Arquivo do mês: março 2009

>APRENDA, JOTA!

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Joaquim Ferreira dos Santos, o Jota, dono de um dos piores pedaços do cada vez pior jornal O GLOBO dobrou-se, ontem, diante da clava forte da Justiça, publicando a nota abaixo.

nota publicada por força de decisão judicial na coluna GENTE BOA do SEGUNDO CADERNO de O GLOBO em 17 de março de 2009

Fruto da sentença que ora transcrevo:

“Processo nº 2005.001.156226-0
Autor: SINDICATO DAS SECRETÁRIAS DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO – SINSERJ
Ré: INFOGLOBO COMUNICAÇÕES LTDA.
SENTENÇA: Trata-se de ação na qual pretende o autor, na condição de sindicato representante das secretárias deste estado, reparação moral em razão de nota publicada em 04.10.2005, na coluna ´Gente Boa´ do Segundo Caderno no jornal O Globo, editado pela ré, cujo texto teria ofendido a honra subjetiva da categoria, por relacionar o dia da secretária com o aumento de movimento dos motéis. Foi requerida, ainda, a condenação da ré à obrigação de fazer, consistente na publicação de resposta à nota ofensiva, tendo sido pleiteada a tutela antecipada nesse tocante; e a condenação da ré à obrigação de não fazer, para que esta se abstivesse da publicação de notas e/ou anúncios ofensivos a categoria. A fls. 108 e vº foi indeferido o pedido de antecipação de tutela. Contestação apresentada a fls. 130/156, acompanhada dos documentos de fls. 157/174, argüindo a ré, preliminarmente, a ilegitimidade ativa ad causam do sindicato-autor, argumentando tratar-se de questão não abrangida pelos interesses específicos da classe representada, inerentes ao exercício da profissão propriamente dito. Argúi ainda a impossibilidade jurídica do pedido referente à reparação moral, aduzindo não haver amparo legal à postulação feita pelo autor para que a indenização seja destinada a fundo para custeio de cursos profissionalizantes da categoria. Sustenta a incompetência absoluta do Juízo quanto ao pedido de publicação da retratação, sustentando que o direito de resposta encontra-se previsto na Lei de Imprensa, e se processa unicamente perante o juízo criminal. No mérito, sustenta, em síntese: que se aplica à hipótese a Lei nº 5.250/67 (Lei de Imprensa); que a informação veiculada na nota em questão foi fornecida por funcionário do Hotel Bambina, a despeito de posterior desmentido do referido hotel; que a ré agiu, assim, de forma isenta, apenas repassando informação que lhe foi prestada por fonte lícita; que é notória a existência de piadas acerca de várias classes profissionais, sendo que a nota não fazia referência específica a nenhuma secretária; que não restou caracterizada qualquer das hipóteses previstas pela Lei de Imprensa para se configurar a responsabilidade civil; que não restaram comprovados os alegados danos morais; que é exagerado o quantum indenizatório pleiteado pelo autor. Réplica a fls. 178/191. Promoção do Ministério Público a fls. 201/204. Em resposta a despacho de especificação de provas, a parte ré requereu, a fls. 207/208, a produção de provas documental suplementar e testemunhal; a parte autora, a fls. 210/211, pugnou pela produção de prova testemunhal. A fls. 213 foi determinada a vinda da prova documental suplementar, tendo a ré desistido da produção de tal prova, a fls. 214/215. A fls. 216 foi indeferido o pedido de produção de prova oral, decisão contra a qual interpôs a ré agravo retido (fls. 227/234), contra-razoado pela parte autora a fls. 237/241. Manifestação final do Ministério Público a fls. 220/224. É O RELATÓRIO. PASSO A DECIDIR. A questão apresenta matéria unicamente de direito, comportando o feito julgamento no estado em que se encontra, na forma do disposto no artigo 330, inciso I, do Código de Processo Civil. As preliminares suscitadas em verdade se confundem com o mérito. Em todo caso, cabe sua análise, antes de mais nada. Argumenta a parte ré que o sindicato, no caso, possui legitimação condicionada, sendo que o art. 5º, XXI, da Constituição Federal, exige expressa autorização para que a entidade represente seus filiados, judicial ou extrajudicialmente. Segundo sua ótica, o sindicato-autor não teria legitimidade para ajuizar a presente ação civil pública, objeto de questões que ultrapassariam a sua atuação em defesa dos interesses da categoria. Aduz a parte ré que a presente questão não tem relação com os interesses específicos da classe representada, inerentes ao exercício da profissão propriamente dita, tais como piso salarial, carga horária, etc. Nada mais equivocado. Quando a Constituição Federal estabelece, em seu art. 8º, inciso III, que aos sindicatos cabe a defesa dos direitos e interesses coletivos da categoria, evidentemente que não está limitando a atuação da entidade à defesa de interesses meramente econômicos ou trabalhistas. A Lei Magna fala em direitos e interesses coletivos, não especificando, e, conseqüentemente, não delimitando a atuação das entidades sindicais. Basta que se trate, pois, de interesse ou direito que possua natureza coletiva, entendida esta como a característica de o direito/interesse ultrapassar o limite meramente individual do associado (ou não associado) para dizer respeito a toda uma coletividade, a uma categoria. Não se pode ter dúvidas de que a matéria questionada atingiu o interesse de toda a categoria das secretárias. A referência feita na nota publicada diz respeito à coletividade das secretárias, havendo nítido interesse da entidade sindical, que, por força de disposição constitucional, detém legitimidade para a defesa, e conseqüentemente para a adoção das providências cabíveis, dos interesses e direitos coletivos que se virem violados. De forma alguma pode se dizer que a questão não se insere nos interesses específicos da classe representada. Desnecessária a autorização específica o ajuizamento desta ação, eis que o que a Constituição exige é a autorização estatutária – esta nítida no estatuto do sindicato-autor. No que concerne ao aspecto envolvendo o fundo de que trata o art. 13 da Lei nº 7.347/85, efetivamente este é o destino da condenação em dinheiro imposta na ação civil pública, sendo que a finalidade do fundo é a reconstituição dos bens lesados. Quanto a isso o sindicato-autor argumenta que o numerário proveniente da condenação será destinado à efetivação de cursos profissionalizantes da categoria, o que, na ótica da ré, não se prestaria à reconstituição de supostos danos morais decorrentes da nota jornalística publicada. Como sabido, o nomen juris da ação não apresenta relevância para a prestação jurisdicional. Efetivamente, analisando melhor a questão, entende-se que a hipótese não é a de cabimento de ação civil pública, eis que tal instituto se presta mais à recomposição de interesses de natureza pública. Justamente por isso, dispõe o art. 13 da Lei que ´Havendo condenação em dinheiro, a indenização pelo dano causado reverterá a um fundo gerido por um Conselho Federal ou por Conselhos Estaduais de que participarão necessariamente o Ministério Público e representantes da comunidade, sendo seus recursos destinados à reconstituição dos bens lesados.´ Assim, não há muita razão para que a condenação pecuniária na presente hipótese seja destinada a um fundo gerido por Conselhos dos quais participem o Ministério Público e representantes da comunidade, eis que os direitos violados, apesar de inerentes a uma categoria, são nitidamente de caráter privado. De toda forma, isso se apresenta irrelevante, já que o que pretende o sindicato é o cumprimento de uma obrigação de fazer, bem como a obtenção de uma indenização a ser aplicada em favor da categoria, sendo absolutamente indiferente o meio processual empregado para a veiculação das pretensões. Destarte, perfeitamente possível entender-se esta demanda como meramente ordinária, não obstante o rito até aqui empregado tenha respeitado a condição inicialmente enquadrada, o que levou à manifestação do Ministério Público no processo. Em verdade, não se compreende a opção pela ação civil publica, já que anteriormente, em caso semelhante, o sindicato logrou obter indenização em favor da categoria, em ação movida contra HOTEL CAMBUQUIRA LTDA., que publicou anúncio em jornal de grande circulação do seguinte teor: ´30 de setembro. Dia da Secretária. Nossas camas são bem mais confortáveis que a mesa do escritório´. Não há, assim, qualquer empecilho a que o sindicato postule o cumprimento de obrigação de fazer e reparação moral em razão da nota publicada. Há interesse coletivo em jogo, e sua defesa incumbe ao sindicato. Não se poderia imaginar que uma secretária lograsse obter indenização pelo fato em razão de ação individual ajuizada, eis que não se trata de direito meramente individual, não se podendo conceber que a nota tenha causado lesão moral a uma especifica integrante da categoria. Cuidando-se de direito coletivo, sua defesa cabe à entidade representativa da classe. A prevalecer a tese da ré, não haveria como o Judiciário impor qualquer providência em face de ato ilícito em desfavor de uma categoria, pois não haveria lesão a direito individual, sendo que a atuação por parte da entidade representativa também ficaria impedida. Ou seja, a situação restaria impune. Assim, não se vê qualquer empecilho a que seja analisado o mérito da questão. Passa-se, agora, à análise da existência do dano, bem como do cabimento de cada pedido formulado. Cumpre aqui transcrever a nota em questão, publicada na coluna ´Gente Boa´ do Segundo Caderno do jornal O Globo: ´O dia delas – A sexta-feira passada, Dia da Secretária, foi ótima para os motéis. O Bambina, em Botafogo, acusou aumento de 30% no movimento. Noventa por cento dos casais chegaram na hora do almoço. Saíram uma hora depois.´ Em primeiro lugar, ressalte-se que não há comprovação quanto à veracidade da informação constante da nota. Muito pelo contrário, tanto assim que a direção do Hotel Bambina, em correspondência dirigida ao jornal, desmentiu tal afirmação (fls. 74), não tendo havido réplica por parte do jornal quanto a tal desmentido quando da publicação da carta. A ré afirmou, em sede de contestação, que a informação havia sido fornecida por funcionário do hotel, tendo apenas sido repassada na publicação. Verifica-se, pois, que a informação não foi devidamente checada pelo jornal – se assim o fosse, a direção do hotel teria desmentido o fato antes da publicação da nota, tal como o fez em posterior esclarecimento. Sendo assim, não há de se acolher a alegação da ré no sentido de que se tratou de nota jornalística. Absolutamente. O que se depreende da situação é que o jornal apressou-se em divulgar, com intenção nitidamente sarcástica, informação não comprovada sobre o alegado aumento no movimento do hotel em questão no dia das secretárias. Pelo conteúdo da nota, percebe-se obviamente que não houve qualquer intenção de informar, mas sim de tratar com malícia e ironia a informação supostamente passada por funcionário do hotel, a fim de ´brincar´ com o velho preconceito pelo qual se põem as secretárias no papel de amantes de seus patrões. Ressalte-se que a nota foi publicada justamente em uma coluna de variedades do caderno cultural do jornal em questão, cujo objeto normalmente são notícias sobre artistas e celebridades, bem como acontecimentos culturais e o comportamento da sociedade carioca como um todo. Ou seja, foi a nota claramente dirigida ao ´entretenimento´, e não à informação dos leitores. Não assiste razão à ré quando sustenta, em sua contestação, a inexistência de dolo ou culpa na situação. Ao contrário, percebe-se a ocorrência de ambos: houve culpa na falta de cautela da ré ao deixar de checar a fundo a informação ´fornecida por funcionário do hotel, por telefone´; e houve dolo ao se utilizar tal informação com a nítida intenção de fazer transparecer a suposta condição das secretárias como amantes. É inegável o caráter preconceituoso e discriminatório do conteúdo na nota em questão, já que, implicitamente, sugere que as secretárias, em geral, praticam atividades antiéticas e de cunho moral duvidoso. Atingiu-se, assim, a honra e dignidade de toda uma classe profissional, formada notadamente em sua maior parte por mulheres, podendo se considerar, a propósito, que a nota não somente é ofensiva às secretárias, mas é, também, machista. O texto publicado, portanto, desmoraliza uma classe profissional que já é vítima, pelo senso comum, de atos e piadas preconceituosas desta natureza, devendo haver a intervenção do poder público a fim de se coibir práticas de tal natureza. Saliente-se o caráter punitivo-pedagógico da imposição da reparação moral na hipótese, não podendo a situação permanecer sem sanção, sob pena de se repetir indefinidamente, prejudicando cada vez mais a imagem da categoria, cujo valor social e profissional deve ser enaltecido, e não desrespeitado. Sendo assim, de se acolher o pedido de reparação moral, já que inegável a ocorrência de dano de tal natureza à classe das secretárias. No que concerne ao pedido envolvendo o cumprimento de obrigação de fazer, não se vê empecilhos ao seu deferimento, aplicando-se o disposto no art. 461 do CPC para que seja estabelecida providência que assegure o resultado prático equivalente ao do adimplemento. Dessa forma, em vez de o próprio sindicato escolher o texto a ser publicado, será determinado que a ré publique o texto que segue na parte dispositiva deste sentença. Não se trata de retratação inerente à esfera criminal. Cuida-se de pertinente obrigação de fazer que objetiva a diminuição do dano causado. Evidentemente, por outro lado, a ré não deve incorrer novamente no erro, abstendo-se de publicar notas pejorativas alusivas ao Dia da Secretária. Em vista do exposto, JULGO PROCEDENTE EM PARTE O PEDIDO formulado, condenando a parte ré ao pagamento de indenização por danos morais no valor que arbitro em R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais), com correção monetária a partir da presente data e juros moratórios legais a contar da citação. Condeno a ré ao cumprimento de obrigação de não fazer, consistente em abster-se de publicar novamente qualquer nota ofensiva à categoria das secretárias, pena de multa de R$ 30.000,00 (trinta mil reais) em caso de descumprimento. Condeno a ré, ainda, ao cumprimento de obrigação de fazer, consistente na publicação do texto abaixo, o qual deverá ocupar o mesmo espaço e local em que foi publicada a nota objeto desta ação, no prazo de cinco dias após o trânsito em julgado da sentença, pena de multa diária de R$ 1.000,00 (um mil reais): ´Em razão da publicação, por este jornal, de nota ofensiva às secretárias, alusiva ao seu dia comemorativo (30.09), o Juízo da 18ª Vara Cível proferiu sentença em que o ato ilícito foi reconhecido, tendo sido arbitrada indenização de R$ 25.000,00 a ser revertida para o sindicato da classe, condenando-se ainda o jornal a se abster de publicar qualquer outro texto de natureza ofensiva, bem como a publicar a presente nota, para ciência dos interessados.´ Entendendo que o deferimento de reparação moral em montante inferior ao postulado não configura sucumbência (Súmula nº 105, TJ/RJ), condeno a ré ao pagamento das despesas processuais e em honorários advocatícios de dez por cento sobre o valor da condenação. P.R.I. Rio de Janeiro, 05 de janeiro de 2007. PEDRO ANTÔNIO DE OLIVEIRA JÚNIOR – Juiz de Direito”

Até.

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>LEANDRO – CINQUENTA ANOS

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Ele completa 50 anos hoje. Leandro, um dos maiores jogadores que eu já vi jogar, tanto na lateral-direita quanto na zaga (perdi a conta das vezes em que vi o Peixe Frito, apelido cunhado por Jorge Cury, após escanteio contra o Flamengo, matar a bola no peito, no meio da grande área e sair jogando…), merece as homenagens que torno públicas no balcão virtual do BUTECO.

E deixo com vocês a imagem desse gol antológico, feito há 24 anos, que eu vi, in loco.

Pena que não encontrei a imagem que não me sai da cabeça e que vi apenas no dia seguinte: assistindo ao jogo como comentarista da TV MANCHETE, Zico socou, vigorosamente, o vidro da cabine, eufórico como o mais eufórico dos torcedores abençoados que lá estavam como testemunhas desse gol-milagre no últimos segundos de jogo.

Até.

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COLEÇÃO – CIGARROS

Sábado à noite, na casa de uns amigos, já tardíssimo, o anfitrião, num sem-pulo, me grita:

– Edu! Venha ver uma coleção minha! Venha!

Fui. Vi. E fiquei embasbacado com a quantidade de tesouros que o malandro guarda (e faço a confissão pública: guarda debaixo do colchão, literalmente como um tesouro).

Diante de meus “ohs” e “ahs” diante do troço – eu praticamente morri quando segurei uma embalagem de Continental, exatamente o cigarro que meu avô materno fumava, sabe-se lá por qual razão… – o Jorge estendeu-me as duas caixas (uma só com cigarros nacionais e outra com cigarros estrangeiros) e disse:

– Leve! Fique o tempo que você quiser com elas, pegue pra você as duplicatas, não tenha pressa pra me devolver!!!

Passo a dividir com vocês, a partir de hoje, as incríveis embalagens desses cigarros que, seguramente, fazem parte do imaginário e das memórias de muita gente.

Hoje, cigarro SAMBA, da Tabacaria Londres.

embalagem de maço de cigarros SAMBA, fabricado pela Tabacaria Londres

Até.

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>DOMINGO PASSADO TEVE DE NOVO!!!!!

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risotto de camarão, 07 de março de 2009, foto de Eduardo GoldenbergClique na imagem e vá até a receita.

Até.

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>DO DOSADOR

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* dia desses, provocado por um email que recebi de um jornalista amigo, anunciei aqui a novidade. Moacyr Luz inaugurou seu blog (não vou dizer de novo o endereço, eu já disse). Hoje recebo novo email de um macaco velho da imprensa brasileira, colega do primeiro jornalista a que me referi. Diz o cara, no tal email (editado): “Que lindo! Entrei hoje no blog do (…) Moa. (…). Tinha um monte de comentários bacanas (…) e, adivinha, ele só respondeu o de um certo Macao, que desconfio ser o Macalé. (…).”. Espero, assim, ter satisfeito o apetite do macaco velho que manja de cumbuca (eis o meu segredo como mestre-cuca). E dado o recado;

* muito boas as pequenas confissões de antanho de meu queridíssimo Luiz Antonio Simas, de quem tenho saudade (eu e ele estamos trabalhando como candangos). Dia desses – eis a confissão antecipada que faço – imitá-lo-ei escancaradamente fazendo as minhas. Leiam aqui;

* em 20 de abril de 2007, abri o portão do meu canil e minha caixa de ferramentas, soltei a bicharada e empunhei a chave-inglesa pra cima dos bares-mentira que pululam pela cidade. Leiam aqui. Infelizmente o troço não se restringe ao Rio de Janeiro. Descobri um bar em Campinas, no distrito de Sousas, chamado BAR CASA RIO, que pretende ser carioquíssimo – é o que diz o site do estabelecimento. Vejam a apresentação: “Pela primeira vez um bar se dedica de corpo e alma para trazer à Campinas o espírito e a qualidade da tradicional noite carioca, com sua gastronomia, musicalidade e alegria. A Casa Rio – Bar & Restaurante abre um espaço de 490 m2 de pura “carioquice”, com direito às ondas da calçada de Copacabana no piso de mosaico português, painéis com as figuras humanas que ajudaram a pintar a aquarela de histórias e fatos do Rio de Janeiro, um cardápio cheio de delícias da “baixa gastronomia” de botequim, acompanhado de chopp ou cerveja gelada.”. Bacana, né?;

* não, nada bacana. Atentem para um detalhe: “Não é permitida a entrada de pessoas usando bermuda, camiseta sem manga, chinelo, boné e chapéu.”. Que tal? Tentei ontem, algumas vezes, obter dos sócios, que têm outros investimentos no mesmo ramo na cidade de Campinas (o que apenas corrobora o que digo há anos, que esses bares-mentira são uma mentira que visa apenas o lucro com o deslumbre da elite podendo se divertir sem se misturar) uma explicação para a proibição. Sem êxito. Com a palavra, meus queridos de São Paulo. Eu, daqui, de pé diante do balcão imaginário do BUTECO, digo que o dito bar pode ser qualquer coisa, mas NUNCA (com a ênfase szegeriana) carioca;

* há um painel de caricaturas de personagens cariocas em cima do balcão do “american bar” (pausa para uma golfada rápida) do lugar. Nele, avistei a figura de, dentre outros, Carlos Cachaça e Noel Rosa, ambos de chapéu. Seriam barrados, se vivos fossem (são, e já explico). Como creio em vida após a morte, os espíritos Carlos Moreira de Castro e Noel de Medeiros Rosa, se ainda estiverem por aí (ou por lá, como queiram), baixam noutro terreiro. Lá, com certeza, não.

* seu Osório me bateu um fio na segunda-feira, depois do programa chatíssimo do Galvão Bueno. Indignado com a babação de ovo pra cima do balofo corinthiano, indignado com os depoimentos dos presentes, disse o velho de Vila Isabel:

– Edu, meu filho… Sabe qual o próximo slogan da SKOL? A cerveja que desce Ronaldo.

Arrotou um de seus arrotos guturais e desligou.

* até o presente momento segui a máxima de não permitir à mão esquerda ver o que minha direita faz. Mas não posso ficar calado diante da ameaça do bardo sergipano José Sergio Rocha (leiam aqui). O cara esteve na minha casa umas duas ou três vezes pra ter aula prática de como conduzir um blog (numa delas estavam presentes Bruno Ribeiro, Cesar Tartaglia e Felipinho Cereal), me telefonou (sem sacanagem) centenas de vezes, nos mais variados horários, pra saber como fazer link disso, download daquilo, upload daquiloutro, torrou a paciência de uma estudante de design gráfico para fazer o logotipo do blog… e vem agora, quatro meses depois, anunciar que vai parar as máquinas?! Às favas, Zé Sergio! Toque o troço, toque o troço!

Até.

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>BLOG DO MOACYR LUZ

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Moacyr Luz, entrevistado por mim em 24 de setembro de 2006 (leiam aqui), acaba de inaugurar seu blog, que pode ser lido aqui.

A conferir.

Até.

ps: está rendendo comentários fabulosos o assunto Ronaldo, muitíssimo bem tratado pelo incorruptível e legendário Marcus Gramegna, o homem que viu o Leônidas jogar! Entre na discussão, aqui!!!

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>RONALDO, FENÔMENO (DE MÍDIA)

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Reproduzo, autorizado, artigo hilariante (mas falando seriíssimo) da lavra de meu queridíssimo Marcus Gramegna, o Marcão, de São Paulo, também colega de profissão, de quem já havia falado (bem, evidentemente) aqui.

Reproduzo com ainda mais propriedade depois do ridículo (é sempre ridículo, mas ontem o troço tava feio) programa BEM, AMIGOS de ontem à noite. Apresentado pelo sempre lamentável Galvão Bueno, o programa, que ontem recebeu como convidado musical o músico carioca Moacyr Luz, umedecia a tela da TV tamanha a babação desmedida pra cima do jogador Ronaldo, que chegou a ficar sem jeito diante de tanta paparicada sem necessidade.

Moacyr Luz disse, à certa altura, que nem conseguira ver importante jogo do Flamengo, na semana passada, ansioso que estava para ver Ronaldo em campo, pelo Corinthians (e vocês, rubro-negros, vejam se isso é possível). Na véspera, um bobo-alegre, cujo nome não me lembro, disse que mais importante que o gol de Ronaldo foi perceber “o sorriso de menino estampado novamente no rosto do jogador” (e vocês vejam se isso é possível). E já que estou falando em barbaridades, antes de apresentá-los ao texto do Marcão saibam que o Galvão Bueno, ao apresentar o samba Delírios da Baixa Gastronomia, letra e música do Moacyr (que o cantou em seguida), disse algo assim:

– Ronaldo, esse samba do Moacyr é pra você! Delírios da Baixa Gastronomia – e deu um de seus risinhos irritantes – só fala de comida ruim, que é pra você não ter vontade de comer e portanto não engordar!!!

Close no balofo Ronaldo, morrendo de rir, e no macérrimo Moacyr, constrangido.

Com vocês, a caneta furiosa do Marcão:

“Ronaldo, o fenômeno (de mídia).

Sempre achei que o “Fenômeno” joga muito menos do que dizem que ele joga. Explico-me.

Sou daqueles que, em 1994, torceu muito para que o então Ronaldinho fosse convocado para a Copa, mesmo como reserva. Ele acabou convocado e ficou no banco, como era de esperar. Ele era apenas um garoto.

Aí ele foi vendido para a Espanha e lá acabou sendo considerado um dos grandes jogadores do mundo, porque fazia muitos gols e tinha aquela jogada do arranque que ele dava com a bola no pé, realmente impressionante. Eu não quero desfazer dos seus feitos em terras madrilhenhas, mas gostaria de ver as estatísticas. Desconfio que, na Espanha, ele fez menos gols do que o Baltazar, o artilheiro de Deus, centroavante grosso, mas que sabia por a bola pra dentro.

O fato concreto é que tanto Napoleão, quanto os separatistas bascos, quanto os terroristas da “Al Quaeda”, quanto o já citado Baltazar e o Romário sabem que as defesas espanholas nunca foram lá grande coisa. Mas tudo bem.

Na Copa de 98, começou a presepada. O Ronaldo ganhou esse apelido de “fenômeno” do irritante Galvão Bueno e passou a ser tratado com mais fanatismo infanto-juvenil que um astro pop. Alguém aí lembra a cobertura da Globo dessa Copa? Todo mundo queria saber o que o sujeito tinha comido no café da manhã, que marca de desodorante ele USA, essas coisas. Durante o jogo, cada vez que ele pegava na bola, a câmera desviava para a namorada dele, na arquibancada. Era uma loira maravilhosa, cujo nome não me lembro, mas a gente tava a fim de ver o jogo. O resultado foi que jogaram toda a responsabilidade nas costas do cidadão que sentiu a pressão e teve um pire-paque.

Depois, ele andou se quebrando todo até que, em 2002, deu a volta por cima e, aí sim, sob a batuta do Felipão, teve o seu melhor momento na carreira. Jogou uma Copa esplêndida, acima da média, fez muitos gols, inclusive na final e foi fundamental para que o Brasil fosse campeão do mundo. Depois disso, não me lembro de nada de muito destaque que ele tenha feito.

Agora, ele foi para o “Timão” e a babação de ovo injustificável voltou com toda força. Assistir Corinthians e Itumbiara foi uma das coisas mais irritantes dos últimos tempos. Na falta da loira na arquibancada, a essa altura já em outra, a câmera mostrava mais o gorducho no banco do que o jogo. O tal do Cléber Machado, me convenci, é gay, peço desculpas por ser politicamente incorreto. Quando o candidato a Rei Momo entrou em campo, o pentelhíssimo locutor dizia: “seria maravilhoso, uma glória para o futebol brasileiro, ou melhor, para o futebol mundial, que o rolha de poço fizesse um gol”. O tal Caio, que nunca jogou nada e tem aquela pose de professor universitário em início de carreira, falou muita besteira.

No Palmeiras e Corinthians de ontem, a mesma coisa. Só filmava o sujeito no banco, até ele entrar em campo. O “peteleco” que ele deu de brincadeira na nuca de um jogador reserva mereceu mais replays do que o gol do Diego Souza. Enfim, tudo muito ridículo.

O homem está pesadíssimo, parece uma baleia, mas é claro que é um jogador experiente, sabe se colocar, e acabou acertando a trave numa jogada e fazendo o gol de cabeça na outra. Fez um gol num clássico e conseguiu o empate para seu time, algo que deveria ser visto como mais ou menos normal. Mas não. O tal Cléber Machado parecia narrar uma final de Copa do Mundo, o próprio gordão subiu no alambrado, a torcida comemorou como se fosse o mais extraordinário acontecimento da história recente da humanidade e a besta do Arnaldo (quem foi o infeliz que inventou essa de juiz comentar o jogo?) disse que faltou “sensibilidade” ao juiz por ter dado o amarelo ao Ronaldo, que provocou a destruição do alambrado. E o pior é que esse imbecil apitou jogos importantes na vida. Imaginou?

Sem querer desfazer o gol do Ronaldo, mas como palmeirense posso dizer: Fazer um gol de cabeça naquela defesa lá não chegou a ser grandes coisa não, embora tenha sido, de novo, um Grande espetáculo midiático. Não sei onde o Palmeiras arrumou um zagueiro igual aquele Marcão. Ele não está honrando o pseudônimo, porra!

No primeiro tempo, ele já estava tomando um baile do Jorge Henrique, até que o Luxa mudou o posicionamento. Nos minutos finais do jogo, o Palmeiras vinha apresentando um futebol deplorável. Eu que estou há milhas e milhas de distância de ser um Grande entendedor de futebol, falei para quem estava do lado: melhor acabar logo esse jogo, porque senão o Palmeiras vai tomar o gol logo logo. Quando acabei de falar isso, pimba! Fui chamado de boca de traíra, mas tava na cara.

Enfim, o resumo da ópera é que esse jogador, aparentemente em fim de carreira (ainda vai fazer uns golzinhos, principalmente no fraquíssimo campeonato paulista, ninguém duvide), foi um grande jogador, até acima dA média, mas está longe, muito longe, de ser um dos craques maiores, um dos Deuses do esporte bretão, como Pelé, Garrincha, Maradona, Zico, Leônidas, etc.

Outro dia a Globo quis comparar ele com o Romário. Nem sei o resultado da enquete do Fantástico, mas digo uma coisa: covardia. Só para pegar um dado, o Romário, em que pese a contagem malandra, fez mil gols. O Ronaldo fez pouco mais de quatrocentos. Na minha opinião, só para falar dos da posição dele, o Ronaldo jogou bem menos que o Romário, menos que o Bebeto, menos que o Careca, menos que o Reinaldo, menos que o Ronaldinho Gaúcho e menos que o Dadá Maravilha.

Bom, talvez com o Dadá eu tenha forçado um pouco a barra, mas é mais ou menos por aí.

Enfim, muita mídia e algum futebol, mas não tanto assim. Digo a vocês que andei espalhando por aí minha opinião, entre motoristas de táxi, freqüentadores de padaria e porteiros. Posso dizer que ela é minoritária, mas não foi recebida com escândalo, não.”

Até.

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