INVESTIMENTO DE QUANTO?

Antes mesmo de começar a escrever sobre a barbaridade que foi a matéria de capa da revista RioShow, encartada n´O GLOBO de ontem, uma observação: desde o dia 25 de janeiro de 2007 que o jota não escreve uma mísera linha sobre qualquer desses bares que ele fomentou durante meses (só aqui no BUTECO eu fui capaz de registrar trinta e três atentados, vejam no menu à direita). O jota anda, agora, voltado para o mercado da moda. E tem, evidentemente, seus preferidos. A bola da vez, por exemplo, é um sujeito cujo nome não me lembro, mas cujo sobrenome lembra o som da tosse.

Mas isso não significa, é claro, que os bares de merda que mantêm atuantes assessorias de imprensa tenham ficado sem espaço. Apenas mudaram, digamos, o foco dos seus investimentos na mídia impressa.

E quem os bajula dessa vez?

O coleguinha do jota, o jota éle, apontado como autor de apenas – até o presente instante – dois atentados, esse aqui e esse outro aqui.

O terceiro atentado, porém, é de grandes proporções.

Trata-se de matéria de capa.

revista RioShow de 30 de março de 2007

Eis o título:

BARES LADO B . As redes Belmonte, Conversa Fiada, Informal e Manoel & Joaquim abrem botequins com nomes diferentes para evitar o desgaste de suas marcas

É ou não é um nojo?

Conseguiu, o aprendiz do jota, citar quatro bares na capa da revista.

Quatro, não. Cinco.

A foto que ilustra a primeira página mostra, acintosamente, a placa do Antônio´s Bar e Botequim, e tem pequeno texto no rodapé:

O Antônio´s, na Lapa, é a mais nova cria de Antônio Rodrigues, dono do Belmonte

São, portanto, cinco os bares-de-merda citados na capa (onde o espaço deve ser mais caro).

Na matéria, de quatro páginas, o jota éle cita outros bares e explica, aos leitores, como funciona a máquina. Vamos lá, transcrevendo alguns trechos:

Seguinte: como qualquer bar, as redes de botecos limpinhos e arrumadinhos começaram com um modesto endereço único. Depois, cresceram, apareceram e se tornaram redes. Agora proliferam bares que pertencem a essa galera mas trazem um outro nome na fachada. Assim, Antônio Rodrigues, dono do Belmonte, está à frente do Antônio´s e do Codajás. Abílio Fernandes, criador do Manoel & Juaquim, é hoje o feliz proprietário do Armazém Carioca. Parte da turma do Informal também responde pelo Jiló. E por aí vai.

Por aí vai, mas eu não interrompi a conta. Somam-se aos cinco já citados na capa, o Codajás, o Armazém Carioca e o Jiló. Já são oito. Vamos em frente.

Transcrevendo:

Negócios também foram a motivação de Daniel Guerbatin, que pretende se desligar da rede Conversa Fiada num futuro próximo. Há um ano, ele juntou-se a sete investidores e imaugurou o Gente Fina, no Leblon. Mais elegante que as casas da rede, o bar vive lotado até altas horas.

– O Gente Fina foi pensado como um investimento, de olho na rentabilidade. Mas não acredito em desgaste de marca. O segundo bar é uma tendência, uma forma de oferecer uma outra opção ao público.

Não perdendo a conta, com o Gente Fina, são nove os citados até aqui.

A matéria – que é propaganda pura – traz, ainda, o depoimento de José Octavio Sebadelhe, da equipe que escreve o guia Rio Botequim.:

Boteco é boteco. Esses bares-franquia, queiramos ou não, têm uma onda meio fake. Repara só como muitos desses estabelecimentos adotaram a alcunha de botequim ou boteco. Isso é uma coisa relativamente nova. Quando fizemos o primeiro Rio Botequim, os donos de pés-sujos reclamavam, gritavam que não eram donos de botequins. Hoje a palavra é como um título de nobreza, todo mundo quer ser boteco. O tal do segundo bar não passa de mais uma jogada de marketing. Dono de boteco de verdade não quer crescer porque sabe que vai se perder no caminho.

Um troço, convenhamos, muito próximo do que digo aqui, no balcão imaginário do BUTECO, há anos.

Mas como essa turma investe pesado, pesadíssimo, e como o jota éle de bobo não tem nada, ele arrumou espaço para dois tijolinhos dentro da matéria. No primeiro ele cita o Espelunca Chic e o Esculaxo, este último ainda por inaugurar.

São, até agora, onze os citados.

O segundo tijolinho é dedicado, inteiramente, ao Devassa.

Doze bares citados.

Quanto – essa a pergunta – investiram os mega-investidores nessa matéria?

E só mais uma, pra encerrar por hoje: será que os clientes, os incautos que freqüentam esses lixos, lendo uma matéria dessas, lendo os depoimentos dos mega-investidores, não se sentem uns idiotas fazendo fila nas portas das filiais espalhadas pela cidade e pagando fortunas pelo que bebem e comem, enchendo os bolsos desses caras?

Até.

7 Comentários

Arquivado em botequim, imprensa

7 Respostas para “INVESTIMENTO DE QUANTO?

  1. >Bem que eu sabia que aquela porcariada publicada no rio show não passaria imune às tuas pancadas, Edu! Li-a ontem à noite, pela net.

  2. >Não faria qualquer diferença ler a matéria. Sem dúvida os clientes desses establecimentos são analfabetos funcionais.

  3. >A cada dia eles se superam! Mas vamos para o front de batalha, Edu!

  4. >Edu,Deixe esses incautos beberem lá. Imagina os butecos que gostamos, recheados de mauricinhos e patricinhas?Ps: Estava assistindo o programa “Bem amigos” e escutei a Fabiana Cozza cantando. Que maravilha de interpretação.Abraços,

  5. >Curiosidade, digamos, estatística: deve haver, sei lá, uns cinco mil bares e/ou butiquins no Rio de Janeiro. O Bar Luiz tem 130 anos, o Opção deve ter uns 50 ou mais, o Bar Brasil uns 90 ou 100, o Paladino idem etc. etc. etc. Porém, no entanto, contudo, todavia, NUNCA, mas NUNCA se falou em bar como de uns aninhos pra cá, curiosamente após “abrir um bar” ter passado de vocação de português a “investimento” de socialaite, com o conseqüente aparecimento das famigeradas redes de fast-drinks. Exceção não honrosa, é claro, do tal Guia Rio Butiquins, também conhecido como vade mecum de otário, que peca por outros vícios, a começar pela pretensão de transformar conhecimentos iniciáticos a artigos de consumo para a massa.

  6. >E agora o Bar Luiz vai ter franquia… Tsc, tsc, tsc. Onde chegamos…

  7. Pingback: BELMONTE RIMA COM DESMONTE | BUTECO DO EDU

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