MAIS DIGRESSÕES

Em 29 de maio próximo passado, fiz minhas digressões aqui envolvendo o futebol, o torcedor, o comportamento do torcedor no estádio de futebol, esses troços.

Antes porém de prosseguir hoje nas sendas do que chamo Mais Digressões eu quero lhes recomendar vivamente a leitura do texto Ode ao Bolinha França, que pode ser lido aqui, de autoria desse brasileiro fundamental que atende pelo nome de Luiz Antonio Simas.

É preciso que todos leiam e reflitam. Estão acabando com nossas esperanças, estão destruindo o imaginário de nossas crianças, estão construindo modelos e metas rigorosamente afastadas da realidade, e o que vemos, hoje em dia, são meninos colecionando bonecas, meninas achando bacana o som de Adriana Calcanhoto, Ana Carolina e Preta Gil (esta última, segundo lamentável nota publicada na coluna Gente Boa do Segundo Caderno de O Globo, ministra da “igreja lesbiteriana”), ministros marchando em prol da maconha, crianças em busca do corpo perfeito (no meu tempo almejava-se o corpo perfeito do vizinho ou do vizinha gostosa, hoje busca-se o corpo perfeito no próprio espelho), meninos e meninas proibidos de comer doce, meninos e meninas ávidos por aipo, cenoura e acelga, e assim caminha (pastando) a humanidade.

Falei em criança e não posso deixar de registrar meu repúdio a mais uma lamentável decisão desse ministro minúsculo do STF cujo nome me recuso a digitar e que acaba de cassar decisão corajosa da justiça brasileira em prol de um pai que teve seu filho sequestrado pela própria mãe, já morta (não darei mais detalhes por falta de saco). A decisão do minúsculo ministro foi provocada por iniciativa do PP, partido igualmente minúsculo do qual faz parte o minusculíssimo Francisco Dornelles, o que dá coerência a tudo. Comemora, nesse momento, não tenho dúvida, a senhora Cora Rónai, que pode entender alguma coisa de informática mas que não entende e não sabe nada, rigorosamente nada, de Direito. Pigarreio e sigo, ainda que fora do tom. “Tom de Petrô”. E pra bom entendedor meia palavra basta.

Notem como serpenteio hoje.

Volto ao Simas. Ele é um connaisseur em matéria de gastronomia, como já lhes contei aqui. Mas todo connaisseur tem seu dia de tropeço, e quero lhes contar sobre um (o único) tropeço (um tombaço, sejamos francos) de Luiz Antonio Simas.

Jantava, o bardo tijucano, com sua doce companheira, no Rampinha. Veio o garçom à mesa e ele disse, gentil:

– Escolhe você, amor.

Ela escolheu.

E foi servido o prato, coisa de quinze minutos depois. Uma massa fresca com tomates igualmente frescos e mussarela de búfala.

Nosso herói deu de cortar a mussarela em rodelas. Até que disse, depois de pigarrear e com olhos arregalados, tampando a boca com o guardanapo pra disfarçar:

– Candinha, Candinha!

Ela, chutando de leve a canela do marido:

– O que foi, Luiz Antonio? Fala baixo!

Espetando 3, 4, 5 rodelas da mussarela, pondo o garfo em direção a ela, ele disse assustadíssimo:

– Meu ovo veio sem gema!

Ela fez que ia desmaiar e ele:

– São os transgênicos, meu amor… onde já se viu ovo sem gema!

Feita a inconfidência, vamos em frente.

Não, não vamos em frente.

Eu queria lhes contar, desde o início, mais sobre o comportamento dos torcedores de futebol nos estádios. Mas essa mania quase-insuportável de serpentear, me fez alongar demais o papo.

Fica pra amanhã.

Até.

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6 Comentários

Arquivado em confissões

6 Respostas para “MAIS DIGRESSÕES

  1. >Fala Edu,estes deslizes podem acontecer com qualquer um. Veja você, eu, que sou um exímio fisionomista, estava lá na Ouvidor com o último livro do Moa; já havia pedido uma dedicatória ao autor e um autógrafo carinhoso do meu amigo Gabriel na página em que o Caruso o desenhou.Quando o Simas apareceu por lá, não pensei duas vezes, me aproximei e disparei, Fala Professor! Pode autografar aqui, em cima dessa belíssima ilustração?E o Simas, com o carinho que lhe é peculiar, falou. Claro que posso, mas não sou eu aí não. Ele assinou e eu fiquei feliz da vida, porém um pouco envergonhado.Não era só pelo cara do desenho ser careca não, estava realmente parecido.Abração Edu,Simas, desculpa a brincadeira, hein?

  2. >Edu, essas digressões são formidáveis de se ler – e, afinal, estamos num buteco!

  3. >Edu, segui a dica e fui no Simas. Muito bom, malandro.

  4. >O texto do Simas é ótimo. Agora esta história de ovo me lembrou uma coisa. Outro dia estava no Viena, um restaurante que tem aqui em São Paulo. Pedi o que sempre peço, um bife, arroz, feijão e ovo. Lembrei a garçonete que queria o meu ovo mal passado. Fiquei aturdido quando a garçonete me disse que a prefeitura de São Paulo havia proibido que os restaurantes vendessem ovo mal passado, para que as pessoas não se arriscassem a pegar uma salmonela. Eu disse a ela que eu tinha direito de me expor as salmonelas, que estava disposto a correr este o outros riscos para poder ter o prazer de comer um ovo mal passado. Ela, impassível, disse que ovo só bem passado. Prontamente liguei para o meu advogado, Fernando Szegeri. Juntos lamentamos este mundo terrível, em que o prefeito de SãoPaulo – que já proibiu faixas, passeatas na paulista, distribuição de panfletos, circulação de carros de som, mesas na calçada – intervém agora no meu ovo frito.

  5. >A culpa é, como atesta o Julio, desses ovos miseráveis que as galinhas andam botando hoje em dia. Tá tudo muito mudado nesse mundaréu…

  6. Pingback: DIGRESSÕES, MAIS DIGRESSÕES | BUTECO DO EDU

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