BAR DO PAULÃO

Quando eu terminei de escrever a dedicatória no livro que dei ao caboclo – “Pro Paulão, dono do melhor buteco do mundo, com um abraço do tamanho da minha saudade” – foi que eu me toquei: eu estava, depois de mais de dez anos, sentado de novo no buteco que é, de fato, na minha humílima opinião, o melhor buteco do mundo (eu dizia isso ao Paulão desde 1992, quando ele inaugurou o portentoso estabelecimento, do qual fui (sou, por óbvio, e é ele mesmo que diz) um dos primeiros clientes).

O Bar do Paulão fica em Caxambu, sul de Minas Gerais, cidade na qual nunca mais pisei por razões que, franca e sinceramente, não vêm ao caso. Fui passar o final de semana prolongado em São Lourenço, a 20km de lá, a fim de estar com parentes da mulher que me ensinou a sorrir. Arrumando as malas, na sexta-feira pela manhã, falei pro meu vira-lata:

– Vou levar dois livros meus, um pro Venceslau e outro pro Paulão. Quem sabe consigo encontrá-los?

Na manhã de sábado bati o fio pro Venceslau, o sujeito que me ensinou a dirigir, e que fez tremenda festa quando me ouviu:

– Quero encontrá-lo, Venceslau. O Bar do Paulão ainda está lá?

– Ô… – disse ele, mineiramente.

Marcamos às cinco da tarde na porta.

Ansioso, cheguei às quatro e meia.

Bar fechado.

Bati a campainha (o Paulão mora no bar; o lar dele é, de fato, o botequim).

Paulão veio à porta e eu nem lhes conto!

– Ô, Dudu! – olhos marejados, ele enorme, aqueles braços imensos e um abraço acumulado há mais de década.

– Fechado, Paulão?!

– Abro às seis e meia… Abria! Abria! Vou abrir agora!

Papo vai, papo vem, ele abriu o bar, deparei-me com o mesmíssimo cenário de antes, centenas de garrafas de cachaça nas prateleiras nas paredes (algumas com mais de 100 anos), o mesmo rádio valvulado no balcão, a mesma geladeira que não mais existe, a flâmula do Cruzeiro, a Brahma estupidamente gelada, a costelinha de porco preparada pelas mãos sagradas da dona Fátima, e o Venceslau chegou, pintou na área de surpresa o Sérgio, apontador de bicho que fez meus jogos durante muitos anos, e o velho deu de chorar de saudade matada naquela ladeira, perguntaram pelo meu pai, liguei pro celular do meu velho, que falou com todos, depois me foram servidas doses e mais doses de cachaça, provei (de novo) das batidas de maracujá com tangerina preparadas pelas mágicas mãos do Paulão, comi croquetes de carne, bolinhos de aipim, fiquei ali – o quê?! – coisa de duas horas e voltei pra São Lourenço (e domingo pro Rio) com essa certeza amalgamada dentro do coração: o Bar do Paulão é mesmo o melhor buteco do mundo.

Fica na rua João Pinheiro, em Caxambu, no alto da ladeira, no número 567, e você pode falar com o cracaço no (35) 3341-1763, ele que abre o bar de quinta a sábado (e feriados!), a partir das 18h30min.

Do alto de meus 40 anos deixo aqui minha agudíssima recomendação: vale a visita, e vale muito.

Vivi ali, naqueles 120 minutos, emoções que só mesmo o buteco proporciona na vida da gente.

Até.

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2 Comentários

Arquivado em botequim

2 Respostas para “BAR DO PAULÃO

  1. João Batista

    Fala Dudu! Que saudades do Paulão e família, fiquei com água na boca pensando na costelinha da nossa querida Dona Fátima. Abraços, espero que esteja tudo bem com você.

  2. Pingback: CHOPERIA TITO | BUTECO DO EDU

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