SZEGERI NO RIO – PARTE III

Como eu lhes contei ontem, aqui, às duas e meia da manhã nosso bom Szegeri tomou o caminho do Capela. E lá ficou até às cinco e meia.

Eu, às cinco e meia estava já de pé, na rua, com o meu grande vira-lata, o Pepperoni, e às sete já estava trabalhando, tendo como objetivo encontrar a trindade paulista no glorioso Adonis.

Ao encontro da trindade paulista partiu a trindade carioca: eu, Simas e Prata.

Fernando Szegeri e Leo Gola, no Adonis, 06 de março de 2007

Escrevi o nome do Simas e preciso lhes contar sobre o apelido cunhado pelo Leo Gola. O Leo Gola, cunhado do Szegeri, que conheceu o Simas apenas anteontem, saiu do Rio-Brasília impressionadíssimo com o vasto conhecimento que jorra dos poros do meu calvíssimo amigo. Não há nada que você queira saber – nada! – que o Simas não tenha tudo – tudo! – na ponta da língua. E isso, de fato, impressionou sobremaneira o Capitão Leo Gola. Razão pela qual, ainda no hotel, na manhã de ontem, disse em direção ao Szegeri:

– O Google vai com o Edu nos encontrar no Adonis?

O Szegeri levou alguns instantes pra pescar a sacada, quando então explodiu de rir, batendo o telefone pra mim em seguida. Contou-me sobre o apelido, definitivo.

Simas no Adonis, 06 de março de 2007

Fomos então, os três, encontrarmos os três bardos de São Paulo no Adonis. O Adonis tem, na minha modestíssima opinião, e isso há anos, o melhor chope da cidade, e comigo concordam o Fefê, o Simas, também com suas modestíssimas opiniões. E comigo concorda, também, o Szegeri. Mas tudo o que sua opinião não é, como o próprio, é modesta. Leo Gola e Decoestavam extasiados diante daquele portento de carioquice, mas convenhamos que depois de mais de 48 horas ininterruptas de atividade etílica, a possibilidade do êxtase se confundir com a melancolia é imensa.Bebemos exatamente vinte e sete caldeiretas, almoçamos um cozido capaz de alimentar um ônibus, e eles tinham apenas mais algumas poucas horas de Rio de Janeiro.

o cozido do Adonis, 06 de março de 2007

Dirigindo-se a mim praticamente pela primeira vez – não no Adonis, mas na viagem… – perguntou-me o Szegeri:- Edu, o que você sugere depois daqui? Nosso vôo sai do Galeão, então nós poderí…

Eu interrompi a pergunta aos soluços.

Finalmente o paulista dono de uma barba densa digna de um Borba Gato falava comigo. Dirigia-se a mim.

E eu queria que a viagem dos caras tivesse um final apoteótico.

Vocês que me acompanham já sabem para onde os levei.

Pra Tijuca, evidentemente.

E eu consegui, penso, atingir meu objetivo.

Tomamos a direção do Bode Cheiroso, monumento encravado na rua General Canabarro.

Antes, porém, quero lhes contar um troço.

O Prata – eu digo sempre – é gênio da raça. Precoce, pesquisador desde os onze anos, hoje com apenas dezenove anos de idade, é infinitas vezes mais velho do que eu, por exemplo. Do que o Szegeri, do que o Simas. Tem, o menino – que é meu filho também, não se esqueçam disso – a capacidade dos pequenos gestos, se me entendem.

Quando fomos saindo do Adonis – éramos seis – eu propus que fôssemos eu e Prata no Dorival, seu carro, e os demais de táxi, já que apenas eu e Simas sabíamos o caminho do buteco. Eis que grita o geniozinho:

– Nada disso! Eu faço questão que o Szegeri vá comigo!

Tiago Prata e Fernando Szegeri no Dorival

Quando chegamos ao fabuloso Bode Cheiroso, o Prata saca de um LP da mala do carro. Era o LP quebrado que ele dera, semanas antes, pra Beth Carvalho autografar, leiam sobre isso aqui.

O Szegeri, que ama histórias desse gênero, ficou dizendo abraçado ao menino:

– Que lindo, que lindo, que lindo…

E o Pratinha, genial, quebrou mais um pedacinho do LP, como se fora uma hóstia, e o entregou ao Szegeri. Ali eu soube que nosso fim de tarde seria comovente, como de fato foi.

Dirigimo-nos à mesa na calçada, Prata com o sete cordas, duas casco-escuro de Brahma baixaram na área, e começamos a cantar. Começamos a cantar e o Szegeri começou a chorar (não fazendo gênero, meu pai).

Tudo fazia o homem chorar. Três estudantes com o uniforme do Colégio Militar passaram e ele chorou. Moças do outro lado da calçada, balizas do CEFET, treinavam seus jogos malabares, e ele chorou. O sol se pondo e ele aos prantos. E daí ele começou um de seus números clássicos, fazendo declarações pungentes de amor à cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro, e ali ficamos até o momento de partirmos em direção ao aeroporto.

Simas tomou o rumo de casa e fomos, os cinco, no Dorival, o carro mais quente da paróquia, ouvindo marchinhas de carnaval, em direção à Ilha do Governador.

Eu nem vou falar sobre a lua que nos esperava, já na ilha, porque todos dirão a frase constante:

– Como mente, como exagera, como delira, esse Edu!

Mas eu, um sonhador, eu diria, tenho certeza de que foi obra dos deuses, um presente a esses três camaradas que vão deixar saudade na cidade que os acolheu como filhos por aproximadamente oitenta horas, aquela bola gigantesca, a maior lua que eu já vi em trinta e sete anos de vida, alaranjada, amarela, subindo orgulhosa por trás dos morros da Baía de Guanabara.

Em breve, meus poucos mas fiéis leitores, muito em breve, eu vou-me embora pra Pasárgada. Lá sou amigo dos reis. E da rainha.

Ah, sim.

Eu não sou cantor, portanto não me venham com críticas que entrarão por um ouvido e sairão pelo outro. Deixo com vocês esse registro – passei a preferir o GoogleVideo ao YouTube porque o delay praticamente não existe naquele primeiro.

É o Prata, gênio da raça, me acompanhando – tadinho, mas filho faz isso mesmo – no choro “Bola Preta”, do Jacob do Bandolim, com genial letra do Aldir Blanc. Na calçada, no final da tarde de ontem, diante do Bode Cheiroso.

Notem que ele mantém os olhos cravados em mim. E quando eu vou tropeçar na letra – quilométrica e cantada de cor – o moleque me corrige. Gênio! Gênio! Gênio!

Até.

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9 Comentários

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9 Respostas para “SZEGERI NO RIO – PARTE III

  1. >é verdade, é verdade, ele te corrige!!! taquiuspariu, êta letra difícil de se decorar, hein?

  2. >Ele é antes de mais nada LINDO DE MORRER!

  3. >Grande Arthur: mas eu não digo sempre que o moleque é um monstro? A letra é gigantesca, como você pode ver, sem um refrão, sem um refresco que seja!Ana Maria: a Sra. Prata vai adorar seu comentário.Vicky: infelizmente, não. Estávamos numa pista de alta velocidade, sem acostamento. Mas se o Szegeri tiver boa vontade – o que é raro em se tratando de mim – ele poderá lhe contar o que era a lua ontem. Repito: eu nunca vi nada igual.

  4. >É uma pena eu não estar nos meus melhores dias. Minha saúde não me permitiu acompanhá-los na terça-feira….Mas também, muito em breve, vou me embora pra Pasárgada.Todos craques!

  5. >PO, voce nao contou a melhor parte do dia, que foi nossa farra no aereoporto la no restaurante… isso merece um post a parte…BeijoTiago Prata

  6. >Prata: tem a volta!

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