MONUMENTAL DOMINGO

Estar com o Fefê é, sempre, garantia de bons momentos. Foi por isso que quando combinamos a ida à feira, ainda no sábado à noite, eu passei a ser um homem dotado de uma certeza: meu domingo seria agradabilíssimo.

Acordei no domingo, como é praxe, antes das sete.

E já sentia, enquanto escovava os dentes, – sou um sentimentalóide mais agudo a cada dia que passa – saudades olímpicas do Simas. Eu já sabia, desde a quinta-feira, que ele e sua doce companheira estariam fora no domingo. E como eu faço a feira com esse carioca máximo há não sei quantos domingos, nada mais natural do que sentir-lhe a falta de maneira olímpica.

Lá fui eu à feira e lá fui à barraca de pastel com caldo de cana, o ponto de encontro de todos os domingos. Foi quando chegou o Fefê, e eu passei a ser, dali em diante, um homem em estado de graça. Não sei quanto a vocês, mas eu sofro uma espécie febril de carinho pelo meu irmão. Tê-lo como companhia é, por isso também, imprescindível. Dito isso, em frente.

Além de ser um sujeito sentimental, eu sou, também, ligeiramente invejoso. E além de ligeiramente invejoso sou, ainda, um sujeito que precisa dos ritos e dos rituais para ser alguém.

Daí juntei a inveja que sentia desde que o Szegeri serviu camarões gigantesco em sua casa – vejam aqui – à necessidade de celebrar a presença de Luiz Antônio Simas em minha vida.

Foi quando decidi, com o Fefê maravilhado ao meu lado, comprar um quilo e meio de camarões que fazem os camarões do Szegeri parecerem filhotes prematuros de camarões miúdos.

E comprei os camarões – eis a confissão essencial – para o Simas.

Da feira tomamos a direção do Bar do Chico. Bebemos duas cervejas e fomos pra casa.

Afinal, tínhamos a intenção de assistir ao show da Mart´nália no Museu do Açude, às duas e meia da tarde.

Chegamos em casa e nos esperavam Dani e Betinha – que na véspera havia combinado de estar em nossa casa antes do meio-dia de domingo!, num desses arroubos de saudade pré-datada.

Foi quando fiz a primeira leva de camarões.

camarão com azeite e alho

Umas doses de uísque, gemidos coletivos em razão do sabor dos camarões, e tomamos o rumo do Museu do Açude.

Tratava-se do projeto Brunch Cultural (nomezinho detestável), promovido pelo Museu do Açude em parceria com o Governo do Estado e com uma empresa de telefonia celular.

Show grátis, anunciavam os jornais.

Chegamos, sentamo-nos à mesa, pedimos uma garrafa de vinho, fazia um frio polar.

(dia desses escrevo sobre o estranhíssimo público da Mart´nália)

Fim da primeira garrafa, pedimos a segunda.

O pau comendo no palco muito por conta do quarteto da percussão, Jr. Crispin, Menino Ovídio (neto do grande Ovídio Brito), Macaco Branco e Cassiano, parceiros e amigos da G.R.E.S. Unidos de Vila Isabel, e da simpatia e carisma das duas irmãs, Analimar (vocal e percussão) e Mart´nália.

Jr. Crispin, Analimar, Mart´nália e Macaco Branco, Museu do Açude, primeiro de julho de 2007

Final do show – ótimo – e pedimos a conta.

Antes, porém, leiam o que saiu publicado anunciando o show:

“O Brunch Cultural do Museu do Açude, um dos programas mais charmosos do Rio, (…).

(…). O show tem entrada franca, e o bufê da Casa dos Sabores é opcional. Para os que desejarem usar o bufê, que já estará aberto a partir das 12h, a reserva deve ser feita antecipadamente.

(…).”

Vem o garçom à mesa e estende a conta: R$230,00 – duas garrafas de vinho, duas águas e… e… e… quatro entradas!!!!!

Eis o diálogo que travei com o inocente garçom:

errado, meu chapa, foram só duas garrafas de vinho e as águas.

– Mas é que tem R$47,50 por pessoa…

– De quê?

Ele saiu pra checar. Voltou:

– O lugar à mesa custa isso.

– Não pago.

– Só falando com a gerente, senhor…

Fui à gerente:

– Minha senhora, a conta está errad…

Ela me interrompeu, grosseira:

– Quantas pessoas?

– Quatro.

– Todas sentaram?

– Sim.

– Tendo ou não comido, meu querido, vocês tem que pagar!

– Minha querida, não vou pagar porra nenhuma… – já debochando.

– Vai.

– Não vou. Vou é embora…

– Então vá!

E fomos.

Que beleza, não? A gerente, uma pernóstica-de-merda, burra de doer, deveria ser sumariamente demitida pelos donos do – pigarro – bufê.

O único senão da tarde, então, foi dito pela Betinha enquanto descíamos o Alto da Boa Vista em direção à nossa casa, para um risotto de camarão que estava – digo sem modéstia – perfeito:

– Se a gente soubesse, hein?! Teríamos bebido muito mais…

Até.

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7 Comentários

Arquivado em música

7 Respostas para “MONUMENTAL DOMINGO

  1. >Opa, Edu!Quando a esmola é de mais o santo desconfia , né mesmo ? O único show de graça que confio, são os da Rádio Mec, realizados no meio da semana, às 18h. Além de podermos fincar o pé em o buteco vizinho à Praça da República. Um abraço , Rodrigo Nonno

  2. >Que beleza Que beleza!!!!SO que sua precisão do inicio ao fim deu uma escorregada pequea…O Menino Ovidio, é filho do Ovidio Brito, e não neto!!BeijosTiago Prata

  3. >Os camarões, meus deuses, os camarões! A feira do próximo domingo está marcada, meu velho…me aguarde.beijo

  4. >”então vá”… convenhamos, ela estava pedindo, né?

  5. >E mais uma coisa, pra ficar registrado… Fefê não é um poço, mas sim um oceano de simpatia.

  6. >Galo, querido, mostrei para a pequena Rosa esse teu tosco truque fotográfico para tentar desqualificar os meus camarões e ela só meneava a cabecinha…Amarildo: me aguarde na feira, me aguarde na feira!

  7. Pingback: GENTE ESQUISITA | BUTECO DO EDU

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