Arquivo do mês: março 2009

>DOMINGO PASSADO TEVE DE NOVO!!!!!

>

risotto de camarão, 07 de março de 2009, foto de Eduardo GoldenbergClique na imagem e vá até a receita.

Até.

Deixe um comentário

Arquivado em Uncategorized

>DO DOSADOR

>

* dia desses, provocado por um email que recebi de um jornalista amigo, anunciei aqui a novidade. Moacyr Luz inaugurou seu blog (não vou dizer de novo o endereço, eu já disse). Hoje recebo novo email de um macaco velho da imprensa brasileira, colega do primeiro jornalista a que me referi. Diz o cara, no tal email (editado): “Que lindo! Entrei hoje no blog do (…) Moa. (…). Tinha um monte de comentários bacanas (…) e, adivinha, ele só respondeu o de um certo Macao, que desconfio ser o Macalé. (…).”. Espero, assim, ter satisfeito o apetite do macaco velho que manja de cumbuca (eis o meu segredo como mestre-cuca). E dado o recado;

* muito boas as pequenas confissões de antanho de meu queridíssimo Luiz Antonio Simas, de quem tenho saudade (eu e ele estamos trabalhando como candangos). Dia desses – eis a confissão antecipada que faço – imitá-lo-ei escancaradamente fazendo as minhas. Leiam aqui;

* em 20 de abril de 2007, abri o portão do meu canil e minha caixa de ferramentas, soltei a bicharada e empunhei a chave-inglesa pra cima dos bares-mentira que pululam pela cidade. Leiam aqui. Infelizmente o troço não se restringe ao Rio de Janeiro. Descobri um bar em Campinas, no distrito de Sousas, chamado BAR CASA RIO, que pretende ser carioquíssimo – é o que diz o site do estabelecimento. Vejam a apresentação: “Pela primeira vez um bar se dedica de corpo e alma para trazer à Campinas o espírito e a qualidade da tradicional noite carioca, com sua gastronomia, musicalidade e alegria. A Casa Rio – Bar & Restaurante abre um espaço de 490 m2 de pura “carioquice”, com direito às ondas da calçada de Copacabana no piso de mosaico português, painéis com as figuras humanas que ajudaram a pintar a aquarela de histórias e fatos do Rio de Janeiro, um cardápio cheio de delícias da “baixa gastronomia” de botequim, acompanhado de chopp ou cerveja gelada.”. Bacana, né?;

* não, nada bacana. Atentem para um detalhe: “Não é permitida a entrada de pessoas usando bermuda, camiseta sem manga, chinelo, boné e chapéu.”. Que tal? Tentei ontem, algumas vezes, obter dos sócios, que têm outros investimentos no mesmo ramo na cidade de Campinas (o que apenas corrobora o que digo há anos, que esses bares-mentira são uma mentira que visa apenas o lucro com o deslumbre da elite podendo se divertir sem se misturar) uma explicação para a proibição. Sem êxito. Com a palavra, meus queridos de São Paulo. Eu, daqui, de pé diante do balcão imaginário do BUTECO, digo que o dito bar pode ser qualquer coisa, mas NUNCA (com a ênfase szegeriana) carioca;

* há um painel de caricaturas de personagens cariocas em cima do balcão do “american bar” (pausa para uma golfada rápida) do lugar. Nele, avistei a figura de, dentre outros, Carlos Cachaça e Noel Rosa, ambos de chapéu. Seriam barrados, se vivos fossem (são, e já explico). Como creio em vida após a morte, os espíritos Carlos Moreira de Castro e Noel de Medeiros Rosa, se ainda estiverem por aí (ou por lá, como queiram), baixam noutro terreiro. Lá, com certeza, não.

* seu Osório me bateu um fio na segunda-feira, depois do programa chatíssimo do Galvão Bueno. Indignado com a babação de ovo pra cima do balofo corinthiano, indignado com os depoimentos dos presentes, disse o velho de Vila Isabel:

– Edu, meu filho… Sabe qual o próximo slogan da SKOL? A cerveja que desce Ronaldo.

Arrotou um de seus arrotos guturais e desligou.

* até o presente momento segui a máxima de não permitir à mão esquerda ver o que minha direita faz. Mas não posso ficar calado diante da ameaça do bardo sergipano José Sergio Rocha (leiam aqui). O cara esteve na minha casa umas duas ou três vezes pra ter aula prática de como conduzir um blog (numa delas estavam presentes Bruno Ribeiro, Cesar Tartaglia e Felipinho Cereal), me telefonou (sem sacanagem) centenas de vezes, nos mais variados horários, pra saber como fazer link disso, download daquilo, upload daquiloutro, torrou a paciência de uma estudante de design gráfico para fazer o logotipo do blog… e vem agora, quatro meses depois, anunciar que vai parar as máquinas?! Às favas, Zé Sergio! Toque o troço, toque o troço!

Até.

3 Comentários

Arquivado em Uncategorized

>BLOG DO MOACYR LUZ

>

Moacyr Luz, entrevistado por mim em 24 de setembro de 2006 (leiam aqui), acaba de inaugurar seu blog, que pode ser lido aqui.

A conferir.

Até.

ps: está rendendo comentários fabulosos o assunto Ronaldo, muitíssimo bem tratado pelo incorruptível e legendário Marcus Gramegna, o homem que viu o Leônidas jogar! Entre na discussão, aqui!!!

10 Comentários

Arquivado em Uncategorized

>RONALDO, FENÔMENO (DE MÍDIA)

>

Reproduzo, autorizado, artigo hilariante (mas falando seriíssimo) da lavra de meu queridíssimo Marcus Gramegna, o Marcão, de São Paulo, também colega de profissão, de quem já havia falado (bem, evidentemente) aqui.

Reproduzo com ainda mais propriedade depois do ridículo (é sempre ridículo, mas ontem o troço tava feio) programa BEM, AMIGOS de ontem à noite. Apresentado pelo sempre lamentável Galvão Bueno, o programa, que ontem recebeu como convidado musical o músico carioca Moacyr Luz, umedecia a tela da TV tamanha a babação desmedida pra cima do jogador Ronaldo, que chegou a ficar sem jeito diante de tanta paparicada sem necessidade.

Moacyr Luz disse, à certa altura, que nem conseguira ver importante jogo do Flamengo, na semana passada, ansioso que estava para ver Ronaldo em campo, pelo Corinthians (e vocês, rubro-negros, vejam se isso é possível). Na véspera, um bobo-alegre, cujo nome não me lembro, disse que mais importante que o gol de Ronaldo foi perceber “o sorriso de menino estampado novamente no rosto do jogador” (e vocês vejam se isso é possível). E já que estou falando em barbaridades, antes de apresentá-los ao texto do Marcão saibam que o Galvão Bueno, ao apresentar o samba Delírios da Baixa Gastronomia, letra e música do Moacyr (que o cantou em seguida), disse algo assim:

– Ronaldo, esse samba do Moacyr é pra você! Delírios da Baixa Gastronomia – e deu um de seus risinhos irritantes – só fala de comida ruim, que é pra você não ter vontade de comer e portanto não engordar!!!

Close no balofo Ronaldo, morrendo de rir, e no macérrimo Moacyr, constrangido.

Com vocês, a caneta furiosa do Marcão:

“Ronaldo, o fenômeno (de mídia).

Sempre achei que o “Fenômeno” joga muito menos do que dizem que ele joga. Explico-me.

Sou daqueles que, em 1994, torceu muito para que o então Ronaldinho fosse convocado para a Copa, mesmo como reserva. Ele acabou convocado e ficou no banco, como era de esperar. Ele era apenas um garoto.

Aí ele foi vendido para a Espanha e lá acabou sendo considerado um dos grandes jogadores do mundo, porque fazia muitos gols e tinha aquela jogada do arranque que ele dava com a bola no pé, realmente impressionante. Eu não quero desfazer dos seus feitos em terras madrilhenhas, mas gostaria de ver as estatísticas. Desconfio que, na Espanha, ele fez menos gols do que o Baltazar, o artilheiro de Deus, centroavante grosso, mas que sabia por a bola pra dentro.

O fato concreto é que tanto Napoleão, quanto os separatistas bascos, quanto os terroristas da “Al Quaeda”, quanto o já citado Baltazar e o Romário sabem que as defesas espanholas nunca foram lá grande coisa. Mas tudo bem.

Na Copa de 98, começou a presepada. O Ronaldo ganhou esse apelido de “fenômeno” do irritante Galvão Bueno e passou a ser tratado com mais fanatismo infanto-juvenil que um astro pop. Alguém aí lembra a cobertura da Globo dessa Copa? Todo mundo queria saber o que o sujeito tinha comido no café da manhã, que marca de desodorante ele USA, essas coisas. Durante o jogo, cada vez que ele pegava na bola, a câmera desviava para a namorada dele, na arquibancada. Era uma loira maravilhosa, cujo nome não me lembro, mas a gente tava a fim de ver o jogo. O resultado foi que jogaram toda a responsabilidade nas costas do cidadão que sentiu a pressão e teve um pire-paque.

Depois, ele andou se quebrando todo até que, em 2002, deu a volta por cima e, aí sim, sob a batuta do Felipão, teve o seu melhor momento na carreira. Jogou uma Copa esplêndida, acima da média, fez muitos gols, inclusive na final e foi fundamental para que o Brasil fosse campeão do mundo. Depois disso, não me lembro de nada de muito destaque que ele tenha feito.

Agora, ele foi para o “Timão” e a babação de ovo injustificável voltou com toda força. Assistir Corinthians e Itumbiara foi uma das coisas mais irritantes dos últimos tempos. Na falta da loira na arquibancada, a essa altura já em outra, a câmera mostrava mais o gorducho no banco do que o jogo. O tal do Cléber Machado, me convenci, é gay, peço desculpas por ser politicamente incorreto. Quando o candidato a Rei Momo entrou em campo, o pentelhíssimo locutor dizia: “seria maravilhoso, uma glória para o futebol brasileiro, ou melhor, para o futebol mundial, que o rolha de poço fizesse um gol”. O tal Caio, que nunca jogou nada e tem aquela pose de professor universitário em início de carreira, falou muita besteira.

No Palmeiras e Corinthians de ontem, a mesma coisa. Só filmava o sujeito no banco, até ele entrar em campo. O “peteleco” que ele deu de brincadeira na nuca de um jogador reserva mereceu mais replays do que o gol do Diego Souza. Enfim, tudo muito ridículo.

O homem está pesadíssimo, parece uma baleia, mas é claro que é um jogador experiente, sabe se colocar, e acabou acertando a trave numa jogada e fazendo o gol de cabeça na outra. Fez um gol num clássico e conseguiu o empate para seu time, algo que deveria ser visto como mais ou menos normal. Mas não. O tal Cléber Machado parecia narrar uma final de Copa do Mundo, o próprio gordão subiu no alambrado, a torcida comemorou como se fosse o mais extraordinário acontecimento da história recente da humanidade e a besta do Arnaldo (quem foi o infeliz que inventou essa de juiz comentar o jogo?) disse que faltou “sensibilidade” ao juiz por ter dado o amarelo ao Ronaldo, que provocou a destruição do alambrado. E o pior é que esse imbecil apitou jogos importantes na vida. Imaginou?

Sem querer desfazer o gol do Ronaldo, mas como palmeirense posso dizer: Fazer um gol de cabeça naquela defesa lá não chegou a ser grandes coisa não, embora tenha sido, de novo, um Grande espetáculo midiático. Não sei onde o Palmeiras arrumou um zagueiro igual aquele Marcão. Ele não está honrando o pseudônimo, porra!

No primeiro tempo, ele já estava tomando um baile do Jorge Henrique, até que o Luxa mudou o posicionamento. Nos minutos finais do jogo, o Palmeiras vinha apresentando um futebol deplorável. Eu que estou há milhas e milhas de distância de ser um Grande entendedor de futebol, falei para quem estava do lado: melhor acabar logo esse jogo, porque senão o Palmeiras vai tomar o gol logo logo. Quando acabei de falar isso, pimba! Fui chamado de boca de traíra, mas tava na cara.

Enfim, o resumo da ópera é que esse jogador, aparentemente em fim de carreira (ainda vai fazer uns golzinhos, principalmente no fraquíssimo campeonato paulista, ninguém duvide), foi um grande jogador, até acima dA média, mas está longe, muito longe, de ser um dos craques maiores, um dos Deuses do esporte bretão, como Pelé, Garrincha, Maradona, Zico, Leônidas, etc.

Outro dia a Globo quis comparar ele com o Romário. Nem sei o resultado da enquete do Fantástico, mas digo uma coisa: covardia. Só para pegar um dado, o Romário, em que pese a contagem malandra, fez mil gols. O Ronaldo fez pouco mais de quatrocentos. Na minha opinião, só para falar dos da posição dele, o Ronaldo jogou bem menos que o Romário, menos que o Bebeto, menos que o Careca, menos que o Reinaldo, menos que o Ronaldinho Gaúcho e menos que o Dadá Maravilha.

Bom, talvez com o Dadá eu tenha forçado um pouco a barra, mas é mais ou menos por aí.

Enfim, muita mídia e algum futebol, mas não tanto assim. Digo a vocês que andei espalhando por aí minha opinião, entre motoristas de táxi, freqüentadores de padaria e porteiros. Posso dizer que ela é minoritária, mas não foi recebida com escândalo, não.”

Até.

16 Comentários

Arquivado em Uncategorized

>08 DE MARÇO

>

“Falando de muita mulher
que sem elas a gente não vive”

(Moacyr Luz / Aldir Blanc / Luiz Carlos da Vila)

Ibitipoca, 24 de fevereiro de 2009, foto de Eduardo Goldenberg

A gente acorda, levanta, vai pro trabalho, sua, mata um leão por dia, sofre, chora, ultrapassa mil e um obstáculos, enfrenta desafios, determina metas, a gente se supera, a gente quase que desiste, tudo, rigorosamente tudo, por causa delas. Porque a gente sabe que no final do dia, no final da estrada, no final da subida, no final das contas, elas estarão lá, colos e braços a postos, olhos e bocas à espera, munidas de uma compreensão que, com o perdão da redundância, nos escapa.

Sem elas – sábias palavras – a gente não vive mesmo.

Até.

4 Comentários

Arquivado em Uncategorized

>CARTAS N´O GLOBO

>

Li, hoje pela manhã, enquanto me dirigia, de ônibus, para Búzios, a trabalho, uma carta publicada na seção CARTAS DOS LEITORES do lastimável diário carioca.

Pausa brevíssima: lastimável e a cada dia mais lastimável.

Eu estava me preparando para embarcar de volta, às 17h, e estrilou meu celular. Era um amigo com a voz embandeirada:

– Leste o Joaquim Ferreira dos Santos na segunda-feira?!

– Não. Por que?

E ele respondeu-me aos atropelos:

– Não sou dado a ler coisas do tipo, mas um amigo me chamou a atenção para o troço ontem à noite, quando nos encontramos pra um chope rapido que durou até as três da matina! É sobre, obviamente, o Jota… O que o sujeito escreveu na segunda-feira, rapaz… rapaz… bate todos, rigorosamente todos os recordes do canalhismo, esse neologismo feito sob medida pra juntar (pseudo)jornalismo com canalhice. Meu amigo me deu o toque e hoje corri pra pegar uma edição de segunda-feira, tomar coragem e tentar engolir o que se não é o mais abjeto texto da imprensa das duas últimas glaciações, chega muito perto. Eu consegui, sem vomitar, ler até a metade do primeiro período. Depois disso, a bílis me tomou o esôfago e nao houve jeito de prosseguir. Tente fazer o esforço e leia. Talvez você esteja mais imune do que eu, até porque eu li nas entrelinhas do pouco que consegui mastigar uma não assumida resposta a algumas das porradas que você, mui justamente, desfere no sujeito… Vá lá se divertir um pouco…

Foi quando eu o cortei.

Jamais dei porrada no homúnculo (Joaquim é mirradíssimo, eis a razão pela qual referi-me a ele como homúnculo) como quis fazer crer meu interlocutor. Combati, sempre, a condução lamentável da coluneta diária mantida no igualmente lamentável SEGUNDO CADERNO de O GLOBO.

Acabo de ler, na internet, a tal coluna (publicada no espaço nobre do SEGUNDO CADERNO, leiam aqui) e, francamente, não vou me dar ao trabalho de dizer um “a” sobre o troço. Basta lhes dizer que Joaquim, à certa altura, diz querer que “Paulo Barros ponha a mão o título que tanto merece”, justo ele, um dos maiores engodos dos últimos anos, atropelando as escolas, infinitamente maiores que esses (pausa) carnavalescos – carnavalesco sou eu, pô!, que saio em blocos de rua (que o homúnculo parece ter descoberto apenas em 2009) há anos!, é o Szegeri, é José Sergio Rocha… E o colunista ainda comemora, felicíssimo – fecha assim mais uma das suas – o fato de que “pela primeira vez a cidade tem um prefeito que toca chocalho na Portela”. Sem mais comentários e voltando ao início.

Deparei-me com a seguinte carta n´O GLOBO de hoje:

publicada na seção CARTA DOS LEITORES de O GLOBO em 05 de março de 2009

O que dizer da frase “o problema do Rio de Janeiro é, sim, a formação de um número enorme de cidadãos cujo padrão de comportamento é violento e cruel”????? E dessa outra, “o problema não é a droga que é comercializada em todos os países do mundo, mas o elemento humano que se forma nas favelas cariocas”?????.

Li diversas vezes.

Custei a crer no que lia.

Chegando em casa, não resistindo à curiosidade que me martelava – como pode alguém pensar assim????? – fui pesquisar o nome do missivista.

E percebi que o cara é reincidente.

Vejam essas outras duas cartas, publicadas no mesmíssimo O GLOBO (aqui e aqui):

publicada na seção CARTA DOS LEITORES de O GLOBO em 16 de julho de 2008
publicada na seção CARTA DOS LEITORES de O GLOBO em 23 de novembro de 2008

O cara só tem razão numa coisa: o problema é o elemento humano.

(pra bom entendedor, meia-palavra: bosta.)

Mais à frente, volto ao tema (o tema é palpitante). Vocês, meus poucos mas fiéis leitores, por favor, soltem o verbo. A favor ou contra a opinião do sujeito, um contumaz freqüentador (não consegui largar o trema) d´O GLOBO. A favor ou contra o elemento humano.

Fico pensando, às vezes. Será que o jornal, sem coragem para dizer tamanhas barbaridades, cria esses personagens?!

Até.

9 Comentários

Arquivado em Uncategorized

>DO DOSADOR

>

* depois de muitos anos, muitos – não saberia lhes dizer quantos -, fugi do Rio de Janeiro no meio da tarde do domingo de Carnaval. E dediquei minhas noites de domingo e de segunda-feira, na companhia de gente muito querida, a um de meus programas preferidos – eis a confissão pública que faço: assistir ao desfile das escolas de samba do Rio de Janeiro. É, de fato, uma confissão pelo que guarda de sacrifício nos dias de hoje, levando-se em conta que a transmissão dá-se pela TV GLOBO. O programa, que já foi agradabilíssimo (lembro-me, como se fosse hoje, das noites varadas, eu menino, na São Francisco Xavier 90, apartamento 203, assistindo ao desfile na companhia de meus pais e seus amigos, deslumbrado com a transmissão rigorosamente voltada para o que interessa – as escolas, suas mulheres, suas passistas, seus personagens, sua bateria etc), hoje é maçante. Mas como carnaval é tempo de imolação – apud Fernando Szegeri – o programa vem bem a calhar. Falei em Fernando Szegeri e transcrevo texto de sua autoria, de 2004: “O Carnaval na sua euforia esfuziante carrega uma inegável dimensão de morte, de imolação, atualizada nos rituais de libação. O delírio do folião encerra um abandono, uma entrega da própria vida à sua causa-crença. A sofreguidão dessa vivência é a negação de nossa não-vida de filas, reuniões, contas para pagar, telefonemas a dar, imêious a responder.” (leiam na íntegra, aqui). E como ninguém é de ferro, dá-se um jeito da coisa ficar mais divertida. Como fazia frio onde eu estava, coisa de 13 graus à noite, uma boa comida, um bom vinho, e – repetindo – muito boa companhia tornaram bastante agradável o programa que poderia ter sido apenas maçante. Sem qualquer pretensão de vestir ares de comentarista, vamos a meus pitacos carnavalescos.

* fui rigorosamente solidário à dor de Carlos Andreazza, Luis Antonio Simas, Marcelo Moutinho, Tiago Prata (com quem assisti à apuração, ainda longe da cidade), à dor de meu pai – todos imperianos de fé, depecionados com o rebaixamento do Império Serrano. Mas quero confessar o que confessei a uns e outros com quem falei antes mesmo da apuração: foi o Império Serrano fechar seu desfile e eu dizer, triste, que a escola dificilmente escaparia de um novo rebaixamento. Reconheço que a paixão obnubila a razão, o que não tira a legitimidade da revolta de quem se envolve, de corpo e alma, ao longo do ano, com a escola da Serrinha. Mas o que eu pude ver pela TV foi de todo lamentável. A escola veio feia, pálida, e não me venham falar na beleza do verde-água, do azul-bebê, coerentes com o enredo. O Império Serrano desfilou feio pacas. E eu tenho dois amigos de fala insuspeitada que estavam até o pescoço com a escola. O primeiro deles, às 14h do domingo, foi à Madureira receber de volta o dinheiro de sua fantasia e da fantasia de nove (eu disse nove) amigos de trabalho que desfilariam pela verde-e-branco. O segundo revoltou-se ao esbarrar, durante o desfile, com gringos alegríssimos, fantasiados pela metade, e vestidos com sandálias de dedo. Esse mesmo amigo meu quase explodiu de raiva – contou-me isso ontem, pouco antes do início do desile das campeãs, lambendo o espesso bigode de espuma de chope -, quando deparou-se com um grupo, de sua ala, parado diante das cabines dos jurados posando para diversas fotografias tiradas com as câmeras digitais que traziam penduradas no pulso.

* enquanto desfilava meu Salgueiro, bradei diante da TV que o campeonato não sairia da Tijuca. Faço minhas as palavras de Fábio Fabato: “O velho Salgueiro guerreiro ganhou com todos os méritos. Foi, de fato, a grande escola de samba do carnaval 2009. O enredo desenvolvido pelo mestre Renato Lage, “Tambor”, criação a quase uma dúzia de mãos com o fantástico Departamento Cultural da agremiação, provou que ainda há espaço para a criatividade na pista da Sapucaí, mesmo que a ampla maioria das escolas pense e tenha realizado o oposto, nos dois dias de Grupo Especial. Um desfile soberano do princípio até o fim, que conseguiu resistir com canto e garra, inclusive, ao controverso hino, escolhido em meados de outubro. Regina Duran calou os críticos e também o tropeço de um discurso pra lá de equivocado na final da disputa de samba-enredo, provando que carnaval se faz com trabalho árduo e pensamento voltado para um objetivo único: a vitória. A família salgueirense encontrou um novo caminho, o seu caminho, e sobrou em todos os aspectos. De quebra, o campeonato da escola dita “diferente” ainda jogou um balde d’água fria nos idiotas da objetividade foliã: quem disse que é impossível a realização de um enredo autoral na atual conjuntura de crise e cifras de zeros infindos? “Tambor” não foi imposto por nenhum capitalista, não veio da sede publicitária de nenhum prefeito esbanjador. Ora, o tema nasceu da inquietude de um carnavalesco que é o melhor de todos desde os tempos de Mocidade, da ousadia de uma presidência que “comprou” tal idéia simples e genial, de uma fantástica equipe de criação – desde o pensamento temático bruto até o fino traço da concepção final. Venceu “Tambor” e ganhou o carnaval com a volta olímpica na Silva Telles, 16 anos depois do inesquecível Ita que explodiu os corações.” (leia o texto na íntegra, tirado do site CAMA DE GATO, aqui). E faço minhas suas palavras porque também eu não gostei do samba escolhido pelo Salgueiro para representá-lo na avenida (leiam aqui tudo o que escrevi sobre meu samba preferido e preterido pela escola). Também eu indignei-me com a deselegância de Regina Duran durante o anúncio do samba vencedor. E tive de me render ao samba, que explodiu na avenida, e à condução do carnaval pela presidência, que mostrou-se acertadíssima. Depois de dezesseis longos anos, eis a vermelho-e-branco da minha mui amada Tijuca campeã mais uma vez, pela nona vez!

* NUNCA (com a ênfase szegeriana) a apuração dos jurados da LIESA (concordo integralmente com os que defendem, sem chance de êxito, não sejamos inocentes, o banimento da gangue do comando do Carnaval – o site da LIESA é hospedado na GLOBO.COM, que tal?) vai agradar a gregos e troianos. Os critérios são mais-que-subjetivos e a sensação de injustiça e perseguição vai sempre estar presente. Eu, por exemplo, acho que apenas a Mocidade Independente de Padre Miguel poderia descer no lugar do Império Serrano. Poderia, eu disse. Apesar de seu desfile fraquíssimo, esteve, ainda, melhor que a escola de Madureira. Falando em Madureira, estranha a colocação da Portela (em terceiro lugar), de meus queridos Cesar Tartaglia, Fernando Szegeri e José Sergio Rocha. Não poderia ter ficado na frente da Vila Isabel, que amargou a quarta colocação. Eu disse “amargou” pois somente a Vila Isabel poderia ter tirado o título do Salgueiro. Poderia, eu disse. O Salgueiro esteve melhor. E a Beija-Flor, campeã absoluta no quesito mulher (somente com a transmissão da TV BANDEIRANTES isso ficou evidente, falarei sobre isso mais à frente), deveria ter ficado em terceiro lugar, atrás da Vila. Nem vou me estender mais sobre os resultados porque – vocês sabem – isso é assunto interminável. No final das contas, eu concordei com os extremos da tabela: achei o Salgueiro de longe a melhor escola e o Império Serrano a pior. A meiúca, confusa. E ano que vem, estejamos todos certos, tudo-como-dantes-no-quartel-de-abrantes.

* a transmissão da TV GLOBO, uma vez mais, foi lamentável. Mas muuuuuito lamentável. Tem um troço que eu não entendo, francamente. Um dos momentos mais bacanas do desfile é o esquenta das escolas. É quando os puxadores cantam sambas com o intuito de emocionar os componentes, quando presidentes e diretores fazem discursos emocionadíssimos incendiando a escola e a platéia. Nós, pela TV, somos obrigados a ouvir as baboseiras insuportáveis ditas pelos apresentadores e repórteres da GLOBO. Cléber Machado e Glenda Kozlowski não disseram NADA que prestasse. NADA. E os repórteres, o tempo todo, atrapalharam a transmissão entrevistando os globais que se espalhavam pelas escolas. Um dos ápices foi quando Cléber Machado, diante da imagem da deslumbrante Viviane Araújo tocando tamborim diante da bateria do Salgueiro disse:

– Ô, Dudu Nobre, que tal a Viviane Araújo tocando pandeiro?

E o também insuportável Dudu Nobre:

– Meu compadre, o nome disso é tamborim.

Aliás, o time de comentaristas (Haroldo Costa, Maria Augusta, Dudu Nobre e Chico Spinoza) esteve abaixo da crítica. Elogiavam todo mundo, o tempo inteiro, achando tudo o máximo, um luxo, um isso, um aquilo, transformando a transmissão numa chatice insuportável.

* em compensação, a transmissão de ontem, do desfile das campeãs, feita pela TV BANDEIRANTES, foi impecável. Muita imagem e pouca fala, como deve ser. Câmaras focadas nas mulheres, que sem elas a gente não vive. Carros mostrados em detalhes. Nenhum efeito-babaca nas imagens, salvo os replays dos lances mais interessantes, geralmente de passistas que a TV GLOBO nem de longe mostrara. Um apresentador apenas (Datena) e um comentarista (Milton Cunha), ambos econômicos nas intervenções. BAND 10 X 0 GLOBO.

* no mais, Feliz 2009. O ano engrena amanhã, segunda-feira, até o próximo soluço, no próximo feriado.

10 Comentários

Arquivado em Uncategorized