neste que é, disparadamente, o seu pior texto nesses – o quê? – dez, doze anos que te leio. Para se exercer a arte da implicância como recurso literário, há que se ter, no mínimo, o talento de um Nelson Rodrigus. Que é muito, mesmo para um imenso talento como o teu.

  7. >Implicância, eu, querido? Szegeri, querido, se eu precisar ter, no mínimo, o talento do meu ídolo para escrever, eu não escrevo nunca mais. Beijo.

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