PEPPERONI APRONTANDO

Se tivéssemos, eu e Dani, um cão comum, simplesmente dócil, praticamente um parvo, não seríamos Edu e Dani e nada faria sentido. Antevendo, sabe-se lá, que aquela coisinha linda que encontramos na rua, leiam aqui, faria merda atrás de merda, como os donos, tornando nossa vida ainda mais divertida, decidimos adotar o vira-lata mais hilário a quem chamamos Pepperoni, mantendo a linha das pimentas que adoçam a vida da gente – não entendeu?, leia aqui!

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O fidaputa tem essa cara aí, ó, de petulante, de insolente, de faço-o-que-eu-quero-e-fodam-se-vocês, e isso nos comove de maneira olímpica. Tomem nota, com base apenas nessa confissão absurda – comovemo-nos com a desobediência do animal – e dimensionem o que vivemos, eu e minha Sorriso Maracanã, no convívio diário com o moleque.

Vou contar passagem mais-que-verídica, como sempre, precisamente, do início ao fim, como sempre também.

26 de dezembro. Tomamos a estrada em direção a Cabo Frio para cinco dias de paz naquela terra onde as praias são ainda mais lindas, somente eu e minha garota, e eu era um excitado já na Ponte Rio-Niterói, graças ao afeto, vivo dentro de mim, de uma de nossas primeiras viagem juntos, pra Cabo Frio também. Eu, minha garota e ele, o merdeiro.

Um pouco antes de chegarmos a Tanguá, paramos num posto de gasolina para abastecer o brizolamóvel.

Dani:

– Quer alguma coisa pra comer?

– Arrã.

Lá se foi minha menina para a lanchonete.

O frentista, devolvendo a chave:

– Noventa e cinco reais.

Estendi o cartão.

– Tem chip, senhor. O senhor tem que vir comigo colocar a senha.

– OK – disse eu.

Fui.

Estou lá, digitando a senha, quando vem minha menina trazendo numa das mãos um pratinho com um sanduíche misto e noutra uma lata de refrigerante. Digito o código, agradeço, recebo e guardo o cartão de volta na carteira, beijo Dani naqueles arroubos juvenis que não me deixam, pisco o olho num sinal de “vamos”, arranco o primeiro naco do sanduíche que ela me estende docemente, tomamos a direção do carro, eu pouso o pratinho no teto do carro, e mastigando apalpo os bolsos da bermuda.

– Dani, cadê a chave do carro? – digo de boca cheia.

– Não sei, Gugu… – ela responde lânguida, e quero dizer, publicamente, que apenas ela e o Szegeri, vejam isso!, me chamam por esse apelido.

Apalpo nervosamente os bolsos todos, Dani pede calma, quando meus olhos cruzam com os olhos do Pepperoni, de pé no banco do motorista, com uma das patas sobre o pino da porta, tudo travado. Meto o olho na janela fechada, e lá está a chave, na ignição.

– Putaquepariu…

– O que foi, Gugu?

– Olha a chave… – e apontei.

Dani gargalha e lota o Maracanã:

– Pepperoni!!!!!

O imbecil nos olhava com cara de sofrimento, estático diante da janela, os olhos grudados no meu sanduíche, a língua crescendo pra baixo, mandamos chamar um chaveiro, e Dani iniciou o treinamento. Pelo lado de fora da janela, evidentemente, ela encostava o sanduíche na altura do pino da porta. O cachorro, com aqueles olhos de o-que-foi-que-eu-fiz-pra-merecer-esse-castigo?, tentava comer o pão – burro! – e a boca ali, grudada no pino da porta. Dani, numa cena patética:

– Abre, amoreco, levanta o pino…

Eu já estava na segunda lata de cerveja.

Frentistas, motoristas de caminhão, clientes do posto, os empregados da lanchonete, todos cercavam o brizolamóvel e cada um com uma idéia mais estúpida:

– Joga um paralelepípedo na janela, ele vai morrer de calor!

– Mete o joelho na porta e dobra pra fora, por cima, pra entrar oxigênio!

– Fala mais alto que ele não deve estar ouvindo lá de dentro!

Dani tentou ser mais didática e específica.

Quando parou um Fiat Tipo para abastecer, idêntico ao nosso (mesma cor, inclusive), ela pediu gentilmente ao dono que estacionasse ao lado do nosso carro, janela com janela. Entrou dentro do carro. Trancou o carro por dentro. Ajoelhou-se no banco da frente. Pôs a língua pra fora e – devo confessar – o Pepperoni a tudo acompanhava atentíssimo.

Eu já estava na terceira lata de cerveja.

Começou a morder o pino da porta do carro do cara que – devo confessar – a tudo assistia sem entender rigorosamente nada. Levantava o pino. Abria a porta e dizia gritando:

– Viu, amoreco?! Imita a mamãe, imita!

A assistência relinchava de rir e eu já estava na quarta lata de cerveja quando chegou o chaveiro, aplaudidíssimo, que em menos de 1 minuto, manipulando uma serrinha e uma chave de fenda abriu a porta do carro.

Trinta reais mais pobres seguimos viagem.

Dani foi, até Cabo Frio, conversando com o Pepperoni sobre a imprudência cometida.

Até.

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8 Comentários

Arquivado em confissões

8 Respostas para “PEPPERONI APRONTANDO

  1. >Separados no nascimento, Pepperoni e Fiona:http://vignamaru.com.br/wp-content/uploads/2006/10/fiona01.jpghttp://vignamaru.com.br/wp-content/uploads/2006/10/fiona03.jpghttp://vignamaru.com.br/wp-content/uploads/2006/10/fiona04.jpgFiona foi encontrada na rua, em Laranjeiras. É carinhosa, meiga, doce, carente e burra feito uma porta.[]ão,Carol

  2. >Ei, Carolina!!!!! Mas é impressionante a semelhança!!!!!Quando ela ficar no cio, se você quiser dar a ela um sujeito parceiro para que tenham filhotes lindos, já sabe, né?Avisa!

  3. >Esse Pepperoni eh absolutamente fantastico. Esperto e lindo.Feliz 2007 pra voces… tudo de bom.

  4. >Cabe dizer que Pepperoni, extremamente sofisticado, é profundo conhecedor de ópera e de um vasto repertório erudito. Sou testemunha. É ou não é, Doutor? Beijo.

  5. Pingback: LAYLA 10 X 0 PEPPERONI | BUTECO DO EDU

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