>ROMANCE DE DOMINGO NA TIJUCA

>

Vocês hão de se recordar da história que contei, em 11 de fevereiro de 2008, ROMANCE DE DOMINGO NA TIJUCA, que pode ser lida aqui, sobre a abordagem, elegante, feita por um malandro, a quem jamais havia visto, a uma mulher que chegou ao balcão do Bar do Chico enquanto eu esquentava as turbinas depois da feira. Cena hilária, carimbada com o selo T.E.B. (TIJUCA EM ESTADO BRUTO), digna de antologia.

Pois voltei, domingo passado, como sempre, à feira da Vicente Licínio e ao Bar do Chico, na esquina forte da Afonso Pena.

A cena, creiam em mim (sou preciso do início ao fim), foi a mesma. Cheguei-me ao balcão depois de ter deixado as duas bolsas de palha dentro do carro, estrategicamente estacionado em frente ao buteco. Pedi uma mineral gasosa e uma Brahma, que saltou de dentro da geladeira com a penugem de gelo que comove o coração de um biriteiro.

Havia uma única mesa na calçada, e quatro cabeças brancas dividiam cerveja, doses de conhaque, uma porção de provolone e os palpites sobre o Flamengo e Botafogo daquela tarde.

Até que chega uma moça, entre os dezoito e os vinte anos, de vestidinho longo e sandálias Havaianas – brancas. Linda, cabelos ainda molhados, tem sobre ela, cravados, doze olhos sem piscar. Suspende uma bolsa plástica, dessas de supermercado, entrega quatro cascos ao Chico e diz:

– Quatro Brahmas, Chico, por favor.

Um dos coroas da mesa diz em voz alta:

– Você deveria ser detida, menina…

Ela não olha. Entrega a nota de vinte ao Chico, recolhe o troco, toma da bolsa com as quatro garrafas, vai até a esquina, ajeita-se na bicicleta e sai pedalando em direção à praça Afonso Pena.

Um outro velha-guarda, rindo, diz:

– Ô, Portela, qual foi, hã? A menina deveria ser detida? Desembucha, velho!

Seu Portela então levanta-se, o copo de conhaque na mão esquerda, a mão direita em concha exibindo o volume sob a bermuda, e grita:

– Perturbação da ordem púbica, porra!

Foi aplaudidíssimo.

Até.

13 Comentários

Arquivado em Uncategorized

13 Respostas para “>ROMANCE DE DOMINGO NA TIJUCA

  1. >Esses romances de domingo na Tijuca estão merecendo destaque para uma futura antologia, Edu. Muito bons e criativos!

  2. >Acho que o fato de a garota ter ido ao Bar do Chico de Havaianas brancas (e eu posso imaginá-la com as unhas de seus pés – lindos, suponho – pintadas de vermelho), por si só, já é uma tremenda pertubação de ordem pública!

  3. >Bola fora, Bezerra, bola fora. Além da menina a que me refiro (eu estava lá e sou preciso do início ao fim) estar com as unhas sem nenhuma pintura (com a ênfase szegeriana) – o que é infinitamente mais bonito, unhas pintadas de vermelho não fazem sucesso na Tijuca -, a perturbação a que se referiu o coroa foi de outra natureza, acho que você não entendeu. Abraço.

  4. >Edu,Estamos diante de um bando de pedólatras ou pedófilos? ;)Fraga Jr

  5. >Bola fora, mesmo, Edu. Acontece…Abraço.

  6. >Concordo com o Marcelo. Esses textos são ágeis, curtos, geniais, inventivos e muito engraçados. Coletânea!

  7. >Foi por isso que ela demorou a chegar lá em casa com as brahmas! Vou contratar outra motogirl da próxima vez, cacilda!

  8. >Tijuca mesmo.. se fosse aqui no Lins ou adjacências seria uma criatura de pé rachado com o esmalte descascando e aquela sola grossa e amarelada.

  9. >Bola fora, Fraga Jr., bola fora… O Lins – como nenhum outro bairro do país – de fato não é a Tijuca, onde moram as moças com as coxas mais lindas do mundo, na insuspeitada opinião do grande Lan. Mas o Lins, meu caro, o Lins tem suas moças em flor. Rigorosamente lamentável sua visão estrábica quanto a isso. As donas dos pés a que você se refere estão em todos os lugares… Mas não são as moças como a moça a que me referi. Bola fora. Mesmo. Abraço.PS: vetei, há pouco, o comentário anônimo de um covarde-de-merda que sugeria a você alugar um apartamento na Barra da Tijuca. Um otário, como se vê, além de covarde.

  10. >auhauu Edu. Eu odeio a Barra da Tijuca. Bola fora mesmo prezado causídico.Vai ver que eu estava sem óculos: ) Da próxima vez não vete. Eu adoro uma boa briga.Abraços!

  11. >Sangue nos olhos, pau na mesa e chapa nos peitos todo mundo quer ver. Mas zé-mané aparecendo no buteco pra criar confusão não rola, né? Melhor deixar vetado o babaca covardão.Como o mais recente morador da Tijuca aqui do Boteco, sou obrigado a concordar com o Edu… Que meninas! Em especial uma morena que avistei por duas vezes ali na Afonso Pena, perto do restaurante chinês…

  12. >Edu querido, todo bom tijucano já presenciou histórias bem parecidas como esta. Uma, especialmente parecida, num bar, cujo nome não vou conseguir lembrar, que fica no lado esquerdo da Rua Marquês de Valença. Parei um dia por lá pra pedir um pouco de açúcar e passou pela frente do bar uma moça bonita, como a da sua história. Os homens todos do bar voltaram para casa com torcicolo. Enfim, lembrei disso por causa não só da história, mas por causa dos belos azulejos do tal bar.Grande beijo,Diniz.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s