UM BREVE TELEFONEMA

Eu não ia mesmo escrever nada hoje, quarta-feira… A discussão está comendo solta nos comentários no balcão público do BUTECO, e é um prazer – confesso – ver que o Homero, um dos maiores responsáveis pelo êxito grandioso do MITSUBA, apoiou seus cotovelos na área e deu seu pitaco no texto UM PASSEIO PELA TIJUCA (leiam aqui), ver que minha rabada está, literalmente, na boca do povo (leiam aqui), ver as pessoas delirando com uma simples receita de bife à parmegiana (leiam aqui), perceber que a camisa do Antônio Lopes chama a atenção de tanta gente (leiam aqui) ou mesmo perceber que meu modus operandi na cozinha causa tamanha balbúrdia (leiam aqui). Razão pela qual eu, a princípio, preferi deixar o balcão quieto, hoje, pra ver a discussão crescendo nos comentários… Mas qual o quê!

Bateu-me o telefone, há minutos, Fernando José Szegeri, e repito depois de encher os pulmões de ar e de bater uma imaginária continência: Fernando José Szegeri. Diga você também, meu caro leitor, de preferência com os pulmões turbinados, o nome do homem da barba amazônica: Fernando José Szegeri. E preciso, para que o exercício seja exitoso, lhes dizer como se pronuncia, na língua natal de seu último nome (a origem é húngara), o pomposo nome Szegeri. Já fiz isso, é verdade, uma vez, leiam aqui este texto de 21 de junho de 2006 que vocês saberão. Diz-se XÊGERI, sendo que o “g” é o “g” do gato e não o “g” do gerúndio. Mas isso lá na Hungria… Aqui no Brasil dizemos SÊGERI mesmo, ignorando o “z” e mantendo o “g” de gato. E como ele faz questão do nome completo, brademos: Fernando José Szegeri. Vamos ao telefonema.

Estrilou meu celular, a telinha mostrou o homem da barba amazônica flagrado na travessa do Comércio, no velho centro do Rio (ah, as modernidades…), e eu atendi:

– Szegeri!

Ele, do lado de lá:

– Hein?!

– Fala, mano!

– Você me chamou de quê?!

Eu, obediente:

– Fernando José Szegeri!

E ele riu.

Seguiu, o funcionário público:

– Queria que você contasse, hoje, que te dei esse telefonema. – e eu ouvia, ao fundo, o som de uma maçã sendo mordida.

Indaguei:

– Tá comendo maçã?

– Na mosca! E maçã da Turma da Mônica, que eu só gosto das bem ácidas!

Notem bem, meus poucos mas fiéis leitores, que imagem, que imagem!, o homem da barba amazônica, funcionário público, está sentado sozinho em sua mesa na repartição, comendo uma maçã da Turma da Mônica enquanto liga para este que vos escreve. Eu pergunto:

– E queres que eu conte o quê, querido?

– Que te liguei. Apenas isso. Mas escreva lá, Fernando José Szegeri, por favor.

Eu ri.

– Mas tenho que contar do telefonema?

– Eu prefiro. Assim todos ficam sabendo que não te abandonei, como você maldosamente insinuou dia desses. Mas veja lá, mano… Decline meu nome completo, na íntegra, por inteiro!

– Se você preferir…

– Prefiro.

– Escuta… – comecei a provocar.

– Desembucha…

– Teu chefe, teus colegas de repartição, teus desafetos…

– O que é que têm eles?

– Imagina… tascam Fernando José Szegeri no Google, por exemplo, e…

Cortou-me acompanhado do som da maçã sendo roída:

– E daí, maninho?!

– Não te incomoda? – e ouvi o som seco de um sopro, como o de uma zarabatana em funcionamento.

– O que foi isso?

– Isso o quê?

– Esse barulho.

– Cuspi o bagaço da maçã. Não, não me incomoda. O que tem me incomodado mesmo é ler meu nome pela metade, ou seu terço, ou ainda um apelido que não gosto. Quero meu nome em neon, maninho, em destaque sempre que eu for citado!

Eu, com pressa:

– O.K., deixa comigo!

E despedimo-nos.

Eu, que nasci Eduardo Braga Goldenberg, que sou advogado e que ostento em minhas petições apenas o primeiro e o último nome (o que me transforma num judeu na íntegra, o que não corresponde à verdade), eu que lancei um livro que estampa, na capa, também, apenas meu primeiro e último nome, eu que ignoro meu nome do meio até mesmo em meu endereço eletrônico (edugoldenberg@gmail.com), sofri de vergonha depois de mais esse telefonema de meu pomposo amigo.

Meu pomposo e dileto amigo, Fernando José Szegeri.

Até.

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2 Comentários

Arquivado em confissões, gente

2 Respostas para “UM BREVE TELEFONEMA

  1. >Edu, meu caro, quando eu ver o Fernando José Szegeri, no Ó, vou correndo pegar um autógrafo, ô malandro esta famoso. Mais quero o autógrafo com o nome inteiro, risos! PS: A maça da mônica é a melhor Edu! Abraço

  2. >Rodrigo: quando eu vir você vendo o meu mano Szegeri no Ó do Borogodó e pedindo a ele um autógrafo, vou ficar felicíssimo. Mas peça um autógrafo com dedicatória, que vale mais. Um abraço.

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