>DUAS MORTES: UMA REFLEXÃO

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Não pretendo me estender muito, hoje (sempre que assim pretendo, estendo-me infinitamente…). Mas é que, em razão de uma coincidência que evidenciou uma situação curiosa, quero dividir com vocês uma reflexão.

O Brasil viveu nos últimos dias, graças à imprensa cada vez mais sensacionalista, o drama vivido pela família de uma adolescente, feita refém por seu ex-namorado, também adolescente, que acabou tragicamente morta depois de baleada, levada para o hospital e incapaz de resistir aos ferimentos. Não se falava de outra coisa na TV, nos jornais, no rádio. O assunto era o drama (particular) daquela família. Nos jornais eletrônicos (n´O GLOBO precipuamente, o que mais freqüentemente leio), as notícias envolvendo o fato eram manchete e destaque permanentemente.

O Brasil perdeu, na segunda-feira, um grande artista popular. Consagrado, de certo modo, se levarmos em conta, como parâmetro, a realidade dos artistas populares ligados ao samba em nosso país, costumeiramente ingrato com seus artistas. Levou, com um samba seu, a VILA ISABEL ao campeonato em 1988. Foi gravado pelos mais diversos nomes da música brasileira, e não quero, aqui, citar ninguém. Compunha com uma delicadeza e com uma genialidade comoventes. E pouco se falou sobre ele na TV, nos jornais, no rádio. Nos jornais eletrônicos (n´O GLOBO precipuamente), a notícia de sua morte mereceu um cantinho de página, e olhe lá.

Li, sobre o velório e sobre o enterro de mais uma vítima da violência, que mais de 50.000 pessoas foram se despedir (!!!!!) da menina a quem muitos sequer conheciam. Segundo a PM (ouvi na CBN), 39.000 pessoas passaram pelo velório e 12.000 se espremeram no cemitério. Ainda segundo a PM, familiares e amigos (os mais próximos) não passavam de 50.

Li, sobre o velório e sobre o enterro do smabista, que pouco mais de 300 pessoas foram ao cemitério (não li ou ouvi nada sobre o velório).

Não se trata – antes que venham os detratores de plantão de dedo em riste – de uma disputa mórbida pela popularidade post mortem.

Trata-se, sim, de uma reflexão simples, superficial, até.

Por quê – meu Deus! – esse fomento incessante da violência, da brutalidade, dos mais baixos instintos do homem e da sociedade por parte da imprensa? Não percebem, os homens da imprensa, que a divulgação desses dramas particulares faz crescer um medo paralisante, um pânico destrutivo e uma banalização da dor alheia, na contramão do crescimento da solidariedade? Não percebem que essa falsa e suposta solidariedade das pessoas (as tais 51.000 que se despencaram de suas casas, algumas de cidades distantes, para irem ao velório e ao enterro da menina) apenas expõem, de forma clara (o que é tristíssimo) a solidão, a carência e a doença social que assola nossa gente?

Quando alguém vai perceber – e lutar pelo cessar dessa espiral doentia – que essa exposição constante da violência e da brutalidade é, na verdade, elemento de incremento desses ingredientes que corroem nossas vidas sem que percebamos? Quando alguém perceberá o que é evidente, que os crimes se reproduzem, espocam aqui e ali, na medida em que se lançam luzes sobre um determinado tipo de crime que não interessa – em absoluto interessa! – à sociedade?

Quando não será considerado piegas e bobo aquele que se compromete apenas com a divulgação da beleza que reside nas mais pequenas coisas? Quando não será considerado demodè e deslocado aquele que se preocupa em expôr apenas o que tem capacidade de elevar o espírito do homem, de apaziguar a mente do homem, de aquietar o coração do homem, de fazê-lo refletir, pensar, criticar, modificar-se para melhor?

Por quê – meu Deus! – os homens da imprensa, dos jornais impressos, dos jornais eletrônicos, do rádio, da televisão, não se preocupam com a educação das pessoas, na mais ampla acepção da palavra? A resposta é óbvia – eu sei.

Porque os patrocinadores que fazem girar a roda da informação que deforma o mundo todo (e aqui não seria diferente) querem mais é isso: sexo e violência, que é o que mais se vende hoje em dia. A mistura de ambos (e os dois ingredientes estavam presentes, de certa forma, no tal seqüestro a que me referi), explosiva, entorpece a sociedade e vivemos, então, esses sombrios tempos de recrudescimento do amor.

Daí você dá um pequeno giro pelos jornais nessa última semana e descobre (tudo em destaque!) que uma cantora baiana engravidou de um filhinho de papai abastado, que essa mesma cantora baiana que engravidou de um filhinho de papai abastado perdeu o bebê, que um rapaz desequilibrado seqüestrou sua ex-namorada para chamar a atenção da família, que mataram um PM na avenida Brasil, que um incêndio matou duas crianças numa casa no Paraná, que libertaram uma das reféns do tal seqüestro, que a refém foi devolvida ao seqüestrador horas depois, que encontraram vários corpos na mala de um carro abandonado num canto qualquer da cidade, que não sei quantas balas perdidas fizeram não sei quantos feridos, e assim, meus poucos mas fiéis leitores, nós vamos sendo engolidos – sem que percebamos, quero repetir – por essa onda horrível que nos impede de ver o mundo à nossa volta com leveza.

Não se trata de querer viver com antolhos e não querer saber o que se passa por aí. Mas a cada um, o seu drama.

Vai daí que 51.000 autômatos seguem para o velório e para o enterro de uma desconhecida (e não estou falando da família, chega a cansar explicar o óbvio) como figurantes de uma novela tétrica que nos empurram goela adentro sem que reajamos.

E ninguém é sensibilizado para o desaparecimento de um homem que viveu para tornar o mundo mais bonito. Um louco, a seu modo, que fez o que pôde (prometeu, no samba, fazer de tudo) pra mudar o mundo.

Um homem que plantou, ao menos na minha vida, beleza. Como quem planta, num xaxim, um baita de um jequitibá. Pra bom entendedor, meia palavra basta.

Até.

ps: nos comentários, barbaridades pescadas, já na manhã de hoje, 22 de outubro de 2008, em alguns jornais eletrônicos.

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23 Respostas para “>DUAS MORTES: UMA REFLEXÃO

  1. >Meus poucos mas fiéis leitores, eis o que havia no plantão do GLOBO ON LINE agora, às 7h30min:07h23m | São PauloBebê de dois meses é encontrado abandonado em calçada de Itaquaquecetuba 07h17m | São PauloPolicial civil é assassinado no Pari07h10m | São PauloTentativa de chacina deixa dois mortos e três feridos em Santo André06h53m | São PauloNayara deve ter alta nesta quarta-feira05h55m | Trânsito RioMotorista fica ferido em batida na Linha Amarela05h53m | RioPMs prendem cinco assaltantes na Lagoa05h51m | RioBebê é abandonado dentro de igreja no Leblon02h22m | PaísAcidente em estrada no Maranhão deixa nove mortos00h27m | RioPM prende assaltantes na Lagoa00h08m | RioPolicial mata assaltante no Jardim Oceânico na BarraSuave, não?

  2. >Tomem nota de mais um absurdo publicado n´O GLOBO ON LINE, agora pela manhã:Camisetas de Eloá custam R$ 15Plantão | Publicada em 22/10/2008 às 08h33mDiário de S.PauloSÃO PAULO – Em meio à tristeza, a morte da jovem Eloá Cristina Pimentel da Silva terminou virando comércio. Inclusive com a venda de camisetas com a foto da garota e a mensagem “Eloá para sempre em nossos corações.” O público fazia encomendas em pleno velório. Um rapaz anotava num caderno o nome e o telefone de quem pedia a peça, vendida por R$ 15. “As pessoas estão pedindo. Encomendamos mais camisetas”, disse a dona-de-casa Maria dos Anjos, de 39 anos, mãe de um dos colegas da garota. As camisetas foram adquiridas pelo Grêmio Estudantil da Escola Estadual Professor José Carlos Antunes, onde Eloá cursava o primeiro ano do Ensino Médio. Na segunda à tarde foram entregues 85 camisetas. Um grupo de 40 pessoas estava com as camisetas. Cartazes e homenagens também foram espalhados pelo cemitério. O caricaturista Márcio Vital, de 34 anos, levou uma faixa ao local. Ele tentou erguer a homenagem à vítima na frente da capela, mas foi advertido pelos guardas que faziam a segurança do local. Mas a insistência foi recompensada. Vital conseguiu expor a mensagem “Eloá Vive” ao lado do cortejo, diante dos fotógrafos e das câmeras de TV que acompanhavam o enterro. A faixa era ilustrada por uma caricatura da garota e contava com assinaturas de moradores de Santo André. “É um movimento de protesto contra a violência e contra a impunidade. Quero entregar essa faixa para as autoridades de Santo André”, anunciou, em tom solene.”E assim caminha, triste, a humanidade.

  3. >Querido, necessária reflexão! Pensamos a mesmíssima coisa. Tomo a liberdade de reproduzir um texto, que publiquei no Pátria Futebol Clube, em 10/11/2006:Página policial pra quê?Nesta semana, uma mulher de 25 anos matou os dois filhos com uma esmerilhadeira e foi parar atrás das grades. Na cadeia, foi linchada pelas outras presas e só não morreu porque a polícia chegou a tempo de evitar o massacre. E aí você tem dois crimes bárbaros divulgados com todas as cores nas páginas policiais num intervalo de 48 horas. E abre-se espaço para o retorno do debate acerca da pena de morte, que nada mais é do que o retorno do olho por olho, dente por dente. E eu me pergunto: para que existe a página de polícia nos jornais? O argumento da imprensa perante a opinião pública é de que a cobertura dos crimes serve para pressionar as autoridades a solucionar alguns casos. A manchete sangrenta seria, pois, de grande valia à sociedade civil que, refém dos bandidos, só poderia contar com a vigilância da imprensa. Nos bastidores, porém, sabemos que a foto do morto só serve para vender jornal. Existe entre nós uma mórbida atração pelo crime. É fato que violência puxa audiência. Basta um morto no meio da rua para, em qualquer lugar do mundo, haver uma aglomeração. É natural que noticias de assassinato sejam usadas para ampliar as vendas do produto. É natural? Não, não é natural. Algo não deve ser considerado natural só pelo fato de haver demanda para ele. O jornal teria de prezar pelo bem comum. Por mais que seja um produto, tem de haver uma contrapartida social. Porque de outra maneira não há razão para manter em vigor o código de ética do jornalismo. Notícias de crime não tem qualquer serventia. Raramente um crime foi solucionado pelo fato de ter saído no jornal e a publicação da notícia é ruim para todos os envolvidos. É ruim para o repórter, que tem de conviver com o dilema moral de depender da morte alheia para ganhar seu salário; é ruim para a família da vítima, que tem seu drama exposto independente de sua vontade; é ruim para a família do criminoso, na maioria das vezes formada por gente íntegra e honesta que só ganha mais humilhação e sofrimento; é ruim para os leitores, que acreditam piamente que os criminosos estão em toda parte, criando assim uma cultura do medo difícil de ser extirpada. Enfim, é ruim para todo mundo, menos para o dono do jornal. O que importa saber quem matou e quem morreu, quantos tiros levou o infeliz e que a moça foi estuprada na saída do colégio? A notícia irá mudar a realidade? O fato de a foto do morto ser divulgada na capa fará com que ele volte à vida? O relato de seu assassinato trará alívio aos seus familiares? Ou trará justamente o contrário? Trabalhei como repórter de polícia durante um ano, em Sumaré e Hortolândia, duas das cidades mais violentas do Estado de São Paulo. Crime hediondo ali é mato. O tempo em que escrevi sobre essas barbaridades só serviu para que eu tivesse ciência de minha inutilidade. Nada do que escrevi serviu para coisa alguma, a não ser para disseminar o terror.Conheci bandidos que me pediam para ter sua foto publicada na capa, mesmo tendo cometido crimes horrendos. O reconhecimento de seus feitos era uma espécie de atestado de maldade que incrementava seu currículo. Acho que se os jornais quiserem realmente lutar por uma sociedade menos violenta deveriam acabar com a página policial.

  4. >Escória!Porra, essa da camiseta é absurda!E nasce mais um (vômito) “movimento contra a violência”.Que todos juntos marchem para a putaqueopariu.Abraços.

  5. >Bruno: também por isso, querido, você é um jornalista maiúsculo. Um forte abraço cheio de justificado orgulho por ter você entre os meus.Lúcio: permita-me, meu caro, mesmo sem a intimidade que só os balcões permitem (embora tenhamos tentado, já, algumas vezes, sem êxito, beber algumas juntos!) dizer-lhe uma coisa: já pensei assim feito você. Mas a cada um, rapaz, conforme sua própria consciência. Essa gente que compra a camiseta, essa gente que se desloca de longe para dizer adeus a um(a) desconhecido(a), essa gente geralmente é movida por um sentimento bom. Pensam estar ajudando. Pensam estar fazendo alguma coisa de positivo. Não estão – no meu entender e, pelo visto, no seu. E antes marchar contra a violência do que pro lugar que você sugere, não?! E quem manda fazer as camisetas? – me perguntará você. A consciência, malandro, a consciência de cada um que seja responsável pelas conseqüências. Um familiar talvez goste de comprá-la, um amigo, quem sabe. Tudo reside na força-motriz do gesto. Relaxa, rapaz! Um fortíssimo abraço.

  6. >Daniel Ataide, freqüentador assíduo do BUTECO, me pede que publique comentário seu sobre o texto:”Um jequitibá que enraizou mesmo sem chão. Como regia mestre Candeia: “Lindo lindo lindo lindo!” O pior é que já deve ter uma pá de bandidos planejando ser o seqüestrador “star” da vez. Nada mais a acrescentar. Excelente texto. Abração.”Feito, Daniel. E larga mão de ser preguiçoso, pô! Abra logo sua conta no BLOGGER!

  7. >Edu, o balcão permite! Claro!Na verdade o meu comentário foi no sentido de ter essa gente toda se alimentando da tragédia. Vampirizar um momento desses me revolta. Mas você tem toda a razão em me dizer pra relaxar.Exagero meu, camarada.Abraços!

  8. >Grande, Lucio! É a melhor coisa que você faz. Olhar com atenção à sua volta, observar com apuro as circunstâncias, criticar com moderação e pra dentro, de preferência, e dizer, neste caso, pra dentro também:- Eu não faria isso.- Eu não estaria ali.E só.Um forte abraço. E vamos marcar uma, pô!

  9. >Edu, quer nojeira maior que o dirigente de um clube abjeto daqui (e que foi eleito vereador) querer capitalizar em cima da tragédia ao se oferecer como “mediador”, alegando afinidade clubística com o assassino? Pura jogada de marketing, e quem dirige tal área no clube abjeto também é o responsável pelo marketing da Rede Record.E aí a gente vê uma notícia de que o seqüestro fez com que a emissora do bispo passasse a Globo no Ibope. Coincidência?Já o Grande Poeta do Samba deveria ter sido estampado até em caixa de leite, tamanha sua importância. Mas virou regra as grandes figuras ganharem da imprensa apenas aqueles obituários pré-fabricados.Abraços.

  10. >Isso sem contar que o Da Vila morreu antes das 10 da manhã,e a primeira notinha do GLobo On line foi sair antre 13:30 e 14:00…Até o Extra, O Dia, JB, Agenda do Samba e Choro todo mundo ja tinha colocado pelo menos uma frase.Mas O GLobo só falava da morte do Sendas e da mulher de Santo André.Como alguem disse em outro blog, o Cabral decretou 3 dias de luto pelo Sendas… estamos esperando quem vai decretar 3 meses pelo Da VilaBeijo

  11. >Edu, meu caro amigo. Este ano esta sendo o ano das perdas. Perdemos Caymmi, Fausto Wolff,(uma amiga minha que faz faculdade de letras nunca ouviu falar, o que não perdoo), perdemos Luis Carlos da Vila e nada ninguém falou nada. A mídia corrupta não quer mostrar o que realmente vale a pena. Edu, moro aqui em Sampa, não é longe de Santo André aonde a menina foi morta,me pergunto? Qual será a próxima vitima da impressa? Primeiro, João Helio, depois Isabelle Nardoni, depois Eloá e qual será a vitima? A mídia troca de tragédias assim como o jogador troca de time, não estão nem ai. Edu, há 500 anos tem tragédia neste país e ninguém se preocupa não estão nem ai, a morte de um sambista não é importante, a morte de um escritor não é importante para os jornais, não vendem. Isso prova que vivemos num país de cegos, que não exerga apenas vê. Porque essa multidão que acompanhou o enterro desta menina, não acompanha o enterro de uma criança vitima de bala perdida? Abraço

  12. >Claudio: isso corrobora a idéia de que violência e sexo a qualquer preço, rapaz, sustentam a conduta de grande parte de nossa imprensa. Um forte abraço. Estou acompanhando o Corinthians, hein! E torcendo por vocês!Tiago Trinta Pratas (é você, não é?): se o governador fosse o pai do governador, o luto pela morte do Luiz Carlos da Vila já estaria decretado. Para ambos, diga-se. O Sendas teve, de fato, sua importância. Ou o povo do PSOL é contra empresário a qualquer preço?! Um beijo, querido. Bom vê-lo de volta por aqui.Rodrigo: ainda sem desculpá-lo pela indesculpável rata com o Szegeri, que prossegue esperando o autógrafo ser emoldurado, vou tentar, humílimo, responder sua pergunta:Por que essa multidão que acompanhou o enterro desta menina, não acompanha o enterro de uma criança vítima de bala perdida?Eles não foram ao enterro da menina (eles não sabem disso, é claro). Eles foram a um cenário de TV fazer papel de figurantes. É simples.Um abraço.

  13. >Rodrigo: Muito bom! Justamente o que eu penso mas minha grosseria não permite colocar em palavras.Edu: Essa tua implicância com o Rodrigo por conta do Autógrafo é uma das melhores coisas do buteco…

  14. >Lucio: não é implicância não, cara. Só vendo como o Szegeri espera por isso. Dá até dó. Até mesmo porque o caboclo prometeu, né? Abraço.

  15. >Edu,O que me chocou mais foi ver, ao vivo e, às onze e meia da noite, pessoas empunhando seus celulares modernosos e batendo fotos da menina no caixão. Bizarro!sds, Wander.

  16. >Seja bem chegado, Wander: bizarro pra dizer o mínimo, não? Um abraço.

  17. >Comovi-me profundamente com a partida desse malandro. Não fui ao gurufim na quadra da Vila porque queria guardar outra imagem. No aniversário do Tio Nei, no ano passado, eu e Luis Henrique (meu cunhado) e apresentamos ao malandro umas Therezópolis Gold.Ficamos ali, bebendo e papeando. O malandro, com um botão da camisa abotoado (no máximo), saudava a cerveja, encantado com a danada.- Que maravilha!A chama não se apagou, nem se apagará!Abraços!

  18. >É isso, Diego. Forte abraço!

  19. >Edu, malandro! O Szegeri é bamba, ele me disse: Eu nunca dei um autografo na minha vida. Edu, colocarei tenha calma, se não for na parede, será no porta retrato tenha calma.AbraçoPS: Valeu Lucio, e de quebra vou no Rio em breve pegar o do Edu. Abraço

  20. >Rodrigo: rotunda mentira do Szegeri. Ele dá autógrafos como quem respira: na repartição, no sindicato, no partido, nos bares onde canta. No Rio, então, nem te conto (um dia, no Trapiche Gamboa, o show dos Inimigos do Batente atrasou quarenta minutos por conta da fila, só pra autógrafos e fotos).E eu estou calmo, meu caro. Não repita “tenha calma” para mim. Quem me pergunta quase todos os dias sobre a moldura no autógrafo e o autógrafo na parede, é ele.Um abraço.

  21. >Beleza, meu caro! O Próximo que pegarei um autografo é o seu. E se os deuses permitirem o do Aldir também. ABRAÇO

  22. >Rodrigo: meu autógrafo? Chance zero. O do Aldir? Alguma chance. Mas que será NULA caso não emoldures e inaugures, logo, o autógrafo do homem da barba amazônica (tenho como pedir isso ao bardo da Muda). E encerrou-se o assunto! Abraço.

  23. >Edu sabia que alguém mais ia ter sensibilidade o bastante para perceber isso! milhares de pessoas indo ao enterro da menina Eloá que como um BBB da violência foi alçada a campeã. Enquanto 300 no enterro de Luiz Carlos da Vila simbolizavam algo como simplicidade versus caos. È óbvio que não está aqui se fazendo uma disputa fúnebre só refletindo sobre o poder da mídia e o desrespeito a memória e o que é que o povo quer como notícia? O que vende? Em três locais diferentes que convivo fiz uma indagação e respostas curiosas me foram dadas: Pergunta/Indagação – Vocês viram 10 000 pessoas no enterro da Eloá enquanto a perda do Luiz Carlos da Vila um artista de talento do Brasil foram 300. Respostas: No trabalho: Quem morreu? Luiz Carlos? (é aquele compôs Kizomba e canta Agulha e dedal aquela música que eu trouxe o cd que vocês gostaram lembram?) Ahnn…Pôxa! morreu como? Em casa (minha esposa): Mas a menina tá famosa agora né…além do mais coitada,ela não tem culpa se tem um monte de gente q quer aparecer… Na faculdade (olha que é jornalismo hein!): Er…quem??..hummm…mas não foi 10000 não! foram 50000…(explico quem era o Luiz Carlos da Vila) sei…mas você viu o pai da menina tá sendo acusado… (mudando de assunto…dentro do mesmo assunto…) É meu Brasil às vezes a violência está também em atos como esse…ir em velório de desconhecido para indiretamente num falso pesar fazer parte da “história” e cenário pra contar depois : Eu fui! Há uma lenda que diz que quando o enterro está lotado é sinal que foi um enterro bonito (se é que isso existe).Sem contar cenas de total falta de bom senso – camisetas em “homenagem” sendo vendidas, celulares tirando fotos do caixão, quando entrava um repórter ao vivo, olhos para câmara estamos todos ao vivo e os programas populares e matinais se deleitando sobre o assunto com psicólogos, sociólogos, jornalistas, autoridades policiais, advogados e tantos outros “formando a opinião”.Fica aqui uma frase de triste ambigüidade: O shown tem que continuar – do samba e da mídia.

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