DECLARAÇÃO DE AMOR À TIJUCA

Tem uns troços que acontecem, relacionados ao blog, que fazem com que a gente, ainda que sem tempo, ainda que premido por compromissos que se avolumam, prossiga na intenção de gastar um tempo do dia dedicado a esse exercício que é o de sentar diante do monitor pra dizer o que sentimos, o que pensamos, o que queremos.

Recebi, no domingo passado, 03 de maio, um gentilíssimo e extenso e-mail de um leitor, Allan Caetano Ramos.

Graças à série RUA DO MATOSO, publicada aqui no BUTECO em dez capítulos (todos eles com links expostos no balcão imaginário aí à direita), o Allan (re)descobriu os encantos dessa rua que rasga a Tijuca, da Praça da Bandeira ao Rio Comprido.

Com vocês, devidamente autorizado, o comovente e comovido e-mail do Allan, a quem mando um abraço do tamanho do bairro mais bonito da cidade:

“Caro Eduardo,

Antes de mais nada, gostaria de parabenizar – e mais do que isso, de agradecer – pelo maravilhoso blog com os passeios desbravadores de nossa Tijuca. O pedacinho do bairro cravado entre a Afonso Pena e a Paulo de Frontin é um dos que mais me intrigam atualmente – possivelmente porque antes morava numa ponta e agora estou morando em outra – e este, por coincidência, é o “alvo” principal de seu blog.

Ontem tive a oportunidade de seguir por quase toda a extensão da Rua do Matoso (procurando cabo paralelo pra trocar a instalação de telefone do apartamento que os técnicos da OI insistem em ficar emendando toda vez que vêm aqui em casa) e, somente depois de voltar pra casa, encontrei, muito por acaso, seu blog. Me atraiu a série da Rua do Matoso – que sempre me chamou muita atenção pois tenho uma vaga ideia do quanto a história do bairro deve tributo à esse logradouro e, pra mim, foi comovente a leitura de sua narrativa. De fato quase cheguei a chorar ao ler a transcrição do atendimento telefônico que o seu José da Quitanda Abronhense dispensa aos seus clientes. Quando vim morar aqui na Paulo de Frontin, certa vez encontrei uma mercearia que entregava e domicílio e achei aquilo o máximo – mas nunca mais a encontrei, pois tinha a certeza de que eu a havia visto na Rua Barão de Ubá e lá passei atentamente por diversas vezes, imaginando que a quitanda havia fechado suas portas em algum daqueles sobrados… agora sei que ela fica é na Rua do Matoso.

A Ótica Dayse foi um achado no blog (meus pais sempre precisam de óculos novos e de atendentes que prezem mais os clientes que as vendas), bem como a Tinturaria Mascote (que eu também acabei encontrando pessoalmente ontem, bem ao lado da quitanda, antes de ler o blog). Semana que vem deixarei um terno meu pra ser lavado lá.

No calçadão da Rua do Matoso estranhei quando, ao avistar uma loja de ferragens e seguir em sua direção, de repente me vi debaixo de uma autêntica tela natural formada pela parreira que cresce sobre a calçada naquele ponto da rua. Ao perguntar se tinham fio de telefone, o rapaz me respondeu: “aqui não temos fio de telefone não, mas a loja do Duda (apontando para o início da rua) ainda tá aberta e ele tem fio de telefone lá” (de fato, tinha passado na loja dele mas o fio não era blindado como meu pai havia recomendado; como não encontrei o raio do fio de telefone blindado nem no C&C do Boulevard Maxwell – onde acabei terminando minha andança ontem – voltarei na loja do seu Duda durante a semana pra pegar o fio branco que ele me ofereceu).

As fotos do blog também são fantásticas – as dos bastidores inclusive. A sapataria que também me espantava por seu tamanho descomunal e seus armários enormes (“muito espaço pra pouco sapato”, refletia comigo mesmo toda vez que passava ali em frente para levar meu computador pra manutenção, no segndo andar do número 16 da Rua do Matoso); o interior da Homeopatia Simões, que me fez ficar curioso em saber como uma das farmácias homeopáticas mais bonitas e preservadas da cidade parecia mais um pequeno segredo escondido atrás da Praça da Bandeira – levei alguns amigos para ver com seus próprios olhos o que eu havia encontrado; a da portaria do edifício Madrid, simples e elegante; da belíssima residência na esquina de uma das travessas que escondem um estilo de vida que vem se extinguindo pouco a pouco dentro da cidade…

Depois de ter passado pela enésima vez e de ter descoberto todas essas pequenas belezas numa tarde de sábado (inclusive uma tomada do Cristo Redentor de tirar o fôlego – acredito eu que pouco antes de chegar no Supermercado Mundial ou, talvez, já perto da Praça da Medalha Milagrosa), fiquei extremamente feliz por saber que não sou o único que consegue ver beleza naquele logradouro que tinha tudo pra ser feio, exceto pelas histórias e pelas pessoas que lá dedicam seus ofícios há muito tempo. Com certeza um lugar idílico.

Mais uma vez obrigado pelo blog.

Abraços,
Allan Caetano”

Até.

Anúncios

1 comentário

Arquivado em Uncategorized

Uma resposta para “DECLARAÇÃO DE AMOR À TIJUCA

  1. >Edu, que bom entrar aqui e encontrar você de novo. E ainda mais com um e-mail tão bacana.Essa série foi demais mesmo, não à toa rende fruto dessa natureza.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s