POSES, POSES, POSES

Andei recentemente – vocês que me acompanham sabem – falando sobre essa intrincada relação entre os homens e mulheres doentes da alma com seus bacanas (psicanalistas, precipuamente). Hoje mesmo, mais cedo, vim para o trabalho de ônibus, como de costume, e enquanto os pneus do coletivo deslizavam pela rua Alice meus pensamentos patinavam sobre as máscaras e poses dos envolvidos nas tais relações, os analisados e seus analistas, os bacanas. São um festival de poses. O olhar de um analisado é uma bomba atômica onde não há urânio, mas piedade. Ele olha, da cabeça do próximo à sola do sapato alheio, com um olhar pleno de piedade e superioridade. São meneios permanentes de cabeça que denotam pena, e os médicos da alma não ficam atrás. Fazem do silêncio seu cartão de visitas e moldam, dia após dia, suas máscaras de gesso das quais emerge uma superioridade ariana. Tudo pose.

Um sujeito sentado no banco da frente do ônibus ouvia, enquanto eu divagava, seu radinho de pilha (sim, era um radinho de pilha mesmo, não um desses aparelhos modernos). E ele ouvia Beth Carvalho batucando, não na caixinha de fósforos cada vez mais improvável, mas na pastinha de cartolina que carregava no colo. É incrível, mas não consigo ter certeza nem a fórceps de qual o samba que o sujeito ouvia, mas o samba era um sucesso retumbante da grande sambista (a maior, a maior, a maior). Disse a besta sentada ao meu lado, puxando papo:

– Crente que é sambista.

Eu, que não perco as chances de melhor conhecer o homem, nada disse, mas disse com os olhos um “hein?” que excitou meu interlocutor (uma besta, repito).

– Ouvindo esse samba aí, pô, tremendo sucesso, tremendo hit-parade, e se achando…

Eu nada disse e ele explodiu:

– Samba é raiz! Samba é Picolino! Picolino!

E ficou ali, repetindo o nome do velho portelense que já vaga pela pátria espiritual, como se isso desse a ele, a besta, o título de doutor.

O ônibus seguia o trajeto e já estávamos em Laranjeiras.

A besta desceu na altura da São Salvador e lançou, antes de tomar a rua, um olhar de nojo em direção ao feliz passageiro que ouvia, no instante em que estamos, um samba do Agepê.

Saltei no Largo do Machado junto com o rapaz do radinho e dei de cara com um mini-comício do PSOL bem diante da estação de metrô. O homem que empunhava o megafone falava para – o quê?! – uma pessoa estacada diante dele. E essa pessoa aplaudia freneticamente as botinadas verbais do socialista, quando me dei conta de que a máscara da besta do ônibus é freqüente nas rodas de samba que se espalham por aí, em todos os terreiros, os pequenos e os grandes. E explico.

Como se adquiridas na Casa Turuna, essas máscaras são idênticas na forma: tem expressão de nojo, superioridade, e estão espalhadas pelas rodas de samba como nos consultórios dos bacanas ou nas mesas dos bares onde se sentam, com ares parisienses, os analisados e analisadas. Estou, sei que estou, dando voltas e voltas. Mas quero lhes dizer é justo isso…

Como é que você reconhece uma besta numa roda de samba? Como é que você sabe que ali, empunhando um cavaquinho, segurando um repique, batucando um tamborim, está uma besta? É fácil.

A roda de samba é, por excelência, congregação. É a missa campal do povo brasileiro, apud Aldir Blanc. O samba cantado por todos é, não há dúvida, o ápice, o axé, a força, o peso e a beleza da roda, do encontro, da reunião.

A besta o rejeita (o samba cantado por todos, que fique claro).

A besta quer começar o samba e ver que a seu redor há um silêncio absoluto, como o de uma missa à moda antiga. Ninguém sabe aquele samba. Ninguém conhece. Ninguém jamais ouviu falar (ou cantar). E daí ele levanta, no intervalo, com ar blasè, e sai sapateando distribuindo “não conhecia?”, “nunca ouviu?”, achando-se o maior, o superior, o supremo sábio.

É o anti-sambista. O anti-povo. E se arvoram, essas bestas, como procuradores não-nomeados de Candeia, Picolino, Colombo etc etc etc

Volto ao tema.

Até.

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25 Comentários

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25 Respostas para “POSES, POSES, POSES

  1. >"A roda de samba é, por excelência, congregação"Edu, sensacional. É exatamente assim que vejo uma roda de samba. Uma confraria. Acho que "Banho de Felicidade", na voz maravilhosa da Jovelina Pérola Negra, traduz um pouco disso. Abuso um pouqinho do espaço e colo um pedacinho."Pra tomar um banho de felicidade,É só chegar nos pagodes da cidade, (…) do partido alto ao samba de terreiro (…) É fácil ser feliz, pra tomar um banho de felicidadee renovar as amizades só nos pagodes da cidade"

  2. >Tenho muito a escrever sobre este tema também, Edu. E mesmo já conversamos a respeito.Tem muita gente achando por aí que samba bom – de raiz, como se diz vulgarmente por aí – é aquele exclusivo, que só ele conhece, aquele do Alberto Lonato, de que só há um registro, num raríssimo K-7 que só a Cristina Buarque tem e que apenas três pessoas já ouviram…Esquecem-se de que, hoje, se esses grandes nomes da Portela – do Paulo e do Claudionor, passando por Chico Santana e Alcides, até Monarco e Casquinha – são tão cantados e conhecidos, o são porque, lá atrás, nos começo dos anos 80 [do século XX], quando ninguém dava a mínima pra samba, grandes sambistas como Beth Carvalho e Zeca Pagodinho apostaram neles, com coragem, e os gravaram muito e sempre. (Aliás, acolheram e investiram nos sambistas da Portela, do Império etc. num momento complicado, de ocaso mesmo, em que as escolas de samba, como se conhecia então, com terreiros e cultura sambística o ano inteiro, faliam).É o samba mais popular – o mais samba, portanto, o que rolava no Cacique e nas demais rodas de fundo de quintal – o grande responsável pela continuidade produtiva do melhor samba e, assim, por que esta gente, que ora se arvora por dona da tradição popular nas rodinhas excludentes da Lapa, tivesse acesso àqueles que "plantaram o trigo pra rapaziada comer o pão".Em todo caso, é preciso sempre dizer – com convicção: fosse hoje vivo, Candeia, que desejava um samba francamente ouvido, que lutou por isso, por que se valorizasse o seu caráter popular, estaria distante desses "terreiros grandes" da vida, que são mais elitistas que puristas, e ao lado de Arlindo Cruz, de Beth Carvalho, de Almir Guineto, da rapaziada do Fundo de Quintal, do Jorge Aragão, do Zeca Pagodinho, do Martinho da Vila e de tantos outros monstros populares que de fato defendem a cultura popular, simplesmente porque a querem… popular!Forte abraço, Edu!

  3. >Essa eu tenho que comentar… Tentarei ser breve (só tentarei…).Não vou discutir o fato de que algumas pessoas derrapam para a arrogância ao valorizar uma coisa em detrimento da outra, ao acumular muito sobre certo assunto, etc. Isto acontece em qualquer lugar, em qualquer discussão, em qualquer questão. Basta ter alguém mais vaidoso ou menos tolerante na jogada.Peço, no entanto, que ninguém se sinta incomodado gratuitamente com aqueles que gostam de desencavar – e de cantar – um samba inédito (ou quase) de algum compositor das escolas de antigamente. Até porque, estas pessoas fazem esse trabalho com muita alegria, pouquíssima pretensão e espírito completamente desarmado.A impressão que tenho é a de que, sempre que esse assunto vem, a reação dos detratores é muito mais radical e raivosa do que o discurso dessa rapaziada para justificar a preferência pelo samba "da antiga". Parece até que esse povo incomoda. Parece que é crime não achar o Zeca e a Beth rei e rainha do samba "popular". E o Diogo Nogueira o príncipe. Eu, particulamente, prefiro a sonoridade do grupo Terreiro Grande – que Carlos Andreazza cita de maneira não explícita em seu comentário – do que o batuque rasgado que vi o Fundo de Quintal fazer outro domingo na TV. Por sinal, o disco do TG com a Cristina Buarque (também citada..) é uma das coisas que mais me emocionaram nos últimos tempos, é de chorar mesmo. Meu gosto, meu sentimento: não tô pedindo pra ninguém concordar.Indo para além de questões musicais e poéticas: pesquisar e valorizar – e trazer de volta às rodas – sambas antigos de compositores da Portela, de Lucas ou dos Filhos do Deserto me parece uma atividade que congrega uma paixão não só pelo samba, mas também por um Rio de Janeiro que não existe mais, por um carnaval que não existe mais, por um subúrbio e uma favela que não existem mais. Nostalgia mesmo, ué? Qual o problema? É gostoso.Se a Beth Carvalho fez isso ao gravar algumas composições na década de 1980, outros podem querer ir mais além e encontrar outras pérolas perdidas. Carlos Andreazza coloca na conta do pessoal do Cacique a lembrança que alguns sambistas portelenses de outrora têm nas rodas de hoje, mas eu afirmo sem titubear: essa lembrança é MUITO curta, a valorização é MUITO pequena. Quando se formam grupos que se juntam pra pesquisar e cantar a obra deles, essa valorização ganha alguma oxigenação. Além disso, não resisto a deixar registrado: basta uma rápida pesquisa para ver que a própria Cristina, em poucos discos, gravou mais Mijinha, Manacéa e Lonato (pra ficar em três exemplos de portelenses cantados nas rodas da rapaziada "da pesquisa") que a Beth em sua vasta obra.Por fim, deixo uma convicção minha: Antonio Candeia Filho, se vivo, seria grande simpatizante do Terreiro Grande.

  4. >Edu,Te falei sobre minha paixão pelo samba e pela Lapa de outrora. Você me pareceu duvidar, achar que não era bem aquilo, ficar meio melindroso…Com toda razão. Talvez porque eu estivesse ali, postado à sua frente meio sem jeito, dentro de um terno abotoado, camisa ajeitadíssima e abotoadura nos punhos.Um típico burguês a serviço do capital. A primeira impressão é a que fica! Ainda mais se certas opiniões mal expressadas são dadas, sem a devida explicação.Mas o seu texto mexeu comigo! É como eu tentava te explicar sobre a Lapa que idealizo, aquela da década de 50, 60.O samba pra mim é um espaço democrático, um lugar de todos. Aquele momento em que a cadência das batidas e dos acordes superam os sentidos racionais e fazem com que nos deixemos levar. É algo do povo.É a roda onde se juntam patrícios e plebeus e ninguém se define. Não há preconceito mútuo disfarçado. Todos ali amam e aproveitam o samba. Seja o morador do morro, seja o do asfalto.É isso, essa magia, esse bem-estar que me leva frequentemente pras rodas de samba. Lá me encontro e me sinto bem.Nesses momentos, me parece que tudo na sociedade se acertou, ainda que, infelizmente, o "espaço amostral" seja só aquele da roda de samba.E aí vem um sujeito desses, levar o elitismo para onde não há lugar… pra dentro da roda de samba e querer ser diferente e "melhor" porque conhece uma música de poucos….Que o bom samba continue a ser aquele contado por todos…Abraços,Felipe.

  5. >É isso, Edu: perfeito. Como também não deixa de ser perfeita a lembrança da querida Olga, "Banho de Felicidade".

  6. >Nossa Edu !Por acaso a sede central do Psol fica no Rio de Janeiro ?Acho que você deve se benzer, anda tropeçando muito em comícios do PSOL !!! kkkkk !Quando mandei seus textos pra minha namorada que é Psicóloga ela, achou ótimo, porém me disse encabulada, "ótimo mas sem graça".Quase surtei de rir!!!!Abraço do Ernestão

  7. >Edu, venho aqui modestamente advogar em causa própria, e confesso: Sou uma analisada. Mas eu juro a você que não sou assim, desse jeito triste assim… O seu texto me sacudiu porque tenho contra mim dois títulos que me fariam entrar para o clubinho do horror: sou analisada e socióloga (a raça que mais encarna a descrição da "besta"). Mas, eu não sou assim! :O)Sem falar que amo o samba como se recomenda (e eu nunca tinha ouvido falar no Picolino) e portanto adorei muito sua caracterização perfeita dos estraga-prazer das rodas!Abraço, Elis

  8. >Carlos, me desculpa rapaz, mas seu discurso, além de preconceituoso, é de uma pessoa que certamente não entende sobre o assunto.Você acha realmente que Candeia ia se juntar ao Arlindo, aquele que compôs Só no Sapatinho, Carrocinha de cachorro quente, Superman…Olha rapaz, Candeia num gostava dessas palhaçadas não. Você sabe de sua história? Claro que não.Você acha que ele seria conivente com aquelas papagaiadas do Fundo de Quintal? Com os versos enrolados do Alir Guineto? Muito se engana meu chapa.Ouça os discos do Partido em 5 para teres uma noção melhor de quem foi Candeia, aquele que defendia o samba na sua melhor forma, "sem deturpação". O samba é do povo meu chapa, e o povo é muito maior do que esses teus pré-conceitos. Edu; não nos conhecemos, até gostaria, mas discordo de ti em alguns pontos. Mas tudo bem, questão de gosto. Outro dia, fui ao Samba da Ouvidor e ao sair de lá, segui rumo ao show do Terreiro Grande em homenagem ao Candeia. Não conhecia nenhum dos dois trabalhos, porém, fiquei muito feliz e muito surpreso com o que vi. Rapaziada de responsa, que respeita e tem amor pelo samba. Confesso que fiquei muito feliz ao saber que a rapaziada tá cantando sambas esquecidos, e olha, me surpreendi com a quantidade de gente que canta junto com eles. No show do Terreiro, vi uma galera da Ouvidor, e pude perceber que a rapaziada é amiga. Samba é isso, esqueçam os rótulos, tem espaço pra todo mundo, cada um canta o que quer. Havendo respeito, é tudo mais simples. Quando eu não gosto de uma roda de samba, simplismente não vou, é tão simples não é?Abraços!

  9. >ô edu, esses (essas) "bestas" que você chama, são um pé no saco, né não? caraio… e o pior é que tem sim e são igualzim o da tua história. ô raça!

  10. >Ontem este no Estrla da Lapa e esteva se aprsentando na casa um grupo chamado Panela di Barro, até que razoáveis, bom repretório, bons musicos. Set fina da apresentação e a galera foi fazer os tradicionais pedidos de musica, ecrevi em um papel e entreguei ao garotão com violçao e vocalista principal "Mestre sala dos Mares" pra mim o samba mais bonito jpa feito, o sujeito olhou com um cara de que aquilo era estranho à ele e passou o papel ao coroa do sete cordas que prontamente respondeu: – Essa não ninguém ouve mais isso… que tristeza Mestre sal dos Mares…achei aquilo um absurdo.

  11. >Paulo, de início, não sou seu chapa.Há quem prefira o samba engessado, como você. Não é o meu caso; não seria o do Candeia.Nesta altura, não perderei tempo dizendo se conheço ou não o assunto. (Acho, a propósito, que esse papo de sambista pesquisador serve muito mais à vaidade do sujeito que à divulgação do samba, que é o que me interessa; samba, o melhor samba, também é – e deve sempre ser – entretenimento)… A questão é justamente esta: a tua turma – a turma purista e elitista do samba – sempre acha que sabe mais, que conhece mais… É cansativo e aborrecido. (Abre este baú, ora; expõe pra gente, mostra o que só vocês sabem; apresenta essas canções aos cantores que podem torná-las conhecidas)! (Não, né)? (Não querem; é conteúdo exclusivo)…Arvoram-se de donos e defensores do samba e organizam rodas [quase assembléias de tão carrancudas] em que, vaidade em riste e samba em segundo plano, mostram como são profundos conhecedores dos K-7 da Cristina Buarque – e vão fechando, com gosto, o samba para consumo próprio… (Em tempo: as gravações do Zeca Pagodinho com a Velha Guarda da Portela – registros formidáveis – são muito mais importantes que tudo que a Cristina e o Terreiro Grande jamais fizeram e farão). (Aliás, tenho o disco do TG com a Cristina – e digo: é bom, mas, sei lá, faz pelo menos 20 anos que o ouço)… A turma purista e elitista do samba têm horror a sambas novos, à criação atual, ao movimento – ao futuro. (E por isso a implicância com o Arlindo Cruz, a Beth Carvalho)… Samba bom é samba já feito; é samba de compositor morto… Isto é patético. Sim, eu realmente acho que Antonio Candeia Filho – compadre do Arlindo pai – estaria ao lado de Arlindo Cruz, que, menino, chegou a tocar cavaco com o maioral. Candeia sempre gostou de movimento, de criação, de gente nova e talentosa; não era este inquisidor tirano, este chato contumaz, este que, como nos querem vender os "terreiros grandes da vida", limitava à velha guarda as possibilidades do samba. Candeia acreditava no futuro. (E penso agora no grande Nei Lopes, ao mesmo tempo parceiro de Wilson Moreira, Dauro do Salgueiro, Zé Luiz do Império e, pasmem!, de Arlindo Cruz, Dudu Nobre e Magno do Quinteto).Talvez o Fundo de Quintal de hoje não seja um bom modelo; faz tempo o deixei de escutar. Mas, nos anos 80, ninguém fez mais pelo samba [sem fazer marketing disso] do que a rapaziada do Cacique – e devemos citar com respeito o monumental Almir Guineto [o sambista completo]! Conheço bem os discos do Partido em 5 – tão bons quanto expressão de uma época que passou. (A mesma época do disco do TG com a Cristina Buarque, este, porém, gravado ontem)… Este conceito de "deturpação" – de resto uma bobagem sem tamanho, própria a quem quer o samba só para si – é medíocre e apenas aponta para a postura reacionária desta gente que, dizendo que o samba é do povo, ao mesmo tempo não o aceita popular.Não passarão!

  12. >Andreazza: monumental, sua resposta. Como eu disse no próprio texto, "volto ao tema". Razão pela qual não respondi – somada à falta de tempo – a todos os que comentaram aqui, o que faço com costume. Forte abraço.

  13. >Andreazza, comentário "monumental", como bem disse o Edu, mas, parafraseando o grande Simas, muita vela pra pouco defunto, se é que você me entende.

  14. >É impressionante como vocês são radicais. Concordo com o Gustavo, quando ele diz que são muito mais radicais do que a rapaziada que cultiva esse tipo de samba que vocês dizem ultrapassado.Quer dizer que o Cacique foi o movimento mais importante da década de 80?Outra coisa, você tanto fala na monopolização de músicas da parte dessa galera, diz que eles querem ter tudo apenas pra si próprios. Já viu o Blog do Terreiro Grande? Já viu quantas músicas raras, inéditas e caserias têm por ali? Já viu o Blog do Samba da Ouvidor? Quantas músicas raras e inéditas eles já disponibilizaram?Agora eu te pergunto: por que a "madrinha", que vocês tanto idolatram, não disponibiliza pra ninguém as milhares de músicas que ela deve ter de Cartola, Nelson Cavaquinho e outros muitos compositores?Creio que você está jogando infromações por aqui sem ter certeza da verdade delas. Procure se informar um pouco melhor e depois venha debater. Mas olha, seria bom vcocê se despir desses preconceitos bobos e com argumentos vazios que mais parecem acusações de crianças de primário.Quanto ao Edu, lamentável sua postura ao falar do samba. Logo você, que está sempre naquelas rodas escondidas, onde está a Beth Carvalho com as netas do Che, onde está o Aldir. Eu nunca te vi em roda nenhuma de samba na Rua, só frequenta teus becos, com tua turminha e quer vir discursar sobre povo, sambas cantados por todos…Que todos? Aquela meia dúzia que estava com você naquela roda escondida no Bar Getúlio que estava o Aldir e o Paulo Cesar Pinheiro, como eu pude ver nos seus vídeos?Faça-me o favor!

  15. >Edu,Queria dizer que acho bacana que existam pessoas interessadas em resgatar as coisas boas que temos e que o povo foi levado a esquecer. Acho, ainda mais, que esse trabalho de pesquisa é uma missão civilizatória.O passado serve-nos de inspiração. Muitos de nós, nostálgicos, sentimos saudades do que não vivemos. Eu, por exemplo, não tive a felicidade de ver Baden Powell numa roda de choro. Sinto saudades. O Baden, que teve a felicidade de acompanhar Pixinguinha e João da Bahiana, entre outros gênios da raça, certamente lamentou um dia por não ter acompanhado Tia Ciata. Saudades do que não viveu. Um dia também sentirão saudades daqueles que, apesar das grandes contribuições, são desprezados hoje e rotulados com insígnia do POP.Então eu acho que essa saudade legitima o interesse pela pesquisa. E creio que toda pesquisa deve, precisa, obrigatoriamente, ser divulgada. Surgem, então, outras questões: como e onde divulgar o resultado da pesquisa?Atento ao princípio Blanquiano de que a roda de Samba é a missa campal do povo brasileiro, creio que as rodas são espaços de divulgação por excelência. É ali, para o povo ouvir, que os resgates históricos devem ser apresentados. Mas não é só de resgates históricos que se faz uma boa roda de samba.Para a roda poder congregar as pessoas, creio eu, ela deve ser composta também, e principalmente, pelas canções que não sumiram na poeira do imaginário popular, que são lembradas pelo povo. Isso para que se tenha o samba cantado por todos, como você bem definiu, "o ápice, o axé, a força, o peso e a beleza da roda, do encontro, da reunião".Então, nesse ambiente de congregação, cabe a divulgação daquilo que é bom e que ficou para trás, que ficou esquecido. Não faz sentido, para mim, que uma roda passe uma hora ou mais tocando apenas sambas lançados antes de 1960 ou 1970, como já presenciei algumas vezes. Simplesmente pelo fato de ter que ser antigo.Como se antiguidade fosse atestado de qualidade. Já ouvi sambas ruins de grandes compositores dos velhos tempos, dos heróis da velha guarda, que na maior parte das vezes nos brindaram com seus clássicos.Vale a pena divulgar sambas antigos nas rodas? Acho que sim. Mas acho que não vale a pena fazer das rodas um espaço que sirva apenas para isso, por vaidade ou qualquer que seja a motivação.Ou, então, que se assuma logo o rótulo de "esta roda tem o objetivo de divulgar sambas antigos e esquecidos pelo povo".Eu, usuário da internet, mantenedor de seis blogs diferentes, convencido de que a mesma grande rede que disponibiliza conteúdos lamentáveis pode abrigar conteúdos valiosos, defendo que ela seja o grande veículo de divulgação das pérolas esquecidas.Já baixei algumas coisas bem bacanas por aí e já gravei uns CD's com essas pérolas que escuto em casa, de vez em quando, enquanto preparo um guisado pra minha digníssima. E assim, eu vou me familiarizando com a obra dos mestres daquele "tempo de Antenores de voz rouca, pondo a alma pela boca, dando o couro por um tamborim" – apud Nei Lopes.Ou seja, pesquisa eu faço na minha casa. Na roda de samba eu quero é cantar com o povo.Desculpe as delongas, meu velho.Abraço!

  16. >Paulo: não sou dado a discutir – vá lá – com quem não conheço. Mas já que você me citou, vamos ao que tenho a dizer, embora saiba que a primeira parte de seu comentário é dirigida ao Andreazza."É impressionante como vocês são radicais."Agradeço, dia após dia, minha postura radical (não com tudo, diga-se). Ela impede uma série de concessões nocivas e perniciosas."(…) Já viu o Blog do Terreiro Grande? (…) Já viu o Blog do Samba da Ouvidor?"Já, já. São os mesmos caras que negaram uma homenagem ao Luiz Carlos da Vila, um menor na visão estrábica do povo que tem como projeto – não sou quem diz – a cirrose hepática."Agora eu te pergunto: por que a "madrinha", que vocês tanto idolatram, não disponibiliza pra ninguém as milhares de músicas que ela deve ter de Cartola, Nelson Cavaquinho e outros muitos compositores?"Ela tem isso? Não seja leviano. A contribuição da Beth Carvalho, a quem não idolatro, mas de quem sou amigo e a quem admiro tremendamente, é tão acachapante, tão evidente, tão incontestável que vou parar por aqui."Quanto ao Edu, lamentável sua postura ao falar do samba. Logo você, que está sempre naquelas rodas escondidas, onde está a Beth Carvalho com as netas do Che, onde está o Aldir. Eu nunca te vi em roda nenhuma de samba na Rua, só frequenta teus becos, com tua turminha e quer vir discursar sobre povo, sambas cantados por todos…"Quem é minha turminha?"Que todos? Aquela meia dúzia que estava com você naquela roda escondida no Bar Getúlio que estava o Aldir e o Paulo Cesar Pinheiro, como eu pude ver nos seus vídeos?"Dois menores na sua visão também?Diante da falta de argumento e da pífia capacidade de, ao menos nesse momento (não lhe conheço, quero repetir), discutir com argumentos minimamente compreensíveis, despeço-me.

  17. >Nhô Paulo , citou alguns partidos altos.Andreazza é autoridade, vive dentro do Império Serrano, por isso já basta.Cacique foi um movimento fantástico no mundo do samba e Deus me livre depender de blog pra ter acesso a samba .Ninguém falou aqui sobre repertórios e sim sobre postura, estas rodas estão ridículas e exatamente pelo fator arrogância, deveriam se preocupar um pouco mais com a percussão que é insuportável de se ouvir. Palhaçada , criaram cada conceito agora pra sambista que soa ridículo, ainda mais pra quem está acostumado com os batuque de terreiro , dizer que Almir Guineto faz versos confusos e que Beth não tem seu valor dentro do samba é patético.

  18. >Esqueci de comentar, ai de nós pobres mortais como disse o Dentinho lá em cima se pedirmos um samba que não esteja no repertório dos Deuses, ai de nós…

  19. >Edu, esqueci de citar aquele que é, a meu ver, o maior criador da história do samba – gênio da raça: Luiz Carlos da Vila.

  20. >Ah, Andreazza, mas imagina… Soube, por mais de uma pessoa, que na roda da Ouvidor, aquela que acontece em prol do "projeto cirrose" (pelo gosto da brincadeira, faça sua avaliação…), o nome de Luiz Carlos da Vila é tido como um furioso, torpe, ofensivo e rotundo palavrão. Durma-se com isso. Um forte abraço.

  21. >"(…)o maior criador da história do samba – gênio da raça: Luiz Carlos da Vila."É a velha frase: "gosto é que nem nariz, cada um tem o seu."Discordo totalmente, mas respeito sua opinião.Pra mim, antes dele, tem Noel Rosa, Wilson Batista, e mais uma penca de compositores.Saudações sambísticas, sem rótulos e preconceitos.

  22. >Todos grandíssimos, Paulo; mas, por favor, depois de seus comentários anteriores, não me venha agora com esta de que respeita a minha opinião…

  23. >Respeito sua opinião, só acho que você precisa falar mal dos outros para expô-las. Se preocupa muito com os outros. Pra falar bem do Luiz Carlos da Vila, não precisa falar mal do Terreiro Grande, me entende?ACho que tem lugar pra todo mundo, e acho que quando se fala em radicalismo por aqui e por outros lugares, só se pensa em um lado da moeda, e esquecem que o que pra vc talvez seja radicalismo, para mim não, e vice e versa.

  24. >Alguém sabe pra que lado fica Honduras?

  25. >Szegery! Mais fácil te encontrar por aqui no Buteco do que em Sampa, rapaz! Não consigo avistar Honduras, daqui do meu 13andar,mas creio que fica pra outro lado…Veja vc, eu que nascí numa terra que já foi chamada de "túmulo do samba", nem entro aí nessas especialidades. Aliás, uma vez numa roda de samba no Rio, fiquei alí rondando, querendo tocar, até que me deram uma chance, e sabe o que eu fiz? Mandei um Adoniran na flauta, que eu sou bípede, mas não vou ficar ciscando…Bjo grande!

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