O DIA DOS PAIS DE TIAGO PRATA

O título de hoje – O dia dos pais de Tiago Prata – pode gerar (e vai gerar, com certeza) certa confusão.

Eu não quero que o foco seja o dia dos pais do menino. Mas o dia dos pais do menino. Explico.

Domingo comemora-se o dia dos pais, troço, aliás, tremendamente chato. Eu, por exemplo, filho dedicado que sou, vou, religiosamente, todas as segundas-feiras, jantar com papai e mamãe – e o jantar é, eis um dos grandes prêmios que a vida me dá, uma delícia indizível. O pau ronca à mesa, invariavelmente, mas o afeto que paira naquele apartamento no Alto da Boa Vista semanalmante justifica a romaria semanal. Mas como eu estava dizendo… domingo é o dia dos pais. Deu-me vontade de falar mais um troço.

Só gosta, mesmo, do dia dos pais, o sujeito que abomina, que não tolera, que não suporta seu próprio pai (e o sujeito que não tem, pelo pai, uma adoração e uma idolatria cegas, não é ninguém). A besta passa o ano inteiro sem vontade alguma de ver o velho. Daí, no segundo domingo de agosto, vai ver o coroa com um presente nas mãos (razão precípua da data exclusivamente comercial) e sente-se (todo canalha é assim) o melhor dos filhos no final do dia. Vamos em frente.

Escrevi, dia desses, um texto chamado Prata, a obsessão coletiva – que pode ser lido aqui.

Nele, comento sobre esse desvario coletivo: todo mundo quer ser pai do Prata. Todo mundo quer cutucar um desconhecido durante uma roda de samba, uma roda de choro, apontar pro menino e dizer orgulhoso:

– Meu filho, ó!

Acabei de escrever essa frase e lembrei-me, agudamente, de Sérgio Prata, pai biológico do pequeno gênio – leiam seu verbete aqui. Não bastasse o sujeito ser verbete, é ainda pai biológico do gênio das 7 cordas. Vamos em frente.

Comentando o tal texto, disse José Sergio Rocha, o Zé Sergio, dinda de todos nós:

“Edu, tenho uma notícia triste pra te passar: o Pratinha não é teu filho. Rodrigo, o Digão da Ouvidor, também está enganado. E o Szegeri, tadinho, também. Pra ser honesto contigo, o próprio pai biológico do mais barbeiro dos motoristas não o é, pois também levou bomba no exame de DNA. A figura em questão (cinco fotos!!! quanta viadagem!!!) é, na verdade, filho do Grande Otelo com a Odete Lara. O irmão mais velho dele, também apelidado de Pratinha, fazia anúncio pra Ótica do Povo (morou?). Quem me contou foi o Nei Lopes, que vai verbetar (no bom sentido) o conhecido violonista (e motorista infrator) na próxima edição da “Diáspora”.”

Tiago Prata em SP, 24 de junho de 2007

Vai daí que ontem reunimo-nos, na livraria do meu coração, a Folha Seca, eu, Luiz Antonio Simas e esse poço artesiano de ternura, Rodrigo Ferrari, o Digão Folha Seca.

Cerveja que vai, cerveja que vem, eu tinha justamente acabado de escolher o presente para dar a meu velho pai no domingo, quando o Digão perguntou, coçando a espessa barba grisalha, enquanto embrulhava o livro:

– Será que algum de nós ganhará presente do Prata no domingo?

Estabeleceu-se o caos.

Nos entreolhávamos no instante em que o Digão respondeu à própria pergunta:

– É o mínimo, né?

Eu, tentando me defender de uma eventual decepção no domingo, disse:

– Pra mim não precisa… Nós nos falamos todos os dias… – e mostrei, orgulhoso, o nome do menino na lista de chamadas recebidas de meu celular.

O Simas, pra não ficar por baixo:

– Entre nós não há isso! Ele mora aqui independente de presente! – disse batendo com a mão espalmada no lado esquerdo do peito.

Mas a verdade – a aguda, nua, crua e crudelíssima verdade – é essa: passaremos, os três, o domingo inteiro, esperando um mísero telefonema, que seja, para um singelo “feliz dia dos pais”.

Eu, por exemplo, para evitar decepções maiores, vou ao encontro do menino, que comanda, aos domingos, desde o domingo passado, a roda de samba, a partir das 18h, no Estephanio´s Bar, em Vila Isabel.

Até.

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4 Comentários

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4 Respostas para “O DIA DOS PAIS DE TIAGO PRATA

  1. >Não é a primeira vez que venho aqui; Rodrigo – o Digão – já tinha me recomendado uma entrevista feita por você, faz tempo, com o João Bosco, se não estou enganado. E agora estou voltando, com mais calma, para concluir que o seu blogue, de fato, é muito bom. Estou sem beber (infelizmente!), mas voltarei. Adoro conversa de butequim. Um abraço.

  2. >e essa roda no Estephanio’s, continua por mais alguns domingos? vou lá conferir!

  3. >Agora que estou hospedada por uns tempos na sua Tijuca, vou levar minha Stephania (que, sim, me liga no dia das mães, me dá presente e me mostra o boletim) pra roda de samba do Estephanio’s do seu filho.Ah, crianças…

  4. Pingback: CARIOCA DA GEMA | BUTECO DO EDU

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