>A MÃO ESQUERDA

>


Eu não sei exatamente como começar. Mas vou tentar. Não sem antes dizer que hoje pela manhã, antes de sair de casa, pedi desculpas à Dani por meu destempero e ela me disse, conclusiva, mas com aquele sorriso que quase me mata:

– Você é dodói demais…

É que ontem à noite, assim, como quem não quer nada, ela me perguntou:

– Você viu “A Mão Esquerda”, do Fausto?

Eu nem a olhei. Respondi de costas mesmo, blasè:

– Não. Por que?

– Sumiu.

Deu-se o caos.

Eu já suava em bicas (estávamos no ar-condicionado). Fui à estante, como um louco. Ela interrompeu minha busca:

– Já procuramos em tudo…

– Procuramos quem?

– Eu e a Leinha…

– E?

– Sumiu.

Agora serei direto em meu patético apelo.

Eu não empresto livros em nenhuma hipótese, e empresto ao “nenhuma” a ênfase szegeriana. Não é que eu desconfie do caráter do sujeito a quem emprestaria o livro, em absoluto. Mas é regra pétrea esse troço de emprestar o livro e o livro nunca (szegerianamente de novo) voltar. Simples. O sujeito lê, guarda na intenção de um-dia-eu-devolvo e fica por isso mesmo. Tenho eu a impressão, levíssima e quase que inocente, de que foi isso o que aconteceu com meu exemplar de “A Mão Esquerda”. Dani, minha Sorriso Maracanã, um ser humano infinitas vezes melhor que eu, mais generosa, mais tudo o que há de bom, uma pessoa com extremíssima dificuldade de dizer não, emprestou o livro. E seguiu-se a pétrea regra. Ela emprestou. Leram o livro. E ele está em algum lugar, em alguma estante, lido por mim cinco ou seis vezes, com a dedicatória que o Fausto me fez e eu estou aqui, tristíssimo, amputado, procurando por ele nos mais improváveis lugares (perguntei ao motorista do ônibus que me trouxe ao trabalho se ele estava com meu livro, já catei em todo o escritório, em todas as gavetas… e nada).

Eis a razão pela qual tento, espero que não em vão, localizá-lo por aqui.

Se está com você, pelo amor de todos os deuses, escreva-me. Não medirei esforços para buscá-lo hoje mesmo.

Até.

5 Comentários

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5 Respostas para “>A MÃO ESQUERDA

  1. >Tem um versinho que é assim: só empreste seus livros aos amigos verdadeiros; porque estes nunca tomam livros emprestados.Calma, Edu, vai achar. beijo em saudade.

  2. >Comigo não tá! Aliás, depois do sumiço do seu livro e do do Bruno, acho melhor guardar o meu muito bem guardado. Sabe-se lá…

  3. >Esse livro anda, é?Comprei, por indicação deste BUTECO, o livro. Por conta do término de um curso de produção cultural ainda não o tinha aberto. Não é que sumiu daqui de casa também?Tudo bem, minha casa é uma zona, mas ainda assim…Lá vou eu comprar outro.Pode cobrar comissão, Edu.

  4. >Eduzinho, se você fizer um estagiozinho aqui em casa, ou vc se cura, ou morre. Somem livros e discos (principalmente) aos borbotões. E não é de hoje. Só que no dia em que eu descobrir onde eles foram parar, querido, nem toda a tua competência vai me tirar de onde terei bastante tempo para lê-los e ouví-los todos.

  5. >Não é privilégio só de vocês… aqui, além de livros e discos, outro dia sumiu meu metrônomo importado que eu havia ganho de um amigo. E o pior – só pessoas íntimas vieram na minha casa naquela semana. Foi triste, muito triste. Por isso que eu digo, intimidade é uma merda!

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