>O JOTA E ALGUMAS QUESTÕES SOBRE O JORNALISMO

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Vejam vocês, eu quero jurar publicamente, que nem eu agüento mais. Não agüento mais apontar o indicador em direção ao homúnculo acusando-o de ser uma espécie de vendilhão, como já tantas vezes disse. E se eu não agüento mais, faço idéia de como vocês recebem mais um texto envolvendo o Jota e sua fixação pelos lixos que destroem a cidade e nossas mais arraigadas tradições. Mas estava na edição de ontem do jornal O GLOBO:

nota publicada no Segundo Caderno de O GLOBO em 18 de dezembro de 2006

Como eu sempre digo – e provo – o Jota conseguiu emplacar, mais uma vez, o nome daquele que parece ser seu patrão – Antônio Rodrigues -, e de seu bar-de-merda preferido, o Belmonte.

Leiam aqui, antes de prosseguirem… Em 18 de setembro de 2006 o Jota, a serviço de Antônio Rodrigues, anunciava o tal do Codajás, o tal restaurante (virou padaria, pelo visto) que teria pães da casa, salada no almoço e massa no jantar. Com esta nota publicada ontem, o inacreditável empregado do jornal O GLOBO (será que ele também ganha uma miséria?, e já-já vocês entenderão minha pergunta) chega ao vigésimo-oitavo atentado contra a inteligência de seus leitores, vejam no menu à direita.

Eu fiz a provocativa pergunta com relação ao salário do Jota valendo-me de uma informação tornada pública pelo jornalista Juarez Becoza, neste texto aqui. Vamos à íntegra do comentário do Juarez:

“Amigos: o jornalismo está em crise no mundo inteiro, não apenas no Globo. A pobre jornalista que vocês execram com tanta desenvoltura é apenas uma menina, que recebe um salário miserável (acreditem: miserável) para escrever oito, dez matérias por dia. Se há alguém ou algo que mereça uma meia-lua de compasso nos córneos não é ela (nem o Globo). É o modelo econômico que nos leva a essa situação. Que contribui para a falta de interesse da população por jornalismo de qualidade. Que alimenta a sede da nossa sociedade pelo supérfluo, pelo efêmero, pelo fácil e pelo rasteiro. Que incentiva a explosão dos jornais populares, e obriga os veículos tradicionais a minguarem, enxugarem custos e investimentos, e a se popularizarem também. Os jornais, amigos, vocês sabem, não educam ninguém. A sociedade é que se educa, se reeduca (e, infelizmente, às vezes, como hoje, se deseduca) através dos jornais. E nesse nosso atual inferno pós-moderno-globalizado, a pobre jornalista que vocês desejam espancar é, na verdade, uma guerreira. Uma triste guerreira. Mas, certamente, a que menos tem culpa pelo erro que justificadamente revoltou vocês. O erro merece todo o repúdio, claro, mas o errador merece, certamente, um pouco mais de tolerância. Pois o problema aqui é muito mais grave e comprometedor do que apenas um jornal em decadência. Um abraço a todos, Juarez Becoza / Coluna Pé-Sujo / Caderno Rio Show”

Vejam bem. O assunto é mais-que-polêmico e merece um espaço mais amplo que a caixa de comentários do texto. Aliás, merece um espaço bem mais amplo que o próprio Buteco, razão pela qual, tendo eu ingerência sobre esse estabelecimento, vou tacar lenha na fogueira, com o respeito que o Juarez merece, atencioso que foi defendendo seu ponto de vista.

É que discordo frontalmente dele, e quero esmiuçar minha discordância. Vamos por partes.

Não tenho e não tive, em momento algum, a pretensão de discutir o jornalismo no mundo. O Buteco tem olhos em direção ao que diz repeito ao Brasil, ao Rio de Janeiro em particular, e justo por isso eu bato tanto no Jota (que estupra a cidade quase que diariamente) e bati, com força, segurando o tacape (sou espada, porra!) levantado pelo meu mano Simas no seu “Histórias do Brasil”, na jornalista Luciana Brum.

Luciana Brum que é, nas palavras do Juarez, “uma menina que recebe um salário miserável”. Em primeiro lugar eu não concebo que ninguém faça jornalismo com a pretensão de ficar rico. Em segundo lugar eu DUVIDO (negritado, sublinhado, o escambau) que ela ganhe um salário miserável. Mas ainda que fosse assim, considero inadmissível que isso seja justificativa para cometer erros tão crassos quanto o cometido por ela na matéria sobre a peça com textos e músicas de Paulo César Pinheiro. Os revisores e os editores do tal RioShow também ganham salários miseráveis? Não têm coragem de, então, diante da cagada, mandar publicar uma errata, um pedido público de desculpas, uma simples retratação?

Discordo também, radicalmente, quando o Juarez personifica o Modelo Econômico (Bom dia, Sr. Modelo!) e o culpa pela qualidade do jornalismo, ao menos dentro de O GLOBO. Eu queria dizer publicamente ao Juarez, e por isso me valho do balcão do Buteco, que não é o modelo econômico quem “contribui para a falta de interesse da população por jornalismo de qualidade, que alimenta a sede da nossa sociedade pelo supérfluo, pelo efêmero, pelo fácil e pelo rasteiro”. Não. Ao menos não sozinho. Quem fez isso e quem ainda faz isso desde que instalou-se no Brasil graças a acordos espúrios sobre os quais melhor poderá falar o Simas, quando e se quiser, é a potência que atende pela grife GLOBO, comandada por Roberto Marinho, dono da maior fortuna pessoal no Brasil no século XX.

Uma potência que comanda canais de TV, jornais, revistas, rádios, e que mente, e que engana, e que empurra, para o povo brasileiro, lixo goela abaixo. Não vou me desviar, que fique claro. Vou falar apenas do jornal, que é o que nos importa ao menos aqui.

Quando deparei-me, no sábado, com uma coluna fétida assinada por um tal de Ximenes (recuso-me a procurar, agora, o nome do empregado do jornal que escreve no caderno editado pela Ana Cristina Reis) na qual o infeliz exalta o Trem do Samba pelo que ele tem de épico e pela diversão que é um zona-sul ir ao subúrbio comer acarajé sem ser visto pelos seus pares, tive vontade de vomitar, Juarez. Ali, ele deseduca. Não sabe, o infeliz, a origem da festa. E dá a ela um tratamento degradante. Quando a própria Ana Cristina Reis plagia, flagrantemente, uma matéria como eu provei aqui, ela deseduca (e mente). Quando o jornal noticia (sem errar, observe isso) as festas raves que se espalham como câncer pela cidade com o único intuito de drogar a juventude seca por drogas sintéticas ele deseduca e ajuda a destruir uma geração. Quando o jornal dá, através da coluna do homúnculo, destaque evidente e vergonhoso a mentiras como Belmonte, Informal e outras merdas do gênero, ele mente e ajuda a destruir uma tradição. Quando o jornal toma partido ao longo de uma eleição presidencial, como essa nossa última, e chuta para escanteio um troço chamado isenção, ele mente e ajuda a impedir o amadurecimento e o crescimento de eleitores ávidos por informação equilibrada. Quando o jornal dá voz a uma série de empregados que não sabem nada, que não conhecem nada sobre o Brasil, sobre o ser-brasileiro, sobre a cidade e sobre o ser-carioca, ele de novo deseduca e vende, sorrateiramente, nossa alma ao diabo.

Noel Rosa faria 96 anos há uns dias, Juarez. Nenhuma menção à passagem da data. E daí a gente lê uma matéria escrita por uma menina que ganha um salário miserável, e que confia no que diz um release (foi a versão que um colega seu me contou, por email privado) sem se dar ao trabalho da pesquisa, desnecessária neste específico caso, penso eu. Aliás, Juarez, me diga lá…

Algum repóter, algum jornalista, hoje em dia, aí no seu jornal, levanta o rabo da cadeira e vai atrás da notícia? Do fato? Das fontes? Ou eles ficam mandando emails em busca de ter o que escrever? Emails, torpedos, telefonemas… hein?

Faz uma coisa, Juarez. Faz uma coisa que eu acabei de ter uma idéia.

Convence algum editor daí. Eu topo escrever uma coluna por semana, de graça, por seis meses que seja, no Segundo Caderno. De graça, Juarez. Menos do que o salário miserável da menina-jornalista. Veja se algum empregado vai tirar férias, algo do gênero. Eu trabalho de graça por seis meses.

Ofereça meu email para contato.

Palavra de honra que eu cumpro o que prometo.

Até.

6 Comentários

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6 Respostas para “>O JOTA E ALGUMAS QUESTÕES SOBRE O JORNALISMO

  1. >Uma porrada na boca do estômago desse estagiário do belmonte chamado jota.Os caras nem disfarçam mais….são empregadinhos dos bares.Devem ganhar algumas empadinhas e pasteizinhos de camarão de graça.Caio

  2. >Acabei de receber uma oferta de “degustação” do Jornal O Globo. Aceitei sabendo que no final de uma semana receberei o contato no qual recusarei a assinatura definitiva. Agora, se o Juarez conseguir uma vaga pro Edu, eu aceito a oferta.Belo texto, Edu. Grande resposta!!

  3. >Jornalistas ganham mal, sim. A maioria é freela e nem contra-cheque tem: 50 reais por página publicada em revista, 60 reais por matéria de jornalismo investigativo. Mas achei o post do caralho. Se você emplacar esta sua coluna no Globo, ainda que só por seis meses, vou estender minha assinatura até o ano 2050, na esperança de que você não seja imortal – posto que é chama -, mas colunista eterno enquanto dure.

  4. >Eu não deixei de assinar o Globo porque nunca fui assinante. Mas passo a ser pra ler você uma vez por semana!

  5. >Dou uma meia-lua de compasso no sr. modelo econômico, Edu?! Me diga, meu amigo?

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