RUA DO MATOSO – A SÉRIE – PARTE IV

Atravessamos a rua do Matoso na altura do Bar Augustus e fomos dar no Bazar Sidelius, na Matoso 34. Uma espécie de tem-tudo. E tem quase tudo, mesmo!

centenas de fecho éclair à venda no BAZAR SIDELIUS, rua do Matoso 34, na Tijuca, foto de Felipe Quintans

Depois de, dentro da loja, darmos de cara com telefones antigos, móveis de todo gênero, alguns eletrodomésticos usados, tropeçamos na saída em uma caixa de papelão, exposta no chão, com muitos, muitos – eu diria que centenas! – fecho éclair.

Meu pai – que já havia bebido algumas garrafas conosco – gemia diante da caixa. Perguntou ao vendedor:

– Alguém compra isso?

– Ô! – disse ele.

O Felipinho, emotivo ao extremo, chorava fazendo as fotografias.

Fui o primeiro a voltar pra rua.

Chamei os dois já na entrada da Casa Ribeiro Aves.

tabela de preços na CASA RIBEIRO AVES, rua do Matoso 38, na Tijuca, foto de Felipe Quintans

A Casa Ribeiro Aves, na Matoso 38, tem – vejam que beleza! -, segundo nos contou uma senhorinha sentada diante do balcão, em torno de 50 anos (informação que não conseguimos confirmar)!!!

A Mônica, atual dona e gerente, está à frente da casa desde 2004 – uma bebê, em termos de Matoso!

A Casa Ribeiro Alves vende – é claro – aves vivas (galinha caipira, galinha vermelha, galinha branca, frango branco, galinha d´angola, pato, pombo), vende coelho, sendo, portanto, a Meca de cozinheiros doidos por aves frescas e de macumbeiros de todos os matizes. Vende, ainda, ovos, ração, vassouras, sandálias havaianas, papel higiênico, cloro… um furdunço apaixonante!

interior da CASA RIBEIRO AVES, rua do Matoso 38, na Tijuca, foto de Felipe Quintans

O piso da loja, sem brincadeira, deve ser o original. Antiquíssimo, desses que não se encontram mais por aí. Enquanto estivemos lá dentro, uma senhora dava plantão diante do balcão (a que nos deu a idade estimada do estabelecimento e cuja cabecinha, de costas, aparece na fotografia acima), um camarada entrou pra comprar arruda – não tinha! – e uma criança, que saltou de um carraço parado diante da loja, pediu sete pombos vivos. Maravilha!

Papai, doido com tudo o que via, ficou impressionado com a idade da balança vermelha diante da gaiola das aves.

De fato, um dos destaques da loja.

balança no interior da CASA RIBEIRO AVES, rua do Matoso 38, na Tijuca, foto de Felipe Quintans

Bacana, também, facilitando demais a vida do povo do santo, é que em frente à Casa Ribeiro Aves, na Matoso 45, fica a Casa Três Mosqueteiros, de artigos religiosos em geral.

A loja é uma zorra (tônica do comércio da Matoso), dessas de comover.

Tudo espalhado pelo chão… Imagens, pratos de barro de tudo quanto é tamanho, quartinhas, velas, incensos, arruda, mel, dendê, defumadores, carrancas, baldes, gaiolas de passarinho (!!!!!), um fuzuê, um fuzuê!

Papai, não acreditando no que via:

– Mas o que é isso, meu Deus?…

CASA TRÊS MOSQUETEIROS, rua do Matoso 45, na Tijuca, foto de Felipe Quintans

Disse isso e emendou:

– Vamos beber, vamos… já está bom por hoje, não?

Já passava das 11h e estávamos na porta do Café e Bar São José Trás-os-Montes, na Matoso 65-A.

Na esquina, colada ao buteco, a Ótica Elmo – especializada, como diz o letreiro.

– Em quê, meu Deus? – gemeu meu pai.

E apontando pra vitrine (reparem, à direita, na fotografia):

– Não há um óculos pra contar história! Vamos beber! Vamos beber!

O Simas, curiosíssimo e morrendo de rir das reações de papai, não agüentou e perguntou ao vendedor da ótica, que vestia um guarda-pó branco em tons de marrom (se é que vocês me entendem) e segurava, numa das mãos, um copo de cerveja:

– Bom dia. Quanto custa aquele óculos escuro? – havia um, solitário, numa vitrine interna.

E o vendedor:

– Depende.

– Depende?

– Entre R$ 50,00 e R$ 150,00…

– Vamos beber, Simas, vamos beber! – disse meu pai, já segurando uma garrafa de Brahma.

Ficamos sem entender o “depende”, mas… o que importa?

ÓTICA ELMO, rua do Matoso 65, na Tijuca, foto de Eduardo Goldenberg

Entramos no Trás-os-Montes.

Lá – tomem nota!, tomem nota! – bebemos a cerveja mais barata da rua do Matoso: a garrafa de Brahma, estupidamente gelada, custou R$ 2,30 (dois reais e trinta centavos).

O buteco, que tem mais de 40 anos funcionando no mesmo endereço, é comandado por dois portugueses, o seu Amadeu (que é de Braga, ele fez questão de dizer e pediu que publicássemos) e o seu Inácio.

A cozinha é comandada pela dona Maria.

E a vista do bar é um de seus grandes atrativos.

BAR TRÁS-OS-MONTES, rua do Matoso 65-A, na Tijuca, foto de Felipe Quintans

Dá de cara pro Mundial da Matoso!!!!!

Dona Maria contou-nos uma das vantagens da localização do bar:

– Aqui não tem tempo ruim, meu filho. Se um freguês pede alguma coisa que não eu não tenho na cozinha ou que acabou… ó! – e apontou pro supermercado!

E cantou:

– No Mundial… o menor preço total!

Grande dona Maria! Grande Mundial!

letreiro do MUNDIAL da rua do Matoso, na Tijuca, foto de Felipe Quintans

Aguardem o quinto capítulo da série!

Até.

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3 Comentários

Arquivado em Tijuca

3 Respostas para “RUA DO MATOSO – A SÉRIE – PARTE IV

  1. >kkkk muito bom , muito bom o texto.Ô Eduardo, acho que o único lugar organizado neste trecho é justamente o Buteco dos Portugueses.Agora , casa de aves é minha paixão ! Franguinho a molho pardo ? Huuuuummmmm ….Um grande abraço !!

  2. >Pombo branco a R$ 25 tá caro…

  3. Pingback: CANJA DE GALINHA, A RECEITA | BUTECO DO EDU

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