ESPELUNCA CHIC: MODUS OPERANDI

Eu confesso – e tenho a ligeira impressão de que não é a primeira vez que o faço – que as denúncias sobre a proliferação dos bares-de-merda que lanço aqui no BUTECO me rendem muitos frutos: companheiros novos que passo a conhecer depois de uns emails trocados e que se identificam com tudo o que digo e penso a respeito do assunto, uns bons desafetos – e há um impressionante prazer em se saber odiado por um pulha, prova máxima de coerência -, convites incríveis para conhecer butecos vagabundos que eu desconheço, e é absolutamente gratificante perceber que essa briga – sim, é uma briga – arregimenta gente disposta a dar voz e volume à grita que se faz necessária para desmascarar esses mentirosos sórdidos que se arvoram de donos de buteco quando na verdade são investidores, apenas investidores, que destroem dia após dia uma das mais caras instituições cariocas. Gente como Janir Junior, por exemplo, que é o único jornalista que não tem medo de bater sem piedade nessa canalha, que me deu voz aqui. Gente como o Bruno Ribeiro, de Campinas, que comprou a briga e não deixa baixar a guarda, como quando escreveu isso aqui. Gente como Fernando Szegeri, meu mano paulista, o maior ser humano que conheci em 37 anos de vida – às vésperas do trigésimo oitavo aniversário – que escreveu essa belezura aqui, sobre o mesmo tema. E o que não falta, hoje, na blogosfera, é gente engrossando o coro, aumentando as fileiras do nosso exército e expondo esses babacas nas prateleiras imaginárias, num papel ridículo.

Feito o longo intróito, vamos ao assunto de hoje.

Vejam a carta publicada na revista RioShow de O GLOBO de hoje:

carta publicada na revista RioShow de 13 de abril de 2007, de O GLOBO

A Sra. Adriana Meireles conta, na carta, que foi comemorar o aniversário do marido, com trinta amigos, no Espelunca Chic do Jardim Botânico. A escolha da Sra. Adriana já foi de uma infelicidade absurda – se fosse leitora do BUTECO e acompanhasse minhas denúncias, jamais pisaria numa merda dessas, mas isso não vem ao caso. Ela foi. Ela foi e foi com o marido e foi ainda com trinta amigos. Trinta e duas pessoas, portanto, sentadas à mesa. E vem, no final da noite – é ela quem nos conta -, a conta. Vem a conta e a conta é de R$1.770,00. Vou escrever por extenso: mil setecentos e setenta reais. Quase cinco salários mínimos. Pouco mais de R$55,00 por pessoa. Mas não pára por aí a saga da Sra. Adriana Meireles.

Ela nos conta que a conta (foi de propósito a repetição) continha (de novo) comida japonesa e uísque. Comida japonesa em buteco? Tá bom. Vamos seguir analisando a carta da Sra. Adriana Meireles.

Eles reclamam com o gerente. E o gerente, então, revisou a conta.

Vem à mesa a nova conta: R$950,00. Coisa boba, sabem como é? Um errinho besta de R$820,00.

Mas nos conta a Sra. Adriana Meireles que, mesmo revisada, constando R$950,00 (R$30,00 por pessoa), a conta ainda estava errada. E mais não nos conta. Fecha, apenas, a carta, dizendo: “Nos sentimos roubados.”.

Antes de dizer um BEM FEITO rotundo para a Sra. Adriana Meireles, seu marido e seus trinta amigos, todos uns incautos, vamos à resposta do bar-de-merda:

“A assessoria de imprensa do Espelunca Chic responde: a casa foi inaugurada há duas semanas e o programa de computador que contabiliza o consumo está em fase de implementação. Pedimos desculpas e comunicamos que o profissional será punidos por não conferir devidamente os gastos.”

Vejam que nojo!!!!! O bar-de-merda, que se diz um buteco, tem assessoria de imprensa. E assessoria de imprensa de cu, vocês sabem, é rola. A tal assessoria de imprensa – a mesma que compra espaços semanalmente nas colunetas dos jornalões de merda – alega uma porrada de besteiras para justificar o roubo e promete punir – canalhas! – o empregado, que parece ser, nesse caso, o tal gerente chamado pela Sra. Adriana Meireles para rever a conta do assalto. E pede desculpas.

Eu espero, sinceramente, que a Sra. Adriana Meireles leia isso aqui e siga meu conselho.

Não aceitar, em nenhuma hipótese, as desculpas desses filhosdasputas. Fazer um pacto com o marido para nunca mais pôr os pés nesses bares-mentira, seja ele o Espelunca Chic, o Belmonte, o Devassa, o Codajás, o Antônio´s, o Manoel & Juaquim, o Conversa Fiada, o Tô Nem Aí, esses cocôs que se proliferam como metástase. E convencer os trinta amigos a fazerem o mesmo. Depois mais trinta, mais trinta, mais trinta…

Assim, aos poucos, essa canalha muda de ramo e deixa a cidade em paz.

Até.

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14 Comentários

Arquivado em botequim, Rio de Janeiro

14 Respostas para “ESPELUNCA CHIC: MODUS OPERANDI

  1. >O engraçado é que os “computadores” nunca erram para menos…

  2. >O engraçado mesmo, Dig, é que os merdas se desculpam pelo “programa de computador que contabiliza o consumo”, por estar “em fase de implementação”. E já que a culpa é então da máquina, qual a solução lógica dos canalhas? Punir o “profissional”, ou seja, o ser humano. Mas eles devem estar certos, né, afinal o gerente ou garçom que será punido deve ser também o analista de sistemas que criou o programa, não é mesmo?Cada dia que passa eu gosto mais dessa corja…

  3. >Batom na cueca essa história de culpar computador. Como tem otário!

  4. >A dona Adriana mereceu. Quem, com o mínimo de neurônios funcionando perfeitamente, entraria num bar chamado Espelunca Chic? Esse nome – Espelunca Chic – me dá vontade de vomitar. E, citando Roberto Jefferson (que nojo), desperta em mim os instintos mais primitivos.Não passarão!

  5. >Você precisa fazer uma campanha também contra os escritores-de-merda. O Marcelo Moutinho, por exemplo, cujo novo site tem “Sala de Imprensa” com “Fotos de Divulgação”. Ele pensa que é artista? Veja se qualquer grande escritor tem site com aquelas fotos posadas ridículas! Assim como os tais bares, ele não é autêntico. É praticamente uma franquia do João Paulo Cuenca. Precisamos fazer uma campanha pra ver se esses caras mudam de ramo e param de enganar os outros, posando de intelectuais.

  6. >Boa, Juca! Vamos fazer a campanha contra o Cuenca-Belmonte!

  7. >Pena que vc continua se escondendo atrás da covardia e não assinando o próprio nome. Autenticidade?

  8. >Outro dia estava voltando de Niterói e na TV Barcas lá estava o Espelunca Chic. Agora sei como eles pagam esses anúncios. rs

  9. >Meu nome é José Lourenço Fagundes Viana. Quer o CPF, ô babaca? Assino Juca pois é assim que todos me chamam. Você não assina simplesmente Moutinho? Também não quer dizer nada. Aliás, nada mesmo!

  10. >Juca: é realmente uma pena, mas este aí é o último comentário seu que publico aqui no Buteco. E por que infelizmente? Porque eu acho fundamental a bateção de boca no balcão imaginário. Porque eu acho fundamental um “do contra” permanentemente fazendo barulho. Ocorre que eu tenho como princípio – e já anuniciei isso aqui – não permitir postagens anônimas que contenham teor, digamos, ligeiramente ofensivo. Nem acho que seja o caso (nem vem ao caso discutir aqui o mérito da questão que você levantou aqui, neste texto). Mas como o alvo de suas críticas, o Marcelo Moutinho, tem também um blog, acho que é pra lá que você deve direcionar sua bazuca! Se você quiser – e será um prazer, quero frisar – se identificar, ótimo. Mande um email para mim, por aqui, mostre as credenciais e eu direi: fique à vontade, use e abuse do nosso balcão! Um abraço.

  11. >Acho que, no fundo, vc é meu fã, José Lourenço. Cisma em ler o que eu escrevo (e vc diz repudiar). Costumo reservar minhas leituras para que o que vale a pena.

  12. >aplaudo com lágrimas nos olhos. e aproveito prá sugerir o seu antonio do bacalhau no cafubá itaipú, niterói. não tem como errar. até por que não tem endereço tipo assim… convencional.saudações rubronegras.caíque

  13. >peraí… tasquei o comentário aí, em cima – sem trocadilho – do que o edu disse, valeu?essa discussão aí eu nem sei do que se trata…. tá no ré? (que coisa mais velha…)

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