>RUA DO MATOSO – A SÉRIE – BASTIDORES IV

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Quando nós quatro (eu, meu velho pai, Felipinho Cereal e Luiz Antonio Simas), nesse segundo giro pela rua do Matoso, pela carioquíssima rua do Matoso, sábado passado, 06 de setembro, às oito e meia da manhã aportamos no CAFÉ E BAR SÃO JOSÉ TRÁS OS MONTES – ou TRÁS OS MONTES, para os mais chegados -, pedimos a primeira casco-escuro, o Simas estrilou:

– Eu tô fora. Tô tomando antibiótico.

– Mas cerveja é remédio, meu caro. E não afeta os afeitos do antibiótico – foi o que disse um sujeito de boina, sentado num banquinho diante do balcão, a quem não conhecíamos.

– É? Tem certeza? – disse um Simas já estendendo a mão em direção ao copo americano diante de si.

– O amigo já ouviu falar em florais?

– Por alto.

– Florais de bar, amigo. Dentre eles, a cerveja é um dos mais eficazes. Vá sem culpa!

E o Simas foi atrás do conselho do caboclo.

Um copo, dois copos, três copos, e nosso herói, tomando antibiótico por conta de uma sinusite capaz de lhe deixar surdíssimo, pondo as mãos em concha sobre as próprias orelhas – vermelhíssimas, diga-se – disse:

– Sabem que estou ouvindo perfeitamente?!

O caboclo (foto abaixo) disse apenas:

– De nada, amigo! – e riu.

visão do interior do buteco SÃO JOSÉ TRÁS OS MONTES, na rua do Matoso, por volta das 8h30min de sábado, 06 de setembro de 2008, Tijuca

O destaque absoluto desse segundo passeio – e sem nepotismo! – foi meu velho pai.

A foto que fiz do meu velho (que pode ser vista em tamanho gigante aqui) e que publiquei aqui (RUA DO MATOSO – A SÉRIE – BASTIDORES III), é fidelíssima ao sábado, e vou tentar explicar a vocês o por quê dessa peremptória afirmação.

Na foto, vê-se meu velho, o velho Isaac Goldenberg, pai de Eduardo Goldenberg, Fernando Goldenberg, Cristiano Goldenberg, Fernando José Szegeri, Felipe Quintans Gomes, em estado de graça.

Já lhes disse isso ontem, mas quero ir mais fundo. Antes, porém, uma verdade: foi assim no primeiro passeio, foi assim no segundo passeio… Os olhos de meu pai são fundamentais para a prospecção a que nos propomos quando decidimos correr a rua do Matoso. Meu pai tem olhos que não temos, ainda. Coisas da tal experiência de vida que só o correr dos anos dá. Meu pai vê detalhes que nos escapam, meu pai viveu o que ainda não vivemos, aquela rua, aquelas lojas e o bairro conhecem meu velho há mais de sessenta anos e o peso desses sessenta e tantos anos é que dá a ele a dimensão que ele toma, sem dela dar-se conta, a cada passo, a cada fala, a cada observação, a cada pergunta feita a um comerciante, a cada olhar – como o que captei na fotografia a que me refiro.

Esse olhar, carregado de uma tristeza que não sei de onde vem, brilhando como os de uma criança que se deslumbra com o novo, esse olhos atentos como que percrustando a alma do interlocutor, essa mão no queixo evidenciando que a cabeça vai longe em busca de segredos novamente trazidos à tona, a testa que franze acusando uma atenção aguda, esse pé de comigo-ninguém-pode atrás de meu velho, tudo isso é atestado fiel do que vai no coração e na alma desse meu pai, um menino a quem eu amo a cada dia mais.

Até.

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8 Comentários

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8 Respostas para “>RUA DO MATOSO – A SÉRIE – BASTIDORES IV

  1. >Du , please…….. assim voce me ” mata “….. bjs !!

  2. >O teu pai, que é meu também, é fundamental nos passeios, impõe respeito. O sucesso da RUA DO MATOSO – A SÉRIE deve-se muito ao velho Issac. E ainda por cima estamos aproveitando para aprender muitas malandragens boas com este belo homem. Beijo.

  3. >Belo texto como sempre Edu, esta “lente” de vocês realmente é especial !! Esse trabalho vai ficar show !!Simas , o álcool e o antibiótico , é a mesma história do mito antigo da manga com leite, dos escravos. Os médicos não gostam muito desta mistura com a droga , certo ?? Porém não corta o efeito como dizem, é apenas aconselhável. Sei disto por ter trabalhado com um cardiologista renomado lá pelo os meus dezessete anos e já sofria com este dilema. Confesso que mesmo assim toda vez fico ressabiada, mas lenda por lenda, prefiro tomar a cerveja. A sinusite melhorou ?? Isso é que importa.Um forte abraço a todos da “equipe”.

  4. >Os medicos aas vezes proibem a ingestao de alcool durante o tratamento com antibiotico pois a bebedeira pode fazer o cara esquecer de tomar o remedio na hora certa, ferrando todo o tratamento.Dizem que a proibicao de ingerir alcool quando se estah tomando antibiotico nasceu com a descoberta do tratamento da sifilis. Os medicos achavam que se o cara bebesse, nao apenas esqueceria de tomar o remedio como tambem ficaria mais propenso a ter relacoes sexuais, espalhando a doenca.

  5. >A série sobre a Matoso tá brilhante! Me fez sentir saudade do pequeno trecho por onde eu passava, diariamente, ali entre a Haddock Lobo e a Barão de Itapagipe, pra chegar ao estágio, na Santa Alexandrina, já no Rio Comprido.

  6. >Mato nada, meu pai. Deixa de onda! Beijo!Pois é, Cereal, e o velho fica de onda anunciando que não vai… Quando marcarmos o terceiro passeio, já sabe: bombardeamos papai com emails exigindo sua presença! Beijo.Monica: obrigado. A gente está mesmo fazendo tudo com um tremendo carinho pra que a coisa fique bem legal. Tomara que você goste. Beijo.Betinha: ô, saudade danada que aumenta cada vez que flagro você aqui no imaginário balcão… Beijo enorme!Bezerra: seja bem chegado de volta ao balcão! Grande Santa Alexandrina… rua em que papai morou durante muuuuuuuuuuitos anos! Forte abraço.

  7. >Eu estou todo dia aqui, mesmo quando nao dou pitaco. Ajuda a controlar a enorme saudade.Beijo grande!

  8. >Mano, assino embaixo cada palavra. C-A-D-A P-A-L-A-V-R-A. Como você gosta de dizer, pra bom entendedor…Betinha, querida: só se servir pra controlar a TUA saudade. Porque a nossa…

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