Arquivo do mês: março 2008

>ROMANCE DE DOMINGO NA TIJUCA

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Vocês hão de se recordar da história que contei, em 11 de fevereiro de 2008, ROMANCE DE DOMINGO NA TIJUCA, que pode ser lida aqui, sobre a abordagem, elegante, feita por um malandro, a quem jamais havia visto, a uma mulher que chegou ao balcão do Bar do Chico enquanto eu esquentava as turbinas depois da feira. Cena hilária, carimbada com o selo T.E.B. (TIJUCA EM ESTADO BRUTO), digna de antologia.

Pois voltei, domingo passado, como sempre, à feira da Vicente Licínio e ao Bar do Chico, na esquina forte da Afonso Pena.

A cena, creiam em mim (sou preciso do início ao fim), foi a mesma. Cheguei-me ao balcão depois de ter deixado as duas bolsas de palha dentro do carro, estrategicamente estacionado em frente ao buteco. Pedi uma mineral gasosa e uma Brahma, que saltou de dentro da geladeira com a penugem de gelo que comove o coração de um biriteiro.

Havia uma única mesa na calçada, e quatro cabeças brancas dividiam cerveja, doses de conhaque, uma porção de provolone e os palpites sobre o Flamengo e Botafogo daquela tarde.

Até que chega uma moça, entre os dezoito e os vinte anos, de vestidinho longo e sandálias Havaianas – brancas. Linda, cabelos ainda molhados, tem sobre ela, cravados, doze olhos sem piscar. Suspende uma bolsa plástica, dessas de supermercado, entrega quatro cascos ao Chico e diz:

– Quatro Brahmas, Chico, por favor.

Um dos coroas da mesa diz em voz alta:

– Você deveria ser detida, menina…

Ela não olha. Entrega a nota de vinte ao Chico, recolhe o troco, toma da bolsa com as quatro garrafas, vai até a esquina, ajeita-se na bicicleta e sai pedalando em direção à praça Afonso Pena.

Um outro velha-guarda, rindo, diz:

– Ô, Portela, qual foi, hã? A menina deveria ser detida? Desembucha, velho!

Seu Portela então levanta-se, o copo de conhaque na mão esquerda, a mão direita em concha exibindo o volume sob a bermuda, e grita:

– Perturbação da ordem púbica, porra!

Foi aplaudidíssimo.

Até.

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>CRÔNICA DE UMA MORTE ANUNCIADA

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Vocês hão de se recordar, mas caso não recordem, irei ajudá-los. Em 16 de setembro de 2006, um sábado, a rua do Ouvidor viveu uma tarde mágica, retratada por mim, humildemente, em LUZES NA RUA DO OUVIDOR, em publicação de 19 de setembro do mesmo ano – leiam aqui. Lendo este texto, vocês verão que na tarde do dia 02 de setembro começou a ser tecida a beleza daquele dia. Os comentários ao texto – do Pratinha, do Simas, do Moutinho, da Betinha, da Guerreira – dão bem a medida do que foi aquilo. E eu fechei o texto com o seguinte parágrafo, do qual destaco o que vai abaixo:

“(…) – a tarde de 16 de setembro de 2006, primeiro capítulo de uma História, maiúscula, que está apenas começando, (…).”

De lá pra cá, meus poucos mas fiéis leitores, a rua do Ouvidor, aquele canto sagrado da cidade onde está assentado o axé que torna única a cidade do Rio de Janeiro, viveu diversos momentos inesquecíveis, mágicos mesmo, tendo quase sempre o samba como protagonista, força capaz de unir ali gente da melhor qualidade em busca de, apenas e tão-somente, samba.

Basta ler ELE MERECIA QUE FOSSE COMO FOI (aqui), sobre o samba dos 40 anos do Rodrigo Folha Seca, UM SÁBADO MAIS QUE CARIOCA (aqui), sobre um encontro marcado de última hora na rua do Rosário, em frente ao Al-Fárábi, OS 40 ANOS DO SIMAS (aqui), sobre a festa do meu mano querido, também na rua do Rosário, FAVELA NO RIO – PARTE I (aqui), sobre a ida do Favela ao samba na Ouvidor, e o mais recente, O PRESENTE DO GABRIEL (aqui), sobre o presentão que eu, sem modéstia, dei a ele neste dia.

Lendo (ou relendo) tais textos, relatos das tardes que vivi na Ouvidor e arredores, percebe-se a beleza que cerca cada encontro dos amigos ali, espontânea e desinteressadamente.

E eis que eu, na sexta-feira passada, sem com isso querer ser o profeta do caos, escrevi UMA SEMANA ANTES… (aqui) alertando para o risco, iminente na minha opinião, de uma conspurcação nociva e fatal para o samba que acontece, aos sábados, quinzenalmente, na rua do Ouvidor.

Sair na capa da revista RIOSHOW, de O GLOBO, alvo de uma matéria que será assinada pelo mesmo homem que assina a coluna PÉ-LIMPO (publicada na mesmíssima revista), representará – torço, no fundo, para que eu me engane – um gigantesco retrocesso no processo espontâneo (repito propositalmente) que gerou cada um dos sambas da Ouvidor. A decisão, que não me cabe contestar, de tornar quinzenal a roda de samba já foi, de certo modo, um golpe nessa espontaneidade que dava ainda mais beleza a tudo. Mas o troço ainda se mantinha, mesmo com notado crescimento no fluxo de pessoas, miúdo, contido, bonito demais (também repito de propósito, pô!).

Os efeitos, depois de ser capa, nesta próxima sexta-feira, da revista que já exaltou o que há de pior na cidade, são impossíveis de dimensionar. Mas facilmente detectados antes mesmo da publicação: gente estranha no pedaço que pode dar ao samba da Ouvidor o mesmo destino que tomou e sufocou, à beira do insuportável, o Samba do Trabalhador e o Samba Luzia – para ficar apenas nesses dois (pigarro) eventos.

Até.

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>UMA SEMANA ANTES…

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… quero avisar, meus poucos mas fiéis leitores, justamente para que, na sexta-feira que vem, eu possa dizer a vocês:

– Eu não disse?

capa da revista RIOSHOW, encartada em O GLOBO, de 14 de março de 2008

A revista RIOSHOW, encartada às sextas-feiras em O GLOBO, traz hoje paupérrima matéria sobre os painéis espalhados pelos bares da cidade. Paupérrima porque não há nada de original no tema (batido e rebatido inúmeras vezes na pobre imprensa carioca) e porque, também, não conta nada de novo ou de interessante. Dito isso, em frente.

Já que falei em pobreza, notem, assim, de passagem (nem me darei ao trabalho de me debruçar e vomitar sobre o assunto), a capa da revista PROGRAMA, encartada no JB, também às sextas-feiras. O empregado do jornal (ou freelancer, não sei…), de nome Carlos Braga, dá espaço a esse crime, esse nojo, essa conspurcação do chope, sugerindo misturar a sagrada bebida ao uísque, à vodka, à cachaça ou mesmo a um licor. Sem comentários.

capa da revista PROGRAMA, encartada no JB, de 24 de março de 2008

E já que falei em conspurcação, temo que saia conspurcada, depois da matéria que será publicada na sexta-feira que vem na revista RIOSHOW, a gloriosa roda de samba quinzenal que acontece na rua do Ouvidor.

O mesmo cara que assina a matéria de hoje, na RIOSHOW – o responsável pela também quinzenal coluna PÉ-LIMPO, publicada na mesmíssima revista – assinará uma matéria sobre os antológicos sábados naquele canto da cidade. Espero, francamente, que não destrua o que há de mais bonito naquilo ali.

Até.

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MELLO MENEZES É O TAL!

O grande programa de sábado passado, 08 de março de 2008, foi a mega-comemoração dos 70 anos desse grande sujeito que é o Mello Menezes, e que mobilizou mais de 300 pessoas, entre amigos, amigas, ex-mulheres, fãs, amantes, ex-amantes, filhos e filhas que se dispuseram a embarcar, às 10h30min, numa barca para Paquetá que foi, durante os 70 minutos de travessia, um verdadeiro furdunço com direito à roda de samba e tudo. Lá, uma feijoada servida no Paquetá Iate Clube, mais samba, uma decoração nababesca incluindo burrinhas (para ver as burrinhas em ação, clique aqui), pipas e muita alfazema no ar.

Leo Boechat, o Bemoreira, Mello Menezes e eu, Eduardo Goldenberg, Paquetá Iate Clube, 08 de março de 2008

Em homenagem ao Mello, amigo querido, gênio da raça, com a licença de Jayminho Vignolli (cantando e tocando na gravação caseira) e Aldir Blanc (autores da marcha comemorativa), MELLANDO AOS SETENTA, cuja letra segue abaixo (ouça o áudio, no final do texto):

“Refrão:

Mello Menezes é o tal:

70 Anos no pau.

Ele não fica à míngua

porque cai de língua

se a pane é total

I

O Mello administra o patrimônio

com Santiago, Henrique Méier e Sidônio.

O Mello mata o pau e mostra a cobra.

Aos setentinha, ele entra, mas não dobra…

(Repetir o refrão)

II

Mello é leal, elegante e se desdobra:

se uma amiga está carente, aceita a sobra.

Nada de orgulho, se o assunto é sacanagem.

O Mello é pau pra toda obra!

(Repetir o refrão)”

http://www.divshare.com/flash/playlist?myId=3964328-d43

Até.

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>A QUINTA BATA!!!!!

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A vida é mesmo feita de surpresas, às vezes as mais inesperadas e inusitadas. Lembram-se do texto que inaugurou a série DO BALCÃO AO DIVÃ, publicado em 18 de janeiro de 2008? Leiam aqui.

Nele contei sobre minha inacreditável decepção com as quatro batas que ganhei da Fumaça depois da expectativa por cinco – basta ler e você entenderá.

Não é que acabo de receber, por SEDEX, a quinta bata com este bilhetinho?

bilhete da Fumaça recebido em 12 de março de 2008

Surpreendente, a Fumaça, que, aliás, chega ao Brasil, novamente, no domingo que vem, dia 16 de março. Com mais batas, espero! Desta vez, prudentemente, ela não me prometeu nada!

Até.

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NÃO TEM ERRO!

A falta agudíssima de tempo que me impede, desde o domingo, de vir ao balcão dizer alguma coisa, não me impede de, hoje, vir aqui, de passagem, para dar a vocês, meus poucos mas fiéis leitores, uma dica quentíssima, estilo não-tem-erro.

Cristina Buarque e o Samba da Ouvidor
Cristina Buarque e o Samba da Ouvidor

Isso mesmo. Cristina Buarque, que no final do ano passado apresentou-se em antológica tarde em Paquetá ao lado dos caboclos do Terreiro Grande (veja e leia aqui), com quem gravou antológico disco, se apresentará na sexta-feira, depois de amanhã, no legendário Democráticos, na Lapa, ao lado dos seis garotos que, de 15 em 15 dias, estão escrevendo história na rua do Ouvidor: em ordem alfabética, para não ferir suscetibilidades, Tiago Prata, Anderson Balbueno, Fábio Cazes, Gabriel Cavalcante, Jorge Alexandre e Júnior de Oliveira.

Ordem alfabética com Tiago Prata na frente? – me perguntarão os chatos observadores de plantão.

Porra! O blog é meu e os critérios são meus. O querubim tem de vir sempre na frente. E tenho dito.

Até.

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>SALVE A TIJUCA!!!

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Saiu n´O DIA de hoje…

matéria publicada no jornal O DIA de 09 de março de 2008

Até.

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