RUA DO MATOSO – A SÉRIE – PARTE VI

Exatamente em frente ao Beco do Mota fica o número 125 da Matoso, o EDIFÍCIO MARCO CÍCERO (Simas, incrédulo diante da homenagem ao tribuno romano em plena rua do Matoso, nos deu, quando avistamos a placa, uma aula de História!). Diante desse edifício, o famosíssimo calçadão da Matoso. Pra quem vem da praça da Bandeira, como nós, seguindo a mão da rua, o arco de entrada do calçadão é formado por uma vistosa parreira cobrindo fios de alta tensão! E que dá uvas, garantiu o jornaleiro da banca em frente!!! E nesse calçadão, muito comércio!

Sentamos para uma água sem gás. Era preciso, diante do mar de bares que avistámos.

A foto abaixo foi feita quando estávamos no PRODUTOS NATURAIS, buteco sem nenhum atrativo que não o próprio nome. Não há nada de natural à venda no bar, nada!

Luiz Antonio Simas e Isaac Goldenberg no buteco PRODUTOS NATURAIS, rua do Matoso, na Tijuca, foto de Eduardo Goldenberg

Ele fica no número 125-A.

Notem que fica exatamente em frente ao Beco do Mota. Percebam, ainda, a oficina mecânica a céu aberto. O taxista entrega seu instrumento de trabalho ao Baby, conhecido personagem da área, e mecânico pau-pra-toda-obra, e que está sentado no meio-fio. E notem que o Simas, no instante em que sentei o dedo na câmera, lê a placa com o nome do EDIFÍCIO MARCO CÍCERO!

Ali nós bebemos umas garrafas d´água, respiramos fundo, tomamos fôlego e andamos alguns poucos metros até o XODÓ DA VOVÓ, na Matoso 125-I.

Mal chegamos e papai pediu um bolinho de bacalhau (apenas razoável, segundo ele).

Isaac Goldenberg no XODÓ DA VOVÓ, na rua do Matoso, na Tijuca, foto de Eduardo Goldenberg

O XODÓ DA VOVÓ é também do Chico, cracaço que comanda o BAR DO CHICO, na esquina da Afonso Pena com a Pardal Mallet.

É comandado há pouco mais de 15 anos pelo Vicente, que foi quem nos atendeu.

A cerveja ali já é um bocado mais cara (é uma tendência, conforme aumenta a numeração da rua, aumenta o preço da cerveja!). Pagamos R$ 3,00 pela Brahma, geladíssima como todas as que bebemos na Matoso.

Pedimos uma porção de moela, que estava ótima.

XODÓ DA VOVÓ, rua do Matoso, na Tijuca, foto de Eduardo Goldenberg

E o buteco é simpático pacas, como o Vicente.

Tem imagem do Padre Cícero, tem casco de tatu pendurado no teto, tem rádio velho funcionando, tem um balcão de respeito vendendo batatinha calabresa (infinitamente mais caro que no TRÁS-OS-MONTES), empada, espetinho de frango e de carne, e o cardápio da casa é também farto: dobradinha, mocotó – no copo e na tigela -, uma maravilha pra quem birita!

Da letra I passamos pra J.

Na Matoso 125-J, fica a CARDAL, loja de ferragens onde você encontra arruelas, contrapinos, rebites, porcas, uma variedade inacreditável de parafusos, e papai disse, de olhos marejados, diante do balcão:

– Essa é do meu tempo de moleque… e tem de tudo!!!

cartão da casa CARDAL, na rua do Matoso, na Tijuca

Fomos recebidos pelo simpaticíssimo Sérgio Brandão (na fotografia abaixo), de chapéu e tudo!

Papai disse – e o seu Sérgio confirmou com um sorriso – que é a loja de parafusos e ferragens mais completa da cidade.

Está nesse mesmo endereço há mais de 40 anos – e vão notando, vocês, a idade do comércio local!

Sr. Sérgio Brandão, da loja CARDAL, rua do Matoso, na Tijuca, foto de Eduardo Goldenberg

Ao lado, exatamente ao lado, no 125-K, fica uma loja inacreditável: MARTE ELÉTRICA, uma loja de enceradeiras. Meu pai gemia:

Isso não existe, isso não pode ser verdade! – notem a mágica da Matoso.

A loja é mantida por dois camaradas, na casa dos 30 anos, Julio e Juliano. A MARTE ELÉTRICA era do pai deles, um português – a Matoso é ou não é embaixada de Portugal no Rio de Janeiro? – chamado Antônio.

Está aberta há 35 anos! Eles fazem manutenção e – pasmem! – vendem enceradeiras. O telefone de lá é 2273-3093, e vejam que barato nas fotos abaixo.

Detalhe importante: a loja não abre as sábados. Mas os irmãos, que bebiam ali pela área, notando nossos movimentos, gentilmente abriram a loja para que pudésemos fazer as fotos!

fachada da MARTE ELÉTRICA, rua do Matoso, na Tijuca, foto de Felipe Quintans
enceradeiras da MARTE ELÉTRICA, rua do Matoso, na Tijuca

Na rua do Matoso 125-P, logo depois da loja de enceradeiras, fica o ESCONDIDINHO DA MATOSO.

Amanhã conto sobre ele.

Até.

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22 Comentários

Arquivado em Tijuca

22 Respostas para “RUA DO MATOSO – A SÉRIE – PARTE VI

  1. >É impressão minha ou sua fã ainda não comentou aqui hoje?Beijos

  2. >Mamãe?Betinha, querida… vovó, mamãe e Dani – em ordem decrescente de idade – são as ÚNICAS fãs que tenho.Vovó tem contato com os textos do BUTECO impressos, carinho de papai com a própria sogra; não tem idéia de como comentar nada.A Dani, por razões de foro íntimo, é proibida de dizer um “a” publicamente.Mamãe comenta muito raramente…Não entendi!Beijo, beijo, beijo.

  3. >Fala, Edu. Tô acompanhando literalmente de camarote a série. Literalmente mesmo: leio cada um dos relatos e corro pra janela pra conferir, a olho nu, cada cantinho descrito nas – e não é outra coisa o que você está fazendo – reportagens. A conferir: o bar do Chico e do Vicente não seria Cantinho da Vovó? Aliás, a irreverência da garotada é uma delícia: a placa com o nome do bar está parcialmente coberta pela placa do bar ao lado. Por isso, do nome original (Cantinho da Vovó ou Xodó da Vovó) só aparecem as letras finais: ovo. Daí a gurizada rebatizou a casa de Bar Ovo (barovo). E, se quiser adicionar uma dica: ali, às quartas, Vicente serve a melhor costela com feijão-manteiga de que se tem notícia. Abraços.

  4. >Ô, Tartaglia, meu querido… Vamos por partes.01) imaginei, confesso, que contava com sua leitura da série… afinal de contas, estás numa das esquinas, não?!;02) quanto ao BAR OVO, faltou-me a precisão no quesito do nome… CANTINHO ou XODÓ? Minha memória diz que é XODÓ!!!!! Vou apurar!03) dica adicionada, querido!Quero que você saiba que só não o chamei, efetivamente, para a tal série, para os tais passeios, porque você iria estragar a brincadeira toda, pô! A gente ali, achando que estava fazendo uma reportagem… e você, um baita dum repórter, um baita jornalista, dando esporro na gente e rindo por dentro!Vamos marcar de beber por lá!Forte abraço.

  5. >Daí o ovo cozido que nem em Paris comi igual, tal e qual a batida de limão que deixou o Sze embasbacado

  6. >Zé Sergio: esse BAR OVO foi aquele ao qual você foi, como convidado da falecida S.E.M.P.R.E. (Sociedade Edificante Multicultural dos Prazeres e Rituais Etílicos). Lembra? Acho que você comeu ovo naquele dia também…

  7. >Edu, enganamo-nos os dois. O nome do Bar Ovo, confirmado pelo Chicão, alther ego do Chico, é Quitutes da Vovó. Outra: aquela reunião da S.E.M.P.R.E., você recorda, teve como prato de resistência a irresistível (perdoe a contradição em termos) dobradinha da casa. Como não come essas delícias da culinária carioca, o nosso Zé, isso eu me lembro com clareza, comandou uma porção de ovo cozido. Porção de ovo cozido! Isso eu nunca tinha visto na vida. Pessoal come um, dois ovos – mas uma porção foi realmente uma revelação. E o nosso Silvino genérico ainda repetiu, ao cabo da primeira porção! Se bobear, você registrou isso no Buteco, na época.

  8. >Não tô falando que você iria humilhar a gente?!Grandes pitacos, Cesinha, grandes pitacos!Agora… dê-me a dica: conserto e dou o crédito a você? Mantenho como está o texto e neguinho que se vire lendo os comentários?Diga lá, chefia!

  9. >Cesinha: matou a pau, malandro! Escrevi, em 19 de maio de 2006, UM ENCONTRO HISTÓRICO, confira aqui!!!Sabe tudo! Sabe tudo!Abração.

  10. >Pô, deixa como está, Edu. Um texto escrito no calor da batalha está, na essência, sempre correto. O nome do Bar Ovo é um detalhe – até porque, Bar Ovo é infinitamente melhor que Quitute, Xodó ou Cantinho. Deixa o pessoal ler e depois se divertir nos comentários. Abração.

  11. >Valeu, Cesinha! Agora, me permita: o BUTECO é mesmo bem servido de freqüentadores, não?O Szegeri quer saber a origem da palabra ABRONHENSE e a Olga, do nono andar, liga pra quitanda e dá a resposta publicamente, no balcão.Agora, você.Ô, sorte!Abração.

  12. >Hiiiiiiiiiiiiiiiiii!!!!!!!

  13. >Monica: “Hi!”?????Aqui fala-se o português, hein!Não vou mais publicar nada em inglês.O máximo de inglês que se permite no BUTECO é o O.K..Um abraço.

  14. >Edu, nao fui eu que escrevi o primeiro comentario ao texto de hoje. Prova disso eh que meu teclado nao eh configurado em portugues e por isso eu nao teria como colocar til nas palavras.Ou tem outra Betinha na area ou alguem se fez passar por mim…Beijos.

  15. >Verdade, querida, verdade! Não atentei pra isso. E seria demais, também, que eu tivesse me lembrado desse detalhe. Não?Vou ser obrigado a passar a aceitar comentários apenas de leitores cadastrados no sistema BLOGGER – o cadastro é facílimo de ser feito.E que se registre: desconfio da autoria desse comentário feito em seu nome, lançado em vão.Me perdoa.Beijo enorme.

  16. >Claro que voce nao notaria isso. Ninguem notaria, nem o comentarista fajuto. Nao precisa se desculpar!Beijo grande!

  17. >É Eduardo, definitivamente, não consigo acertar uma aqui no Buteco, mais uma vez a todos desculpem o mau jeito.

  18. >Rái é o cacete! Tenho dito. Zé Sergio, o verdadeiro.

  19. >Gostei bastante foi do cartão da casa Cardal: antigo. O bacana é ver os números de contato ainda sem o número dois que, atualmente, precede o prefixo de boa parte dos telefones do Rio; e a antiga sigla do CNPJ, CGC. Uma maravilha!

  20. >Bezerra: és tu, Felipe? Sabes que eu não tinha atentado para esses detalhes?! Forte abraço.

  21. >Sou eu, sim, Edu: o Felipe. Quanto aos detalhes do cartão, eu achei uma maravilha, mesmo. Gostei, também, do corpo utilizado em algumas das letras, o bom e velho Times. Forte abraço.

  22. >esse calçadão é o Baixo Matoso! Dia de jogo ferve!!!!

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