>UM HOMEM DE BEM

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Quando, em 06 de março de 2007, publiquei SZEGERI NO RIO – PARTE II – leiam aqui – contando a vocês sobre o encontro do Szegeri com o Simas e com o Rodrigo Folha Seca, eu escrevi:

“No Rio-Brasília eu fiquei, como um espectador embevecido, assistindo o encontro dos titãs. Szegeri e Simas, numa afinidade de há séculos, cantaram, contaram histórias, e a quantidade de cerveja, de maracujá, de carne assada com coradas, servia apenas de pano de fundo praquela noite mágica.”

Pois bem.

Estivemos neste último final de semana, como vocês já sabem – eu, Dani, Simas, Candinha, Rodrigo Folha Seca e Prata, do Rio de Janeiro, e Bruno Ribeiro, de Campinas -, em São Paulo, hospedados na casa vermelha, onde moram meus irmãos Szegeri e Stê, na companhia da mais-que-amada Rosa.

Quando fala o Simas eu tenho pouco a dizer.

Por isso, como já fiz ontem (quando transcrevi texto do Bruno Ribeiro sobre o mesmo tema), segue emocionadíssimo – e preciso do início ao fim – texto de autoria desse brasileiro máximo e imprescindível, Luiz Antonio Simas, cujo título é IFÉ E A CASA VERMELHA:

“Disse Ifá que a raça humana, a única que existe, veio ao mundo em Ilê Ifé, a cidade sagrada fundada por Odudua. Exatamente por isso, na entrada de Ifé, ao lado do busto do herói fundador, há um portal com os dizeres: Sejam bem-vindos de volta à casa. Cada homem que visita Ifé está retornando ao conforto da primeira aldeia. Vem daí a conhecida hospitalidade do povo Yorubá, farta em gentilezas, bebidas, comidas e danças.

Até hoje, em alguns lugares do Brasil (os que ainda não sucumbiram ao desencantamento do mundo), as pessoas humildes abrem suas portas para louvar os foliões das bandeiras do Divino Espírito Santo. Com muita comida, café sempre quente, cachacinha da boa e alegria na alma, as casas escancaram seus portões e janelas para receber os devotos do Divino. A mesma coisa acontece na época de Santos Reis.

Este Brasil, o meu Brasil, país em que a delicadeza não está perdida, aldeia que festeja seus deuses no tempo, canta seus sambas, bate tambores e resiste aos condomínios fechados onde a elite cria suas bestas-feras e chacais assassinos; este Brasil continua existindo. O meu país, sei disso, continua existindo e resistindo, na alma de homens e mulheres que sabem, com o afeto que supera as palavras, que somos oriundos da distante aldeia de Ifé – irmãos, portanto.

Olorum Modupé, de todo coração, é o que desejo a todos aqueles que no último fim-de-semana, em outras terras, receberam-me como se estivesse voltando de onde, verdadeiramente, nunca me ausentei – o país dos homens, umbigo do mundo, a Ifé de todos nós – recriada nas gentilezas de uma casa vermelha de portas abertas; morada de um homem de bem.

Axé.”

O homem de bem é ele: Fernando Szegeri.

Fernando Szegeri, na livraria Folha Seca, em 05 de março de 2007

Com a licença do Simas, axé.

3 Comentários

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3 Respostas para “>UM HOMEM DE BEM

  1. >Que lindo isso tudo. As palavras do Simas, a foto. O carinho brasileiro. Que lindo isso tudo, Edu.

  2. >Edu, depois de ver pessoalmente, posso afirmar que o Simas é um poeta!Breve o encontro. Porém histórico e inesquecível! Eles precisam, no entanto, ser mais constantes. E ainda devo a grade.Acho que terei que levá-la ao Rio…Abraços!

  3. >A habilidade do Professor com as palavras é mesmo de emocionar.

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