Arquivo do mês: outubro 2006

SEM ELA

E lá vêm os poetas, de novo, me socorrer. Sem ela, sem amor, é tudo sofrimento, pois ela é o amor que eu sempre procurei em vão. Pra quê tanta luz, luminosa manhã? É demais pros meus anseios. De repente em minha vida, já tão fria e sem desejos, esses festejos, essa emoção…
Dani, primeiro de maio de 2006
Tem dia que é assim. Eu atropelo os conselhos que mandam evitar a exposição em demasia, eu esqueço que basta dizer isso a ela, baixinho, em seu colo, e eu passo a querer mais é pôr a boca no mundo e escrever o mais bonito bilhete de amor, a mais ridícula carta de amor, pública, devassada, visível.

Pode ser que seja fruto da fragilidade pós-bala perdida que estilhaçou o vidro de nossa janela, pode ser que seja em razão de sua volta depois de três semanas de viagem, pode ser que seja conseqüência do susto da notícia de hoje cedo, da morte do pai de uma amiga de muitos anos, pode ser tudo isso junto.

Mas pode ser que não seja nada disso, e seja apenas o amor, vivo, intenso, o amor que não arrefece, o amor que só cresce, o amor que me fez comprar flores para encher a casa na sexta-feira passada, quando fui buscá-la no aeroporto com pressa de adolescente aguardando a primeira namorada.

Pode ser que seja por causa da visão de seus olhos, pequeninos, na noite de ontem, depois de um dia inteiro de cerveja, pedindo colo. Pode ser que seja por causa desse frio na barriga que persiste depois de mais de sete anos vivendo juntos, contrariando as previsões que não me servem, de que quimicamente (estaria comprovado, dizem os tolos sem a minha sorte) essas reações não duram mais do que um ano. Pode ser que seja por causa dessa respiração e desses suspiros que são inevitáveis quando vejo sua fotografia, e daí sinto seu cheiro, e daí eu corro os olhos pro relógio contando as horas e os minutos no afã de encontrá-la e aninhá-la nos meus braços.

Vocês que me perdoem, meus poucos mas fiéis leitores, mas hoje estou num desses dias.

Com butterfly, que é como ela chama esses frios na barriga que me percorrem também a espinha. Com o coração disparado, com uma vontade absurda de dar a ela o sistema-solar e o fundo do mar, a minha caixa de lápis-de-cor, o meu Flamengo, o meu Salgueiro, a Tijuca e o Rio de Janeiro. Com uma estranhíssima vontade de chorar, com uma crescente vontade de atravessar o Alto da Boa Vista e cair em seu colo, o lugar mais seguro do mundo, e beijar a mais bonita boca que jamais existiu, e dar a ela minhas lágrimas, meus soluços, meu amor e minha alma.

Pra todo o sempre, amém.

Até.

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COMIGO NINGUÉM PODE

Escrevo tomado de estranhíssimo orgulho, intensíssimo orgulho, diante da tela do computador, que por sua vez fica diante da janela do quarto que dá vista para o céu da Tijuca, onde nasci e fui criado. E pra continuar na linha do samba da vermelho e branco, quando eu morrer levarei comigo, dentro do meu coração, a Tijuca comigo.
bala perdida!!!!!
Entramos hoje, eu e Dani, para as estatísticas! E entramos para as estatísticas, engrossando a fileira dos que têm a inviolabilidade do lar (ôpa!) quebrada por uma bala perdida, essa aí de cima, ó!

Um pequeno ruído fora do comum, PLOCT!, e eis o vidro do quarto, onde dormimos juntos e sonhamos abraçados, com um furo lindo, perfeito, redondíssimo, e o insulfilm fazendo as vezes de pétalas negras em flor no desabrochar da violência, reduzindo o impacto da bala.

São seis horas, ouço daqui – cercadíssimo de igrejas – a Ave Maria, e choro, mas não de medo. Choro, não de piedade de mim mesmo, nem mesmo de piedade da minha garota, que chega hoje à noite de Belo Horizonte, aplacando a saudade que me transforma num ser menor que a bala. Choro, talvez, porque nosso horizonte não é mais tão belo quanto o nome da cidade que ficou mais bonita por uma semana, apenas porque lá estava ela, a mulher que me ensinou a sorrir, a Sorriso Maracanã, o mais lindo e luminoso sorriso do mundo, e que me perdoem todas as moças donas de sorrisos lindos e luminosos, mas jamais iguais ao dela.

Choro, talvez, porque ouço daqui as risadas dos canalhas que odeiam a Tijuca, e que vêm do Canadá, que vêm dos bairros exaltados como chiques e outras merdas, e que vêm dos que enxergam, aqui, o fim do mundo.

Atotô Xapanã! Salve, meus caboclos, Tupinambá, minhas flechas, minha bandeira vermelho e preta, do Flamengo também! Ogum iê patakori, e vamos que vamos que vamos que vamos, que comigo ninguém pode!

Aqui, ó, pra vocês!!!!!

Abraço-me, num delírio, à Dona Hilda, componente da Velha Guarda da Unidos da Tijuca, e canto junto com ela:

“Eu agradeço ao Criador
Na Tijuca eu nunca tive desenganos
Sou feliz como ninguém
Além de ser brasileiro
Sou tijucano também”

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E antes que eu me esqueça… De novo… Ô, cambada de invejosos, preconceituosos, mauricinhos e patricinhas… Aqui, ó!!!!!

Até.

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>UM GESTO POLÍTICO

>

Notem o que diz o bilhete… “Meu irmão, eu vou brigar por você, sempre! Edu e Szegeri”

para Fernando Toledo

Ontem, muito movido pelo gesto passional do Simas, recente e queridíssimo amigo, decidi fazer algo que vinha ocupando minha cabeça há muitos anos: cancelar, definitivamente, para nunca mais voltar atrás (e esse nunca, mais que nunca, dito com a ênfase szegeriana), minha assinatura do jornal O GLOBO, feita em 1994, na época em que vacas tentavam destruir meu pasto, sem êxito e sem caráter.

Brizolista que sou (eu disse sou), minha ojeriza às Organizações Globo vem, como diria o meu saudoso e eterno Governador Leonel de Moura Brizola, de longe. O nefasto episódio Time-Life, o papel vergonhoso desempenhado durante os anos de chumbo, a participação comprovada no escândalo PROCONSULT que tentou surrupiar votos de Brizola quando eleito pela primeira vez Governador do Rio de Janeiro, a nojenta omissão da TV GLOBO quando da realização dos comícios em prol das eleições diretas, a edição covarde do último debate entre Collor e Lula em 1989, tudo isso sempre me enojou e me fez ser, permanentemente, um leitor e um telespectador mais-que-atencioso quando se tratava de ler, ver e ouvir o que vinha da Vênus Platinada.

Hoje percebo que, por razões que nem eu mesmo consigo explicar, tornei-me assinante de O GLOBO por osmose. Os jornais cariocas – vale dizer que o povo carioca é o que mais lê jornais em todo o Brasil -, e isso hoje é ainda mais evidente e mais grave, tornaram-se um pastiche só, salvando-se um ou outro jornalista, ora de um, ora de outro jornal. Ocorre que O GLOBO era – e ainda é – o mais importante jornal do Rio de Janeiro, e acho que por isso, e graças a uma preguiça condenável, eu até ontem figurava no rol de seus assinantes. Figurava, como bem disse.

Impulsionado pelo corajoso gesto do Simas, enojado com a crônica que o Arnaldo Jabor (sem o negrito, que ele não merece) publicou naquele detestável Segundo Caderno (nem a Regina Duarte foi capaz de campanha tão sórdida pelo medo em detrimento da esperança e da verdade), tomei, ontem, no final do dia, a decisão que hoje – é incrível como é bonito e comovente perceber o que nos causa a tomada de um gesto eminentemente político – me alivia de forma quase que inexplicável.

Pediu-me, a supervisora Ieda, que me ligou ontem minutos após meu desligamento por telefone com um dos atendentes do jornal, que enviasse para um email que me forneceu, a lista das razões que me levaram a essa decisão. Decisão que – disse-me ela – tem sido uma triste constante nestas últimas semanas, em que o jornal – basta uma passada de olhos na seção de cartas dos leitores – assume, escancaradamente, uma posição parcial e desonesta, na contramão do desejo do povo brasileiro.

Eis, meus caros, a íntegra do email que escrevi possuído:

“A pedido da Sra. Ieda, que gentilmente atendeu-me hoje quando cancelei, por telefone, minha assinatura, venho pela presente mensagem dirigir-me a vocês para – a pedido dela, repito – explanar as razões de meu desligamento definitivo deste jornal.

Tudo começou em 19 de março de 2005 – sou assinante bem antigo – quando flagrei nojento e explícito caso de plágio nas páginas do destetável caderno ELA. Vejam aqui:

http://butecodoedu.blogspot.com/2006/06/acr-e-um-plgio.html

Mandei email para os editores, para a própria plagiadora, e ninguém me respondeu.

Depois, seguem-se VINTE E DOIS episódios repugnantes, tendo outro jornalista, dono de coluna no jornal, como protagonista de notas fétidas, preconceituosas, voltadas para um público ao qual não pertenço, seguem todas imediatemente abaixo.

01) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/03/p-sujo-fashion.html
02) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/04/e-prossegue-praga.html
03) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/04/eu-visionrio.html
04) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/05/jota-o-incansvel.html
05) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/05/os-chefs-e-os-butecos.html
06) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/05/gentskrta.html
07) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/05/jota-alade-e-chico.html
08) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/06/jota-mentiroso.html
09) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/06/jota-x-9.html
10) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/07/idi-jota.html
11) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/07/jab-com-jota.html
12) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/07/ranking-do-jota.html
13) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/07/jota-de-frias-mantida-fria.html
14) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/07/inaceitvel.html
15) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/07/farra-continua.html
16) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/07/eu-sabia.html
17) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/08/jota-ataca-outra-vez.html
18) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/08/jota-corretor.html
19) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/08/os-investidores.html
20) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/09/ter-o-jota-enlouquecido.html
21) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/09/o-patro.html
22) http://butecodoedu.blogspot.com/2006/10/ele-s-pensa-naquilo.html

Some-se a isso, Srs., a paciência que tive que ter durante a Copa do Mundo lendo as colunas de jornalistas que não sabem NADA de futebol, e que atentaram contra o leitor inteligente ávido por notícias ligadas ao maior torneio de futebol do mundo.

Some-se a isso, Srs., ter que aturar Joaquim Ferreira dos Santos escrevendo às segundas-feiras, Arnaldo Jabor às terças-feiras (ontem, especialmente, esteve nojento, e senti-me ofendido quando ele referiu-se como ignorantes aos que votam em Lula, como eu), Arnaldo Bloch, um bobo, Artur Dapieve, que nada tem a acrescentar, Artur Xexéo, chato, repetitivo, cansativo, e figuras pífias que assinam cadernos como o ELA ou seções imbecis dentro da Revista RioShow.

E some-se a isso, Srs., e eis a gota d´água, a cobertura parcial, desonesta, fascista, preconceituosa e venal das eleições 2006.

Como, infelizmente, fui informado pela atendente Ieda que, por obra do sistema de assinatura mensal, receberei o jornal até 12 de novembro de 2006, venho pela presente dizer que (01) já requeri o cancelamento definitivo da assinatura a partir daquela data, (02) até lá o jornal servirá, apenas, para que o Pepperone, meu cachorro vira-lata, faça xixi e cocô nas páginas de O GLOBO, sendo uma tremenda sorte dele o fato de não saber ler e, finalmente, (03) que farei intensa propaganda entre os meus, que não são poucos, para que sigam minha decisão de deixar de assinar este jornal que não cumpre, minimamente, o dever de informar, mas sim, diariamente, o papel de torcer os fatos, manipular a verdade, exaltar a podridão que destrói a cidade do Rio de Janeiro e assola o País, enganar o leitor (ou tentar enganá-lo), mentir, mentir, mentir, a serviço das forças mais destrutivas que este País conhece.

Espero, Srs., desta vez, receber ao menos uma resposta, mínima que seja, eis que, JAMAIS, mesmo diante de minhas intensas manifestações de descontentamento por email, recebi qualquer resposta.

Atenciosamente,

Eduardo Goldenberg”

Ontem à noite mesmo, contando este episódio a meu amado pai, disse-me ele:

– Meu filho… Eles não estão nem aí pra isso… São milhões de assinantes…

Quero crer que meu pai se equivoca.

Eu sou apenas UM indivíduo. E que a fila aumente.

A propósito: a imagem que encabeça este texto é a do bilhete que escrevi, em meu nome e em nome do Szegeri, e que pus, cheio de orgulho, no barquinho branco de madeira que desceu o leito do Rio Maracanã, no dia 17 de agosto de 2005, levando as cinzas do meu irmão Fernando Toledo. Lembrei demais dele ontem, quando desliguei o telefone com a atendente do jornal.

Até.

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>SZEGERI E A RAINHA DO FREVO

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Eu sempre que falo do Szegeri, meu irmão paulista, faço questão de dizer que ele chora mais que bebê recém-nascido com cólicas olímpicas. Se bem que, em nome da precisão do início ao fim que me caracteriza, devo dizer que depois que conheci o Simas, outro emotivo crônico, não tenho mais certeza de que é ele, o Szegeri, o maior chorão que conheço. Papai é um que, por exemplo, sempre que falo do cara, manda essa:

– Pai, ontem à noite eu falei com o Szegeri e ele me disse que…

– Ele chorou por que dessa vez?

Vão tomando nota da fama szegeriana.

Mas se eu, por um lado, não sei mais dizer com certeza quem chora com mais freqüência, tenho, depois de cinco dias em sua companhia, uma certeza incontestável: ninguém, nunca, ao menos diante de mim, chorou por motivo tão banal, ou, se eu não quiser usar a palavra banal, que pode soar pejorativa demais para um homem de coração tão bom quanto o meu siamês, por motivo tão inusual, transformando seu gesto num quadro hilário dentro daquele delicioso domingo, quando comemorávamos o aniversário da Dani.

A seresta corria solta.

Violão, flauta, as pastoras Railídia e Roberta Valente cantando lindamente, até que o Szegeri pediu:

– Rui! Dó maior, por favor!

Rui, violão de ouro, fez o acorde.

E começou, meu irmão, a cantar:

“Dora, rainha do frevo e do maracatu
Dora, rainha cafuza de um maracatu
Te conheci no Recife
Dos rios cortados de pontes
Dos bairros, das fontes coloniais…
Dora, chamei
Ô Dora!… Ô Dora!”

Dora

Foi quando veio, em sua direção, a Dora, a cachorra de seu cunhado, o Capitão Leo Golla, que lá passava o feriado em razão da viagem do dono.

Já soluçando, o Szegeri continuou:

“Eu vim à cidade
Pra ver você passar
Ô Dora…
Agora no meu pensamento eu te vejo requebrando
Pra cá, ora prá lá
Meu bem!”

Dora abanava o rabo freneticamente, e meu irmão paulista chorava fungando dentro da orelha direita da cachorra.

“Os clarins da banda militar, tocam para anunciar
Sua Dora, agora vai passar
Venham ver o que é bom
Ô Dora, rainha do frevo e do maracatu
Ninguém requebra, nem dança, melhor que tu!”

Os presentes, incrédulos, assistiam à cena, até que o Szegeri, já no chão, e já agarrado à peluda cachorra, ambos imundos, bateu o telefone pro Capitão Leo:

– Leo? Eu nunca – NUNCA!!!!! – nunca mais te devolvo a Dora…

E danou de fungar.

Até.

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>COM A FORÇA DO POVO

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Meus poucos mas fiéis leitores hão de saber que falo a verdade. Mantive-me, durante toda a campanha eleitoral, em rigoroso silêncio sobre o assunto. A ducha de água fria que a sucessão de decepções provocou ao longo dos quatro anos de governo Lula esfriou, de fato, o desejo de vestir, por aí, camisas de qualquer cor, bandeiras de qualquer partido, e foi em silêncio, comovidíssimo, que votei no dia primeiro de outubro de 2006 em João Sampaio para Deputado Estadual, em Miro Teixeira para Deputado Federal, em Milton Temer para Governador, em Jandira Feghali para o Senado Federal e em Lula para Presidente da República.

Estamos, agora, a pouco menos de quinze dias da eleição para o segundo turno. Concorrem Lula e Geraldo Alckmin, que vai sem o negrito, que ele não merece. Por mais que alguns insatisfeitos defendam o voto nulo ou o voto em branco – lamentável caso da Senadora Heloísa Helena – é fato que o Senhor Nulo e o Doutor Branco jamais ocuparão o cargo de Chefe do Poder Executivo. O segundo turno tem inúmeras vantagens – e mesmo tendo votado em Lula, confesso que achei ideal essa segunda etapa da eleição presidencial, que veio como a materialização de um gesto simbólico de não entregar carta branca ao atual Presidente da República – e dentre elas a que eu julgo a principal: pôr, frente a frente, como as duas únicas opções, os preferidos do eleitorado.

E são eles o Lula e o Alckmin, esse último um fantoche nas mãos podres de FHC (também sem o negrito). Lula e seu projeto para o Brasil, Alckmin e seu projeto para o Brasil. E eles são – os projetos – tão diferentes, tão díspares, que eu considero, particularmente, uma covardia mais-que-reprovável essa confortável postura que põe, os dois, na mesma caçamba. Mas não vou tomar-lhes mais tempo, até mesmo porque eu não me sinto capaz de racionalizar meu voto e, conseqüentemente, convencer “a” ou “b” de que a minha escolha é que é a certa. Como em tudo na vida, decido meu voto por paixão, se bem que devo lhes dizer que tenho, sim, sempre, minhas razões para tomar essa ou aquela direção. O que quero hoje, mesmo, é dar espaço – ainda que modestíssimo, e desde já peço aos amigos que espalhem esse link na medida do possível – a um episódio que aconteceu na madrugada de segunda-feira no Jobi, no Leblon. Aliás, não poderia ser em outro lugar. Quando eu bato – e não bato pouco – no Jobi, no Leblon, se não estou querendo com isso generalizar, afinal tenho amigos queridos morando por lá, estou querendo dizer que são, o Jobi e o Leblon, ninhos de pernósticos da pior espécie, fascistas asquerosos que merecem meu mais profundo desprezo.

Estranhamente – ou nem tão estranhamente assim, afinal nossa imprensa é vendida, salvo raríssimas exceções – ninguém deu a notícia. Uma modesta e mínima nota consta da coluna de Ancelmo Gois, n´O GLOBO de hoje, com o título “Canibalismo”, dando conta da barbaridade que cresce, de forma assustadora, Brasil afora.

Leiam aqui, no Vermelho Online, site que eu já recomendo há anos, a íntegra da matéria cujos trechos transcrevo:

“Dois episódios de violência urbana motivada por razões políticas acrescentaram um ingrediente novo e preocupante à disputa eleitoral de 2006.

Um dos episódios ocorreu na madrugada desta segunda-feira, no bairro do Leblon, Rio de Janeiro, onde quatro militantes petistas foram espancados por uma turma de cerca de dez pessoas que se identificaram como apoiadores do candidato à presidência, Geraldo Alckmin.

A fúria foi tanta que uma das agressoras – não conseguindo acertar os olhos da publicitária Danielle Correia Tristão – arrancou-lhe um dedo à base de dentadas. ”Segundo um médico do Hospital São Lucas, a mordida foi muito violenta e decepou até o osso”, relatou o marido de Danielle, Juarez Brito de Vasconcellos, ao site do PT. ”O médico disse que só em casos de mordida de pittbull tinha visto coisa parecida.”

Principal vítima do ataque, Danielle teve de amputar parcialmente o dedo anular da mão esquerda. Ela e o marido fizeram boletim de ocorrência, acionaram um advogado e programaram exame de corpo de delito. Dois amigos do casal o acompanhavam, sendo também alvos de hostilidades e agressões.

(…)

Depois de participarem de uma caminhada da campanha Lula pela manhã e de irem à tarde para a praia, Jurez e Danielle encontraram os amigos e se dirigiram ao bar Jobi. O casal vestia uma camiseta com a inscrição ”Lula, Sim!” – o que fez cerca de dez apoiadores de Alckmin começarem a xingar e destilar ódio, tentando impedi-los de permanecer no estabelecimento.

Quando se sentaram, os petistas sofreram mais ameaças e provocações. ”Eles atiravam bolinhas de papel e nos chamavam de ladrões, de corruptos, de bandidos, de filhos da puta. Impressionante o ódio que saía dos olhos daquelas pessoas”, comenta Juarez. Sentindo o clima anunciado de terror, eles decidiram antecipar a conta e deixar o bar à 1 hora da madrugada. ”Tinha um senhor de uns 60 anos que ameaçava jogar um prato em cima da gente. Eles iam linchar a gente.”

Próxima à porta, porém, uma das agressoras pegou um adesivo de Alckmin e o esfregou no rosto de Danielle. Outra mulher atirou para longe o chapéu de palha usado pela petista. O grupo tentou correr até o carro, mas as agressões se multiplicaram, como relata Juarez: ”De repente, alguém me jogou no chão. Vieram outras pessoas. Foi uma grande confusão. Quando consegui me desvencilhar, já tinha sangue para todo lado”.

(…)

Outro episódio, igualmente chocante, ocorreu no domingo em João Pessoa, na Paraíba. Desta vez o jornal local, Correio da Paraíba, registrou o episódio.

Segundo o jornal, o técnico em eletrônica Tibério Modesto, de 21 anos, militante do PMDB, foi agredido a socos e pontapés, teve o aparelho celular roubado e o parabrisa do carro quebrado durante carreata do PSDB realizada na tarde de domingo (15), no bairro de Mangabeira. A esposa do Tibério, Fânela Peres, e sua filha, de apenas nove meses de idade, também foram agredidos. O bebê ficou com hematomas em um dos braços que, segundo ele, foram causados pelos participantes da carreata.

(…)

A causa do vandalismo, de acordo com Tibério, foram adesivos do candidato José Maranhão e do presidente Lula que estavam afixados em seu carro. O militante peemedebista contou que vinha da praia com a família e pretendia visitar um primo que mora em Mangabeira.”

Isso é que eu acho, sinceramente, comovente, se pensarmos grande.

De um lado – e não me acusem de valer-me de discurso ultrapassado, porque isso nunca vai acabar – a elite rancorosa, a direita raivosa, a escumalha, detrito de séculos de poder concentrado nas mãos dos que não admitem o novo, os preconceituosos que, babando de um ódio incomensurável, lançam em direção ao Presidente da República e candidato à reeleição que não tarda, os mais putrefatos dedos acusando-o de não ter estudado, de não ter berço, de não ter um dedo, o que seria – disse-me uma porca um dia desses – fruto de sua desatenção na fábrica em que trabalhava: eles são os eleitores de Geraldo Alckmin.

Lula em campanha em 2006

De outro lado, diz bem o slogan da campanha de Lula, o povo.

Por isso anseio pela chegada do dia da eleição.

Para que, de novo, e dessa vez com mais orgulho, com forte convicção, eu possa cravar o 13 na urna eletrônica, chorando mais uma vez, provavelmente, gritando por dentro: “Lula de novo, com a força do povo”.

É isso, definitivamente é isso, o que eu quero.

Porque eu não tenho a menor dúvida – a mais pálida – de que é o melhor para o Brasil.

Lula em campanha em 2006

Até.

PS: ah, sim. A título de curiosidade, vasculhem depois alguns blogs, de uns fanáticos anti-Lula (não conheço um único cidadão que goste do Alckmin), e vejam se eles fazem mínima menção ao lamentável episódio tipicamente fascista, perigosíssimo, parte, apenas, de um movimento ainda mais perigoso e negro que pretende tornar a reeleição de Lula ilegítima, apenas e tão-somente porque essa gentalha que arquiteta esse movimento não tolera o que vem do povo. Não custa vasculhar. Assim, vamos sabendo, nitidamente – eis a beleza de um segundo turno – quem é quem.

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>EM SAMPA

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(pra Stefânia e pro Szegeri)

Depois de quase uma semana fechado, reabro hoje o Buteco.

Fui, na quarta-feira, conforme anunciei, na véspera do feriado de 12 de outubro, ao encontro da minha Sorriso Maracanã, que estava a trabalho, desde a segunda-feira passada, em São Paulo. Por diversas razões de ordem prática, já que a minha garota ainda teria (ainda tem…) uma semana de trabalho pela frente fora do Rio de Janeiro, decidimos passar o final de semana em solo paulistano, o que significa dizer que foi lá que comemoramos o aniversário da mulher que me ensinou a sorrir.

Breve pausa para uma digressão mínima.

Dani, quando viaja, me deixa aqui com o coração do tamanho da gema de um ovo de codorna. Sou daqueles dependentes, em todos os sentidos possíveis e imaginários, e vê-la fazer as malas é algo tão angustiante quanto subir, devagar, a escadinha que leva o condenado à forca. Mas dessa vez foi diferente.

Dani ficaria na nossa casa em São Paulo, o que significa dizer que ficaria na Casa Vermelha, dos meus irmãos Szegeri e Stê. Dessa vez, então, a angústia não teve vez. Primeiro porque eu sabia, quando de sua partida, que em pouco mais de 48h estaríamos juntos outra vez. E segundo porque, estando Dani entre meus irmãos queridos, estaria bem, estilo melhor-impossível. E assim foi.

Não foi tão mínima a digressão, mas vamos em frente.

Cinco dias em São Paulo possibilitaram passeios nunca dantes feitos, conhecer bares novos, restaurantes novos, (con)viver mais de perto não só com esses dois, a quem amo a cada dia mais, mas mais de perto com gente da melhor qualidade como a Roberta Valente, o Erik e a Dani (que nos acompanharam no passeio ao Museu da Língua Portuguesa), beber descompromissadamente com o Bruno Ribeiro, que nos deu a honra de se despencar de Campinas para passar o sábado conosco (aliás, seu relato é preciso do início ao fim), ir mais uma vez à roda de samba dos Inimigos do Batente no Ó do Borogodó, disparado o melhor programa de São Paulo, e, finalmente, comemorar o aniversário da minha amada entre amigos, na Casa Vermelha.

Eu não vou me arriscar a nomear um por um, mas foram muitos os queridos que foram até lá, provar da famosa feijoada do Szegeri. Do Rio foram o Dalton, a Moniquinha, a Fumaça, o Alex Justo, e as fotos das efemérides são capazes, mais do que eu, tantos os sorrisos flagrados, de dimensionar o quão bonita foi a festa.

De pé, cotovelo apoiado no balcão do buteco imaginário, cansadíssimo da maratona que foi a estadia, ergo um brinde à Stefânia e ao Szegeri, que têm, por tudo (já tinham, é verdade), minha eterna gratidão.

Até.

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>RECESSO

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O Buteco entra, hoje, em mais que merecido recesso.

Até a próxima segunda-feira, dia 16 de outubro, estarei batendo ponto (eu digo logo que, aqui, o detestável gerundismo é bem aplicado, antes que me encham o saco!) em solo paulistano, onde encontrarei, além da minha mais-que-bem-amada Sorriso Maracanã – que faz anos no dia 15 de outubro, domingo – meus queridíssimos amigos que infelizmente não moram aqui.

O recesso, aliás, é belíssima oportunidade para vocês lerem, ou relerem, as entrevistas que emplaquei aqui no Buteco.

A primeira, contando com a participação dessa saudade chamada Fernando Toledo, com Fausto Wolff, aqui.

A segunda com Aldir Blanc, aqui.

A terceira com Moacyr Luz, aqui.

E a quarta com Wilson Moreira, aqui.

Até a volta!

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