O APELIDO

O átimo entre a percepção interna e o verbo externado que dá apelido a alguém é, pra mim, um mistério. Um mistério ao mesmo tempo sacralizado. O cara fica ali, na dele, no canto do balcão, bebericando feito passarinho sua bebida, saca os caras à sua volta, pensa, ri sozinho, e espera o momento certo para cravar o apelido que, no mais das vezes, se eterniza.

Feito o intróito, vamos aos fatos.

Ontem fui ao bate-papo promovido pelo jornalista Marco Antônio de Carvalho com Aldir Blanc, no Céu Aberto, na Lapa. Durante o dia, trocando emails com o Fausto Wolff, dei a ele a sugestão do programa. Não levei fé. Mas quando eu cheguei, já lá estava o Velho Lobo, jornalista maiúsculo. Como lá estavam Alvinho Marechal, Baffinha, Rodrigo Folha Seca, Mello Menezes, minha comadre Mariana Blanc, Marquinho Presidente, Bel Blanc, Mari Blanc, Vera Mello (que recitou um texto magnífico do Aldir, no final, levando o bardo às lágrimas), Pratinha, entre outros.

Reconheço de público o horror desse “entre outros”. Até porque eu gostaria de me referir especificamente a um casal que lá estava, ela fotografando e ele de cabelos nazarenos, mas não me lembro – deve ser a senilidade me dando bom-dia – de jeito nenhum seus nomes. E justo ele que, disso bem me lembro, foi o primeiro da fila no dia 12 de dezembro do ano passado, quando lancei meu livro no Estephanio´s (comprem! comprem! comprem!). Comprem através do link ou ao vivo, em carne e osso, na Livraria Folha Seca, a livraria do meu coração, na Rua do Ouvidor 37. Vale a visita, vale um papo com o Rodrigo ou com a Dani, que cuidam daquilo com esmero e têm sempre uma dica perfeita. Vão por mim! Feita a publicidade, de coração, vamos em frente.

Comprovando, uma vez mais, que “papo é civilização”, frase cunhada pelo Ivan Lessa e lembrada ontem pelo Aldir, a noite foi absolutamente agradável, os presentes fizeram perguntas, as perguntas se multiplicaram, e viveu-se, ali, literalmente, uma aula de civilização e de carioquice. Devo dizer que um dos momentos que eu mais gostei foi quando Aldir e Fausto sentaram a piaba nesses bares de merda que eu tanto espanco por aqui.

De lá partimos para o Capela.

E foi lá que deu-se o átimo a que me referi no primeiro parágrafo.

Mas ainda no Céu Aberto, tive o prazer de apresentar o Aldir ao Pratinha e vice-versa (como é que se diz essa merda sem precisar recorrer a esse “vice-versa”? Ajude-me, Szegeri, por favor). Disse eu ao Aldir:

– Esse é o malandro que junto comigo levou o “Bola Preta”, cantado de cor! – eu frisei o “cantado de cor” porque o autor da magnífica e extensa letra duvidara da coisa.

Aldir fez festa, o Prata avermelhou-se – ele é o segundo maior conhecedor da obra blanquiana – e tomamos o rumo, então, do Capela.

Chope, chope, chope – exatamente três para cada um – e partimos, eu, Prata e Rodrigo Folha Seca, deixando por lá, ainda – típica noite sem fim – Aldir, Fausto e comitiva.

Quando eu já estava na porta, gritou-me o Aldir:

– Edu! Edu! Edu! – e fazia um vem-cá com a mão.

Cochichou-me no ouvido:

– Por favor, Edu… Deixa o Querubim em casa direitinho, hein!

Eu explodi de gargalhar. E fui contar a ele, Prata Querubim, seu apelido daqui pra frente.

Falei em explodir de rir e fecho com uma frase-resposta do Aldir, durante o bate-papo, que fez a platéia rolar no chão.

Perguntou o jornalista:

– Aldir… Se você pudesse mandar um recado, dizer uma frase ao Presidente Lula, qual seria?

E ele, de voleio:

– Não vai sujar o shortinho, hein!

Até.

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5 Comentários

Arquivado em gente

5 Respostas para “O APELIDO

  1. >Porra, Edu!, como é que eu fui perder esse bate-papo de responsa, hein?! Putz… Mas também, né… quem manda eu morar tão longe assim?!?(O Simas também não foi lá, né)? E, ó, vê se arruma, sei lá!, um jeito aí de haver mais uma parada dessa, pra quando eu for aí no Rio, poder participar também disso!Abraços!

  2. >Edu,eles se chamam Vinicius e Gisela, amigos de longa data, gente da melhor qualidade. Eu lembro de ter achado inusitado encontrar o Vinicius no lançamento do seu livro… Eles vão gostar de ir ao Rio-Brasília com a gente, com certeza!

  3. >Excelente, tô rindo até agora.

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