>A PAIXÃO ESPRAIADA

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Fernando José Szegeri, já lhes contei quando escrevi o texto O SZEGERI E O TARCÍSIO MEIRA, em 22 de setembro de 2006 (que pode ser lido aqui), é um macaco de auditório do ator global, o marido de Glória Menezes, o pai do Tarcisinho, nosso eterno D. Pedro I. Vez por outra, e quase sempre intramuros, o homem da barba amazônica faz questão de declinar sua admiração, sua fascinação, sua fixação, e eu sou capaz de dizer sua obsessão pelo Tarcísio Meira. Ocorre que, dia desses, o troço ganhou proporções extramunicipais, já que Fernando José Szegeri foi obrigado a fazer suas declarações fora de seu território, e vocês vão entender o por quê.

Numa dessas sextas-feiras, pouco depois do horário do expediente, Fenando Szegeri e Arthur Tirone, o queridíssimo Favela, tomaram um ônibus em direção à Campinas com o exclusivo e justificado objetivo de encontrarem o Bruno Ribeiro para, digamos, uma conversinha à mesa de um bar.

Sentaram-se, os três, no PÁTRIA FUTEBOL CLUBE (você pode conhecê-lo aqui), um bar que parece não existir (é esse o depoimento que tenho de quem o conhece).

Beberam – e de tudo eu soube graças a um inacreditável email que recebi de um leitor do BUTECO que, por coincidência, bebia no mesmíssimo bar e que reconheceu o homem da barba amazônica – bastante. O assunto (meu informante prestava uma atenção militaresca à conversa dos três) era futebol. O buteco estava cheio de gente, de muito cabeça-branca, de bêbados honorários, e uma solitária TV, ao fundo, transmitia a novela da oito, A FAVORITA. Foi quando deu-se o seguinte…

Um freqüentador assíduo da espelunca, o Maurílio (gordo, careca, de bigode, enorme, parrudo, desses de meter medo), grita em voz altíssima erguendo o copo de cerveja:

– Eis o homem mais lindo do mundo! Não houve e nem haverá, nunca, um homem mais bonito do que Tarcisão…

E eis o que se sucede.

Fernando José Szegeri (quem conhece o homem da barba amazônica poderá VER a cena), de olhos embotados, ergue-se com os dois braços para o alto, comemorando um gol imaginário, vira-se para o Maurílio (jamais o vira, é preciso que se diga) e diz, aos berros:

– Eu também acho! Sempre achei! Ninguém, ninguém, vivo ou morto, é mais bonito do que ele! O Tarcísio é lindo! É lindo!

E deu de chorar, o Szegeri, abraçado ao Maurílio, que também ficou visivelmente emocionado. Disse, o gordo:

– Chora não, barba! Eu te entendo! Eu te entendo, barba!

Fernando, cujas lágrimas esguichavam sobre a camisa do Maurílio, deu seu depoimento:

– Meu irmão gêmeo! Encontrei o meu irmão gêmeo!

E o buteco, provando com isso ser um bar seriíssimo, passou a discutir, à larga, se o Tarcísio Meira merecia realmente ser considerado o homem mais bonito do Brasil (do mundo, como propôs o Szegeri).

A coisa tomou proporções inacreditáveis. Improvisaram uma urna com uma caixa de papelão de palitos GINA, distribuiram cédulas em guardanapos daqueles de não secar nada, e deu-se a votação, secreta.

Tarcísio Meira ganhou com ampla vantagem. Houve apenas dois votos dissidentes: John Herbert e Cláudio Marzo.

Hilário, também, foi o desdobramento. Contados os votos, um qualquer gritou do balcão:

– Mas ele era mais bonito quando moço ou agora, grisalho como ele está?

Deu-se a balbúrida, interrompida pelo Szegeri, de pé numa das cadeiras do bar, à moda do seu Osório:

– Ele é atemporal, pô! O Tarcísio Meira é o homem mais bonito do mundo desde a fecundação! Bebê, criança, adolescente, adulto, mais velho, hoje, sempre, sempre! Salve o Tarcísio!

E foi assim.

Até.

6 Comentários

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6 Respostas para “>A PAIXÃO ESPRAIADA

  1. >Mais uma antológica crônica de Edu Goldenberg, o diplomata da Tijuca.Uma maravilha, o texto!

  2. >Bezerra: quanto exagero, rapaz, quanto exagero! A crônica – tenha sempre isso em mente! – foi escrita pelo Szegeri e pelo Maurílio! Eu recebi o relato do encontro por email, como contei no corpo do texto, e nada mais fiz do que praticamente transcrever o que chegou a mim. Quanto ao cargo que você me outorga, francamente… Eu tô mais pra veterinário que trata dos cisnes do Itamaraty do que pra membro do corpo, sabe? Abração.

  3. >Tem razão, Edu. Szegeri e Maurílio escreveram a crônica. Perdoe-me pelo meu exagero (notório, diria), mais uma vez, mas a maneira como você a transcreveu – sob teu peculiar estilo, né? – tornou o fato ainda mais antológico. É isso… Quanto ao (teu) cargo, exagero ou não, isso é um troço que eu sempre tive em mente, desde que comecei a te ler, em 2006.Grande abraço!

  4. >Querido, você foi preciso do início ao fim. Devo confessar que os dissidentes foram Favela e eu. Ele votou no Claudio Marzo e eu votei no John Herbert. Beijo!

  5. >Eita ferro! Não há rigorosamente nada a acrescentar. Foi isso que se deu. Bruno, pergunte qualquer dia ao velho Zé Szegeri sobre John Herbert; eram camaradas os dois. Segundo o pai de Fernando José, não tinha pra ninguém; o mulherio só tinha olhos para Jonnhy. Este foi o motivo que o fez manter certa distância do teu galã.Edu, tou com uma saudade demais d´ocêis.Beijo!

  6. >Não, o homem mais bonito do mundo era o Paulo José no filme “Todas as Mulheres do Mundo”.

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