>TÁ DIFÍCIL…

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Antes de mais nada eu quero, com o cotovelo apoiado no balcão imaginário, me desculpar por não ter escrito rigorosamente nada ontem. Seguramente isso não fez diferença pra ninguém, seguramente ninguém teve crise de abstinência por conta disso, mas eu confesso que fiquei ligeiramente chateado por interromper a rotina. Mas as atribulações do dia não me deram o mínimo refresco. E isso somado à frustração que tive quando soube que minha menina chegaria apenas amanhã, sexta-feira. Feita a introdução, vamos ao que lhes quero contar.

O Jota, vocês que me lêem estão cansados de saber disso, é alvo de permanentes críticas minhas por conta da publicidade escancarada que faz em prol dos bares-de-merda que vêm destruindo, aos poucos, os butecos carioquíssimos que são a cara da cidade que eles, investidores ávidos apenas por lucro, ajudam a destruir. Mas notem: eles, investidores, que deveriam buscar o lucro noutra atividade que não uma tão nociva à cultura do Rio de Janeiro, estão cumprindo o papel que lhes cabe, o de vorazes empresários cagando para tradição, para cultura, para manutenção dos hábitos do povo. O que me causa indignação é que um sujeito que tem uma coluneta de página inteira em um dos principais jornais do país, que assina uma coluna às segundas-feiras, preste um desserviço à cidade adulando, puxando o saco, babando as bolas, os ovos, desses caras e dessas anomalias a que chamam “botequim pé-limpo”, ou “pé-sujo fashion”, essas merdas.

Pois bem. Ontem e hoje esse homúnculo dedicou-se a dar publicidade a duas babaquices sem tamanho. Vamos a elas.

Numa nota publicada ontem, intitulada “Vou de táxi”, diz o consoante:

“O Rio ganhou sua primeira cooperativa de táxis especializada em atender o público GLS. É a Nova Aliança. A frota tem 20 carros, trafega principalmente pela Zona Sul, e tem como símbolo o mesmo arco-íris do movimento gay.”

Apenas um comentário, e tirem vocês as conclusões que quiserem: onde mais, se não na zona sul, poderia trafegar uma merda dessas? E depois de apenas esse comentário, uma pergunta, que se alguém puder me responder eu agradeço intensamente: o que significa uma cooperativa especializada (vou repetir… especializada) em atender o público GLS????? E o Jota, especializado em promover merda, dá nota!

Parou por aí?

Não. Numa nota publicada hoje, intitulada “Turismo de alegria”, denotando que o Jota anda numa fase afetadíssima, diz o consoante:

“O Rio, que só perde em turismo gay para São Francisco, já tem cinco grandes festas raves programadas entre 29 de dezembro e 1º de janeiro: Alegria, X-Demente, R.Evolution (duas edições) e Pool Party.”

Sobre essa propaganda imunda do homúnculo (ganhando o quê em troca?), tenho a dizer o seguinte: todo mundo sabe, até o Pepperoni, meu fiel vira-lata, que festa rave nada mais é do que um pretexto para uso indiscriminado de drogas sintéticas, ecstasy, bala (como eles chama essas merdas, nem sei direito o que vem a ser) e outras bostas do gênero.

E isso é anunciado com festa (da alegria, segundo o Jota) em um dos mais importantes jornais do país. Agora… baile funk no morro é motivo para que os pais dos merdas que se drogam nas raves estendam faixas escrito “BASTA” em suas varandas. Tá difícil, tá difícil…

Parei por aqui?

Não.

Termino com uma notícia bastante elucidativa, que dá bem a dimensão dos tempos sombrios que vivemos. Uma criminosa recebeu a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro, leia aqui. Um assassino como o Coronel Ustra, torturador covarde com mais de 500 crimes nas costas, evidentemente sem o negrito, é bajulado num banquete para 400 pessoas, em São Paulo, com direito a discurso de Jarbas Passarinho, com 82 anos, ainda vivo, infelizmente capaz de dizer as barbaridades que disse para uma platéia patética babando diante de um monstro. Uma milionária é assassinada no Leblon e no dia seguinte o cartunista de O GLOBO desenha o Rio de Janeiro sangrando, como se não sangrasse diariamente com a morte de anônimos em lugares ditos menos nobres que o bairro preferido do Jota. O irmão desse colunista, na mesma oportunidade, e aparentemente pelo mesmo motivo, desenha, na capa do JB, um negrinho assaltando o Cristo Redentor, mais detalhes aqui.

E o que aconteceu mais recentemente para que eu puxasse tanto gancho podre como intróito?

Está para ser inaugurada mais uma estação de metrô no Rio de Janeiro. Na zona sul. Mais precisamente em Copacabana. Próximo ao Corte de Cantagalo. Mais precisamente na Praça Eugênio Jardim. E vive-se a celeuma: como se chamará a estação? Estação Cantagalo ou Estação Eugênio Jardim?

Pois bem. A Associação de Moradores e Amigos de Copacabana – a AMACOPA – está promovendo um abaixo-assinado para ser entregue ao Governo do Estado pedindo que a estação não se chame Cantagalo, e sim Eugênio Jardim. A razão?

Leiam, vomitem e concordem comigo que a coisa tá feia, muito feia.

“3. Todos nós devemos, sempre que possível, enaltecer os bons exemplos, para que nossos filhos e para que a própria sociedade tenha modelos a seguir.

4. Ao mesmo tempo, todos nós devemos evitar toda e qualquer possibilidade de – inadvertidamente ou não – enfatizar ou evidenciar, os maus exemplos, passíveis de alusões ou associações, ao crime, a contravenção e a delinqüência, o que infelizmente, a denominação ´Cantagalo´ tem hoje, com o narcotráfico.”

Eu confesso que, tomado de ódio, de nojo, de repugnância e de um sentimento quase-assassino, nem consigo mais escrever. Quero que Dalva Bezerro Camanho, que assina esse troço mal escrito, mal pontuado, cheio de um preconceito odioso e repugnante, se foda – esse “se fôda” lido assim, com o circunflexo pontuado, lido com ênfase szegeriana – como quero que se fodam todos os filhos das putas capazes de assinar um cocô desses.

Como quero que, como último ato como governadora do Estado, Rosinha Garotinho bata o martelo (antes de fazê-lo na própria cabeça e na de seu marido) e batize aquela estação como “Estação Cantagalo”.

A boa notícia, que vem junto, anuncia que o Ministério Público entrará com ação contra essa associação de merda por discriminação territorial, de origem e crime de racismo.

Até.

7 Comentários

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7 Respostas para “>TÁ DIFÍCIL…

  1. >Tá foda, mano. Se a coisa continuar assim a única saída será partir para a porrada. Não dá mais para conviver com essa corja reacionária. Quem dera que isso aqui fosse uma Venezuela, aí essa elitizinha de merda ia ver só com quantos paus se faz uma jangada. Tá na hora de começar a tomar nossa cidade de volta, Edu!

  2. >Venezuela?Cáspite!Saravá!

  3. >Pois é pessoal, tá difícil mesmo…Por outro lado -sou um otimista ferrenho- tem muita coisa e gente boas por aí! Apesar destes imbecis ou , na melhor das hipóteses, equivocados estarem sempre em evidência, há a maioria que nos ajuda a levar a vida e que não aparece muito. Dá a impressão que honestidade, generosidade e bom caráter não dão notícia…um abraço a todos e …feliz dia do samba

  4. >Sobre a origem do nome Cantagalo”Quando foram construídos os primeiros barracos do Cantagalo, nos anos 30, o clima no morro ainda era rural, com ares de cidade pequena do interior. A maioria dos moradores cultivava pequenas hortas para subsistência. Muitos criavam galinhas. Como um deles na época tinha uma enorme criação de galos, o nome acabou pegando: ‘Lá onde canta o galo’. Não há consenso sobre a história.Muitos moradores hoje chamam a favela apenas como ‘Galo’. O próprio sambista Bezerra da Silva, filho ilustre, canta na música Aqueles Morros: ‘Gosto de todos, mas o Morro do Galo que é meu lugar’.”Fonte: o ótimo sítio Favela tem Memória. Visitem, passeiem, divirtam-se, que vale a pena. Pra ver que a briga é feia mas tem o lado de lá e o lado de cá.

  5. >Edu querido,Será que essa dona dalva bezerro camanho (em minúsculas, como você gosta)vai propor a mudança dos nomes das escolas de Samba do Rio? Sem Mangueira, Salgueiro… esses nomes que para ela devem lembrar narcotráfico, crime, contravenção… Enquanto isso no Leblon e na Barra os jovens de classe média metem o nariz no pó o dia inteiro e a culpa é do morro!Abraço

  6. >Caraio, mermão, essa gentinha da zona sul do rio não fica nem vermelha!Cara, vou te dizer uma coisa: isso é nojento! Festa reive, como é pra filho de bacana tá legal (e rola tanta ou mais droga que em baile funk, o tal do ectasi deixa todo mundo facinho e a putaria rola solta também… ah, mas daí é uma gente branca e bem nascida, aí não é problema!!!!olha se precisar de ajuda pra jogar uns molotovs no casal garotinho, pode contar comigo!sorte e saúde pra todos – sobretudo pro povo do Cantagalo!

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