>MENINO DE 67

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Eu digo sempre, e não deixarei de dizer nunca – e isso é fruto da educação que recebi, que me fez desse jeito, um homem com constante necessidade de agradecer e de ser grato – que a Sorriso Maracanã, a mulher que me ensinou a sorrir, a mulher que fez com que eu me considerasse incapaz de merecê-la – era demais para meus anseios… -, me fez (e me faz, diariamente) um homem melhor. Faço o intróito para falar desse poço artesiano de doçura, Rodrigo Ferrari, que aniversaria hoje.

Dani sabe que sou homem de poucos amigos. Dani sabe que tenho, neles, um de meus maiores tesouros. E Dani sabe, também, que tenho extrema preocupação (e quem não tem?) com meus gestos, na expectativa constante de que todos eles sejam capazes de traduzir, precisamente, o que sinto.

E digo isso porque, nas semanas que antecederam o dia de hoje – lembrem-se de que eu venho tratando o Rodrigo como se ele mesmo fosse o reveillón fora de época -, uma angústia olímpica me aplacava: dar o quê de presente ao malandro?

E isso porque, aos 40 anos, pai de um moleque maravilhoso – o Miguel Folha Seca, leiam sobre ele aqui -, sócio da mais carioca das livrarias, a Folha Seca, encravada na mais carioca das ruas, homem que é verdadeiro amálgama de gente da melhor qualidade que bate ponto ali, no 37 da rua do Ouvidor, sujeito capaz de ganhar, ao longo do ano, presentes irretribuíveis de todo mundo que se encanta com o jeito do menino que se esconde atrás daquele corpanzil, Rodrigo Ferrari tem de tudo.

E é aí – nesse remoinho em busca do presente e do gesto ideal – que entra minha menina.

Rodrigo Ferrari, 15 de julho de 2007

Dani sabe – e isso talvez seja, mesmo, um de meus gravíssimos defeitos – de meu apego aos meus livros, aos meus discos, às minhas coleções, aos meus registros. Sabe que nutro verdadeira paixão, amor – sabe-se lá… – por tudo isso.

E Dani sabe – como sabe das coisas, minha menina… – o quanto eu gosto desse caboclo que torna-se, hoje, um quadragenário.

Razão pela qual me fez ver o óbvio, mediante simples equação de sentimentos e de gestos. Disse-me, com o sorriso mais bonito do mundo, fazendo festinha em minhas mãos:

– Dê a ele, meu querido, um presente irretribuível… Você não gosta tanto de recebê-los?

E vendo-me atônito diante da iminência de me separar de um objeto que me é tão caro, disse-me ainda mais doce:

– Ele vai gostar, Edu…

Amanhã parto em direção à rua do Ouvidor, pra dar um abraço de tamanduá no cara, levando, embaixo do braço, seguramente, um dos maiores xodós da minha coleção do que chamo raridades. Levei muitos anos em busca do troço, tão difícil é (e foi) encontrar a coisa. Difícil como ele, um sujeito raro, cada vez mais raro nesse mundo cada vez mais fútil.

E parto com a certeza de que o tesouro, datado de maio de 1972, quando Digão tinha ainda 4 anos, e eu apenas 3, será capaz de dizer a ele exatamente o que eu não consigo, agora, embaraçado por tudo, por esse turbilhão que me arremessa ao passado nessas ocasiões, escrever.

Até.

5 Comentários

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5 Respostas para “>MENINO DE 67

  1. >Rodrigo, sem dúvida, merece.

  2. >Eu tenho uma invejinha saudável dessa relação tão bonita que há entre os homens e que é tão difícil existir entre as mulheres, muito mais competitivas e pouco dadas a entregas tão efetivas de sentimento. Sorte do Rodrigo ter um amigo como o Edu e sorte do Edu ter um amigo como o Rodrigo. Parabéns, Rodrigo. Você é só mais um “amigo” que o Edu apresenta pra gente. Muita saúde.

  3. >discordo, Marcela. Sempre ouvi esse discurso, mas o entendo e divorciado da realidade. Tive e tenho amigas com as quais tive uma entrega tão forte quanto a descrita aqui. Por outro lado, já ouvi de vários amigos homens relatos de “amigos fura-olho”. Acho q ñ tem nada a ver. Talvez a amizade feminina demore mais a acontecer, mas qd acontece é uma coisa p a vida inteira.

  4. >CARO EDU, DO BOTECO MAIS CHARMOSO DA NET E, POR TABELA, PARA MEU DILETO CONSIDERADO, RODRIGO FERRARI:Eu, cá do meu canto, da distante Bauru SP, conheci Rodrigo poucos dias antes da festa dos 50 anos do Aldir (aquele festão que fizaram lá no Canecão). Passei na sua livraria, acho que lá atrás da praça Tiradentes, junto ao Centro Cultural Hélio Oiticica (foi onde tudo começou, ou foi numa Livraria da Travessa?).Batemos um papo e ficamos amigos de pronto. Sempre que voltava ao Rio, passava por lá e pegava as dicas sobre os acontecimentos.Comprava minhas coisinhas por lá: Tenho um antológico CD do Simpatia é Quase Amor.Depois ele abriu a Folha Seca e toda vez que volto ao Rio, ele promove um samba de prima na rua.Parabéns, meu chapa.Quando voltar aí, vamos juntos “tomar um chopps e dois pastéis”.Abracitos bauruenses,HENRIQUE PERAZZI DE AQUINO – BAURU SP

  5. >Grande Henrique!Andas sumido, hein? Não deixe de passar aqui na Ouvidor 37 na próxima vinda ao Rio.Ah, e antes do Centro de Arte Hélio Oiticica era a Livraria Dazibao (que saudade!) do Paço Imperial.Um abraço,

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