>A CANALHA: MODUS OPERANDI

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Tudo pode sempre ser pior quando estamos falando do jornal O GLOBO e de sua dispensável revista RioShow, publicada às sextas-feiras. Por exemplo? Uma matéria a quatro mãos, evidentemente que pior graças aos donos das mãos. Os donos das mãos? A Éle e o Jota Éle, duas figurinhas fáceis aqui no balcão do BUTECO.

O título da matéria?

matéria publicada na revista RioShow, de O GLOBO, de 25 de maio de 2007

E sobre o quê é a podre matéria? Sobre os diferentes tipos de cobrança que há nos restaurantes da zona sul da cidade (sempre na zona sul da cidade, não há outra cidade na cabeça dos membros da pandilha que trabalha para o mencionado jornal).

O troço é de fazer vomitar. Ou de revoltar alguns. O que me faz ter certeza de que o dia da grande revolta não tarda. Mas isso é assunto pra outro dia. Vamos a alguns trechos.

A duplinha que assina a matéria conta que “andam um tanto ácidas as relações de alguns clientes do Carlota com a chef Carla Pernambuco desde que a concorrida casa do Leblon instituiu a cobrança de uma taxa para quem quiser dividir prato por lá”.

É isso mesmo! Você chega, escolhe um prato e decide que quer dividir com quem lhe acompanha.

Os dois jornalistas (pausa para rir) dão um exemplo: “O acréscimo é de 40%, o que faz com que a partilha do risoto de presunto de Parma com camarões grelhados que ilustra a nossa capa, por exemplo, pule de R$62 para R$86,80”.

E a dona da casa-de-merda justifica:

matéria publicada na revista RioShow, de O GLOBO, de 25 de maio de 2007

Ninguém se sente enganado, é verdade, já que o assalto está anunciado no cardápio. Mas quem entra no jogo é, convenhamos, um tremendo otário. E otário tem mais é que se foder mesmo.

No Rio-Brasília, por exemplo, chegou um dia desses um casal fresquinho, egresso do Leblon, freqüentador do Carlota e doido por um programa selvagem escolhido durante folheada no Guia RioBotequim. Deus os atendeu:

– Tem rabada?

E ele:

– Arrã.

– Quanto é?

– Dez paus.

– Dá pra dividir?

– Arrã – tirou cera do ouvido com a ponta da tampa da caneta Bic e continuou – Uns quatro comem pra caralho…

– Mas somos só os dois…

– Então, patrão! ´cês podem se entupir até o talo!

A mulher não escondia o pavor. Ele até que estava achavando divertido. Prosseguiu:

– Dez reais, a rabada?

– Arrã…

– E dividindo uma só pra nós dois, fica quanto?

Deus tirou uma meleca diante do casal:

– Cinco pra cada um. Dez paus.

– Mas vocês aqui não cobram taxa de partilha? – disse ele.

– E se dividir… a rabada não vai ficar feia? – ela disse, histérica.

– Feio é isso aqui, ó! – disse pondo as mãos em concha diante do saco.

Deus ainda mandou os dois à merda e foi intensamente aplaudido pela assistência enquanto o casal partia em direção ao Ford EcoSport amarelo estacionado do outro lado da Almirante Gavião. Eu estava lá com o Simas e vi.

Voltemos à matéria-de-merda.

A duplinha responsável pelo texto (péssimo) dá, ainda, outros exemplos.

Contam que um restaurante japonês, à maneira do que ocorre nos restaurantes que cobram a chamada taxa de rolha – que é cobrada quando o cliente leva o vinho de casa – passou a cobrar a taxa de rosca. E contam que a rosca, no tal restaurante – no Leblon, onde mais? – custa R$50.

Voltemos ao Rio-Brasília. Outro domingo. Outro casal à mesa. Só que dessa vez, um casal gay, frise-se. Ambos vestiam a camisa do Fluminense. Era dia de jogo no Maracanã. Pediram dez sardinhas fritas a Deus, que os atendida contrariado. Até que um deles o chamou à mesa:

– Fala, porra.

– Eu tenho uma garrafa de saquê no cooler, dentro do carro…

– O cu é teu, faz dele o que tu quiser. Quê que tu quer?

A bichinha riu.

– Podemos beber a bebida que trouxemos aqui?

– Pode.

– Mas quanto você cobra pra taxar a nossa rosca?

Ambos deram entrada, vinte minutos depois, na Ordem Terceira da Penitência com várias escoriações pelo corpo.

Mas vamos voltar à matéria para finalizar.

Também é citada na matéria a cozinheira Roberta Sudbrack, ex-empregada doméstica de FHC no Palácio do Planalto – nada contra as empregadas domésticas, é evidente, mas é que a frescona-mór nega suas origens e isso me dá raiva.

Já a citei aqui, quando ACR, a plagiadora, a exaltou em razão de fazer “cozinha autoral das boas”. Um nojo, tudo um nojo!

Pois bem. A Sudbrack, hoje dona de um restaurante na zona sul – onde mais? – bateu todos os recordes de preconceito, de falta de sensibilidade, de escrotidão mesmo – por que não dizer a verdade? Leiam vocês mesmos:

matéria publicada na revista RioShow, de O GLOBO, de 25 de maio de 2007

Em apertada síntese, pra quem não teve saco de ler o depoimento da cozinheira: ela cobra R$200,00 por 15 pessoas que ocupam uma mesa de 18 lugares. Fatura, portanto, R$3.000,00. Ou R$3.300,00, porque é claro que ela cobra os 10%. Mas por ficar putinha com o “prejuízo”, cobra R$600,00 pelos três lugares vazios.

Essa gentalha – tomem nota – não perde por esperar. O povo não suportará por muito tempo tamanha nojeira em torno de si.

Ah, sim. Só pra fechar. No final da matéria, dão a dica de 12 restaurantes que comungam da mesma prática. TODOS, eu disse TODOS, na zona sul da cidade.

Até.

18 Comentários

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18 Respostas para “>A CANALHA: MODUS OPERANDI

  1. >Edu, já estava me preparando para escrever sobre isso no Boemia & Nostalgia, mas você poupou minhas palavras. Realmente é de vomitar como você faz várias vezes aí no Buteco. Na lista destes lugares de merda que sairam hoje no jornal, TODOS são da zona sul. Asco total!Abraço forte.

  2. >Acho que o que essa gente esta fazendo, além de ser uma vergonhosa sacanagem, é uma prática ilegal frente ao CDC. Colocam o consumidor em desvantagem exagerada, cobram por um serviço não prestado. Mas tem otário pra tudo. Bezerra da Silva cantava: “Bolso de otário é nas costas, com a boca virada pra baixo”. abraço, Arthur Mitke

  3. >Eu poderia até dizer, como você escreveu: “Ninguém se sente enganado, é verdade, já que o assalto está anunciado no cardápio. Mas quem entra no jogo é, convenhamos, um tremendo otário. E otário tem mais é que se foder mesmo.”Mas não dá, “né” não?Não dá pra suportar essas coisas acontecendo na nossa cara, na cara do povo… Essa corja rasgando dinheiro pra posar de chique, de melhor que os “plebeus”… Puta que pariu.Ei, essa Vera Loyola não é uma que faz festas pra cachorro? Brincadeira, brincadeira… Ela gasta milhares com isso. Não é ela?Aliás, Edu, na próxima festa do cachorro dela, envie o Pepperoni de penetra… Imagina que lindo ele destroçando a mansão… mijando e comendo as cadelas… Ah, que cena!Quanto à rainha da sucata, ela bem que poderia ser atropelada por um Fusca!

  4. >É, Felipe… todos na zona sul. Aqui na zona norte, no subúrbio, no lado bonito, humano e solidário da cidade, essa babaquice jamais pegaria.Mitke: e por que? – eu pergunto – por que unzinho não me contrata pra foder com essa prática? Onde já se viu essa merda? Uma porção custa “x”. Uma porção pertida em dois, custa “x + y”. Vão à merda, porra! E será que há quem pague? Será?Favela: a citada senhora, idolatrada pela Anna Ramalho – que a chama quase que diariamente de “nossa emergente-chefe” (veja que nojo, que podridão!) – é a mesma que gasta rios de dinheiro com festinha pra cachorro. Puta idéia a de levar meu vira-latas de penetra. Vai ser do caralho! Quanto à indignação da gente, do povo, diante de tanta ostentação, Favela, deixa quieto… Quando você descer – sei que me faço entender – o bicho vai pegar.

  5. >Edu,o pior é que um troço desse é publicado pra quem quiser ler e não aparece ninguém do Ministério Publico ou do Procon pra acabar com essa sacanagem. Arthur Mike

  6. >edu, rolei no chão de rir com o casalzinho do leblon e as bichinhas tricolores sendo atendidos no Rio Brasília! gênio! agora, diz uma coisa prá esse niteroiense aqui: onde fica o Rio Brasília? tô doido prá ir tomar uma gelada lá. comtodo o respeito. valeu!

  7. >Acabei de mandar um e-mail pro PROCON denunciando (procon@consumidor.rj.gov.br). O site do MP do Consumidor (www.mpcon.org.br)está fora do ar. Acho que não vai dar em porra nenhuma, mas não custa tentar. Arthur Mitke

  8. >É isso, Mitke! Não podemos dar sossego a eles! O troço é cercar pelos sete lados, mesmo. Encher o saco, meter dedo no olho, dizer que não somos da mesma laia e sentar o cacete!Ô, Caíque: um bocado mais de atenção na leitura do texto, um bocado de atenção no próprio menu do BUTECO e você chega lá! Abração!

  9. >valeu edu. já vi. saudações rubronegras.

  10. >Caíque: eu sabia! Se for possível, dá uma avisada quando for. Como eu moro ao lado, podemos beber juntos. Você pagando, é evidente! Abraço.

  11. >Só digo o seguinte: restaurante que serve farofa não liga ventilador de teto !!

  12. >falou bonito edu, matou a pau.mas essa de casal gay tricolor não procede. o raciocíonio é bem simples: viado vive chorando por ai, e chorar é com os botafoguenses, a quinta força do rio.até.

  13. >Li a matéria e você esqueceu de dizer que, no prato dividido, é acrescentada mais comida.No entanto, pelo que li na matéria (“mais uma colher de risoto em cada prato”, se não me engano), a comida adicional no “prato dividido” não me parece ser condizente com a diferença cobrada.

  14. >Edu, querido, fazia tempo que não me dava o prazer de ler-te no blog. Sem desculpas. Falta de modos mesmo, que não há vida corrida que justifique a indelicadeza (comigo!) de não me permitir os momentos preciosos que a leitura do seu blog me traz. Eu me escangalhei de rir com a sequência do Rio-Brasília!Minha falta de modos só não chega aos pés dessa rapaziada débil que acha que ser Deus é fazer o que quer só porque tem uns otários que compram (literalmente) a idéia… Taxa pra dividir prato???? Por estética????Sugiro a essa moça o mesmo destino do casal gay: a Ordem Terceira da Penitência, com as escoriações, e mais a garrafa de saquê, a de vinho, algumas rolhas, e o prato inteiro alocados onde quer que sua imaginação mandar…Correndo o risco da gente estar, inclusive, atendendo a um desejo dela! Porque quem propõe esse tipo de idéia é sado-masô, isso é certo, tá querendo levar na cara (e em outros lugares mais) e talvez a gente esteja fazendo por ela o que ela devia pagar (e muito) pra ter no A2, é ou não é?Beijos carinhosos em ti!

  15. >Ô Mitke, porra, não fique chateado com a piadinha tipicamente rubro-negra. Sobrou para mim e pro Simas?!? E a quinta força agradece a preferência e o teu pó-de-arroz tá guardado hehehe

  16. >Pô Zé, o anônimo até mandou bem, mas não fui eu… Se fosse sacanear alguma torcida seria a do Vasco ou mesmo a Fla Gay, e faria questão de assinar. Sou solidário aos sofredores.abraço, Arthur Mitke

  17. >Foi mal, Arthur, mas essa história de sofredores, sei não, hein? Olhaí, ô Anônimo que insiste em se manter no anonimato: guenta as pontas que você pode sofrer a maldição de São Carlito!!! Este é o último aviso :>)

  18. >Taqueusparéu ! Edu, eu não tinha lido essa página da revista ainda.ME CAGANDO de rir aqui. O Nelson Rodrigues dizia que tinha impulsos de bacanais quando lia o Gustavo Corção. EU TENHO GANAS DE ARROTAR NA ORELHA DE UMA GAZELA PARIDEIRA .Eu vou ter que morrer nesse dinheiro do teu livro. forte abraçoMarcio

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