13 DE DEZEMBRO DE 1981

Tinha eu só 12 anos de idade. Meus avós moravam na vila da São Francisco Xavier 84, casa 4, na Tijuca, evidentemente, coladinha ao edifício em que morávamos, o Edifício Jureva, na mesma rua, número 90, apartamento 203. Tinha eu só 12 anos de idade e eu precisei pedir autorização a meu velho pai, à minha mãe:

– Posso ficar acordado pra ver o jogo?

Minha mãe me disse um “é claro!” e meu pai, vascaíno inconformado com a tenacidade do filho mais velho, rosnou:

– Nunca!

O mesmo “nunca”, diga-se, que ele rosnou em minha direção, nas cadeiras azuis do Maracanã, quando o Rondinelli, três anos antes, me fez assistir, in loco, ao primeiro título do Flamengo e eu disse:

– Pai… Compra uma faixa de campeão pra mim?

Mas, como lá em casa o matriarcado sempre foi imperativo, evidentemente que fiquei acordado e, meninos, eu vi.

Eu vi, numa TV instalada ao ar livre, numa vila em estado de graça, Nunes e Adílio marcarem os três gols que tornaram incontestável o Título Mundial Interclubes de 1981. Eu vi e confesso que, hoje, 25 anos depois, cada minuto daquele jogo está gravado em mim de maneira intensa e íntegra. Aos 12 anos, tive a sensação, diante do título, de estar ganhando o mundo, que eu ainda não sabia tão ruim, como de fato é.

C.R. Flamengo, 1981

Esses onze heróis (Leandro, Raul, Mozer, Figueiredo, Andrade, Junior, Lico, Adílio, Nunes, Zico e Tita) merecem um brinde, copo cheio de chope bem tirado, de pé, no balcão imaginário do Buteco.

E dedico, confiando na mágica do tempo, que pretendo dobrar como um ilusionista para que todos eles sintam, hoje, a mesmíssima emoção que me assaltou naquele dezembro distante, a dois rubro-negros queridos que tenho muito por perto e que sequer tinham nascido naquele dia…

Ao Henrique e ao Prata, saudações rubro-negras!

E a outros Flamengo como eu, cientes da grandeza que é ser membro dessa imensa Nação, saudações rubro-negras: Lélio Ruy, Nilsinho Amorim, Renato Zoghbi, Fábio Machado, Leonardo Balassiano, Ricardo Mazzei, Basile e Xanduca Menezes!

Hoje o dia é nosso!

Até.

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12 Comentários

Arquivado em futebol

12 Respostas para “13 DE DEZEMBRO DE 1981

  1. >Que beleza de time!!Eu estava no maraca no primeiro campeonato brasileiro. E peguei um autógrafo do Nunes!!O mesmo que fez o golaço, de bico, que fechou placar!Abraços a todos

  2. >Confesso que esse foi um dos erros da educação que te dei…não te salvar dessa coisa…..

  3. >que texto lindo, Edu!Saudações Rubro-Negras!!!!Bjs, Eugênia.

  4. >Raul, Leandro, Marinho, Mozer e Júnior, Andrade, Adílio e ZICO, Tita, Nunes e Lico! Até hoje tenho dúvidas se isso é um time ou um soneto. Que coisa linda! Que saudades de um Mengão assim.Abraço

  5. >Edu, você sabe que o Mengo tem uma passagem importante na minha vida. Era teu Mengo o adversário do meu Guarani na primeira vez em que pisei num estádio de futebol. Além disso, meu velho era flamenguista – o que só faz com que eu tenha pelo seu time uma simpatia gratuita. O pai deve estar no butiquim do céu, brindando aos onze heróis rubro-negros.

  6. >Só esta faltando o Obina nesse time, heheheAbraçosTiago Prata

  7. >Marcelo: eu também estava lá, camarada! Inesquecível gol, aquele do Furacão Nunes, o “artilheiro do mundo”!!!!!Meu velho pai: vou me eximir de comentar qualquer coisa. Afinal, devo a você a conversão. Assunto para um outro dia.Eugênia e Sérgio: obrigado, e apareçam sempre. Saudações rubro-negras.Coelho, querido: tremenda falha minha não escalar você nesse time aí que pus no texto! Publicamente me redimo! Incontáveis noites passamos juntos, diante da TV, no teu apartamento na Avenida Maracanã, torcendo, bebendo e jogando conversa fora. Saudade sua, porra!Prata: quem mandou você nascer há pouco, porra?! Por isso essa devoção ao Obina…Simas: de fato e de direito. Seu comentário é típico de um botafoguense com inveja aguda.

  8. >Eu também, Edu, eu também – além de Henrique e Pratinha – sou um rubro-negro nascido pós-título interclubes! (Uma vez Mengão, sempre Mengão!).

  9. >Ai, como dói…Eu sendo consumido pelo vazio, me sentindo a mosca do cocô do bandido, e meu mano Edu ignora solenemente meu comentário…Responde a todo mundo, menos a mim. Acho que vou pular da janela…

  10. >Bruno: sem viadagem, porra, ainda mais no texto que homenageia o mais-querido. Esqueci mesmo, ou melhor, pulei seu comentário, sabe-se lá o por quê. Mas vou te dizer o que eu diria e digo agora: se eu compreendo um caso como o meu – eu era vascaíno de berço graças à ditadura paterna e libertei-me quando vi a luz – , não compreendo um como o seu.Pai rubro-negro e você vai ser bugrino, mano?Quer saber? Seu velho, de cotovelo apoiado no buteco do céu, brindando à passagem dos 25 anos do título mundial, deve estar pensando assim, ó:- Puta merda… Ó lá meu menino sofrendo… Danou de torcer pro Guarani e agora vai amargar a terceira divisão…

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