E O JB SE MEDIOCRIZA…

É puto dentro das calças, ainda revoltado com a indicação de Carlos Alberto Direito para ocupar a vaga vaga (é de propósito!) no STF (pra quem não se lembra, o douto magistrado foi Secretário de Educação do governo Moreira Franco – a única pessoa no mundo que não tem serventia alguma, apudFausto Wolff – e responsável direto pelo desmonte dos CIEP´s) que transcreverei, hoje, mais um brilhante texto de autoria desse monstro que atende pelo nome de Aldir Blanc, glória da música brasileira, gênio das letras cariocas, de quem sou dileto amigo.

Este texto, meus poucos mas fiéis leitores, seria – eu disse seria – publicado no JB de amanhã, como de costume. Acontece que o outrora glorioso JB prossegue sua queda livre, ladeira abaixo, se mediocrizando a olhos vistos. Junto com o Aldir, o jornal dispensou, também – notem minha elegância… – o Nani.

O JB faz, assim, sua infeliz opção, e alia-se a essa prática cada vez mais comum nos jornais brasileiros – e falo aqui, particularmente, dos cariocas: o de dar voz e vez a quem não tem nada de interessante, de substancial, de importante – rigorosamente nada – para falar. Gente que diminui o jornalismo.

Com a palavra, então, Aldir Blanc, que terá a palavra, aqui no balcão do BUTECO, sempre que quiser:

MAIS VELHINHOS BIRITEIROS

Desde que os amigos Jaguar e Fausto Wolff ficaram impossibilitados de beber por ordens médicas e me pediram para honrar seus múltiplos compromissos etílicos, tenho me esforçado para fazer jus a esse trabalho. Eu, um vira-latas da Zona Norte, vertendo underbergues e steinhagers, que não são a minha praia, jogando no ataque por um Jaguar e um Lobo… Devo confessar que, de uma semana para cá, não os representei com o senso de profissionalismo que a nobre tarefa exige. Eu vinha entrando no quarto de muletas (joelhos com síndrome de Torres Gêmeas) e vi no chão, tarde demais, “A Vontade de Poder” de Nitzsche. O cirurgião que me operou em 1991 havia feito a advertência:

– Coisas largadas no chão, uma folha de jornal, livros, uma peça de lego, tudo isso pode ser mortal!

Bom, a muleta deslizou no Nietzsche (tá aí uma expressão bacaninha: hei, cara, tu tá deslizando no Nietzsche, tipo “escorregou na maionese”) e levei um tombo digno de um trapezista – sem redes. Agora, só chamo o tal livro de “Vontade não é Poder”. Fiquei uns dias sem biritar, tomando remédios mais destrutivos que a cervejinha e, não mais que de repente, li uma frase extraordinária do Jaguar, solta no meio do texto “Lucro Líquido”, que nem terrorista larga mala com bomba em saguão de aeroporto: “dias intermináveis”. É a pura verdade e dói mais que o retrato de Itabira na parede do Poeta. Pensei em meus dois companheiros de infortúnio, ergui-me do leito e tomei, pela ordem, uma pilsen Therezópolis Gold, uma Original, e uma belga Stella Artois . Pouquinha coisa, mas não é que o danado do dia passou mais rápido?

DISNEY WAR

Leio que os norte-americanos montaram um parque temático semelhante ao, pasmem, Iraque, logo na Louisiana, onde cabra pasta Cheetos. Gastaram uma nota preta. Que desperdício! Bastava o Bushetta no poder usar a cidade destruída pelo furacão Katrina, Nova Orleans, que ficou – a parte mais pobre e negra – dias sem socorro, com cadáveres boiando pelas ruas, graças à omissão do Comandante-em-Chefe das Forças Armadas de lá. Parece que Nova Orleans chegou a ser cogitada mas um tecnocrata objetou:

– O clima do Iraque é mais seco.

Bobagem. As ruas de Nova Orleans estão encharcadas de sangue.

A FLORESTA DE BIALOWIEZA PUSZCZA

Economia de “mercado”, “liberdade” de comércio, neo-liberalismo, tudo somado é igual a caos. Lendo “O Mundo sem nós”, de A. Weisman, descubro que a floresta acima resistiu a séculos de domínio polonês, à Primeira Guerra Mundial, à invasão soviética, à caça predatória e destruição de madeiras nobres, promovidas por nazistas loucos de fome e frio, etc. Só não resistiu à democratização da Polônia, cujas otoridades, depois de restaurados os “livres” isso e aquilo, começam a destruí-la. O argumento é digno de um José Sarney: “Estamos cortando a madeira para restabelecer o caráter original das árvores”. A Polônia está ferrada. Seus políticos mentem mais que Réu-nan Ca(n)galheiros, o que não é brincadeira. Enquanto isso, Vargas Llosa escreveu um artigo precioso denunciando o regime “autoritário e racista da Rússia de Putin”. A grande contribuição da queda dos soviéticos foi o afluxo de estrelas para o cinema pornô norte-americano. Se considerarmos que Baby Bush criou cárceres secretos na Polônia e na Romênia para melhor torturar e matar, não estamos tão distantes assim da Cortina de Ferro. Quando a coisa piorar, Bush Mouse corre pro bunker (Bunker… onde foi que eu li essa palavra antes? Ah, que memória a minha! Foi o esconderijo final de Adolf Hiltler).

EDUFARDO AZEDINHO

Pois é, senadô Azeredo, é possível que os que se esforçam para dar uma cara verde e amarela ao Canal Brasil lhe pareçam desinteressantes – mas também não estamos metidos com a caixa 2 de campanha do “publicitário” Marco Valério. Uma sensível diferença entre nós e Vossa Excrescência, não acha? Por isso, nós do Canal Brasil, nos sentimos honrados com sua defecção (não confundir com defecar. Isso o senadô já faz no mandato). Há momentos, na vida pública brasileira, em que são preferíveis os Bob Jeffersons e os Réu-nans. Pelo menos não bancam o santinho do oco (não acredito que farsantes desse calibre tenham pau).

Aldir Blanc”

Até.

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10 Comentários

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10 Respostas para “E O JB SE MEDIOCRIZA…

  1. >É Edu, esse tal de Supremo tá cada vez mais assustador… Sobre o Aldir, só a lamentar. Comecei a acompanhar suas palavras na finada Bundas, sendo ele um dos meus favoritos (as músicas são de antes).Triste o destino dos meios de informação.Abraços!

  2. >é, edu… o outrora combativo jotabê vai ladeira abaixo que nem caminhão sem freio. chega a ser patética a situação. a minha mulher assina, e eu morro de pena quando leio. o caderno da minha gloriosa niterói então… e agora tiraram o aldir, o mais carioca dos cariocas e o nani, que dispensa comentários. que pena…

  3. >O futuro ministro chorou ontem, ao ser questionado pelo Sen. Jeferson Perez sobre seu voto a favor do pagamento de honorários milionários pela Petrobrás ao escritório no qual trabalhava seu filho (agora Juiz aqui do RJ). Se não me engano a Petrobrás, quando descobriu o liame entre eles, pediu que tal decisão fosse anulada. É uma pena que o Tribunal mais importante do País, repetindo o que acontece na administração pública, tenha seus cargos preenchidos por indicações políticas… Técnicos neles !!!Abs,

  4. >DEVO CONFESSAR (a caixa alta é minha, Edu, mas as palavras são tuas) que, ao saber que o Aldir Blanc foi dispensado das páginas do B, perdi tragicamente o chão, a razão, a emoção – e a esperança-equilibrista! Porra!, cara, são ininterruptos dois anos de fidelidade e dedicação às palavras do Blanc!Quem duvidar disso, e quiser conferir minha pasta de recortes de jornais, verá as vaaaárias dezenas de crônicas assinadas pelo freqüentador do Bar K. Tá lá na pasta, inclusive, uma reportagem feita pelo Segundo Caderno em homenagem aos seus 60 anos, onde ele diz ao reporter que “viver é perder pedaços”. (Uma ressalta, Edu: foi um amigo meu, sabendo que sou fã do mais ilustre morador da Muda, quem me indicou o teu blog – que, até então, eu desconhecia -, recomendando-me a leitura da entrevista feita com o Aldir.)Sempre que me perguntavam qual o meu cronista predileto, eu, com um sorriso moleque estampado na minha fuça (feito esses garotos que, de cara, sabem dizer quais os seus super-heróis favoritos) respondia: Aldir Blanc.Hoje mesmo, durante uma aula da faculdade, com a voz carregada de orgulho e satisfação, eu disse à professora e aos demais da sala que, desde o semestre passado, já tinha definido o tema da minha monografia: Aldir Blanc.Creio que, daqui em diante, não hajá mais motivação, euforia, alegria, entusiasmo, ansiedade infantil que me faça ir às bancas nas sextas, como eu ia sagradamente, pra comprar o JB e, conseqüentemente, ler o Aldir.Não fosse você, Edu, publicar no teu balcão as palavras do Blanc, minha semana seria comovidamente mais plúmbea, soturna.(Desculpe-me a extensão de minhas palavras.)

  5. >Parabéns ao Aldir. É uma honra ser afastado dessa merda!

  6. >hum… palavras do Aldir são mais gostosas aindas que a T. Gold!Ai, o Direito é uma vergonha p a profissão.

  7. >cara eduestou chegando agora…sou de Bauru Sp e descobri o blog hoje. Leio o Fausto, Aldir, Nani no JB diariamente via net e imprimia aquela página,desde que saiu com o formato novo.É o melhor espaço do JB.Quado vi que Aldir não saiu hoje,escrevi para o e-mail do Fausto e fui batucar o nome do Aldir no Cadê. Lá pintou seu blog. Fiquei maravilhado e já imprimi as entrevistas do Fauto, do Aldir e o M.Luz: final de semana de prazer e contentamento.Só não paro de ler o JB, pois Fausto continua por lá, do contrário…Parabéns pelo blog,de quem serei viciado leitor e comentarista.Adorei tudo o que encontrei por aqui.abracitos do sertão paulistaHENRIQUE PERAZZI DE AQUINO – BAURU SP

  8. >Seja bem chegado, Henrique!

  9. >Edu,será que agora o Aldir vai preparar o site??? Na entrevista concedida ao Buteco ele disse que pensaria nisso quando fosse demitido de mais um jornal… Abraço, Mitke.

  10. Pingback: EU SOU UM HUNO | BUTECO DO EDU

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