MEU AVÔ OIZER E O FANTOMAS

Já lhes contei, há tempos, algo sobre meu avô Oizer (leiam aqui).

Remexendo na memória, troço inevitável às vésperas dos quarenta anos, lembro-me dele, nas manhãs de sábado na Urca, pegando cigarras entre os dedos de suas mãos enormes, fazendo as bichinhas cantarem pra encantar o neto.

Como lembro-me de sua euforia diante da TV assistindo telecatch. Não adiantava papai dizer que era tudo armação, que era tudo combinado, que era tudo uma grande baboseira. Vovô esbravejava, bufava, sofria, espumava torcendo por seus prediletos.

Hoje cedo recebi e-mail de um leitor, Luciano Lazaro, de Belo Horizonte. Dizia o seguinte:

“Prezado Eduardo: desculpe-me, não sei se você é o mesmo Eduardo Alexandre Goldenberg que li a respeito num post sobre “telecatch”. Filho do Isaac Goldenberg. Se não for, desculpe-me, mas se for, então o obituário abaixo, publicado na Folha de 06.04.2009, deverá te interessar. Grande abraço, Luciano Lazaro – Belo Horizonte – MG”

Não faço a mínima idéia de como o Luciano chegou a mim e mesmo às informações que, supos ele, me interessariam. Há algo de truncado na mensagem, a começar pela referência a mim, já que não tenho “Alexandre” no nome embora eu seja filho de Isaac Goldenberg.

Dizia o obituário que veio anexado ao e-mail:

“GUERINO CICON (1933-2009)

Por trás da máscara de Fantomas

ESTÊVÃO BERTONI

DA REPORTAGEM LOCAL (FSP 06/04/2009)

Não era nada mole liquidar Fantomas, um homem de pedra nos ringues, já alertava o locutor.

Herói do telecatch-espetáculo de luta livre popularizado pela TV entre os anos 60 e 80 no país, o mascarado justiceiro escondia sob a fantasia preta com detalhes brancos a identidade de Guerino Cicon, um marceneiro de Piracicaba (SP) de quase dois metros e mais de 100 kg.

E não adiantava recorrer a táticas torpes, como “chutar violentamente a região baixa” de Fantomas. Moicano e Cantinflas já tentaram isso numa luta e nada conseguiram.

De uma família de italianos, mudou-se para SP nos anos 60. Praticava natação e halterofilia, o que o ajudou a entrar no mundo das lutas, área em que foi muito feliz, diz a filha Idely, com a voz embargada.

Ela lembra que os shows costumavam fechar o Pacaembu, de tão cheio. Seu pai conheceu o país em turnês.

Nos combates, Guerino fingia ter uma das pernas endurecidas. Era uma tática. E ele já se machucou de verdade? A princípio, a filha diz que não. Depois lembra que o pai já quebrou o dente, a clavícula, um dedo, entre outros.

Depois que as lutas acabaram, trabalhou como segurança, até se aposentar. Há cerca de um ano, vivendo na Cohab, passou a sofrer com problemas circulatórios e de diabetes. Estava internado há cinco meses e teve um dedo, e depois a perna, amputados.

“Quero colocar uma faixa em frente ao hospital Tatuapé para agradecer ao tratamento que tivemos”, diz a filha.

Guerino morreu sábado, 28, aos 75 anos. Deixa duas filhas, quatro netos e três bisnetos. A missa de sétimo dia foi ontem, em São Paulo.”

Foi meu avô Oizer, tenho certeza, quem soprou a dica pro Luciano.

Certeza absoluta.

Até.

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7 Comentários

Arquivado em confissões

7 Respostas para “MEU AVÔ OIZER E O FANTOMAS

  1. >Coitado do Oizer……que coisa maluca !!

  2. >http://hisbrasil.blogspot.com/2007/02/emoo-no-telecatch-e-os-tackles-do.htmlQueridíssimo, leia esta postagem do meu modestíssimo Histórias do Brasil e verás que – neste caso – o Oizer, na verdade, se chama Luiz Antonio Simas.Beijo.

  3. >Depois eu que sou velho. E o Verdugo? E o Tigre Paraguaio? Bela lembrança.Beijo.

  4. >Simão, Simão: Quem soprou foi o velho Oizer Goldenberg, que se chama Oizer Goldenberg! Não há a menor dúvida.

  5. >Favela, querido, e você já imaginou como o Luciano chegou ao texto do meu blog? Consigo até ver o velho Oizer, em sonhos, dizendo pro cabra: – liga o computador e entra no Histórias do Brasil. Procura um texto sobre o meu neto Eduardo Alexandre, procura…

  6. >Repito aqui o que propus no blog do Simas há pouco: uma vez achadas as balas Soft, escalemos Felipinho Cereal como cobaia.

  7. >Caramba, que danado de papo é esse ????

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