>MAÇÃ TATUADA EM OSWALDO CRUZ

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publicado no GLOBO ON LINE de 04 de fevereiro de 2009Maçã tatuada

Moacyr Luz e Aldir Blanc

Numa esquina de Copa ficava parada
alvejada pelas setas do vício
e o início tinha sido divino:
um amante latino…
Sua boca vermelha, a maçã tatuada
sobre o ombro (a sombra de veludo)
a pele onde um homem que é nada
pensa que é capaz de tudo

Entre o ouro e a miçanga ofegava a audácia
entre a joalheria e a farmácia
entre ser a nova estrela da Banda
e uma filha de Umbanda…
Toda vez que as pestanas castanhas batiam
o olhar trocava mil slides
Na praia, na lambada,
com a amiga que já faleceu de Aids…

E na bolsa quando ia ao toalete
a gilete, o sempre-livre
e o chiclete importado
o velho exemplar do despertar de algum mago…
O apelido que não posso esquecer:
a Jezebel da Duvivier
Saiu assassinada na manchete
entre a greve e os motins urbanos…
Chamava-se Moema, era morena,
e tinha apenas treze anos

Até.

4 Comentários

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4 Respostas para “>MAÇÃ TATUADA EM OSWALDO CRUZ

  1. >Sempre desconfiei que o Aldir está além da condição de maior letrista da música brasileira. É um profeta, meu velho. Um profeta.

  2. >Querido Edu, estive ausente nos últimos meses de 2008 por uma série de motivos imperiosos, inclusive enfermidade na família. De modo que me afastei de seu balcão e da convivência prazeirosa dos amigos do Buteco. Então, agora que estou voltando aos poucos, venho lendo posts antigos seus e, hoje, me deparei com um sobre uma exposição de botecos com sua curadoria e gostaria de fazer um pequeno reparo. O Bode Cheiroso constou, sim, num guia antes da exposição: no Rio Botequim de 1999, nas páginas 63 e 64, só que com o nome de Bar do Seu Manoel, que é como ele era chamado nos anos 80 e pelo menos até meados dos 90, por causa do dono. O nome oficial do bar era, pelo menos até então, Café e Bar Macaense, famoso por seu mocotó às sextas-feiras. Antes de sequer pensar em escrever crônicas de botequim frequentei esse boteco por uma década religiosamente (era assessor de imprensa de um sindicato naquela rua), embora nunca tenha aderido à confraria do Bode Cheiroso.abspt

  3. >aldir: esse é o cara. “a gilete o sempre-livre e o chiclete importado” é tragicamente real. sem mais palavras.

  4. >EduCantarolei muito essa música há uns 20 anos atrás. Que lembrança a tua, hem? Que memória. Ele já havia sentenciado isso tudo lá atrás. Aldir é o maior letrista vivo desse país, pois retrata um mundo bem nosso, o da sarjeta e da marginalidade explicita.Abracitos bauruensesHenrique P. de Aquino(www.mafuadohpa.blogspot.com)

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