GENTE ESQUISITA

Conforme lhes contei aqui, estive domingo no Museu do Açude para assistir ao show da Martn´ália.

Não quero falar do show – que foi bom, antes que algum maldoso insinue o contrário.

Quero falar do evento em si – o pernóstico Brunch Cultural – e do público.

Antes de mais nada, uma confissão, e mais do que uma confissão, uma constatação inatacável: nós, tijucanos, somos simples demais, embora a canalha queira nos impingir a pecha de broncos.

Esta a razão pela qual eu já tive ânsias de vômito quando bati os olhos no cardápio que jazia sobre a mesa. Vamos a alguns – pigarro – destaques: o troço anunciava “mini sanduíches em pita bread”, “vitela magra com molho le diable”, “fiambre de peru com molho thousand island”, “presunto light com creme de provolone e leque de manga”, “lombinho com chutney de amoras”, “flores de presunto cru com noisetes de melão e basilico” e outras merdas do mêsmo gênero – ou seja, tudo coisa de viado.

Pausa.

Falar em “coisa de viado” significa recomendar fortemente o texto fundamental do igualmente fundamental Luiz Antonio Simas sobre o palpitante assunto, leiam aqui. Sem contar que é impossível não lembrar de outro texto do mesmo autor, no qual são relatadas as nojentas experiências vividas numa casa de cultura na zona sul da cidade, leiam aqui. As semelhanças não são coincidência.

E vamos ao público, que fazia “ohs” e “ahs” a cada garfada dada naqueles pratos estranhíssimos e a preços estratosféricos.

Modernosos de tribos bizarras, gente descolada – como gostam de frisar os cadernos culturais (pausa para gargalhar) dos jornais cariocas -, mal vestida para caralho e se achando o máximo, eis que cada gesto, cada passo, cada olhar em volta era dotado de uma espécie de ensaio prévio, onde tudo soa artificial, fútil, desprezível e escroto.

Outra pausa: é evidente que o equívoco pode ser meu, que não entendo picas de moda. Mas eu não posso admitir que seja bonito um troço desses que eu vou descrever.

Senta-se à mesa ao lado da nossa uma mulher que não tem mais do que 35 anos. Veste um troço que nem eu, nem Fefê, nem Betinha e nem Dani definimos. Dani chegou perto quando disse depois de muito analisar a moça:

– Parece uma apicultora!

Manjam aquela roupa especial dos apicultores? Uma espécie de Darth Vader dos campos. Fefê foi menos sutil:

– Feia para caralho…

Os óculos, sem sacanagem, capazes de fazer os óculos do Zé Bonitinho parecerem pincenê – algo desse tamanho aqui, ó!

No restante da platéia, gritinhos de “urrú” a cada samba cantado. Todos sabiam de cor as coreografias (!!!!!).

Os modelitos eram dignos do caderno Ela, editado pelo jornal O Globo, aquela nojeira que sai publicada aos sábados.

É impressionante – e é isso o que eu queria lhes dizer desde o princípio – como a cada dia que passo eu fico mais distante dessa cidade babaca que emerge da zona sul da cidade, a única cidade reconhecida pelos jornalões cariocas, o que faz deles, jornalões, merdas cada vez mais abjetas.

Até.

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5 Comentários

Arquivado em confissões

5 Respostas para “GENTE ESQUISITA

  1. >Você acaba de descrever o campineiro da classe média alta. Aliás, aqui em Campinas não existe classe média típica: ou o sujeito é pobre ou é da classe média alta. E, você há de me perdoar Edu, mas a Mart´nália canta mal que só o diabo. E se não bastasse é chata para caralho. Eu, no seu lugar, não teria encarado o programa nem de graça. Beijo.

  2. >Edu, isso é porque você – acredito eu – nunca tenha pisado em uma dessas raves…Faz sentido ter um monte de disco-voador nesses lugares.Abraços!

  3. >Assino embaixo o comentário pertinente do Bruno. Nem de graça eu vou assistir essa dona. Beijo

  4. >Edu, você teve de aturar essa gente alienígena, descrita em teu texto, tão-somente por algumas horinhas. O pior é eu, meu camarada, que tenho de conviver com eles (veja que martírio!) cotidianamente, visto que, na faculdade onde estudo, essa galera pulula aos montes pelas dependências do prédio – tô fudido, mesmo!

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