Arquivo do mês: novembro 2006

>HÁ POUCO MAIS DE VINTE ANOS

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No dia 09 de junho deste ano escrevi, aqui no Buteco, um texto chamado “1986-2006”, em homenagem ao Vidal, a Lenda, e acabo de relê-lo e acabo de ficar, de novo, emocionado, como no instante em que o escrevi. Explico.

Estávamos, naquela altura, a dois dias da abertura da Copa do Mundo. Leiam o tal texto – repito o link – e notem que o Vidal, naquele 9 de junho, me fez a pergunta fatal:

– Edu… ´cê tá lembrando que depois de amanhã começa a Copa e que há exatos vinte anos assistimos ao primeiro jogo do Brasil juntos, na casa do Marquinho, na Grajaú?

Evidente que eu lembrava. E ainda mais evidente que, da pergunta em diante, fui um nostálgico com agudíssimas saudades de tudo e de todos, mesmo que sem qualquer razão aparente, até mesmo porque não quero nada daquilo de volta, embora atribua tudo o que sou, a cada dia, a cada hora, a cada minuto passado desde o 27 de abril de 1969, a cada pessoa que me cruzou o caminho, incluindo as vacas que tentaram destruir, em vão, meu pasto.

Mas eis que o Vidal, dia desses, me bate o telefone e me convoca, grave, para um encontro rápido:

– Tenho um troço para ti.

Eu ganindo do outro lado da linha:

– O que é? O que é?

– Surpresa. Seis horas no Rio-Brasília.

Cheguei às quatro.

E vivi duas horas de angústia.

E ele, que foi pontualíssimo, entregou-me, em forma de fotografia, aquele primeiro de junho de 1986 a que me refiro no texto “1986-2006”.

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Não é possível que isso aconteça só comigo.

Foi ele me entregar a tal fotografia e eu vi, um por um, diante do balcão do Rio-Brasília, pedindo carne assada com coradas e maracujá ao Joaquim, comemorando aquele gol do Sócrates no macérrimo um a zero contra a Espanha.

Pela ordem, vamos lá.

Em cima, da esquerda pra direita: Bandoli, Nêga, Denise, Telmo e Zacour, formando um “v” na fotografia. De amarelo, Claudinha Lyra, Janine (com os óculos escuros nos cabelos) e Claudinho Braga atrás. Abaixo dele, Patrícia Rocha, Duda, Alexandre Viana, eu (de boné) e o Lula, com a flor na orelha. No chão, Marcelo Vidal, Marcinha e Piúma.

No canto da foto, embaixo à direita, a data, para os incrédulos: jun.86.

Muitos eu nunca mais vi.

Mas é impressionante – as fotografias nos revelam troços inescrutáveis – como todos estão comigo. Ainda.

Até.

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>TUDO DE NOVO

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No dia 14 de março, de 2006 mesmo, anunciei, aqui, com pompa e circunstância: parei de fumar! Antes de prosseguir preciso lhes confessar que bastou digitar a palavra “pompa” para que ele, o Pompa, meu mano Szegeri, viesse à lembrança. Corrijo-me. O Szegeri nunca me vem à lembrança. Não posso lembrar de um sujeito que está vivo e atuante, em mim, as 24 horas do dia. Ele é, já disse isso milhares de vezes e repito, mais uma vez, para que fique ainda mais evidente, o homem a quem recorro diuturnamente. E para tudo. Não foi uma, não foram duas, não foram três vezes, por exemplo, que diante da minha Sorriso Maracanã, num restaurante qualquer, com o cardápio aberto, bati o telefone pra ele:

– Szegeri, querido… O que eu peço para jantar?

E ele – tenho de fazer a confissão em nome da precisão – jamais me negou a ajuda, o help necessário.

– Filé com fritas!

– Peixe assado com banana!

– Uma massa!

Dito isso, em frente.

Voltei a fumar em meados de setembro, eu penso.

Mas eis que, menos de dois meses depois, abateu-se sobre mim o peso do pânico novamente.

E fui ao Zyban.

E parei de fumar (podem rir) no dia 16 de novembro.

De lá pra cá – não pensem nos poucos dias, pensem nas muitas horas sem nenhum dos 60 cigarros que me diziam “olá” ao longo de todos os dias – já resisti a algumas rodas de samba, a uma tarde inteira de praia, aos silêncios de depois e quero crer – riam de novo! – que dessa vez é definitivo.

Antes de fechar, um grifo: quem mais ri, eu sei, é meu velho pai.

Não saberia dimensionar para vocês o tamanho da gargalhada quando, na quinta-feira passada, lhe disse com as mãos em seus ombros:

– Pai, parei de fumar.

Foi constrangedor, até.

Até.

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>20 DE NOVEMBRO

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Hoje é 20 de novembro, feriado. Comemora-se, neste dia, o Dia da Consciência Negra, em razão de que a data nos remete à luta resistente de Zumbi dos Palmares. Aliás, faço aqui uma breve pausa, não sem antes protestar contra essa barbaridade que faz com que as crianças brasileiras desconheçam, por completo, a história desse e de outros grandes heróis da história brasileira, e idolatrem cachorros idiotas como um tal de Clifford, um gigante retardado, e outros lixos impostos pelo Discovery Kids, a verdadeira babá eletrônica da imensa maioria dos pais.

Eis aí, hoje, uma bela oportunidade, uma bela data, para avaliarmos quem nos cerca. Ouvir “quero ver quando vai ter o dia da consciência branca”, “grandes merdas esse feriado por causa dos pretos”, e outras imbecilidades do mesmo gênero, serve para que saibamos quem é quem, e creio que me faço entender. Voltando, então.

Vai soar repetitivo, confesso, eis que há poucos dias recomendei a leitura de seu blog, de maneira intensa. Mas é que lendo, ontem, o belíssimo texto que o Simas escreveu para homenagear o Anescar, do Salgueiro, tive olímpica vontade de ouvir, de novo, o monumental samba “Quilombo dos Palmares”, de autoria dos imortais Noel Rosa de Oliveira e Anescar Rodrigues.

E o ouvi. Diversas vezes.

E hoje, nesse 20 de novembro, quando vou comemorar a data à minha moda, com gente que eu amo, sobre as pedras sagradas da sagrada Rua do Ouvidor, quero transportar-me, seja lá como for, para o Ó do Borogodó, onde uma festa promete ser imperdível, como anunciou meu mano Szegeri, aqui.

Tomara que ele cante esse samba pra mim:

“No tempo em que o Brasil ainda era
Um simples país colonial,
Pernambuco foi palco da história
Que apresentamos neste carnaval.
Com a invasão dos holandeses
Os escravos fugiram da opressão
E do jugo dos portugueses.
Esses revoltosos
Ansiosos pela liberdade
Nos arraiais dos Palmares
Buscavam a tranqüilidade.

Ô-ô-ô-ô-ô-ô
Ô-ô, ô-ô, ô-ô.

Surgiu nessa história um protetor.
Zumbi, o divino imperador,
Resistiu com seus guerreiros em sua tróia,
Muitos anos, ao furor dos opressores,
Ao qual os negros refugiados
Rendiam respeito e louvor.
Quarenta e oito anos depois

De luta e glória,
Terminou o conflito dos Palmares,
E lá no alto da serra,
Contemplando a sua terra,
Viu em chamas a sua tróia,
E num lance impressionante
Zumbi no seu orgulho se precipitou
Lá do alto da Serra do Gigante.

Meu maracatu
É da coroa imperial.
É de Pernambuco,
Ele é da casa real.”

Até.

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>RIO BOTEQUIM: VADE-MÉCUM DE OTÁRIO

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Nada como o tempo, aquele nos bate à parte e que nos faz beber um pouquinho pra ter argumento, pra fazer emergir uma meia dúzia de verdades que nos dão um alívio quase que inexplicável. Um dos caras que eu mais respeito, pelo que tem de história e de vivência, de sabedoria e de experiência, é José Sergio Rocha. E foi dele que recebi o email que transcrevo, literalmente, abaixo. Depois da transcrição, comentários meus:

“Edu, sabe essa tolice em que se transformou o RIO BOTEQUIM? Não era para virar o esculacho que virou. Acompanho atentamente as porradas que você dá nessa gente e concordo contigo e com os postadores do BUTECO, quando desancam os barezinhos sob medida para os bobocas que só vão a esses lugares “da moda”.

Tá bom que pai e mãe são os que criam, mas até hoje fiquei caladinho de oliveira e silva, apenas vendo o moleque crescer, apenas acompanhando e vibrando com suas travessuras. No entanto — aqui, del Rey! —, tenho alguma autoridade para falar sobre o pestinha por ter sido um dos criadores do projeto que o pariu.

Só uns poucos amigos — você e o Fernando Szegeri incluídos — foram informados por mim a respeito dessa paternidade biológica. Agora me dirijo a outros amigos e a seus leitores, fazendo minhas as palavras do falecido Jack Palance: acreditem, se quiserem.

Os patrocinadores, os que ganham grana à custa de uma idéia desvirtuada, podem ficar tranqüilos: não vou me queixar ao bispo nem vou ao Ratinho requerer o exame de DNA. Não estou atrás de propina, não sou candidato a porra nenhuma e já deixei de ir a um boteco maravilhoso, o PAULISTINHA da Gomes Freire, porque nas duas vezes em que fui não me deixavam pagar o que eu comia e bebia. Ordens do bicheiro que mandava lá, um bicheiro, aliás, simpaticíssimo. O Zinho não deixava jornalista pagar no PAULISTINHA. Uma pena. Eu teria ido mais vezes, e não apenas duas. Não sei se ainda funciona assim.

Voltando ao RIO BOTEQUIM, me inspirei a falar algumas coisas a respeito desse troço depois de visitar, por sugestão sua, o belíssimo blog PINDORAMA, escrito por um pioneiro do GUIA RIO BOTEQUIM, Paulo Thiago, a quem conheço apenas de vista, de algum boteco ou redação (eu o reconheci numa das fotos, mais jovem). Lá está uma parte importante da história dessa meleca. Agora, se você me permite, vou contar outra parte, referente à pré-história.

Em meados dos anos 1990, eu trabalhava no GLOBO ou no JB — não me lembro, foi numa das minhas idas e vindas da Avenida Brasil 500 para a Rua Irineu Marinho 35 — e fazia frilas para a Margem Editora. O dono da empresa era meu ex-editor de política no GLOBO, Luiz Alberto Bittencourt, o Luizinho, que fora o dono do REPÓRTER, um dos jornais da imprensa nanica no tempo da ditadura.

Na MARGEM — onde também estavam a Flávia Cavalcanti, o José Truda e a Sônia Beatriz — eram minhas tarefas ajudar o Luizinho a fazer jornais e outras publicações do INMETRO e da Construtora ENCOL, aquela tal que demorava tanto a entregar os prédios que construía que acabou levando um monte de processos até falir de vez.

O Luizinho, na época, prestava também assessoria ao então prefeito Cesar Maia, que estava se despedindo do cargo e tentando fazer seu sucessor, o arquiteto Luiz Paulo Conde, na ocasião com míseros 6% ou 8% no IBOPE. Era o quarto colocado nas pesquisas.

Um dia, eu disse ao Luizinho que não poderia ficar mais, pois fora convidado a escrever a biografia de Roberto Silveira, grande governador do antigo Estado do Rio, morto num acidente de helicóptero em 1961, no jardim do Palácio Rio Negro, em Petrópolis. Até indiquei alguém para o meu lugar, o jornalista João Batista de Abreu, meu ex-companheiro de trabalho no JB e no GLOBO, ex-colega do curso de jornalismo da UFF, hoje dirigido por ele.

Nessa conversa, numa daquelas salinhas da empresa, que ficava e ainda fica na Barão do Flamengo, brinquei com o Luizinho dizendo que tinha planos para fazer minha própria empresa de comunicação, a RIVE GAUCHE, a MARGEM ESQUERDA, que nunca saiu do papel. Rimos muito disso. No mesmo papo, Luizinho me entregou o derradeiro frila: produzir um jornalzinho de campanha pro Conde, o primeiro jornal da campanha dele. Fiz uma ou duas matérias, outras já estavam prontas e foram copidescadas e tituladas por mim, o panfletão ficou pronto e, então, pedi meu boné oficialmente. Luizinho me pagou o que devia, tudo certo, me mandei pra casa.

Antes disso, o Luizinho me contou que tivera uma idéia — ele sempre foi bom nisso — e pensava em apresentá-la ao próprio Cesar ou, quem sabe, caso conseguisse se eleger, ao Conde. O projeto só tinha nome, RIO BOTEQUIM. Luizinho não sabia se aquilo daria certo, pra que serviria, se a idéia empolgaria ou não o prefeito atual ou o futuro. Perguntou-me o que eu achava. Respondi no ato: é o máximo! E prometi dar de presente algumas sugestões para que fosse viabilizado.

Saí de lá com um troço na cabeça. O tal Conde ia emplacar. Eu mal sabia quem era, só conhecia de nome, um pouco de sua fama como arquiteto, e mais nada. No entanto, após fazer o jornal de campanha, tive a certeza de que ganharia a eleição. Por um motivo simples: o sujeito era gordo, bonachão, gostava de uma biritinha e de umas empadinhas feitas aí na Tijuca. Mais carioca, impossível! Se seria bom ou mau prefeito, eu não poderia adivinhar. Mas que o gordo tinha tudo para ganhar o eleitorado, lá isso tinha. Ainda mais com o apoio da “máquina”…

Pois saibam, contemporâneos e pósteros, que o degas aqui deu sua “contribuiçãozinha” para que a idéia não fosse parar na lata de lixo.

Chegando em casa, alinhavei alguns pontos. No dia seguinte, antes de sair para o trabalho, sentei diante do meu primeiro micro e escrevi seis a oito telas, com o prazer que sempre tive em produzir trabalhos não remunerados. Terminada a tarefa insana, mandei o calhamaço por e-mail, pelo meu provedor na época, um INTER qualquer coisa, aqui de Niterói. Confirmei o recebimento por telefone e larguei de mão aquilo. Guardei durante algum tempo e, como sempre faço, um dia joguei na lixeira virtual. Eu não ia ganhar nada mesmo com aquilo, nem havia me proposto a tal, que se foda!

Que prazer, Edu, tive ao escrevinhar aquele projetinho!

Pensei em desenvolver um MICHELIN dos pobres e foi o que saiu. Imodestamente, lá estava tudo aquilo que vigorou até um dia desses no RIO BOTEQUIM. A escolha dos melhores botecos da cidade por um júri de responsa; eleição do melhor chope e da batida mais caprichada; dos pastéis, empadinhas e sandubas mais apetitosos; um calendário de eventos com abertura para patrocínios do bem; edição de uma revista (o guia! o guia!) anual; o conceito de fazer daquela idéia do Luizinho (o principal pai biológico desse troço, que só editou, salvo engano, o primeiro guia) um incentivo para que se consolidasse a cultura da comida de buteco; a valorização dos botecos e adegas suburbanos, e não apenas de lugares maravilhosos como a ADEGA PÉROLA e o BRACARENSE que então existia…

Porra! Até nomes para compor o corpo de jurados estavam naquelas seis ou oito telas, 120 a 150 linhas de texto. Me lembro de alguns: Sargentelli, Jaguar, Sergio Cabral pai, Aldir Blanc, destes nomes me lembro bem.

Tava tudo formatadinho beleza!

Botecos, restaurantes com jeito de botecos, adegas, bares tradicionais do Rio, como o LAMAS, o BRASIL, o BAR LUIZ, o CAPELA, evidente que não poderiam ficar de fora daquele negócio.

Esqueci aquela porra. Semanas depois, o Conde venceu a eleição e Luizinho tornou-se seu assessor de imprensa, consultor, sei lá. Só muito tempo depois, fiquei sabendo que o RIO BOTEQUIM acabou saindo, exatamente do jeito que fora parido no meu pranteado computadorzinho que morava no meu apê da Rua Lopes Trovão, Icaraí, Niterói, de frente para o Caio Martins. Sem tirar nem pôr, caraca!

De vez em quando, evidente, uma dorzinha de cotovelo por saber que aquele projetinho bacana tinha sido aproveitado quase integralmente, sem tirar o mérito da equipe, nela incluída alguns chapas de redação, que mandou ver nos primórdios, e mandou bem!

Por que, agora, essa coisa que mais parece uma choradeira, se a culpa de não sair bem na fita foi toda minha, se o interesse não foi e continua não sendo material?

Foi pelo que fizeram ao moleque, hoje entregue a uns e outros que não parecem ter tanto respeito pela instituição “buteco”. Pelos rumos que o projeto tomou, pela tolice que hoje impera e que merece o apelido dado pelo Szegeri: o RIO BOTEQUIM virou mesmo um vade-mécum de otário.

Não era para ter acontecido assim. O moleque tinha berço. Foi parido e amamentado por muita gente boa. Hoje está aí no mundo, tomando grana de bestalhões que, como você diz, se sentem o máximo por serem reconhecidos pelo Chico e pelo Paiva.

O RIO BOTEQUIM, malandragem, tem muito mais a ver é com o COSTA, o PETRÓPOLIS, o PAULINHO e o seu Real do LAMAS; com o Bengala do AMARELINHO, depois do VERMELHINHO(cuja candidatura a vereador em Santa Isabel, bairro de São Gonçalo, pelo falecido Partidão, foi noticiada, a meu pedido, pela coluna Swann, já sob a responsabilidade do Boechat); com o Gatão, do DEFRONTE; com o Candinho, o Israel e o Kojak, do falecido BAR NATAL; com o Pierre, do BAR DO NELSON, no Ingá; com todos os garçons de verdade, tenham nascido aqui ou em Nova Russas, no Ceará, o maior pólo garçonífero do Brasil, no dizer de meu amigo Milson Bezerra.

Tem a ver com boêmios de estirpe, alguns já meio aposentados, outros ainda na ativa, que bebericam e comem os acepipes do RIO-BRASÍLIA, do ESTEPHANIO´S, do CANECO GELADO DO MÁRIO, do REI DO BACALHAU, do BAR DO PERNAMBUCO, do AMENDOEIRA, do ZINHO BIER. Salve a Tijuca! Salve o Encantado! Salve Maria da Graça e Benfica! Salve Niterói!

Tem a ver, isto sim, com os saudosos freqüentadores do CAIXOTE, que ficava na Francisco Sá, onde menino eu vi — meninos, eu vi! — Vinicius, Caimmy, Paulo Mendes Campos secando ampolas nos anos 1960, ampolas que se equilibravam em caixotes de bacalhau. Com o BAR BICO, que nunca fechava, em frente à 13ª DP, quase ao lado da Galeria Alaska. Com o BOCA SECA, na Gustavo Sampaio, pra não dizerem que não falei na Zona Sul.

É um horror o que fizeram e fazem esses negociantes de botecos-franquias, esses baba-ovos do tal jornalismo culinário e das colunas indecentes que não passam dois dias sem lamber as botas dos belmontes, devassas e companhia bela!

Pisei num bar pela primeira vez na vida, que me lembre, quando tive condições de ficar de pé. Foi no FLOR DO RIO BAR, hoje o Fórum da cidade de Propriá, em Sergipe. Era do meu avô e foi nas mesas de sinuca do FLOR que um tal de Carne Frita aprendeu a matar a bola sete. O mesmo Carne Frita que vi jogando com Lincoln uma inesquecível partida no BAR E BILHAR IDEAL, na Francisco Sá, Posto Seis, Copacabana. Outro bar inesquecível, pra mim, foi um em que estive aos oito ou nove anos de idade, e ainda hoje na mesma esquina da São João com a Ipiranga, em São Paulo, o querido BRAHMA, que meu pai me levou não sei em que ano, mas num dia 9 de julho. Sei a data porque os fregueses que entravam diziam alto “Ê viva Sambaulo!”. Ainda diziam essas coisas em 1959 ou 1960. Passei alguns dos melhores anos de minha vida em lugares como o BAR NATAL, famoso pela sopa Lavoisier (nada se perde, tudo se transforma), onde hoje se ergue o Plaza Shopping de Niterói. Tomei muitas cervejas na birosca do Fininho, em Oswaldo Cruz.

E muitos, muitos mais, que conheço ou que nunca fui! Botecos e butecos de verdade continuam de pé. Tal como o carnaval carioca, que os ignorantes desconhecem (preferem aquela merda que fazem em Salvador!!!).

É isso aí. Acreditem se quiserem, mas esta é uma parte da história, ou da pré-história de uma bela idéia que perdeu a alma. Quem não acreditar, foda-se!

Rio Botequim? Hahahahahaha! Cadê o eco, Simas?

Saudações etílicas do seu leitor,

Zé Sergio”

O email é longo, é verdade, mas se você chegou até aqui já sabe o quão legítima é a minha revolta contra esse lixo, contra essa mentira, contra esse vade-mécum de otário, que é o guiazinho de merda que está pra ser lançado.

Ergo, de pé, diante do balcão imaginário do Buteco, um copo cheio de chope bem tirado, em homenagem a ele, José Sergio Rocha, um amigo que conheci, e reconheci, numa mesa de bar.

Bar, diga-se, que não está listado – ainda bem – entre os notáveis visitados pela cambada de idiotas que seleciona os que figuram nas páginas sujas do livro de merda que será – anotem!, anotem!, anotem! – festejado e anunciado pelo Jota e seus asseclas.

Até.

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>DISCUSSÃO NO BALCÃO

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O assunto – buteco – é tema permanente de discussões intermináveis, e ainda bem que intermináveis, porque enquanto há discussão, há garrafas e copos como pano de fundo. E havendo garrafas e copos, todos querem uma pausa de mil compassos para ver as vitrinas e suas sardinhas e moelas e pastéis, e vamos em frente.

Tendo em vista que estamos a poucos dias do lançamento do “Guia Rio Botequim” edição 2006, sua sétima edição, que eu esculhambei aqui, e o fiz radicalmente, como é praxe em se tratando de mim, a tendência é que a discussão sobre o tal livro, o tal guia, o tal vade-mécum de otário (cada um chama como quiser), cresça. Sempre haverá os eufóricos com o lançamento, sempre haverá os enfadados com a coisa, e assim a gente tem assunto pra levar à mesa e aos balcões, sejam eles reais ou virtuais.

Dia desses chegou-se ao balcão do Buteco o Paulo Thiago. Não sei exatamente como, mas sei que chegou pisando devagar, prova de extremo bom senso e de bom caráter segundo meus critérios de avaliação, que cada um tem o seu particular critério também pra isso. Daí trocamos alguns emails e já temos marcada – ou ao menos planejada – uma visita ao Rio-Brasília, o que muito me honra. Foram comigo, pela primeira vez, ao melhor buteco da cidade, o Szegeri, o Borgonovi, o Augusto Diniz, o Caio Vinícius, o Bruno Ribeiro, o Simas, o Rodrigo Folha Seca, o Pratinha. E para minha intensa satisfação, todos, sem exceção, tornaram-se fãs de carteirinha do melhor maracujá do mundo (vejam se eu exagero), do Joaquim, da Terezinha, de Deus (que é garçom da casa), da carne de panela com coradas e de cada metro quadrado desse pé-sujo que – é preciso dizer – jamais foi visitado por qualquer estudioso do malfadado guia.

Voltando ao Paulo Thiago.

Quero recomendar a vocês, meus poucos mas fiéis leitores, a leitura de um texto honesto, publicado no blog do malandro, chamado “Meu bar é o botequim”. Muito mais que escrever um texto meramente opinativo, o Paulo Thiago, que é jornalista, faz um grande apanhado sobre a trajetória do “Guia Rio Botequim”, desde sua primeira edição. É evidente que eu ingressei na discussão que já rendeu, até o momento, 28 comentários, muitos deles meus, do próprio Paulo Thiago e até do Moacyr Luz, o que demonstra ser verdadeira a afirmação que fiz no começo deste texto.

Leiam! E entrem na discussão!

Até.

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A FORÇA DAS PALAVRAS DO SIMAS

Vai parecer a quem quiser me defenestrar, que estou preguiçoso nesta segunda-feira gelada, impensada para um mês de novembro no Rio de Janeiro. Mas não é verdade. Estou, eis aí o adjetivo certo, sim, embasbacado com a qualidade do texto do meu queridíssimo Simas, que – diz ele, motivado por mim – passou a escrever quase que diariamente em seu excpecional blog, o Histórias do Brasil.

E eu tenho desses troços.

Empolgo-me com alguma coisa e saio, por aí, como um mercador, vendendo o peixe alheio. Estou sendo preciso do início ao fim. Já dividi com vocês, empolgadíssimo, o Rio-Brasília, o melhor buteco do Rio de Janeiro. Já dividi com vocês, igualmente empolgado, o talento do Pratinha, e está bom de exemplos, vou parar por aqui. Vivo, permanentemente, a euforia dos encontros que, como um louco, busco sempre promover, com a intenção maior, de engrossar o exército em defesa do que há de mais carioca, de reunir gente que pensa, que opina, que faz a gente crescer a cada papo, a cada rodada de cerveja, a cada encontro, enfim.

E é mais-do-que-empolgado que quero recomendar, expressamente, os dois últimos textos escritos pelo Simas, de quem tenho tremendo e quase que inexplicável orgulho.

No primeiro deles, o bardo conta sobre o dia em que quase matou o desprezível cantor Agnaldo Timóteo, sem o negrito, evidentemente. É de chorar de rir. Leiam aqui.

E o segundo – o de hoje – é de uma beleza indizível.

Diz o bom Simas:

“O que se passou, por exemplo, durante a República Velha na zona do Mangue, entre garrafas de cerveja, conhaques vagabundos e delírios suicidas de velhas putas, me interessa mais que as tramóias urdidas nos gabinetes presidenciais, abastecidas, diga-se de passagem, por litros de café-com-leite e cafetinas de luxo.”

Chama-se “Para todas as flores da noite” e é de leitura obrigatória. Como todo o blog, aliás.

Mas a intensidade deste último texto, meus poucos mas fiéis leitores, me obrigou a, de cotovelo apoiado no balcão imaginário, gritar: leiam!, leiam!, leiam!

Até.

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>RECADO PARA ALESSANDRO SOLER

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Estou, como vocês sabem, desde ontem, sem receber O GLOBO em minha casa, já que cancelei a assinatura. Mas foi Fefê, meu siamês, quem me chamou a atenção para uma matéria babaca no jornal de hoje. Fui ao “GLOBO DIGITAL” atrás da dica. Sob o título nojento “Novos garçons conquistam modernos boêmios – profissionais dos pés-limpos – versão século 21 dos antigos botequins – ganham a preferência dos mais jovens”, o jornalista (pausa para gargalhar) Alessandro Soler, sem o negrito que ele não merece, dá de imitar o Jota, igualmente sem o destaque imerecido, e assina a matéria.

Não vou dar destaque ao que diz o sujeito.

Mas ele – que escreve mal pacas – faz uma ameaça e quero respondê-lo. Ele diz, a certa altura:

“Pé limpo. Se ainda não tem um numa esquina perto de você, aguarde.”

Digo eu daqui: eu moro na Tijuca, Alessandro, na zona norte, que é feito cigana lendo a minha sorte. E aqui não tem lugar pra babaquices como essa, de pé-limpo. Os lixos que você cita (Espelunca Chic, Conversa Fiada, Drinkeria Maldita, Devassa), os mesmos que seu consoante colega de redação vira e mexe exalta, nunca (eu digo nunca com ênfase szegeriana) chegarão nem perto de qualquer esquina daqui. Vá rogar essa praga pros teus.

O coro aqui é forte, comandado pelo Simas: não passarão!

Até.

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