>FESTA FECHADA, SINUCA DE BICO

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Conforme eu já havia lhes contado aqui, aqui e aqui, foi ontem, e foi ótima!, a festa de aniversário, a comemoração oficial, o rega-bofe restrito, a pândega particular, a reunião mais fechada que cabaço de Honório Gurgel, apud Aldir Blanc, na qual Rodrigo Ferrari, esse poço artesiano de doçura, recebeu não mais do que vinte amigos para – notem que clássico! – soprar quarenta velinhas.

E por que festa fechada – alguns hão de perguntar -, por que sinuca de bico, por que esse título para o texto de hoje? Vou explicar, como sempre. E com a precisão que me é companheira.

Antes, porém, brevíssima digressão.

Adivinhem se o Szegeri veio…

Não.

Não veio e não telefonou – estou falando de um mísero, um árido e único caridoso telefonema – para desejar um gélido e protocolar “parabéns”. E isso, meus poucos mas fiéis leitores, isso depois de uma semana inteira de apelo público para que o fizesse. Depois de dezenas de emails sem qualquer resposta. Depois da intervenção – eu sei que houve, e mais de uma! – de alguns amigos que, solidários com a ansiedade ferrariana, cutucaram Fernando Szegeri, esse iglu – não é um homem, mas um iglu! -, implorando atenção a meus pedidos. Voltemos ao palpitante tema de hoje.

No sábado, durante a comovente festa pública realizada na rua do Ouvidor – leiam aqui sobre a festa – o Digão veio a mim, à certa altura, em desespero, as mãos enormes esfregando o rosto:

– Pô, velhinho… Tu me criou mó encrenca…

Eu, que já sabia do que se tratava, disse apenas:

– É? E o que é que tá pegando?

– Tá todo mundo vindo me perguntar sobre a festa de terça-feira, velhinho…

Eu, sem tirar os olhos do fundo do copo:

– Manda vir falar comigo. Fala que eu tô organizando.

E ele então sorriu aliviado:

– Beleza, velhinho!

E tascou-me um beijo na testa.

Chegam-se, então, menos de dez minutos depois, dois caras a quem eu não conhecia. Eu não os conhecia e tinha certeza absoluta de que o Digão também não os conhecia. Além de nunca tê-los visto, um verdadeiro amigo, ou mesmo um colega eventual, não se prestaria a tal papel.

Um deles – os dois, um com o braço por cima do pescoço do outro – abrodou-me com tapinhas nas costas, arma antiga dos caras-de-pau mais toscos.

– Você que é o Edu, do BUTECO?

Não respondi mas ergui os olhos.

– Então… qual é a dessa festa fechada de terça-feira?

Aí eu me animei:

– Pô… fala baixo aí…

Eles se entreolharam, empolgados, e concordaram comigo com meneios de cabeça.

Continuei, falando baixinho, pondo os braços em torno dos dois:

– Vocês não estão sabendo?

E eles numa excitação louca:

– Não! Não!

E eu:

– De nada? De nadinha?

Quase malucos:

– De nadinha! Conta, conta, conta!

– Não sabem de nenhum detalhe?

Sôfregos e juntos:

– Não…

Daí eu levantei a cabeça, desfiz o círculo que formávamos e disse:

– Então…

Pigarreei, dei um vigoroso gole de cerveja e emendei:

– … é porque vocês não foram convidados. Estão limados. Estão fora…

Precisei repetir tal performance mais umas três ou quatro vezes.

O que foi – Digão há de concordar comigo! – conveniente. A festa de ontem – minha bisavó diria – não teve um senão!

Até.

1 comentário

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Uma resposta para “>FESTA FECHADA, SINUCA DE BICO

  1. >como tem gente cara de pau!!!!

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