RUA DO MATOSO – A SÉRIE – PARTE II

Quando deixamos o REX, entramos na ÓTICA DAYSE, na rua do Matoso 19, telefone 2273-0796.

letreito da ÓTICA DEYSE, rua do Matoso 19, na Tijuca, foto de Eduardo Goldenberg
cartão da ÓTICA DEYSE, na rua do Matoso 19, na Tijuca

 Ao darmos de cara com uma vitrine árida e escassa, porém digna, resolvemos entrar. Atendeu-nos o Anderson, que disse que a loja funciona no mesmíssimo local, com clientela fidelíssima, desde 1971 – nada desprezíveis 37 anos.

Puxamos conversa com ele.

Contou-nos da dificuldade que é manter a ótica. Queixou-se da concorrência, das grandes redes, dos shopping centers, mas não escondeu a satisfação que é atender a uma clientela fiel, formada por vizinhos, moradores do bairro e das redondezas.

Os preços, segundo meu pai, são infinitamente mais baixos que os que se vêem por aí.

E sem contar que, lá dentro, sentimo-nos no túnel do tempo. Espelhos que as óticas modernosas não têm mais, flanelinha comum para a limpeza das lentes, e o slogan, estampado no cartão, ecoando permanentemente na cabeça da gente…: técnica, rapidez e perfeição.

Demais!

Atravessamos a rua diante da visão de uma sapataria que nos pareceu secular (é quase!).

E entramos na SAPATARIA EXCELSA, na rua do Matoso 18.

Conversamos com o seu José, filho do seu José, que comanda a sapataria desde 1961, há 47 anos portanto. O telefone de lá é 2273-0994.

A sapataria impressiona pelo tamanho e pela pujança dos móveis, todos de madeira de lei, de peroba, do chão ao teto (todos os armários e os bancos). Um dos bancos, também de madeira maciça, de peroba – como já disse e repito – enlouqueceu meu velho, que passou a fazer ofertas para o seu José, que as recusou – uma a uma. Queria porque queria, meu velho pai, comprar o banco – um senhor banco!

Eu, diante da vitrine macérrima – como a da ótica – , encantei-me com uma sandália branca, a R$ 22,00.

Perguntei:

– Tem 42?

– Claro!

– Eu quero…

O seu José surrupiou o exemplar da vitrine, eu o experimentei, comprei, paguei, recebi a nota fiscal sem pedir – a honestidade… – e de lá saímos ainda sentindo o tranco do arremesso ao passado diante daqueles móveis, daqueles sapatos, daquele piso, daquele teto, daquele chão.

interior da SAPATARIA EXCELSA, rua do Matoso 18, Tijuca, foto de Felipe Quintans
interior da SAPATARIA EXCELSA, rua do Matoso 18, Tijuca, foto de Felipe Quintans

Amanhã, na terceira parte da série, vocês vão conhecer a loja de apostas do JOCKEY CLUBE BRASILEIRO e o BAR AUGUSTUS, na esquina da Matoso com a Pereira de Almeida.

Papai, da porta, tentando ser simpático:

– Bom dia, seu José! Boas vendas!

E ele, de voleio:

– Boas vendas? – morreu de rir.

E disse, começando a abaixar as portas da sapataria:

– Meu senhor, aqui a gente trabalha na expectativa da venda no singular. Já vendemos um par de sandália para seu filho. Foi uma boa venda. Estou fechando a loja! Bom dia! – e continuou rindo.

Até.

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12 Comentários

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12 Respostas para “RUA DO MATOSO – A SÉRIE – PARTE II

  1. >Observem a “registradora”, muito legal !!!!

  2. >Olha, tão interessante quando a máquina registradora, é perceber, na primeira foto da sapataria, em frente ao banco em que está meu pai, uma grade (enferrujadíssima) onde repousa um único par de sapato feminino, tamanho pequeno. Feio, desbotado, sujo. Sobre ele – não dá pra ver, mas estou contando para que o studium e o punctum fiquem claros – um papel escrito: PROMOÇÃO R$ 15,00Papai chorou quando leu. E me disse:- Quem vai comprar isso, meu Deus?E a pilha de talonários fiscais?!É um museu, mais que uma sapataria!

  3. >Aguardo ansiosamente os comentários da “Dinda”, rsssss !!!!Vai se sentir em casa entre essas antiguidades…

  4. >Edu, eu pensei que fosse íntima da Matoso, completo engano. Estou praticamente sendo apresentada a ela. E estou gostando.

  5. >Pô, Zé Sergio, aí já é demais! Aí já é demais! Se eu fosse você não deixava isso assim, não! Só duas pessoas no mundo – seus afilhados – chamam você de “dinda”. Não deixa isso assim, não! Sem contar o… deixa pra lá!Olga, Olga, quanta modéstia. Do nono andar, tudo se vê. E tudo se sabe. Eu sei disso. Bom saber que você está gostando. Mas não precisa mentir! Beijo.

  6. >Edu,Dias atrás, ao passar pela sapataria em questão, tive, na hora, a certeza de que voce a incluiria nos seus comentários, dada a peculiaridade do estabelecimento !!!!Abraço,Ronaldo

  7. >Grande Ronaldo!!!!! Que os leitores do BUTECO saibam quem é você!O Ronaldo, a quem conheci quando eu freqüentava uma academia que fica na rua Barão de Ubá (na tentativa, exitosa, de perder peso), quase na esquina da Haddock Lobo, é um tremendo boa-praça.Mora na Haddock Lobo, no trecho entre a Barão de Ubá e a Paulo de Frontin. Mora ali há anos, saca tudo do pedaço, e não por outra razão o apelidei de Prefeito.O Ronaldo é foda.A última dele, com testemunhas: uma casa de ferragens, embaixo de seu prédio, pegou fogo. Pintou o Corpo de Bombeiros, a Defesa Civil, a Guarda Municipal, uma tremenda zorra na área.Bombeiros, policiais, guardas municipais, todos bebiam cerveja no buteco ao lado, organizando um churrasquinho, enquanto apenas dois bravos membros da corporação vermelha davam conta de apagar o fogo.E quem organizava o trânsito, caótico, na marra, no grito, com a moral que só cabelo branco dá?Ele, Ronaldo, o Prefeito.Forte abraço, autoridade!

  8. >Edu, você freqüentava academia? De ginástica? Aproveita o embalo esportivo e me diga se ainda existe uma quadra de cimento na esquina da Rua do Matoso com a Dr. Satamini, joguei muita bola ali.AbraçoCoelho

  9. >Valeu, Edu.Depois deste seu honroso comentário, virei celebridade !!!Outro abraço,Ronaldo

  10. >Coelho, querido: sim, mano. Fiz musculação durante pouco mais de dois anos, recomendação médica. Perdi coisa de 20 quilos dos quais já recuperei quase uns 10!Quanto à quadra, sim. Ela ainda está lá. Pela manhã recebe uma pá de cabeça-branca, projeto da Prefeitura, fazendo ginástica ao ar livre. Durante o dia, e nos finais de semana, tem pelada direto! Como as que você freqüentava, seguramente. Beijo, mano. Saudade sua.E Ronaldo: você não virou celebridade, rapaz. Você é uma celebridade tijucana. Neguinho é que não sabia! Abração.

  11. >essa sapataria sempre foi um misterio para mim, é o verdadeiro tunel do tempo nos levando para o século XIX, é incrível que ainda dê algum lucro, uma pérola na cidade que deveria ser vistada e tombada pelo IPHAN… bj

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