COMIDA DI BUTECO – CONSIDERAÇÕES FINAIS 2

Ontem eu escrevi Comida di Buteco – Considerações finais (leiam aqui), os comentários pululam (são dez até o momento) e eu tenho mais a lhes dizer.

Antes, quero lhes contar sobre meu sonho de ontem (acordei suado, no meio da noite fria, de tanto que ria do enredo onírico).

Havia um vereador do PSOL cuja plataforma era a inauguração de uma praça (minha memória embaça no quesito geografia, mas quero crer que a praça fosse em Botafogo). E semana após semana, como um profeta obstinado, o vereador do PSOL organizava uma festa (praxe nas hostes do festivo partido) no terreno baldio (impossível não lembrar da cabra…) em Botafogo (decididamente, agora me lembro perfeitamente, era em Botafogo). Cinco, seis, sete pessoas – houve um dia em que doze pessoas foram ao terreno baldio festejar com o vereador do PSOL!!!!! – faziam companhia ao político. Ele bradava, como um negrão geraldino, contra o prefeito, fosse quem fosse. Urrava, com ódio socialista, contra os especuladores imobiliários, promovia debates políticos (membros do PSOL não fazem comícios) adulando as vantagens de uma praça, de um chafariz, de uns banquinhos de madeira, de um laguinho artificial. E seu assessores distribuíam, como robôs autômatos, panfletos em prol da praça. Isso durou – o quê?! – muitos anos. Até que um dia dá-se o seguinte: o prefeito (era o terceiro desde o início da campanha cívica do vereador de uma nota só) decidiu inaugurar a praça. E a inaugurou. Pois aí entra a parte divertida do meu filme noturno. Vai começar a inauguração da praça. O prefeito, cercado por vereadores da situação (o PSOL nunca é situação), está acompanhado por focas amestradas, um elefante em idade avançada, leões famélicos, palhaços, malabaristas, engolidores de fogo, e começa seu discurso, aplaudidíssimo pela claque contratada à base de sanduíche de mortadela e suco de groselha. Chama a secretária municipal de meio-ambiente e cortam, juntos, com uma tesoura enorme, a faixa inagural do coreto da praça. Do outro lado da calçada, um protesto dos filiados do PSOL, comandados pelo vereador, em pânico. Eu ouço no sonho o grito em fúria do vereador. Andando em volta dos manifestantes, eram dois apenas, um deles fumando maconha, o vereador bufava (como bufam, os vereadores do PSOL) e convocava, em caráter urgente, uma plenária do partido para decidir o novo rumo de sua atuação parlamentar. Protestava, vermelhíssimo e com as veias da carótida saltadas, pedindo uma CPI para apurar a licitação da mobiliário da praça. Eu, flanando sobre o cenário, perguntei ao vereador qual seu nome. Foi quando acordei.

Meu palpite pra hoje, no jogo do bicho, é 1939. Voltemos ao festival Comida di Buteco.

Li, estupefato, o relato de Juarez Becoza (codinome de um jornalista cujo nome real não me ocorre) em seu blog Pé-sujo, hospedado n´O Globo. Vamos a alguns trechos (leiam, na íntegra, aqui) com meus comentários:

“Saiu ontem, numa festa bacana realizada no Centro Cultural Carioca, Centro do Rio, o resultado da segunda edição do Festival Comida di Buteco na cidade.”

A festa não foi bacana. O chope, quente a maior parte do tempo, foi servido em copo plástico. O cojunto contratado para a festa de encerramento (em Belo Horizonte, onde nasceu o evento, o show foi da Beth Carvalho) era… bem, isso deixa para lá (é melhor). O espaço, ínfimo diante do número de convidados. E não preciso me estender mais.

“Com 25 mil votos (25% a mais do que no ano passado), o festival deu a honra de levantar o prato-troféu com a inscrição de melhor petisco do Rio de Janeiro para a Academia da Cachaça da Barra, que concorreu com uma empadinha de queijo coalho com alecrim literalmente campeã.”

Se o festival é de comida de botequim, um barzinho elegante da Barra da Tijuca não poderia sequer concorrer. E empada, convenhamos, não é petisco. Sigamos.

“Fiz questão de destacar a localização de cada um dos bares mais bem colocados na contenda justamente por achar que essa foi uma das caracterísitcas mais interesantes do festival este ano: sua amplitude geográfica. Teve bar de todas as áreas da cidade nas primeiras posições, sem privilégio para nenhuma região: O vencedor saiu da Barra, o segundo colocado veio lá do subúrbio; o terceiro e o quarto lugares foram para a Zona Norte e o quinto ficou com a Zona Sul. E do sexto ao décimo lugares houve espaço, de novo, para subúrbio, Zona Norte e Zona Sul. Uma distribuição que mostra que estamos bem servidos de bons botecos, em qualquer lugar do Rio.”

Redonda besteira. Não há, na Barra da Tijuca, de onde saiu o campeão da noite, um único, um mísero, um projeto de buteco que seja.

“Sobre a premiação em si, quem acompanhou o festival de longe – ou de perto demais… – pode ter ficado surpreso com a vitória da empadinha de queijo coalho da Academia da Cachaça. Eu confesso que não esperava. Mas surpreso não fiquei não… Afinal, caro leitor, a empada é de fato uma maravilha. Derrete na boca como poucas, e tem um sabor que agrada a qualquer paladar, até mesmo quem não é muito chegado em comida de boteco. E isso, numa votação popular em que literalmente qualquer pessoa tem direito de dar sua opinião, é muito importante.”

Empada que derrete na boca? Sei.

“Haverá quem diga que a Academia da Cachaça não é boteco. De fato nao é. É uma empresa bem estruturada, com duas filiais e administração para lá de profissional. Trata-se de um ponto relevante esse, mas que deve ser debatido fora do contexto da premiação. Depois que o jogo começou, todos os concorrentes estavam em pé de igualdade, e ganhou quem fez mais bonito, merecidamente, independente de definições prévias.”

Inacreditável. Fiquemos com o Petit Paulete, por exemplo. O Paulinho, prestigiando o festival como nenhum outro bar participante (vá lá, o Original do Brás também foi criativo, muito embora tenha criado um monstro), inventou um petisco (literalmente, um petisco). Um petisco delicioso, genial, muitíssimo bem apresentado. O que há de “mais bonito” numa empada de queijo com alecrim? O que há de petisco numa empada? O que há de buteco numa empresa bem estruturada, com duas filiais e administração pra lá de profissonal?! Como diria Leonel de Moura Brizola, francamente...

“Cadinha, um dos sócios do Original do Brás, campeão do ano passado e segundo este ano, também se emocionou. Mesmo sem conseguir o bi, ficou feliz em voltar ao “pódium” com um petisco que, notoriamente, não foi tão unânime quanto o “Rolé pelo subúrbio”, o bife rolê que foi o grande vencedor de 2008.”

Pelo que me consta – era voz corrente na noite da festa – o Cadinha não é mais sócio do Original do Brás há tempos. E seu pestisco não foi tão unânime por uma simples razão: era horroroso, como lhes contei ontem.

Era o que eu queria lhes contar hoje.

Até.

ps: ah, sim. Não deixem de fazer suas apostas no jogo do bico. Vai dar coelho na cabeça!

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2 Comentários

Arquivado em comida

2 Respostas para “COMIDA DI BUTECO – CONSIDERAÇÕES FINAIS 2

  1. >Edu,e se a gente fizesse o nosso próprio concurso aqui no seu buteco? Não com fins comerciais ou de premiações e tal, mas apenas para divulgarmos e compartilharmos entre nossos amigos e leitores nossos locais preferidos.Não só os melhores petiscos, mas o buteco como um todo: seus atendentes, a qualidade do chope ou da cerveja servida, as figuraças que frequentam o local, a originalidade da decoração, etc.E como estamos espalhados por toda a cidade, no final, poderíamos fazer a nossa festa visitando e conhecendo os pontos mais remotos do Rio de Janeiro.A ideia não seria ter uma classificação, mas sim uma cartela de sugestões de locais que poderíamos visitar quando estivéssemos nos arredores do bar em questão, com a certeza do nosso "padrão de qualidade", aquilo que realmente nos interessa nos botequins mais vagabundos. Ou até para irmos propositalmente conhecer as maravilhas do lugar.Poderíamos ter até um blog só para o assunto, com fotos do local, dos petiscos, dos frequentadores, etc. Como o Felipinho fez quando teve em Marechal, no Bar do seu Zé. O que você acha da ideia?

  2. Pingback: NO BURACO DO LUME | BUTECO DO EDU

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